O Insurgente

Setembro 6, 2010

A importância da História do Pensamento Económico

Filed under: Comentário,Educação,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Infelizmente, também em Portugal a História do Pensamento Económico é cada vez mais negligenciada – remetida para disciplinas opcionais ou simplesmente ignorada – o que só pode ter como resultado a “formação” de alunos com cada vez menos sentido crítico e menor capacidade para compreender as origens, evolução, vantagens e limitações das ferramentas de análise económica que lhes são apresentadas: Adam Smith? Who’s He? It’s time to return the history of economic thought to the college curriculum. Por Bruce Caldwell.

When I did my graduate work in economics at UNC, the history of economic thought was one of the core classes that all students had to take. We read and studied the great economists of the past–Smith, Malthus, Marx, Marshall, Keynes–whose insights directed (and sometimes misdirected) the progress of our discipline. Things have changed dramatically since then. The history of economic thought has virtually disappeared from the graduate curriculum in the United States, and if current trends continue, in a few decades it will have disappeared from the undergraduate curriculum, as well.

This situation is deplorable. The history of economic thought constitutes an essential part of the broader liberal education of economists.

Cavaco, o divisor situacionista

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:41

Um oportuno comentário do João Miranda a este infeliz apelo de Cavaco Silva: Cavaco toma partido pelos anti-divisionistas.

De um lado estão os que são contra a divisão dos portugueses. Este grupo defende que devemos ficar todos unidos a assistir ao apodrecimento da situação. Do outro lado estão os que são pelo confronto entre ideias e projectos distintos para o país.

Trivial Pursuit (2): Outros grandes desígnios

Filed under: Religião — Miguel Botelho Moniz @ 15:57

«Yes, but even though they probably certainly know that you probably wouldn’t, they don’t certainly know that, although you probably wouldn’t, there is no probability that you certainly would!»

Leitura complementar: Trivial Pursuit.

Dia 6

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:25

Novi Sad, a capital da Voivodina e a segunda maior cidade da Sérvia, nasceu no final do século XVII. Há vestígios na margem direita do Danúbio que apontam para ocupações pré-históricas, e Petrovaradin, a fortaleza que domina a curva do Danúbio que acolhe, do outro lado, Novi Sad, tem uma história mais longa e antepassados ali edificadas com os mesmos objectivos. Mas foi em 1694, quando uma colónia de sérvios expulsos de Petrovaradin por professarem a fé ortodoxa se instalou na margem esquerda do Danúbio, que começou a crescer a Novi Sad moderna. Não nasceu amaldiçoada, como Belgrado, que se diz ter sido arrasada dezenas vezes na sua história, mas teve a sua dose de destruição e sofrimento, desde as revoluções de 1848 e 1849 aos bombardeamentos da NATO, em 1999. Quando visitei a cidade pela primeira vez, em 2003, as cicatrizes eram ainda visíveis, e atravessar o Danúbio, com as ruínas das pontes a saírem da água como ossos semi-enterrados na areia do deserto, era uma experiência um pouco perturbadora. A cidade recompôs-se, como quase todas, mas mantém a pátina e a estrutura que denunciam o passado turbulento. Do quarto do hotel, com uma ampla janela que dá para uma estreita perpendicular à estruturante Jevrejska, posso ver alguns dos estratos de História que foram moldando Novi Sad. Há casas baixas e de telhados inclinados que nos transportam para Sarajevo e recordam a ocupação e influência otomana na região (Petrovaradin esteve 150 anos sob ocupação turca); na esquina oposta da Jevrejska está um edifício com traços imperiais; e por trás das árvores adivinho a sinagoga, construída entre 1905 e 1909. Aliás, Jevrejska significa judia, e é um sinal da importância que a comunidade judaica tinha antes II Guerra Mundial. Hoje, já nem se pode chamar comunidade às poucas centenas de judeus que vivem em Novi Sad (e alguns saíram de Novi Sad nos anos 1990, para fugir ao recrutamento militar, como um fotógrafo de Budapeste, que conheci no comboio Budapeste-Novi Sad, em 2004 ou 2005, e que ia a caminho de um casamento na sua antiga cidade, agora livre da ameaça que o afastou das raízes) .

Quando todos os dias víamos imagens de caos e destruição na Jugoslávia, escutávamos frequentemente que Sarajevo era uma espécie de Balcãs em miniatura, onde se condensavam toda os problemas que atormentam a região. Novi Sad é uma miniatura da Europa, da Europa que interessa: a mittel. O resto são espectáculos de província.

Petrovaradin, 2010

Uma questão de tempo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:06

O que nos diz Sócrates no seu discurso em Matosinhos? Que a culpa da precária situação económica do pais é do PSD. De Passos Coelho. Do líder do maior partido da oposição que, arriscando destruir o estado de graça auferido por todo o político que assume funções, deu carta branca para subir impostos, embora exigindo resultados no combate à despesa a breve prazo. Nenhuma das condições que Passos Coelho apresenta agora ao Governo e ao PS para aprovação do orçamento de Estado são novidade. São conhecidas por Sócrates desde a Primavera deste ano. O alarmismo do Primeiro-Ministro é o sinal, mais um, de um fim de ciclo. Todas as frases de Sócrates demonstram isso mesmo: vazias de conteúdo, cheias de ameaças. Ou ele ou o dilúvio. Não é a primeira vez que um chefe de governo utiliza esta táctica. Na verdade, ela é a que melhor se coaduna com os estão de saída. Já faltou mais.

Até breve

Filed under: Blogosfera,Comentário,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 00:46

Esperei alguns dias para comentar publicamente o anúncio da suspensão da participação do Miguel Noronha n’O Insurgente porque não sabia muito bem o que seria adequado escrever. Continuo sem certezas a esse respeito, mas acho que não devo deixar passar o evento em branco.

O Miguel escreveu no post de despedida que iniciou a participação n’O Insurgente “há mais de cinco anos”. É verdade, mas não é a verdade toda.

No quarto aniversário d’O Insurgente, em 2009, reproduzi o que tinha escrito no balanço do primeiro ano Insurgente, ajustando apenas a referência temporal:

Quando há pouco mais de [quatro anos] atrás eu e o Miguel inicialmente discutimos a ideia de criar um novo blog colectivo, julgo que é correcto dizer que nem eu nem ele tínhamos um plano bem definido do que esse blog poderia ou deveria ser. Tínhamos (e temos), é certo, um conjunto de princípios gerais em comum que considerámos deverem nortear o projecto mas a identidade e o estilo do blog desenvolveram-se de forma mais ou menos espontânea desde o primeiro dia de actividade. Tivemos depois a sorte de, quer na equipa inicial, quer nas sucessivas expansões, todos os elementos se terem integrado perfeitamente no espírito do blog e enriquecido o seu conteúdo. Julgo que a chave desta coordenação descentralizada entre todos os elementos da família Insurgente tem sido o facto de todos compreendermos bem que o que temos em comum neste contexto é bem mais significativo do que o que nos separa.

Reproduzi o texto em 2009 porque, no essencial, ele não tinha perdido actualidade. No entanto, a partir de 31 de Agosto de 2010, o texto deixou, pelo menos em parte, de ser actual. O Insurgente foi, desde o início, um projecto no qual o Miguel Noronha teve um papel essencial, não só pela sua participação como blogger, mas também porque a própria identidade do blogue foi em boa parte definida e construída por ele.

Conjugando a minha cada vez mais escassa disponibilidade para escrever textos que vão além de referenciar outras fontes com a saída do Miguel, cheguei a ponderar seguir o exemplo dele. Concluí no entanto que num blogue em que se preza, desde a fundação, o individualismo (no sentido hayekiano do termo), faria pouco sentido tomar decisões por imitação. Assim sendo, continuarei por aqui enquanto para mim a colaboração continuar a fazer sentido. Quanto ao Miguel, estou certo que nos vamos ver por aí e, quem sabe, talvez até nos venhamos a reencontrar neste mesmo espaço.

Setembro 5, 2010

José Sócrates e o PS

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 21:00

O one man show de Sócrates. Por Paulo Pinto Mascarenhas.

As emissões televisivas da rentrée socialista em Matosinhos comprovam que o PS é hoje um “one man show”. Ou melhor: o partido do “one man Sócrates”. Como se vê nos blogues, jornais e televisões, PS e Governo confundem-se com José Sócrates. Para além do secretário-geral que é primeiro-ministro, pululam no palco mediático algumas figuras menores e quase desconhecidas da maioria dos portugueses.

Value Added Tax

Filed under: Economia,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Dan Mitchell discusses the VAT (Value Added Tax)

California: Fiorina 48%; Boxer 46%

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 18:00

Caso se venha confirmar nas próximas eleições, a derrota de Barbara Boxer na California será uma das mais pesadas e surpreendentes derrotas para os Democratas: California: Fiorina and Boxer Still in Tight Fight

Incumbent Democrat Barbara Boxer remains locked in a tight fight with Republican challenger Carly Fiorina, according to this latest SurveyUSA poll conducted exclusively for KABC-TV Los Angeles, KPIX-TV San Francisco, KGTV-TV San Diego, and KFSN-TV Fresno. 3 identical SurveyUSA tracking polls have shown the contest within the theoretical margin of sampling error, though, in all 3 cases, the Republican has been nominally ahead, confounding many observers and, for now, preserving the possibility of a take-away. Today, it’s Fiorina 48%, Boxer 46%.

Thilo Sarrazin

Filed under: Double standards,Internacional,Justiça,Media,Política — André Azevedo Alves @ 17:35

E a liberdade de expressão? Por Gabriel Silva.

Thilo Sarrazin é director do banco central alemão com o pelouro dos sistemas informáticos. Escreveu um livro onde, segundo noticiado pela imprensa internacional, certamente entre outras ideias, advoga que as comunidades muçulmanas na Europa não estão, por natureza, interessadas em se integrarem na vida das sociedades ocidentais, que os seus membros tem menos sucesso no aproveitamento escolar e portanto serão incapazes de contribuírem para o desenvolvimento dos países de acolhimento; que são uma ameaça populacional por terem taxas de nascimento muito superiores aos «autóctones», e que os judeus possuem um gene distintivo dos demais.

Pode-se, por preconceito (pois ninguém leu o livro ainda), pensar o que se quiser das ideias expostas. Pode alguém sentir-se ofendido e recorrer para os tribunais. Pode-se, quando for conhecido o seu argumentário, refutar os argumentos, os factos e as conclusões. Nada de muito especial, acontece com qualquer livro onde se exponham ideais.

Mas o verdadeiramente estranho, escandaloso e extremamente perigoso (e infelizmente, não é caso único), é o julgamento sumário na praça pública que o autor tem vindo a ser sujeito, tentando-se desde já puni-lo pelas suas ideias. Algo que se pensava não ser possível em sociedades abertas, livres e democráticas. Desde já, os seus colegas retiraram-lhe todas as suas competências e existem movimentos e pressões políticas para que seja demitido. Não porque tenha extravasado as suas competências. Ou por ser incompetente. Ou sequer por ter expressado alguma ideia que pusesse em questão o desempenho do seu cargo ou a instituição que serve. Não. Pura e simplesmente, querem puni-lo pelas suas ideias.

Florida: Rubio 40%; Crist 30%; Meek 21%

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 17:00

Florida Senate – August 25, 2010

Kentucky: Rand Paul 55%; Jack Conway 40%

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 16:15

Complete results Kentucky U.S. Senate poll

A telefonista do PSD não se enganou

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:10

graçolas sempre de oportunidade. Por Rodrigo Moita de Deus.

António Pinto Ribeiro esteve na Universidade de Verão para debater a cultura com Francisco José Viegas.

Multiculturalismo vs. Liberalismo (2)

Filed under: Livros,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 15:43

Culture and Equality: An Egalitarian Critique of Multiculturalism. Por Brian Barry.

Multiculturalism Reconsidered: Culture and Equality and Its Critics. Por Paul Kelly (Ed.).

The Liberal Archipelago: A Theory of Diversity and Freedom. Por Chandran Kukathas.

The Quest for Community: A Study in the Ethics of Order and Freedom. Por Robert Nisbet.

Multiculturalism and the Politics of Guilt: Toward a Secular Theocracy. Por Paul Gottfried.

Leitura complementar: Multiculturalismo vs. Liberalismo.

O bombardeamento de Hiroshima e Nagasáqui (2)

Filed under: Justiça,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 13:11

Comentário do Miguel Madeira ao post O bombardeamento de Hiroshima e Nagasáqui:

“antes dos tempos do políticamente correcto, a guerra era algo que tinha como objectivo a vitória.”

Muito pelo contrário – mesmo muito “antes dos tempos do politicamente correcto”, a guerra era algo que tinha como objectivo conquistar algum território ou resolver uma querela dinástica, e normalmente acabava com um tratado, em que uma das partes cedia alguma coisa mas não muito (pelos padrões modernos, grande parte das guerras “antigas” acabavam com “empates”).

Foi a partir do momento em que as guerras passaram a ser feitas em nome da Humanidade, da Paz, da Justiça e da Fraternidade Universal (no fundo, com o começo do que imagino ser o que RS chama “politicamente correcto”) que a guerra até à destruição total do inimigo se tornou a regra.

Dia 5

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 12:32
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Ontem, depois de um belíssimo jantar no Sokače, passei pelo La Nuit des Gitanes, onde, há uns anos, conheci o dono. Do seu nome não me recordo, mas lembro-me da sua história simples: um cigano sérvio, emigrado em Paris, que regressou a Novi Sad com dinheiro no bolso e orgulho em alta para montar o chiringuito onde conversámos ao som de um quarteto de músicos romani. Um caso de sucesso, como outros na Sérvia. Diz-se que os ciganos mais integrados e menos miseráveis da Europa Central estão nos países que antes formavam a Jugoslávia. Mas tal facto, se é verdadeiro, não é motivo para celebrar: os Roma jugoslavos estão muito segregados e são muito miseráveis. Só que um pouco menos do que os seus vizinhos romenos, húngaros e eslovacos.

P.S. Com o recente episódio francês que envolveu certos cidadãos da União Europeia, meio mundo reparou na utilização do nome Roma como designação politicamente correcta de “ciganos”. O que talvez não saibam, e aí temos a suprema piada, é que Rom — o singular de Roma — significa “homem” na língua romani. Se as feminazis descobrem deixam logo cair este termo que, para já, ainda é tão correcto e moderno.

Cokače, Novi Sad, 2010

Multiculturalismo vs. Liberalismo

Filed under: Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 10:00

Um excelente artigo de Diogo Costa: Faca na mão, multiculturalismo no coração.

Liberalismo e multiculturalismo se assemelham porque ambos garantem o direito a estilos de vida não aprovados pela maioria da sociedade. Mas enquanto o multiculturalismo se encerra na soberania da liderança de cada grupo cultural sobre seus membros, o liberalismo assegura a soberania de cada membro do grupo.

(…)

Ao defender os direitos de cada indivíduo, os liberais reconhecem o crime que é o assassinato de uma criança. A Dra. Neusa reconhece apenas o direito dos líderes do grupo em praticar o assassinato, ou, como prefere a autora o “desaparecimento” e a “supressão” de criancinhas.

Vejam bem do que a Professora Neusa está a favor: um crime deixa de ser crime se for praticado repetidamente por muito tempo. Se começarmos a matar professores com doutorado a partir de agora, e continuarmos a mesma prática entra ano, sai ano, as Drªs. Neusas do século XXII dirão que tudo está bem, é a lógica da nossa cultura: por consumir recursos da sociedade sem contribuir com nenhuma produção de fato, os doutores são um peso para a comunidade.

Não existem diferentes lógicas assim como não existem diferentes justiças ou diferentes verdades. E a verdade é que, se o assassinato de inocentes é um crime, uma violação de justiça para todos os humanos, logo será crime se for praticado no oeste europeu, no leste asiático, ou no centro-oeste brasileiro. Direitos humanos se aplicam a toda a humanidade, não apenas a crimes cometidos por ocidentais contra outras culturas, ou por maiorias contra minorias.

(…)

A defesa do multiculturalismo é, portanto, incompatível com uma sociedade aberta, pacífica e baseada na universalidade dos direitos do homem. O respeito pela independência de minorias como os Yanomami não deve terminar nos seus líderes. A verdadeira tolerância cultural respeita a independência da menor das minorias de qualquer grupo: o indivíduo.

Setembro 4, 2010

Dia 4

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 20:01

O Avala Express chegou à Keleti pu já com meia hora de atraso, mas durante o trajecto até Novi Sad apenas se atrasou mais meia hora. E não havia fanfarras klezmer a caminho de um casamento, nem personagens estranhas (como aquele homem com passaporte canadiano, em 2003, que falava inglês, sérvio, albanês e um pouco de português), nem caras que denunciavam contrabando, nem tempos de espera épicos na fronteira. Desta vez esteve tudo muito tranquilo, muito europeu. Uma chatice.

Avala Express, 2010

Taxing the Rich

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Dan Mitchell on Taxing the Rich

Top posts da semana

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 19:34

Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:

1A velha extrema-esquerda caviar
2Racionalismo iluminista e liberalismo
3Quem não tem um amigo em Londres?
4A Outra Palestina
5Critérios de análise económica em Portugal

José António Cerejo e o caso Freeport

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:40

Há sempre plumas de censor ao serviço de qualquer regime. Por José Manuel Fernandes.

Não fosse o advogado José Augusto Rocha ter decidido juntar a sua voz à da legião de protocensores que condenam o facto de José António Cerejo (JAC) se ter constituído assistente no caso Freeport e não teria decidido, dado a insignificância de algumas dessas vozes e o vazio da sua argumentação, regressar ao tema. Faço-o não por causa do tom insultuoso dessa prosa – infelizmente na linha da dos actuais dirigentes da Ordem dos Advogados -, mas porque esta tem o objectivo confesso de limitar a liberdade de informação, porventura através de uma alteração ad hoc da legislação.

Leitura complementar: Freeport: tudo está bem quando acaba bem (3); Freeport: tudo está bem quando acaba bem (2); The Inner Party; Um exemplo de cidadania; Sou só eu ou há mais quem note um padrão?; O poder de Centrum; Só faltou uma pergunta…; Entrevista de José António Saraiva ao Correio da Manhã; Director do jornal Sol interrogado no “Centro de Reinserção Social de Oeiras”.

O bombardeamento de Hiroshima e Nagasáqui

Filed under: Justiça,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 12:00

O tema é complexo, mas depois de ler o texto E se nos colocássemos no lugar de Truman?, de José Manuel Fernandes, continuo a achar que a melhor análise sobre a decisão de Truman é a de Elizabeth Anscombe: Mr. Truman’s Degree. Por G. E. M. Anscombe.

In 1939, on the outbreak of war, the President of the United States asked for assurances from the belligerent nations that civil populations would not be attacked.

In 1945, when the Japanese enemy was known by him to have made two attempts toward a negotiated peace* [* See Appendix.], the President of the United States gave the order for dropping an atom bomb on a Japanese city; three days later a second bomb, of a different type, was dropped on another city. No ultimatum was delivered before the second bomb was dropped.

(…)

It was the insistence on unconditional surrender that was the root of all evil. The connection between such a demand and the need to use the most ferocious methods of warfare will be obvious. And in itself the proposal of an unlimited objective in war is stupid and barbarous.

(…)

The Japanese attacked Pearl Harbour and there was war between America and Japan. Some American (Republican) historians now claim that the acknowledged fact that the American Government knew an attack was impending some hours before it occurred, but did not alert the people in local command, can only be explained by a purpose of arousing the passions of American people. However that may be, those passions were suitably aroused and the war was entered on with the same vague and hence limitless objectives; and once more unconditional surrender was the only condition on which the war was going to end.

(…)

“It pretty certainly saved a huge number of lives.” Given the conditions, I agree. That is to say, if those bombs had not been dropped the Allies would have had to invade Japan to achieve their aim, and they would have done so. Very many soldiers on both sides would have been killed; the Japanese, it is said—and it may well be true—would have massacred the prisoners of war; and large numbers of their civilian p opulation would have been killed by “ordinary” bombing.

I do not dispute it. Given the conditions, that was probably what was averted by that action. But what were the conditions? The unlimited objective, the fixation on unconditional surrender. The disregard of the fact that the Japanese were desirous of negotiating peace. The character of the Potsdam Declaration—their “chance.” I will not suggest, as some would like to do, that there was an exultant itch to use the new weapons, but it seems plausible to think that the consciousness of the possession of such instruments had its effect on the manner in which the Japanese were offered their “chance.”

(…)

The Censor of St. Catherine’s had an odious task. He must make a speech which should pretend to show that a couple of massacres to a man’s credit are not exactly a reason for not showing him honour. He had, however, one great advantage: he did not have to persuade his audience, who were already perfectly convinced of that proposition. But at any rate he had to make a show.

The defence, I think, would not have been well received at Nuremberg.

Setembro 3, 2010

O futuro do DN e do Público

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:00

Imprensa em queda. Por Nuno Gouveia.

Mais preocupantes são os números do Público (26 mil) e do DN (23 mil). A continuar a perder leitores desta maneira, o que será do futuro destes dois jornais? Não será tempo de mudar alguma coisa? Ou os seus responsáveis, tal como muitos outros, acreditam mesmo que a imprensa escrita não tem futuro, e por isso, nada fazem?

Leitura complementar: Todo um programa…; O legado de José Manuel Fernandes e o futuro do Público; O Público e o Bloco de Esquerda.

Bailouts, Europe & Democracy

Filed under: Economia,Política,União Europeia,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Dan Hannan – Bailouts, Europe & Democracy

Disponível para ceder

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 18:20

Há dias, o Público informava os potenciais interessados (presumo que um escasso número de pessoas) de que o dr. Passos Coelho estava disponível para fazer algumas “cedências” ao Governo na negociação do Orçamento de Estado. Não surpreende. Quantas vezes, desde que Passos Coelho chegou à liderança do PSD, é que o partido laranja “ameaçou” o PS de que iria derrubar o Governo? E quantas vezes é que realmente fez alguma coisa nesse sentido, ou obteve alguma cedência da parte do PS para o evitar? Desde que passou a ser “líder” da “oposição”, o dr. Passos Coelho só não tem mostrado disponibilidade para manter a palavra. Cedências, por outro lado, nem sequer é preciso pedir-lhe. Segundo o Público (e a propaganda “passista”), o líder do PSD fá-lo em nome do “interesse do país”. Na realidade, Passos Coelho fá-lo em nome de uma curiosa “estratégia” que pretende ao mesmo tempo mostrar que o PSD é “diferente” (através dos “ultimatos” e “ameaças” de derrube que faz a Sócrates) mas ao mesmo tempo “responsável” e “dialogante” (com as tais “cedências”). Para seu azar, e principalmente, para azar dos portugueses, a única coisa que consegue é manter o Governo no poder, e o país no lamaçal em que (mal) vai sobrevivendo.

Acordão do Processo Casa Pia

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:22

O Resumo do Acórdão de Tribunal de Primeira Instância relativo ao Processo «Casa Pia» está disponível aqui.

Um exemplo a seguir

Filed under: Desporto,Economia,Internacional,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:10

Num país em que escasseiam exemplos de excelência e competitividade a nível internacional, o FC Porto continua a ser um caso invulgar de sucesso: FC Porto. Um rei do tamanho da Torre dos Clérigos – Nos últimos cinco anos, os portistas são aqueles que mais dinheiro fizeram com vendas de jogadores: 249,1 milhões, o dobro do Benfica

Incrível mas verdadeiro. É português o clube que melhor vende (por favor, não confundir com o clube que mais vende, em quantidade de jogadores) desde o Verão de 2006 até ao de 2010 – e, atenção, não estamos aqui a contar com os 98,9 milhões de euros do Verão 2004 (ver ao lado), quando o FC Porto se deu ao luxo de despachar sete recém-campeões europeus, incluindo os três marcadores de golos dessa final da Champions, com o Monaco: Carlos Alberto, Deco e Alenitchev. Não, aqui não entram esses números exorbitantes. É só de 2006 em diante e, mesmo assim, o FC Porto domina as atenções, com 29 milhões de euros de avanço sobre o Real Madrid.

Se estendermos o ranking de 2004 a 2010, o FC Porto é ainda o rei, com 397,9 milhões de euros, seguido do Real Madrid (306,2 milhões de euros), Inter (305,7 milhões) e Manchester United (279,2 milhões).

A um revolucionário

Tudo se permite. O seu amigo de Portugal deve estar cheio de orgulho.

Fazendo contas ao (aparente) volte-face

Filed under: Ambiente,Economia,Media,Política — Miguel Botelho Moniz @ 15:06

Este artigo do Guardian não é intelectualmente sério. Bjorn Lomborg nunca foi um céptico relativamente ao aquecimento global antropogénico. Ele sempre foi bastante claro em como aceitava a teoria. O que sempre questionou e, ao contrário do que diz o Guardian, continua a questionar é o valor de medidas draconianas de contenção de emissões de dióxido de carbono, como o protocolo de Quioto e afins. Que os “activistas” do aquecimento global lhe atribuam o estatuto de céptico, ou que o charlatão Rajenda Pachauri o tenha comparado a Adolf Hitler, mostra o quanto o debate está inquinado e qualquer pretensão a racionalidade irremediavelmente perdida.

Antes de embandeirarem em arco sobre esta suposta “chamada à acção” de um anteriormente “céptico”, os fiéis da religião anti-carbono deviam ler com atenção as medidas propostas por Lomborg, nomeadamente a sua defesa da energia nuclear e de investigação na área de tecnologias que permitam contrariar os (potenciais) efeitos das emissões sem necessitar de as conter de forma economicamente suicida. Os $100B propostos por Lomborg são uma pequena fracção dos custos impostos por Quioto e uma ainda menor fracção dos custos que os mais radicais gostariam de impor ao mundo na sua senda anti-humanidade. E enquanto este últimos desejam que tais custos sejam incorridos para impedir algo incerto de acontecer (a suposta causa), as medidas defendidas por Lomborg e pelos que participaram no chamado Consenso de Copenhaga destinam-se a colmatar coisas que aconteçam (eventuais consequências). O que faz mais sentido?

Agora que Obama decretou o fim da guerra

As boas relações entre cristãos e muçulmanos no Iraque.

Em dia de circo da Casa Pia

Filed under: Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 12:09

Redacção original do art. 30.º do Código Penal de 1995:

Artigo 30.º
Concurso de crimes e crime continuado
1 – O número de crimes determina-se pelo número de tipos de crime efectivamente cometidos, ou pelo número de vezes que o mesmo tipo de crime for preenchido pela conduta do agente.
2 – Constitui um só crime continuado a realização plúrima do mesmo tipo de crime ou de vários tipos de crime que fundamentalmente protejam o mesmo bem jurídico, executada por forma essencialmente homogénea e no quadro da solicitação de uma mesma situação exterior que diminua consideravelmente a culpa do agente.

Em 2007, a redacção do artigo foi alterada pela Lei n.º 59/2007, de 04/09, acrescentando um ponto 3 (com negrito meu):

3 – O disposto no número anterior não abrange os crimes praticados contra bens eminentemente pessoais, salvo tratando-se da mesma vítima.

Hoje, foi publicada (via Blasfémias) em diário da república uma alteração da redacção desse ponto 3.º, que passa a ser a seguinte:

3 – O disposto no número anterior não abrange os crimes praticados contra bens eminentemente pessoais.

Pergunto-me: qual terá sido a génese e a quem aprouveram estas alterações?

É fazer as contas

Filed under: Ambiente,Internacional,Religião — Carlos Guimarães Pinto @ 11:32

Numa indústria que vale 100 mil milhões de dólares por ano, quanto é que se pode gastar para fazer alguém mudar de opinião?

Esclarecedor

Filed under: Agenda,Ambiente,Cultura,Justiça,Media,Política,Religião — ruicarmo @ 11:30

Entrevista de Bernard-Henry Lévy ao filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani.

Dia 3

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 11:04

Não há qualquer proibição nesse sentido, mas é raro ver-se uma criança nos banhos de Budapeste (pelo menos nos dois que costumo frequentar), e quando se vêem é quase certo que são de uma família de turistas. A mais mediática herança do século e meio de ocupação otomana é, tradicionalmente, um lugar de convívio para adultos, um rincão tranquilo e silencioso, onde se podem fazer e desfazer negócios, jogar xadrez ou falar da última notícia do bairro sem se ser perturbado por ruídos agudos e movimentos bruscos. Tem, no entanto, todas as características para encantar e entreter uma criança durante várias horas, e um banho turco em Portugal ou em Espanha seria logo transformado em disneylândia por famílias que não sabem que cada coisa tem o seu lugar.

Nos restaurantes húngaros o panorama é semelhante: não há gritos nem correrias. Os povos latinos defendem-se com a importância que dão à família (um argumento hilariante, tendo em conta o processo de destruição em curso) e chamam a isto “frieza”. Eu chamo-lhe educação e noção das circunstâncias. A qualidade de vida é infinitamente melhor na zona de influência do Mediterrâneo, mas, infelizmente há por ali uma certa falta de respeito pelos espaços, sejam estes públicos ou privados. No que se refere às crianças a coisa toma até proporções histéricas. Experimentem repreender um pai pelo comportamento da sua criancinha e descobrirão que os genes do mercado do Bolhão estão espalhados pelo povo português. É um tema tabu. Mas reparem na ironia: em Portugal (e em Espanha) as crianças podem fazer tudo menos ser crianças. Esfolar joelhos, brincar na rua até ao pôr-do-sol ou passar largas temporadas em casa dos avós é coisa do passado. O que é mesmo moderno é arrastar uma criança para um restaurante onde, claramente, não se sente à vontade. (Não têm dinheiro para pagar umas horas a uma ama, dizem os pais, enquanto mastigam as plumas de porco preto.) Temos de admitir, no entanto, que uma criança educada pode sentar-se em qualquer mesa. O problema é que aquelas (as crianças educadas) não abundam. Se eu fosse descuidado diria que estão a sair selvagens das mãos das gerações da democracia, mas logo viria um espertinho atribuir-me simpatias pouco liberais. Já lhes topei os truques.

A velha extrema-esquerda caviar

Filed under: Blogosfera,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 08:00

Francisco LouçãTem havido algum pudor em chamar a Louçã o que ele é: o líder da extrema-esquerda portuguesa. Por ser incensado pelos meios de comunicação social; por se ter, na medida do possível, afastado da herança trotskista e maoísta que marca a esquerda radical portuguesa; por não corresponder ao estereótipo de um ditador comunista; e por ser líder de um partido com forte presença e influência nos meios académicos e cada vez mais instalado no aparelho de Estado. Mas se olharmos com atenção, a agenda do Bloco de Esquerda aproxima-se da agenda de toda a extrema-esquerda europeia: desculpabilização do crime, “multiculturalismo”, combate à economia de mercado e um discurso anti-liberal obcecado pelo dirigismo estatal (na escola, nas empresas, na rua). Mas talvez devêssemos pensar que se se parece com a extrema-esquerda, age como a extrema-esquerda e fala como a extrema-esquerda é bem capaz de ser mesmo a extrema-esquerda.

Junta-lhe apenas um pormenor: a promoção incessante de “causas fracturantes” e culturalmente “progressistas”. E a questão é saber se foi a extrema-esquerda que cedeu às causas fracturantes que dizia combater no passado ou se foram os “progressistas” que cederam ao populismo da extrema-esquerda. Inclino-me para a segunda. E ao decidirem seguir este caminho escolheram um espaço político. Um espaço em relação ao qual a esquerda civilizada tinha obrigação de manter um cordão sanitário.

Para que esse cordão sanitário exista e se mantenham fechados no baú da história fantasmas do passado seria necessário começar por dizer que o rei vai nu: Louçã não está, pelo seu populismo desbragado, no arco da esquerda democrática. Poderá eventualmente ter apenas a vantagem de, com a sua presença, travar o crescimento de uma extrema-esquerda mais violenta. Mas nem por isso deixa de ser o que é.

Publicado n’O Insurgente. Não publicado – obviamente – no Expresso Online.

Leitura complementar: Daniel Oliveira faz dura crítica a Francisco Louçã.

150 mil empregos

Filed under: Economia — ruicarmo @ 00:35

Parece que não está a resultar.

Setembro 2, 2010

Socrates: Vê-se creches

Filed under: Cartoons,Media,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:52


(via Pedro Aniceto)

Dedicado à CGTP

Filed under: Comentário,Política,Teoria — ruicarmo @ 23:30

Pistas para um sindicalismo moderno.

Notável II

Filed under: Agenda,Comentário,Política,Portugal — ruicarmo @ 23:16

Sócrates leva o país a alcançar um prestigiado segundo lugar, logo a seguir à Grécia. É preciso que a confiança não esmoreça. Nunca se viram investimentos , sem confiança.

Notável

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Portugal — ruicarmo @ 23:12

A resposta do jornalista José António Cerejo a um doutor anti-fássista.

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