O Insurgente

Setembro 13, 2010

Para que servem os impostos?

Filed under: Diversos — André Abrantes Amaral @ 10:59

A discussão entre Passos Coelho e Sócrates relativamente ao orçamento de Estado e a subida camuflada de impostos que o governo quer aprovar através do fim de algumas deduções fiscais, não se deve cingir ao orçamento. Ela deve ir bem mais longe que isso. Devido à situação calamitosa das contas públicas, nela deveríamos assistir a duas concepções sobre para que servem os impostos e quem os deve pagar.

Quando o Estado apresenta graves dificuldades para enfrentar a suas despesas é importante que o PSD não dê o tom apenas no combate à despesa, mas apresente a sua visão do que devem ser as receitas. Basicamente, e de forma muito simples, que o PSD diga ao país para que servem os impostos. Este ponto é fulcral no debate político, pois a maioria das vezes, o aumento de um imposto é acompanhado por uma explicação subjectiva: convencer os contribuintes a fazer isto ou aquilo; a agir de uma forma ou de outra; a fumar menos, ou a consumir menos gasóleo. Esta visão distorcida do que é um imposto deve ser posta de parte pelo PSD. Na verdade, um imposto não deve ser um instrumento de poder, exercido de forma a condicionar as escolhas dos cidadãos. O seu objectivo não é o de forçar as pessoas a viverem de acordo com o que os detentores do poder consideram importante. Os impostos não devem coagir comportamentos, forçar decisões, nem dirigir escolhas. Servem para financiar a actividade essencial do Estado, condicionando o menos possível a economia, a livre escolha dos cidadãos. Tão só e pouco mais que isto deve o PSD dizer na sua discussão sobre o orçamento de Estado para 2011.

Daqui parte toda uma diferente visão de Estado. Das suas tarefas e do seu papel. Colocar a função de um imposto nos termos certos, impede qualquer solução abusiva sobre a esfera privada dos contribuintes.

Impede também confusões sobre quem deve pagar os impostos. A resposta natural é que sejam os que têm capacidades para o fazer. Aqueles que conseguem pagar os impostos que servem para financiar as funções essenciais do Estado. Daqui retiramos os mais pobres, com pouquíssimos rendimentos, para quem o pagamento de qualquer obrigação tributária causa profundas consequências. Mas não concluímos que os mais ricos e a classe média empreendedora devem ser mais onerados que os restantes. Tributar em excesso a riqueza é convidá-la a ir-se embora. Ela e os investimentos que daí advém, os empresários que a criaram, os empregos que dela resultam. Uma vez mais, a tributação não pode ser condicionada, nem condicionante. Não deve punir, nem discriminar. Não pode onerar quem se esforça e arrisca; quem é mais inteligente ou mais trabalhador; mais organizado e diligente. Quem dá o melhor de si com vista ao sustento da sua família e ao seu próprio sucesso profissional.

Em Portugal quanto mais se trabalha e se ganha, mais papéis se preenchem e entregam. O tempo gasto nas repartições, o dinheiro que se paga a profissionais que o sabem fazer são formas escamoteadas de onerar quem tem sucesso. Tal só se evita com simplicidade fiscal. Menos burocracia. É indispensável que o PSD apresente também um programa sério e sustentado de simplicidade fiscal. Com um sistema mais simples e justo, são mais os que pagam dos que os que fogem, há mais receitas, mas menos esforço para quem cumpre. Enfrentar o PS e o seu dogma socialista nesta matéria não pode ficar de fora na discussão que ainda agora começou.

Navegar no mundo da insurgentologia

Filed under: Blogosfera,Desporto,Insurgentologia,Religião,Teoria — ruicarmo @ 00:10

Dedicado ao marinheiro insurgentólogo Pedro Bandeira, ilustre representante dos leitores regulares de O Insurgente. O Pedro Bandeira pode enviar as suas certezas em forma interrogativa – as que anunciou neste post e as outras que ao “longo de meses” me tem dedicado – para o correio sentimental de uma qualquer boa revista cor-de-rosa. Se for tímido, o Professor Karamba promete ajudá-lo.

Setembro 12, 2010

Um país endividado perde soberania

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 23:58

Os alemães que paguem a crise. Por Paulo Pinto Mascarenhas.

Cereja em cima do bolo de Berlim, a fiscalização das contas nacionais pela Comissão Europeia, numa espécie de visto prévio de Bruxelas, representa o fim das amplas liberdades orçamentais. Por tudo isto, não faz qualquer sentido a encenação política montada por José Sócrates à volta do próximo Orçamento do Estado: ou cumpre as regras, ou recebe uma moção de censura europeia. Um livro de pouco mais de 100 páginas já tinha avisado. ‘Economia Portuguesa – As últimas décadas’ de Luciano Amaral não pode ser mais claro: Portugal é um país endividado a caminho de se transformar numa região subsidiada. Falta saber se os alemães estão dispostos a pagar a nossa crise.

Salazar: A Political Biography – Ribeiro Menezes

Filed under: Livros,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Salazar: A Political Biography. Por Filipe Ribeiro Menezes.

The first full-length English scholarly biography of one of the last dictators of Western Europe. Antonio de Oliveira Salazar entered the government of Portugal when Herbert Hoover was president and ended his political career at the end of the Johnson administration; he remained in power for forty years (1928 1968), one of the longest tenures in modern history. As a young man he planned to enter the priesthood and attended the seminary until he decided to become a political economist and an academic. Unlike the other ”great dictators” of the twentieth century, including Franco, Mussolini, and Hitler, Salazar immersed himself in the minutiae of government and administration, maintaining a prodigious work rate throughout his forty years in power. He managed his country’s finances and economy, one of the poorest in Western Europe, successfully during the Great Depression. He became a seasoned diplomat who spared Portugal from the horrors of World War II by remaining strictly neutral, ultimately favouring Great Britain and the United States. However, Salazar would always remain an extremely conservative statesman who relied on secrecy and a police state, appearing to favour fascism, fearing modernity, and ultimately rejecting the anti-colonialist movements in Asia and Africa. He saw the universal granting of independence to the colonies as a sign that the West was abdicating its civilising mission. This is the first full-length English-language scholarly biography of a key Portuguese political leader and an icon of twentieth-century politics.

Notas de acesso ao ensino superior público 2010

Filed under: Educação,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:54

As médias dos últimos colocados no concurso de acesso ao ensino superior público deste ano estão disponíveis aqui.

Um discurso irrelevante para um candidato irrelevante

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 11:48

Afinal a proposta de revisão constitucional do PSD serviu para alguma coisa: forneceu a Manuel Alegre o conteúdo para o seu discurso de reentré, que pôde dizer que era contra o que o PSD propõe (e também contra o que o PSD não propõe, mas adiante). Se não tivesse havido a proposta do PSD, o candidato presidencial ainda teria sido obrigado – por manifesta falta de assunto – a declamar um ou dois poemas, relembrar o funeral de José Saramago, aludir ao passado anti-fascista, reclamar o milhão de votos de há quatro anos, citar quarenta e dois intelectuais da esquerda europeia em três minutos, garantir que usa de extrema elegância sempre que se aproxima do bolo-rei, invocar umas tantas vezes o 25 de Abril e aborrecer-nos com umas tretas sobre a alma da revolução.

Por mim ficou tudo dito sobre o discurso e o candidato logo no início da palestra. Um candidato que compara um acto terrorista – que matou quase três mil pessoas só no World Trade Center, deixou de luto por uma mãe, um pai, um marido, uma mulher, um filho, uma namorada, um irmão,… dezenas de milhar de pessoas, e avisou milhões e milhões (eu incluída) que um ataque sistemático e violento ao seu modo de vida se iniciava - ao ‘terrorismo cultural’ da ameaça da queima do Corão por um pastor americano – uma ofensa gratuita e injustificada mas sem vítimas mortais - é um candidato miserável que se prepara para nos impingir um discurso miserável. Foi o que sucedeu, pelo menos até eu ter saído para ir jantar.

Top posts da semana

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — André Azevedo Alves @ 11:47

Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:

1Malícia ou estupidez?
2Falta de vergonha na cara
3A sentença do processo Casa Pia no Prós&Contras
4O comício do PS em Matosinhos
5Até breve

A pedofilia, o PS e a Igreja

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Política,Portugal,Religião — André Azevedo Alves @ 11:46

A atribulada relação da esquerda jugular com o tema da pedofilia é um verdadeiro case-study, que aliás justificava um estudo mais aprofundado: Duas formas de ver a pedofilia. Por João Miranda.

A perspectiva que se escolhe depende do papel que se quer desempenhar no debate político. Se o objectivo for atacar a Igreja Católica, a perspectiva da comissão independente serve perfeitamente. Se o objectivo for defender membros do Partido Socialista, então é mais sensato adoptar a perspectiva dos tribunais.

Setembro 11, 2010

Dia 10

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:16

Em 1992, quando os Croatas se aliavam aos Sérvios contra os muçulmanos à mesa das negociações e aos muçulmanos contra os Sérvios na luta armada, fui ter com Tudjman e disse-lhe que tanto me fazia o partido que os seus tomassem desde que fosse sempre o mesmo. Tudjman riu, respondeu que percebia o meu problema – e nada mudou.

José Cutileiro, Vida e Morte dos Outros – A Comunidade Internacional e o Fim da Jugoslávia

A catedral de São Miguel Arcanjo, onde se senta o bispo de Belgrado, está situada no Stari Grad (Cidade Velha) da capital da Sérvia. É discreta, conquanto tenha detalhes vistosos, e enquadra-se bem na teia urbana da zona. A sua construção foi ordenada por Milos Obrenovic, fundador de uma dinastia, e príncipe e senhor da Sérvia entre 1815 e 1839 (e, mais tarde, entre 1858 e 1860). Os seus restos mortais estão depositados no interior da igreja.

A catedral de São Sava está em Vrackar, outro dos 17 municípios de Belgrado. Foi nesta área do planalto como o mesmo nome que, no início do século XIX, foi edificado, num estilo ocidental, o centro da Belgrado cristã. Foi também aqui que, segundo reza a lenda, os otomanos queimaram o corpo profanado de São Sava, mais de 350 anos após a sua morte, numa manobra de intimidação e pacificação de um inquieto povo sérvio. Agora, neste lugar simbólico, perto da rotunda do Hotel Slavija, onde todos os dias passam milhares de belgradenses entre a casa e o trabalho, está a maior igreja ortodoxa do mundo. É majestática, e parece haver sido desenhada para impor respeito. Quis o destino que esta obra de Santa Engrácia — a sua construção iniciou-se em 1935 e ainda não está completa — fosse guardada por um Petrovic Karadjorje em bronze e em pose aguerrida e orgulhosa, símbolo de uma Sérvia que não se revê na diplomacia dos Obrenovic. Duas dinastias e duas posturas muito distintas, que ainda hoje disputam o lugar central na política da Sérvia moderna, e das quais as catedrais de São Sava e São Miguel boas sínteses. Mas, num mundo de alianças ténues e calculistas, é arriscado (e até estúpido) oferecer o peito às balas numa atitude frontal ao estilo dos Karadjorje. Disso me falava há uns anos Mihaijlovic, o cozinheiro sérvio do Castro, exilado em Budapeste por motivos políticos. Mas essa é outra história.

Belgrado, 2010

11 de Setembro

Filed under: Comentário,Internacional — ruicarmo @ 13:28

Hoje recorda-se um acto filho da puta que ceifou a vida a milhares de pessoas e que pretendeu destruir o que de superior a Civilização possui: a liberdade. As feridas do acto insano, motivado por uma forma de ódio em estado tão puro, não estão cicatrizadas.

Setembro 10, 2010

A culpa será desta vez atribuída ao George Bush

Filed under: Ambiente,Desporto — ruicarmo @ 22:09

A terceira derrota do campeão em quatro jogos.

Consequências do fim do ensino recorrente

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

A educação no país do faz de conta… Por João Torgal.

O governo decidiu, em cima do início do novo ano lectivo, terminar com o ensino recorrente. Fê-lo supostamente com base na diminuição do número de alunos neste sistema de ensino que, nos últimos dois anos, passou de 31.319 para 16.701 alunos . A razão é simples, muitos perceberam que inscrevendo-se nos sistemas EFA (educação e formação de adultos) e RVCC (reconhecimento, validação e certificação de competências) poderiam obter os ansiados diplomas do 9º ou do 12º ano com muito menor esforço e dedicação (num país em que cada vez mais vigora a máxima ridícula que quem não tem canudo é necessariamente inferior, independentemente da sua maior ou menor aptidão profissional). Ao terminar com o ensino recorrente, o governo não só direcciona alunos para essas relativas fantochadas, como impede todos aqueles que têm vontade real de aprender de o fazer em condições dignas e prejudica bastante quem, estando impedido de aprender no regime diurno, pretende prosseguir estudos para o Ensino Superior, dado que a formação obtida será naturalmente escassa. Em condições normais, seria um escândalo, mas já não é. É apenas a continuidade de uma política de promoção de mediocridade e ignorância, seguida tanto no regime diurno (como denunciei no post “O Aluno esperto”), como no nocturno.

Leitura complementar: A caminho do “sucesso” estatístico; Malícia ou estupidez?; Os chumbos já acabaram; O corolário lógico do eduquês.

A arder

Na mouche.

Quando um punhado de fanáticos islâmicos assassina 3000 pessoas, é apenas um punhado de fanáticos islâmicos; quando um fanático cristão queima o Corão, do Paquistão à Indonésia juram-se represálias contra todo o Ocidente.
Isto está a ir muito bem.

Gregos e troianos

Filed under: Blogosfera,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 16:54

Escreve o Rui de Albuquerque:

«[Passos Coelho começou] a cair a partir do momento em que viabilizou as políticas do governo e se acobardou com o ataque inteligente que José Sócrates lhes fez dizendo que Passos poria em causa o Estado Social, como se isso fosse crime de lesa-pátria. Ora, se o PSD de Coelho quer, como quer o governo de Sócrates, defender o actual modelo social e político, e se, ainda por cima, viabiliza o governo e as suas políticas, porque razão hão-de os portugueses mudar de voto?»

O problema do PSD é que muitos dentro do partido estariam igualmente confortáveis ideologicamente dentro do PS. A solução que o partido tem seguido é a de agradar a gregos e troianos, anunciando posições que parecem pôr em causa a mesmice socialista, para depois deitar água na fervura. A maior parte das vezes acaba por deixar propostas desdentadas, que não agradam nem a uns nem a outros. Os socialistas (ou social-democratas, como gostam de se auto-entitular) ficam sempre desconfiados que os líderes são uns perigosos neoliberais; os outros ficam desiludidos com a falta de ambição; o PSD acaba sempre com a fama sem o proveito. Foi assim no governo Barroso com o “pacote laboral”, o “choque fiscal”, ou a privatização da RTP. Está a ser assim com as propostas de revisão constitucional e de redução da despesa pública de Passos Coelho.

Descubra as Diferenças, hoje às 18 horas, Carlos Nunes Lopes e Vasco Campilho (Repetição, Domingo, às 19)

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal,Religião — André Abrantes Amaral @ 14:15

O “Descubra as Diferenças” regressa de férias e esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa estamos à conversa com Carlos Nunes Lopes e Vasco Campilho, sobre os seguintes temas da actualidade:

1) A Reentré Política – Com a discussão à volta da aprovação do Orçamento de Estado, a política partidária voltou de férias. O que dizer sobre as estratégias dos principais partidos?

2) Eleições Presidenciais – A poucos meses da escolha do Presidente da República, só falta Cavaco Silva anunciar a sua candidatura. Vai ser um passeio para o actual chefe de Estado, ou podemos ter uma surpresa?

3) Mesquita no ‘Ground Zero’ – Ao passar mais um aniversário dos atentados do 11 de Setembro, a polémica estalou à volta da construção de uma Mesquita perto do ‘Ground Zero’. Em causa estão os direitos de propriedade, a memória das vítimas e a própria natureza do Islão.

4) Risco Máximo – Os investidores estrangeiros consideram o risco de investir em Portugal cada vez mais alto. Portugal já é o sétimo estado com maior risco de incumprimento dos títulos de dívida soberana, tendo à sua frente países como a Venezuela, Grécia e a Argentina. Ainda pode ser pior?

O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 12 de Setembro, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil. Com emissão também disponível através da powerbox da ZON TV Cabo.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Dia 9

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 00:18
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Belgrado, no lugar onde o Sava se encontra com o Danúbio, com a Grande Ilha da Guerra ao fundo, do lado esquerdo. Por trás, uma tempestade de Verão, a formar-se, que massacrou a cidade durante a noite. O Danúbio segue para a direita, a caminho do delta entre a Roménia e a Ucrânia. Um rio mirífico que, para além de evocar a imagem romântica construída em torno da sua passagem por Viena, nos recorda que há uma Europa virada para o Oriente. E as Europas sempre olharam para fora, para o Atlântico, para o Mediterrâneo, para o Mar Negro, mas agora querem-nos, a todos, com os olhos postos no centro, e “pedem-nos” que esqueçamos as vocações próprias. Pode não correr bem.

Salazar, o Estado Novo e o fascismo

Filed under: Educação,Livros,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:09

Uma interessante entrevista a Filipe Ribeiro Menezes, Professor de História na National University of Ireland, Maynooth e autor de Salazar: A Political Biography: Ribeiro de Menezes. “Salazar era um democrata-cristão convicto”

Porque é que na sua opinião não faz sentido falar de Salazar como “fascista”? Isto é uma heresia para a esquerda.

Para essa esquerda, o combate antifascista foi o grande pilar da sua vida. Há uma legitimidade que foi adquirida nesse combate, foi reconhecida depois do 25 de Abril e ajuda a explicar em parte a força que essa esquerda ainda tem em Portugal, que já não tem em muitos países ocidentais. Esse combate foi travado, houve mártires, tem de ser lembrado… Há uma ideia de que o verdadeiro Estado Novo era o dos anos 30. Eu acho que não é bem assim. Acho que o Estado Novo dos anos 50 é tão importante e tão verdadeiro como o dos anos 30. O que aconteceu foi que Salazar teve de gerir Portugal com as pessoas que o cercavam, que estavam sempre a mudar. E as ideias que animavam essa gente que constituía o Estado Novo estavam sempre em evolução. Nos anos 30, a corrente fascista dentro do Estado Novo vai-se afirmando, vai-se tornando cada vez mais forte, e Salazar – se se quer manter no poder, como queria – tem de governar de acordo com ela. Na altura são criadas as instituições emblemáticas do Estado Novo, a Mocidade, a Legião. Mas Salazar aceita a Mocidade e a Legião e imediatamente começa a desgastá-las. O ramo ideológico a que Salazar pertencia, a democracia-cristã, tinha inimigos semelhantes ao fascismo: o comunismo, o parlamentarismo. Tinham soluções semelhantes, que o fascismo foi buscar à democracia-cristã, o corporativismo. E estavam dispostos, quando necessário, a recorrer à força. Havia um entendimento entre estas duas correntes, que se uniram em parte, mas depois separaram-se. Salazar não queria um Estado fascista. Se Portugal se tornasse um Estado fascista, ele nunca poderia ser o líder porque não tinha um passado que lhe permitisse ser um Duce ou um Führer. Ele não era um soldado, não tinha combatido, não era um orador, não tinha o poder de cativar. Franco tinha andado aos tiros em Marrocos, era um oficial exemplar. O Rolão Preto dizia: “Este homem não pode ser, ele não entusiasma ninguém.”

Nos primeiros escritos, Salazar aceita a democracia…

Salazar era um democrata-cristão convicto. A ideia de democracia-cristã vai evoluindo ao longo dos tempos e graças à revolução russa vira mais à direita ainda, porque os perigos se tornam muito maiores. Dá uma guinada para a direita mais radical e Salazar acompanha. Salazar faz parte desta corrente, mas não é por ser um cristão-democrata que é chamado ao poder. É por ser o professor de Finanças, que vai endireitar as Finanças.

Acha que Portugal já se libertou completamente desses 48 anos?

Muitos dos males que são atribuídos a Salazar vinham de trás, da República, da monarquia constitucional. No século xix éramos um país pobre, no século xx um país pobre e continuamos a ser um país pobre. Há coisas que se calhar são inultrapassáveis.

Setembro 9, 2010

Porcaria na FPF

Filed under: Desporto,Double standards,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:39

Queiroz foi finalmente despedido, mas está assegurada a “estabilidade directiva” na Federação Portuguesa de Futebol e – presumivelmente – também na Secretaria de Estado extraordinariamente dirigida por Laurentino Dias.

A crescente incompetência dos abrantes

Filed under: Blogosfera,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:32

Relação do abrantismo com os rankings. Por João Miranda.

Hoje, alguém que assina com o pseudónimo “Magalhães” escreveu um post em que desvaloriza a queda de portugal no Global Competitiveness Report porque nesse ranking Singapura aparece em terceiro lugar. Um ranking em que Singapura aparece bem classificada não pode ser um bom ranking.

Há uns dias alguém assinou com o pseudónimo de Magalhães um post que celebrava o 27º lugar de Portugal no ranking da Newsweek. Esse era um ranking bom apesar de colocar Singapura 6 lugares à frente de Portugal.

(…)

Pelo amor de Deus, antes de postar, leiam o que os vossos colegas escreveram com o vosso pseudónimo.

Leitura complementar: A vida difícil dos abrantes; Quem não tem um amigo em Londres?; Critérios de análise económica em Portugal.

Fidel, o esquecido

Filed under: Agenda,Ambiente,Double standards,Internacional,Media,Política — ruicarmo @ 20:30

Orgão oficial da propaganda cubana, esqueceu-se ou ignorou a entrevista do eterno ditador comunista?

Sorriso amarelo

A China não deixa de ser um país sem graça.

“We Who Dared to Say No to War”

Filed under: Internacional,Justiça,Livros,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Uma entrevista com muitos pontos interessantes, mas ao ouvir Thomas Woods sobre este tema fico sempre com a impressão de que a parte do discurso que critica as políticas seguidas – especialmente as neoconservadoras – é bem mais convincente do que a parte do discurso que sugere rumos alternativos. Ainda assim, vale a pena seguir com atenção.


(via António Costa Amaral)

We Who Dared to Say No to War: American Antiwar Writing from 1812 to Now

We Who Dared to Say No to War uncovers some of the forgotten but compelling body of work from the American antiwar tradition-speeches, articles, poetry, book excerpts, political cartoons, and more-from people throughout our history who have opposed war. Beginning with the War of 1812, these selections cover every major American war up to the present and come from both the left and the right, from religious and secular viewpoints. There are many surprises, including a forgotten letter from a Christian theologian urging Confederate President Jefferson Davis to exempt Christians from the draft and a speech by Abraham Lincoln opposing the 1848 Mexican War. Among others, Daniel Webster, Mark Twain, Andrew Carnegie, Grover Cleveland, Eugene Debs, Robert Taft, Paul Craig Roberts, Patrick Buchanan, and Country Joe and the Fish make an appearance. This first-ever anthology of American antiwar writing offers the full range of the subjects richness and variety.

Acreditar

Filed under: Agenda,Ambiente,Cultura,Desporto,Internacional,Religião — ruicarmo @ 19:49

Se o amigo de Amado o diz:

Software for this plan was made by the Zionists following their defeats against Muslims and the Islamic world.

Mais e mais impostos

Uma verdadeira caça às bruxas. Se não fosse desastroso, o ridículo daria para gargalhar.

Leituras complementares: Falta de vergonha na cara; Na scut para o inferno; O Teixeira avisa

Uma boa notícia

Filed under: Cultura,Videos — ruicarmo @ 19:29

Para quem tem no gira-discos o senhor David Bowie.

How much do you like David Bowie? You will have to like him a lot to want to spend more than £80 on a deluxe box set edition of his 10th studio album Station to Station (1976), an ostentatious souvenir collection of memorabilia, outtakes, live concerts, photography, essays, remastered versions, exclusive mixes and heavyweight vinyl inspired by the mere six tracks that made up the original record.

It is a mesmerising album, one of Bowie’s best, which is saying something, as he made many, most of them during the 1970s, that were sold as entertainment but contained the moving detail and mysterious, transformative depth of art.

It may well be one of rock’s very greatest, as a comment both on where the smart, neurotic artist who made it was, psychologically, creatively and commercially, but also where rock music itself was, on its compelling journey from Sinatra, Presley and the Beatles to Prince, Jay-Z and Gaga, from the Velvet Underground, the Kinks and Kraftwerk to Madonna, Nirvana and Nine Inch Nails. It is one of those Bowie albums, like Hunky Dory (1971), or Ziggy Stardust (1972), or Low (1977), or Lodger (1979), that are at times my favourite of his, because they demonstrate with such elan what a sparkling, mischievous mind he had, and what ambition, and what a stupendous ego, and how dangerously charming he was.

Intolerância na Catalunha

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:45

Mais um exemplo da intolerância dos novos donos da Catalunha. Resta-nos uma consolação: são claramente pequenos quando comparados com a grandeza de Marsé. Na verdade, são muito pequenos quando comparados com qualquer coisa.

Los escritores Juan Marsé, Ildefonso Falcones y David Castillo se pronuncian contra la discriminación del portal de la Generalitat hacia los autores que escriben en castellano y viven en Cataluña

Setembro 8, 2010

Portugal mais perto da bancarrota

Filed under: Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:54

PIB inquinado. Por Pedro Braz Teixeira.

O PIB do 2º trimestre foi revisto em alta, mas a sua composição é motivo de forte preocupação. A contribuição das exportações líquidas para o PIB passou de 0,5% positivo para 1,0% negativo (todos os valores apresentados são-no em termos homólogos), enquanto a procura interna viu a sua contribuição subir de 1,3% para 2,4%, o que é desde logo uma péssima notícia para um país à beira da bancarrota devido (também) à sua dívida externa.

O que explica o crescimento da procura interna? O descontrolo da despesa pública: o consumo público passou de uma contribuição para o crescimento de 0,3% para 1,3%!

A crise toca a todos

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:37

Presidentes de Juntas de Freguesia que estão à espera dos salários apenas conseguem sobreviver com a ajuda dos familiares que trabalham com eles na autarquia

O comício do PS em Matosinhos

Filed under: Justiça,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Esta é, de facto, uma muito peculiar noção de democracia…

Enquanto José Sócrates discursava……. Por Manuel Castelo-Branco.

O João já nos contou sobre as confusões da escolha do local, onde um jardim público foi inaugurado com um comicio que o deixou a precisar de um novo restauro. Mas o que não sabiamos, é que há militantes do PS que não se dão bem com a diferença e o protesto dos moradores.

Além das pedradas e insultos, ameaças e coação aos moradores, houve tentativas de invasão do prédio.

Leitura complementar: Abram alas para o circo.

California: Fiorina 48%; Boxer 47%

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 18:00

Mais uma sondagem a dar vantagem – ainda que por uma margem mínima – a Carly Fiorina sobre Barbara Boxer: California Senate – September 6, 2010.

Dia 8

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:06

Mihajlovic vive no Chile há três anos e fala um castelhano quase perfeito. Está agora de férias em Belgrado, em casa da família, e o acaso juntou-nos por um par de horas, durante o qual falámos um pouco da história antiga e recente da Sérvia, embalados pelo turbo-folk do Velika Skadarlija. Estávamos na parte baixa da Skadarska — o eixo principal do Skadarlija, o bairro boémio de Belgrado —, já no cruzamento com a Cetinjska, numa esplanada virada para o largo e para os quiosques de comida abertos 24 horas por dia. Mihalovic falou-me do seu desencanto com a situação sérvia, com os fantasmas da guerra, e com o porvir incerto. Presente, passado e futuro. Por isso foi para o Chile, disse, porque estava cansado de viver sem expectativas. Também lamenta as dificuldades que vêm do exterior, as restrições impostas pela “comunidade internacional” à livre circulação de cidadãos sérvios. É um povo proscrito, sem dúvida, resultante da “má imprensa” que teve durante os anos da(s) guerra(s). Mas Mihajlovic sabe que já estive várias vezes na Sérvia, e faz um gesto com a mão e o braço convidando-me a olhar em redor. Há razões para que o mundo pense que somos uns selvagens? Não, não há. Entre alguns erros, a barbaridade de políticos e militares, e o facto incontornável de que os mais fortes costumam causar mais estragos, os sérvios ficaram com mais fama do que proveito. A Sérvia preferiu seguir a tradição dos Karadjorje, abdicou do cinismo e pragmatismo da linha de Milos Obrenovic, e pagou caro o atrevimento. Também teve algum azar. Se tivesse sido bombardeada nos tempos do “presidente americano mau”…

Virtude, externalidades e mercado

Filed under: Economia,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 10:52

A free economy, virtue and externalities. Por Philip Booth.

A market economy forces participants to be trustworthy (in most circumstances), do things on time, take account of the value of other people’s time, smile and be pleasant to customers and so on. Sometimes, of course, this does not work out as it should. There are opportunities for sharp practice and imposing costs on others. These problems can be managed in a market economy – especially by extending property rights and by developing an appropriate legal system. Indeed, it is often the government that discourages the practice of virtues by bailing out banks, encouraging box-ticking approaches to regulation etc. The opportunities for imposing costs on others and not caring about the needs of others are much greater when the government is in control.

O piloto automático de Madaíl

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:22

Depois do empate com o Chipre, foi agora a vez da poderosa Noruega conseguir um resultado histórico frente a Portugal em mais um jogo em que quase tudo falhou.

Como se as exibições por si só não fossem suficientes, há ainda declarações que são verdadeiras pérolas: Agostinho Oliveira: «Jogadores deram a entender que temos futuro»

Setembro 7, 2010

Falta de vergonha na cara

Filed under: Economia,União Europeia — Adolfo Mesquita Nunes @ 21:40

A propósito de uma eventual proposta de criação de um imposto europeu, acabo de ouvir Durão Barroso dizer, textualmente, o seguinte: ” Agora vamos ser completamente honestos: se estamos numa situação em que os Estados-Membros têm uma grande pressão sobre os seus orçamentos, se eles não podem manter ou aumentar a contribuição para a União Europeia, e se a União Europeia precisa de fundos para levar a cabo os seus objectivos, de algum lado têm de vir esses recursos”.

É muito comum, mesmo entre os contribuintes, esta ideia de que os Estados-Membros têm dinheiro. Mas não têm. O dinheiro que têm provém, directa ou indirectamente, dos contribuintes. Portanto, com toda a lata deste Mundo, aquilo que Durão acaba de sugerir é nada mais nada menos do que a total asfixia fiscal dos europeus: já esmagados pela necessidade de alimentar as vorazes máquinas do Estado Social em que vivem, são agora obrigados a alimentar a voraz máquina de uma constelação institucional que nunca referenderam ou validaram e que, em tempos de crise, prefere atingir os cidadãos a reformar-se.

Racionamento de comida na Venezuela

Filed under: Economia,Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 20:00

As tentativas de implantação do socialismo acabam sempre por dar origem ao mesmo tipo de resultados: Venezuela introduces Cuba-like food card

Presented by President Hugo Chávez as an instrument to make shopping for groceries easier, the “Good Life Card” is making various segments of the population wary because they see it as a furtive attempt to introduce a rationing card similar to the one in Cuba.

Venezuela’s Evil Government. Por Dan Mitchell.

Hugo Chavez is a palpably evil thug, and he confirms this status with a new proposal to issue cards that almost certainly will be used to ration food. Left-wing despots claim that their policies put “people above profits,” but they never can explain why people (especially the masses) have much higher living standards in countries where “capitalist greed” runs rampant.

Sem surpresa

Filed under: Desporto,Internacional,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:57

Ranking da IFFHS: F.C. Porto ultrapassa Benfica

O F.C. Porto ocupa a 25ª posição entre os melhores clubes do mundo, segundo a Federação Internacional de História e Estatística de Futebol (IFFHS), que divulgou a actualização de Setembro do ranking. Os dragões (que subiram do 48º posto) ultrapassaram o Benfica, campeão nacional, que desceu do 24º para o 31º lugar.

Malícia ou estupidez?

Filed under: Comentário,Educação,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:47

No seguimento ainda da notícia referida pelo André de que o ministério da Educação se prepara para acabar com o ensino recorrente, remetendo os seus actuais alunos para os cursos de educação e formação para adultos ou para as Novas Oportunidades, não posso deixar de partilhar uma reflexão que há já algum tempo tenho feito em relação às medidas tomadas pelos sucessivos governos em matéria de educação, e a quais serão os motivos que as alimentam.

Foi um argumento sucessivamente repetido pelos profetas da Verdade sobre o Estado Novo de que Salazar investiu durante esse período activamente em medidas de limitação de acesso ao ensino e de educação da população, com o objectivo, segundo os mesmos, de alimentar o crescimento de uma população de analfabetos e pouco alfabetizados e educados que teriam, fruto dessas limitações, menos capacidade para criticar e de se oporem ao regime. Deixar-se-iam portanto controlar com mais facilidade e docilidade, e não se alimentaria o surgimento de uma classe média suficientemente esclarecida para saber contestar a elite do regime.

Contudo, foi afinal esse mesmo regime que abriu as escolas primárias de província onde elas não existiam, que criou um ensino básico de reputada excelência e dificuldade que conseguiu levar, desde às comunidades rurais mais inóspitas e distantes às cidades e suas periferias, os meios para os alunos dessas escolas poderem subsistir com um mínimo de ferramentas de conhecimento imprescindíveis ao dia-a-dia. Foi o mesmo governo que abriu universidades nas colónias, que expandiu as universidades já existentes e que promoveu uma cultura de rigor e de disciplina na escola.

Hoje, em nome da “qualidade de ensino”, fecham-se 700 escolas, das quais farão parte muitas das abertas pelo tal regime que queria as pessoas estúpidas. Condena-se as populações isoladas a migrar ou morrer, trocando a proximidade por um ensino cada vez mais massificado e tirando ainda mais hipóteses a quem queira minimamente apostar numa descentralização.

Substitui-se a vontade de ensinar algo de útil que possa efectivamente ajudar as pessoas por canudos atribuídos administrativamente, por milagres de substituição de cinco ou três (ou todos os oito) anos de ensino por alguns meses de larachas e um trabalho sobre canónigos.

Atribui-se o canudo mas evita-se a incomodidade das criancinhas terem sequer que ir à escola, fazer exames ou até terem aproveitamento. A cada um que queira “fazer ondas”, demonstrando “intransigência” ou incapacidade de se adaptar ao “novo paradigma”, arranja-se uma hierarquia que o pressione dizendo-lhe que a verba que recebe depende do número de alunos que passarem, no matter what. Que vai ter que preencher uma montanha de papelada e desdobrar-se em “estudos acompanhados” ou em “acompanhamento personalizado” caso se faça difícil. Ou então, que essa “falha” será tida em conta na sua avaliação profissional.

É costume dizer-se que não se deve atribuir a malícia algo que se pode adequadamente justificar por estupidez. Mas a sucessão de medidas começa a ser tão sistemática, consistente e orientada que começa a ser difícil de acreditar que seja alimentada por mera incompetência, por ingenuidade ou por meras boas intenções. Começa a ser difícil de engolir que não há algo de perversa e mal-intencionadamente organizado a médio e longo prazo que sustente estas decisões. Se calhar, o cumprir agora o desígnio que se atribuía a outros.

Os sintomas começam cada vez mais a ser presentes. Uma juventude e uma geração de jovens adultos incapazes de analisar um texto ou uma proposta política. Incapazes de olhar para além do hedonismo e da facilidade do dia-a-dia, cada vez mais dependente do estado. Incapazes funcionais e culturais de diploma universitário na mão.

Isto não vai acabar bem.

Dia 7

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:02

Bojan, 34 anos, sérvio, “classe trabalhadora”, raízes nas montanhas Dinara, adepto do Estrela Vermelha de Belgrado. É também neo-nazi e reúne-se quase todos os dias com os seus confrades no Bar Tatoo, um sótão esconso de Novi Sad situado em frente à estação de autocarros suburbanos. O grupo a que pertence, diz, tem relações com a Falange espanhola e com algumas organizações portuguesas de extrema-direita. Faço-me de parvo e pergunto-lhe se se sente de direita ou de esquerda. Diz-me que não é de direita, porque esta é capitalista, e os nacional-socialistas, como ele, são anti-capitalistas. Esta gente tem ideias muito pouco recomendáveis e anda a reboque de líderes repelentes e manipuladores, mas pelo menos parece saber onde se situa. Ao contrário de outros doutrinadores das massas. Aqueles que gostam de baralhar os rótulos e misturar o que é incompatível, para assim romper mais facilmente as defesas dos seus verdadeiros adversários e criar anticorpos, na maioria da população, contra as ideias que podem perturbar o estado das coisas. É a estratégia do medo. E resulta, infelizmente.

A caminho do “sucesso” estatístico

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:36

Mais um contributo do Ministério da Educação para a clarificação do funcionamento do sistema: Governo vai acabar com ensino recorrente

Foi com surpresa que Jorge Pires, ao chegar à escola, soube que o ensino recorrente vai terminar. As turmas de adultos que estudam à noite e que iam ingressar no 10.º ano já estavam feitas, quando chegou, em meados de Agosto, uma informação do Ministério da Educação a dizer para não se abrir novas turmas para este tipo de ensino, que tem vindo, ao longo dos anos, a perder alunos. Os que vão agora para o 11.º e 12.º anos vão poder terminar dentro desta modalidade, os que iam entrar terão outras alternativas, como os cursos de Educação e Formação para Adultos (EFA) e o Programa Novas Oportunidades.

(…)

O Ministério da Educação (ME) não confirma nem desmente que o ensino recorrente vá acabar, mas informa que em 2005 o Governo “decidiu apostar” nos cursos de EFA e no Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, no quadro da Iniciativa Novas Oportunidades.

Acho que também neste caso se aplica integralmente o que escrevi aqui:

É certo que cada vez mais alunos passarão pelo sistema de ensino sem adquirir conhecimentos e competências básicas, mas os problemas que isso poderia gerar no ensino superior podem ser facilmente resolvidos pela aplicação dos mesmos métodos de garantia de sucesso estatístico do eduquês, um processo que aliás já está em marcha nas Universidades.

Já quanto ao mercado de trabalho e à vida fora do sistema de ensino é que é será mais complicado aplicar o eduquês, mas que importa isso se o país subir uns lugares nas estatísticas internacionais e se todos tiverem os ambicionados diplomas?

Leitura complementar: Os chumbos já acabaram; O corolário lógico do eduquês.

A sentença do processo Casa Pia no Prós&Contras

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Justiça,Media — ruicarmo @ 01:08

Por manifesta falta de capacidade, não fui capaz de ver o programa até ao fim. Do que assisti, subscrevo o que o José escreve em Fátima Campos Ferreira, uma vergonha do jornalismo.

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