O Insurgente

Setembro 17, 2010

6.07

Filed under: Economia — Nuno Branco @ 15:24

A última vez que vi este número, lá para meio de Janeiro se não me falha a memória, os ministros da grande Europa começaram a juntar-se todos para explicar como não era preciso salvar a Grécia.

A coisa correu tão bem que decidiram mudar de estratégia para o caso português: fazer de conta que não se passa nada a ver se a coisa pega. O spread entre a dívida portuguesa e alemã é hoje maior do que era o spread para a dívida grega em Janeiro.

Hoje às 18 horas, Nuno Amaral Jerónimo e Tomás Belchior (repetição, Domingo, às 19)

Filed under: Educação,Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 14:07

Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa debatemos com Nuno Amaral Jerónimo e Tomás Belchior os seguintes temas da actualidade:

1) Escola pública –  Esta semana assistiu-se se ao início de mais um ano lectivo, desta vez sem grandes dificuldades na colocação dos professores, mas com o fecho anunciado de muitas escolas no interior do país. A escola pública não deveria instalar-se nos locais onde os privados não querem estar?

2) Educação – Este ano a videovigilância chega a cerca de mil escolas, pondo em causa a privacidade de alunos, professores e funcionários. Entretanto, José Sócrates já disse que pretende atingir os 40% de licenciados em 2020. Licenciar em massa parece continuar um objectivo dos governos em Portugal. É este o caminho?

3) Cuba – O governo cubano anunciou que vai despedir cerca de 500 mil funcionários públicos nos próximos seis meses. O neo-liberalismo chegou à ilha de Fidel?

4) França polémica – O governo francês continua a repatriar os ciganos romenos que vivem ilegalmente naquele país. Sarkozy já referiu também a possibilidade de retirar a nacionalidade de pessoas de origem estrangeira que agredirem as autoridades francesas. Xenofobia ou há razão para estas medidas?

O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 19 de Setembro, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil. Com emissão também disponível através da powerbox da ZON TV Cabo.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Dia 13

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 14:04

How very strange is our love for Belgrade! It has its share of caprice, of vehemence, of noisy disputes which end up with us packing up and promising never to come back; there is in it repulsion, as well as a fatal attraction; and, above, all, as in teenage heartbreak, full of tenderness and tears, we constantly return to it.

Momo Kapor, The Magic of Belgrade

Há sete anos, num quarto do Hotel Balkan, fechei a mala e disse: não volto a Belgrado. Mas voltei. E outra vez. E outra. E outra.

Belgrado, 2010

Concurso para o TGV (Lisboa-Poceirão) foi anulado

Filed under: Economia,Política,Portugal — LA @ 12:24

Negócios:

O despacho dos Ministérios das Finanças e das Obras Públicas justifica a decisão com “a significativa e progressiva degradação da conjuntura económica e financeira de Portugal” após a data de lançamento do concurso, que se traduziu “em dificuldades acrescidas na obtenção de fundos pela iniciativa privada e no agravamento do custo associado à obtenção do próprio financiamento”.

Agora digam-me lá se esta gente não tem andado a gozar com a malta?
Aguardo para ver as fantasias que vão ser incluídas no próximo OE e quão disponível estará a oposição (descontando já a extrema esquerda) para evitar que a palhaçada continue à conta dos nossos bolsos.

2.443.759/hora

Filed under: Economia,Portugal — BZ @ 10:17

Esta é a quantidade de euros que o Estado português, até ao passado mês de Agosto,  gastou a mais do que conseguiu cobrar em impostos. É, por isso, urgente que os portugueses tomem atenção à proposta de Orçamento de Estado para 2011, especialmente do lado da Despesa.

até ao passado mês de Agosto

Setembro 16, 2010

Venda-se! (5)

Filed under: Economia,Portugal — Helder Ferreira @ 22:23

Localização privilegiada de frente para o Atlântico, delimitação estável há quase 900 anos, condóminos pacatos, otários e amorfos, território rectangular, mulheres bonitas e simpáticas, boa gastronomia. Clima ameno todo o ano. Barato. Urgente. Desconto para o ofertante que levar as onze ilhas.

Venda-se! (4)

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — BZ @ 21:45

A leste e oeste da Praça do Comércio, porque ainda lá continuam instituições públicas?

Venda-se! (3)

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — BZ @ 21:30

Em 2005, com o mercado imobiliário ainda em alta, o Estado perdeu a oportunidade de obter proveitosas receitas extraordinárias. Para quando o fim da “ocupação” militar das cidades portuguesas, incluíndo o pentágono da Ajuda?

Venda-se! (2)

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — BZ @ 21:17

Com cerca de 4 milhões de euros em custos financeiros e de manutenção, o estádio do Algarve é óptimo candidato a venda em saldos…

Venda-se!

Filed under: Comentário,Economia,Portugal — BZ @ 20:45

DD:

O secretário geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, disse hoje em Bruxelas que ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o futuro do comando de Oeiras e admitiu que só haja novidades após a cimeira de Lisboa.

Agradecia-se saída rápida! Sempre se aproveita a óptima localização.

Luís Fazenda contra Manuel Alegre

Filed under: Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

Perante esta prodigiosa fantasia, é mesmo caso para dizer: só contaram para vocês

Notícias bota-abaixistas

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — LA @ 15:17

Via Businessweek:

Portugal may be slipping behind Spain and Ireland in the dash to cut budget deficits, and credit conditions in the economy are the tightest since the height of the global financial crisis in 2008, JPMorgan Chase & Co. said.

“Spain and Ireland look to be tracking their fiscal objectives for the year,” said David Mackie, chief European economist at JPMorgan, in an e-mailed note. While Greece has shown “some slippage,” in Portugal “the situation looks more worrisome, with the lack of budgetary progress reflecting faster expenditure growth than would be consistent with the fiscal objective.”
(…)
Portuguese government spending, excluding interest payments, rose 5.7 percent in the first seven months of the year, while total income increased 3.6 percent, Portugal’s Finance Ministry said last month.

Drogas duras

Filed under: Comentário,Desporto,Portugal — João Luís Pinto @ 14:47

A notícia do absurdo que é a federação portuguesa de futebol estar a encetar conversações com (leia-se: “suplicar a”) José Mourinho, com vista ao segundo treinar a selecção durante os próximos dois jogos de apuramento da selecção (não sei como não lhes ocorreu fazer um reality show para escolher o seleccionador) só demonstra, face às declarações que ouvi há pouco comentando o facto, que este país não aprende mesmo nada.

Passam-se anos e anos e continua-se a viver à espera do Homem Providencial. Todos firmemente esperançados que vai aparecer o Eleito que vai apagar todos os erros, todos os excessos e todos os absurdos colectivos cometidos até ao momento em que apareça.

Precisam de menos

Filed under: Comentário,Internacional,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:42

Anne Applebaum escreveu na Slate sobre o gosto que os Britânicos têm pela austeridade. O pano de fundo do artigo é a forma como o eleitorado britânico encara e aceita os cortes na despesa que estão a ser impostos pelo governo de coligação. Algo impensável em Portugal que há anos discute a necessidade de cortar na despesa e não se decide, preferindo aumentar os impostos. Impossível num país em que acabamos por dar mais dinheiro ao Estado a ter um governo que acabe com o desperdício.

O que está a suceder no Reino Unido não se trata apenas de um corte na despesa e nos serviços sociais desnecessários. Estamos perante uma substituição das mentalidades que vigoram desde a década de 60, a época em que os actuais líderes políticos daquele país nasceram e começaram a ser educados. Há a noção, que muitos britânicos estão a atingir neste momento, num regresso à cultura do sacrifício que vigorou até aos anos 50, que o Estado social, com alguns privilegiados cheios de ‘direitos adquiridos’ em detrimento de outros sem nada e poucas expectativas, não pode continuar tal qual está.

Esta ligação entre austeridade e uma visão a longo prazo, mais certos objectivos a serem alcançados é indispensável para que as decisões difíceis sejam aceites e produzam efeitos positivos. Por isso o título deste ‘post’ não está totalmente correcto. Os habitantes de um país que queiram ultrapassar a crise económica actual, precisam de menos bens materiais, mas já necessitam de mais satisfação íntima para a realização de metas pessoais; de menos garantias para o futuro, mas de mais entusiasmo pelo desafio; precisam de estar menos encostados ‘à sombra da bananeira’ e mais aptos a agir por sua conta e risco; a gastar menos em bens de consumo, como televisores e automóveis, e mais em actividades que se traduzam numa mais-valia profissional e cultural. De serem menos egoístas. De prescindirem de direitos garantidos para todos terem acesso a uma pequena quota-parte do bem comum. Precisam de menos do que têm, mas muito mais de uma nova atitude.

Só recebendo a austeridade com este espírito a austeridade se torna útil, permitindo-se ultrapassar o drama que é o colapso do Estado social. Parece óbvio, e é. Mas não é de ânimo leve que se aceita e qualquer um leva a cabo. Applebaum menciona Nick Clegg quando este refere que quer olhar para os filhos e netos e dizer-lhes ter agido da forma correcta. Não se trata apenas de pensar a longo prazo. Trata-se de brio.

As ruas de duas vias

Filed under: Blogosfera,Comentário,Diversos,Double standards,Portugal,União Europeia — João Luís Pinto @ 11:27

Depois de Viviane Reding, comissária para a Justiça e para os Direitos dos Cidadãos, ter criticado violentamente a política francesa de desmantelamento dos acampamentos ciganos e expulsão dos membros da etnia para os seus países de origem, nomeadamente a Roménia e Bulgária, comparando a situação à Segunda Guerra Mundial, o Presidente francês achou por bem sugerir à Comissária que recebesse os ciganos no seu país. Este Le Pen que não gosta de gente que não seja francesa de puro sangue – não que ele o seja – também não gosta, claro, da liberdade de expressão e da livre crítica política.

Conclusão: só as declarações de que Isabel Moreira gosta é que são “liberdade de expressão e livre crítica política”.

O meu regresso

Filed under: Diversos — Nuno Branco @ 08:53

Acabaram-se as férias, foram mais pequenas as minhas férias pessoais que as do blog que a crise a isso obriga (é desculpa para tudo). Chego descansado, com uma corzinha providenciada pelo sol e com um desalento motivado por Hayek e o seu Road to Serfdom, mas ficará para outras nupcias que isso dava um livro.

Por defeito do hotel, que tinha apenas 3 canais em inglês, e por defeito meu que nunca me consigo desligar completamente acabei por passar algumas horas em frente à televisão a ver um canal que não via há muitos meses: a CNBC. Fiquei a saber o que preocupa os media do outro lado do Atlântico: High Frequency Trading, o futuro dos Tax Cuts implementados ainda por Bush e o movimento Tea Party. Partilho principalmente da preocupação pelo movimento Tea Party que aparentemente ganhou mais uma primária em Delaware esta semana mas a minha preocupação é mais no sentido dos que entretanto se inflitraram no movimento. Por razões que desconheço Sara Palin é agora vista como líder do movimento, algo que realmente só pode preocupar.

Chegado a Portugal também fiz algo que não costumo fazer: comprei um jornal. Fiquei a saber que enquanto os deputados do PS atacam a revisão constitucional do PSD (ainda?) por esta ameaçar o “Estado Social” a ministra da cultura acabou por reconhecer que “a destruição do Estado Social está iminente” e pelos vistos nem sequer é só em Portugal. O braço de Passos Coelho chega longe. Também lá fora a UE decidiu festejar ontem os dois anos da falência da Lehman Brothers com mais regulação nos mercados financeiros, com particular incidência na dívida soberana… aquela coisa que faz com que o Estado português ande a pagar quase 6% de juros para poder pagar ordenados aos funcionários públicos.

Para terminar uma notícia animadora para os que temem que o Islão lhes entre em casa via Turquia. Aparentemente a percentagem dos Turcos que defendem a entrada da Turquia na UE desceu de 74% em 2004 para 36% em 2010. Podem agradecer aos grandes pensadores europeus conseguirem afugentar até os turcos que deviam estar habituados a este tipo de coisas. Quanto menos a UE se torna um mercado livre e mais uma união política não é de estranhar que as pessoas não queiram fazer parte dela. No entanto, por cá, continuamos a vender a liberdade em troca de uns subsidios. Tudo na mesma, as próximas férias terão de ser mais longas.

A história repete-se

Filed under: Agenda,Cultura,Economia,Política,Teoria — ruicarmo @ 00:23

My friends, some years ago, the Federal Government declared a war on poverty, and poverty won.

Ronald Reagan, 1988.

Setembro 15, 2010

Realidades alternativas

Filed under: Internacional,Media,Política — Miguel Botelho Moniz @ 23:05

«E os portugueses, mais até do que os norte-americanos, são os maiores fãs do presidente dos Estados Unidos, considerando que este tem feito um bom trabalho no plano internacional, quer na condução da política externa quer económica

Não creio que isto ajude muito nas eleições de Novembro

Filed under: Internacional,Política — Miguel Botelho Moniz @ 23:03

«88% dos portugueses inquiridos aprovam a forma como o presidente norte-americano tem conduzido a sua política internacional, com 30% a dar inclusive nota máxima, e apenas 10% a torcer o nariz.»

Não percebo

Filed under: Comentário,Cultura,Media,Política,Portugal — ruicarmo @ 21:27

O  Professor Jorge Miranda, um dos pais da Constituição, diz na Na Sic-N que não vê razões para a RTP ser privatizada. Desconfio que não será por adorar ver O Preço Certo. Será por gostar de ver o dinheiro dos seus impostos tão bem aplicado?

Leitura complementar: Perguntas sem resposta

Alegre, o candidato comum de Louçã e Sócrates

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

Uma pergunta simples ao Bloco de Esquerda. Por João Torgal.

Assim sendo, desde que surgiu o apoio do Bloco a Alegre, tenho, sem sucesso, tentado perceber qual a resposta a uma simples pergunta. Ela aqui fica novamente:

Sendo o adversário de direita o mesmo e o restante contexto semelhante, o que leva o Bloco a preferir apoiar o Alegre socratino (é o Alegre socratino porque o apoio de Sócrates nao só não é indesejado, como foi francamente procurado pelo poeta) em 2011 do que o Alegre descomprometido de 2006?

Liberdade de circulação

Filed under: Ambiente,Cultura,Internacional,Política — ruicarmo @ 19:18

Primeiro-Ministro interfere na vida política de outro país, avisando criticando a visita do líder da oposição a uma cidade.

Uma “dúzia” de contributos

Para as negociações de paz.

O capitalismo é indecente

Filed under: Economia,Política — Miguel Botelho Moniz @ 14:32

A grande indecência do capitalismo é que põe a nú as insuficiências dos demais sistemas económicos.

Da partilha (2)

Filed under: Economia,Política,Portugal,Religião — Miguel Botelho Moniz @ 14:28

A caridade, quer no sentido genérico da virtude cristã, quer no sentido estrito do uso moderno, relativo à beneficência, implica o exercício do livre arbítrio. Não é possível praticar o bem na ausência de escolha. No contexto em que vivemos, em que o estado consome coercivamente cerca de metade de tudo o que é produzido pela sociedade, é imoral criticar os indivíduos por uma suposta falta de caridade. Em vez de clamar por mudanças num sistema económico que aparentemente não entende, a Igreja Católica deveria preocupar-se em defender mais liberdade para as pessoas, na forma de uma menor carga fiscal e de menos restrições na disposição dos seus bens, entre outras coisas, para que elas pudessem exercer o seu livre arbítrio e escolherem um caminho virtuoso.

Para além disto, deveria ter mais cuidado no encorajamento de “modelos humanistas”. Foram estes que nos trouxeram ao ponto em que estamos. A evasão da realidade, ao ignorar o princípio natural da subordinação da beneficência à produção, mascarada de “humanismo”, é que é responsável pela disfunção social em que vivemos. Como escreveu Isabel Paterson:

«As grandes religiões, que são também grandes sistemas intelectuais, sempre reconheceram as condições da ordem natural. Elas urgem a caridade e a benevolência como obrigações morais, a ser alcançadas por via do superavit do produtor. Isto é, tornam-nas secundárias relativamente à produção, pela inultrapassável razão que sem produção não haveria nada para dar. Consequentemente, elas prescrevem regras severas, a ser assumidas apenas voluntariamente, para aqueles que desejarem devotar totalmente as suas vidas à caridade, a partir de contribuições. Esta é sempre considerada um vocação especial, pois nunca poderia ser a forma de vida comum. Como o beneficente tem de obter os fundos ou bens, que distribui, através do produtor, ele não tem autoridade para mandar; ele tem de pedir. Quando ele subtrai a sua própria subsistência a partir destes donativos, ele apenas pode retirar o mínimo essencial. Como prova da sua vocação, ele tem até de prescindir da felicidade da vida familiar, como forma de receber a benção formal. Nunca pode obter o seu conforto a partir da miséria alheia.»

Da partilha

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 13:49

Consta que D. Carlos Azevedo considera que os portugueses têm «muito pouco o hábito da partilha». Creio que os 15% da população que pagam 85% de todo o IRS são capazes de não concordar.

Lie to me

Filed under: Comentário,Justiça,Portugal,Videos — BZ @ 13:32

A Fox tem uma série de televisão sobre a detecção de mentiras através das expressões faciais:

O que tem vindo a público do acordão do julgamento da Casa Pia leva-me a crer que os juízes são especialistas nesta técnica! Desconhecia a sua legalidade…

TVI24:

Os juízes valorizam o facto de Bibi ter proferido esta frase olhos nos olhos com o advogado de Manuel Abrantes: «carlos silvino não desviou o olhar para baixo. Não desviou o olhar para o tribunal. Esta atitude significa que estava a enfrentar o que estava a dizer. Não foi, para o tribunal, uma atitude de simulação».

Dia 12

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 12:51

Falemos agora de comida. A gastronomia sérvia não pode competir com as cozinhas mediterrânicas, mas também não fica atrás das cozinhas continentais do centro da Europa, sendo até mais interessante do que a maioria. Em primeiro lugar, o que nos espera? Uma gastronomia tipicamente continental, como foi referido, baseada nas carnes assadas e grelhadas e nos guisados, com uma forte componente de peixe de rio, e até, por motivos óbvios que a História nos ensina, com alguns traços mediterrânicos. Mas não vamos aqui escrever um tratado sobre a cozinha sérvia. Sigamos para o que é importante: informação prática.

Nos restaurantes, como acontece em quase todos os países, a gastronomia sérvia reduz-se a uma caricatura, e se não nos atrevermos um pouco acabaremos quase sempre a comer cevapcici, ou então um homérico mesano meso (prato misto de carnes na brasa). Alguns pontos de referência ajudam a contornar o óbvio. Em Novi Sad há três restaurantes que tenho frequentando nos últimos anos, e que, até agora, não desiludiram. Não vou dar detalhes, para que isto não se alargue, mas deixo aqui os nomes, para o caso, muito improvável, de que algum leitor passe por Novi Sad nos próximos tempos: o Sokače (carnes na brasa), o Aqua Doria (peixe de rio, à beira do Danúbio) e o Fish&Zeleni (mediterrânico). Em três refeições podemos percorrer grande parte da cozinha sérvia. E com prazer.

Aqua Doria, Novi Sad, 2010

Em Belgrado, destino mais provável, mas ainda assim afastado dos principais roteiros turísticos, há dois restaurantes obrigatórios (há mais, mas não vou sugerir tascos com indecifráveis ementas em alfabeto cirílico). O Madera é o clássico de Belgrado. (Sim, o nome nasce de uma corruptela de Madeira.) Tem uma longa história e quem quiser ver como se serve a elite da cidade tem mesmo que sentar-se na sua distinta sala interior, ou então, no Verão, na magnífica esplanada. À entrada, um cartaz recorda-nos que há diferentes formas de estar e de vestir para cada lugar. Coisa rara e politicamente incorrecta, numa época em que liberdade, no sentido progressista do termo — ou seja, com muitas aspas —, é dizer aos outros o que devem fazer, impor e autorizar no seu espaço privado. Mas, como já disse, o Madera é um clássico. Quem quiser jantar de chanatos encontrará, facilmente, um restaurante adequado em Belgrado.

O restaurante tem apenas um defeito: a cozinha. Não se come mal, atenção!, mas falta-lhe personalidade. Vai-se ao Madera para ver e ser visto, para fechar um negócio, para celebrar um casamento. A comida cumpre a sua função, não é incómoda, mas também não comove. O Šaran é outra conversa. Menos formal, mas também muito elegante, tem uma enorme vantagem sobre o Madera: a comida é óptima, mesmo quando a medimos pela bitola das melhores gastromias/restauração da Europa (as ibéricas e a italiana). A especialidade da casa é o peixe de rio, mas quem torce o nariz a tal coisa pode encontrar também bichos de água salgada e carnes. O Šaran tem um problema, no entanto. Encontrá-lo pode ser complicado, pois está afastado do centro da cidade, em Zemun, um dos municípios de Belgrado, na margem direita do Danúbio. Para lá chegar, há que atravessar a última ponte do Sava, e logo caminhar, durante cerca de uma hora, pelas margems dos rios, o Sava, primeiro, o Danúbio, depois. Outra opção: o autocarro 15 até Zemun, procurar o centro do bairro, e daí andar até ao rio. Encontrado o restaurante Venecija, há que resistir à tentação de ficar logo numa das suas mesas sobre as águas do Danúbio, e percorrer mais 200 metros para montante. E ali está ele, o Šaran. (Há sempre um táxi para nos levar até à porta do restaurante, mas qual é piada disso?)

E por aqui ficamos, porque a nota sobre comida já vai larga. A Hungria fica para outro dia. Podemos, no entanto, adiantar que o fígado gordo de ganso (foie gras para os amigos) frito na sua própria gordura é incontornável em Budapeste. Mas é melhor não falar muito sobre isso, para não ofender os misantropos. Perdão, os amigos dos animais.

Perguntas sem resposta

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal,Saúde — Miguel Botelho Moniz @ 12:19

No seguimento da proposta de revisão constitucional do PSD, dirigentes do PS e membros do governo têm surgido em vários meios de comunicação desdobrando-se em declarações de defesa incondicional do estado social, particularmente do Serviço Nacional de Saúde. Aquilo a que os ingleses chamam posturing. Na maior parte dos casos ninguém lhes faz as perguntas realmente essenciais;  mesmo quando esboçam, de forma implícita, as questões, estas ficam sempre sem resposta:

  1. Sendo sabido que os cuidados de saúde tendem a ser progressivamente mais altos nas últimas décadas de vida das pessoas; que as pessoas vivem cada vez mais tempo; e que o rácio de idosos para população activa é cada vez maior; por outras palavras, que a população está a envelhecer e que o número de contribuintes líquidos para o orçamento do estado está a diminuir, como pode ser garantido o financiamento de um sistema de saúde gratuito e universal?
  2. Na eventualidade de, com alguma desfaçatez, se tomar a decisão política de empurrar o problema para a frente, sobrecarregando de forma injusta as novas gerações com taxas punitivas de impostos futuros, o que vai acontecer se estas emigrarem em número suficiente para inviabilizar o financiamento do SNS?
  3. De forma análoga aos pontos acima, como se vai financiar a segurança social, havendo cada vez menos contribuintes líquidos para suportar o crescente número de reformados? Será tomada a opção de diminuir progressivamente os valores de reforma, criando a situação de uma geração inteira ser a principal contribuinte de um sistema do qual será não beneficiará de forma equitativa com as restantes?

Estas perguntas são, de certa forma, puramente retóricas. A verdade é que não têm resposta para lá da realidade de que o estado social é insustentável tendo em conta simples contexto da sociedade em que foi implementado. Não havendo dinheiro, não há estado social. Fazer uma pose indignada e um discurso inflamado em defesa, supostamente ideológica, de algo que é inviável só tem um nome: Mentira.

Episódios da vida no mundo civilizado

Filed under: Educação,Internacional — Tomás Belchior @ 10:44

Às vezes devemos dar graças pelo facto da justiça não funcionar por estas bandas, apesar de muita gente “acreditar” nela.

“Pity poor Mark McCullogh. There he is, living in the quiet village of Glentham, Lincolnshire, looking after his five children, working as a refuse man, doing the best he can and now, suddenly, he has ignited the ire of his local council. Why? Because every day he lets his seven year-old daughter Isabelle walk the 45 yards from her home to where the school bus picks her up. Not only that, but he has been reported to be dressing her incorrectly – without a jumper despite the chilly weather – and has been threatened with a “child protection” order.”

Daqui.

A dura realidade das ‘expulsões’ de ciganos

Filed under: Internacional,União Europeia — filipeabrantes @ 08:22

Obrigados a saírem do país, muitos ciganos de facto saem para voltarem – literalmente – no minuto seguinte. Podem então ficar provisoriamente (até 3 meses, segundo as normas europeias) em França até novo mandado de expulsão. Seguido da respectiva viagem turística à fronteira.

É esta a situação que faz alguns tontinhos compararem o presidente francês a um nazi. Não há paciência.

Setembro 14, 2010

O engenho usado para derrotar leis estúpidas

Filed under: Economia,Educação,Internacional,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:00

A Dastardly Clever Scheme Por Greg Mankiw.

1. The university buys a rent-controlled building. The purchase price is low, because the existing landlord cannot make much money renting it.

2. The university then rents the apartments to its own senior faculty, who view this as a great perk. In essence, the difference between the free-market rent and the controlled rent is a form of compensation for the professor. As a result, the university can reduce the professor’s cash compensation by an equivalent amount. The university is effectively earning the market rent for the apartment.

3. But it gets even better. The implicit rental subsidy is a form of non-taxed compensation. Normally, if an employer gives an employee a perk like this, the subsidy is taxable income (unless the perk is deemed a working condition required to do the job, like a hotel manager living in a hotel). But here, the university can claim there is no subsidy: It is only charging what the rent-control law requires. Because of this tax treatment, the implicit subsidy is worth even more to the professor than the equivalent cash compensation. This fact allows the university to reduce the professor’s cash compensation by an even greater amount. Thus, the university effectively earns even more than the free-market rent on a real estate investment purchased much lower than the free-market price would have been.

In the end, the goal of the rent control laws is thwarted (the low rents are enjoyed by well-paid tenured faculty rather than the needy), the income tax laws are thwarted (a sizable part of compensation is untaxed), and all this is done by a nonprofit institution (the university) whose ostensible purpose is to serve the public interest.

(via Michael Seufert)

O marxismo e a fast-food

Filed under: Ambiente,Economia,Política — André Azevedo Alves @ 20:00

Elogio marxista ao fast-food. Por Renato Teixeira.

Uma vez mais um caso prático. Quando posso escolher como sempre em casa e com a comida transformada pelas minhas mãos. Mesmo com alimentos de merda consigo fazer alguns milagres. Além de mim, boa parte dos meus amigos sublinham que a minha cozinha é de facto um dos melhores restaurantes da cidade. Ontem, porém, tive que almoçar e jantar fora por questões de ordem prática, o que para quem tem um filho redobra os esforços selectivos. O almoço foi no Mac e custou cinco euros por cabeça. Eu comi um Mac Menu qualquer sem molho, e o meu puto comeu filetes de peixe, cenoura crua e sumo de laranja natural. Ao jantar, num reputado restaurante da cidade, paguei 15 euros por cabeça, eu comi um bife cheio de gordura que parecia uma sola de sapato, frito em óleo e com o indispensável ovo estrelado. O meu puto teve que se contentar com um bacalhau à Brás com mais sal que ovo e quase sem bacalhau. Algo me diz que qualquer um dos dois ficou melhor servido ao almoço.

Para lá dos que organizam a alimentação em função das suas convicções, há os que têm as suas convicções determinadas pelas suas carências alimentares. Estou certo que eles darão uma resposta bem mais humana do que aqueles que fundam a sua consciência na alegada liberdade das galinhas.

Atitude contagiante

Abençoado por um espírito livre, um grupo de verdadeiros amigos da iniciativa privada ameaça a existência de uma discoteca em Múrcia por causa do nome e decoração, julgadas insultuosas. Esta meca é problemática.

Na melhor das hipóteses

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:16

Já ouvimos de tudo para justificar a embrulhada constitucional do PSD: encontros e desencontros, precipitação e erros de comunicação, rascunhos e esboços. Na melhor das hipóteses, sendo a pior a constatação de que o PSD não sabe o que quer ao certo para o país, falta coragem neste PSD para assumir o que entende ser necessário para salvar o país do buraco em que se encontra. Talvez seja isso, e não outra coisa qualquer que rapidamente se apressarão a encontrar os estrategas da comunicação, a justificar a queda do PSD nas sondagens.

É possível mudar o paradigma da educação

Filed under: Educação,Política — ruicarmo @ 00:15

Novas escolas, maior liberdade.

Setembro 13, 2010

O Miguel Noronha anda por aí

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:58

O Intermitente (reconstruido)

Isabel Alçada: o retrato de uma ministra

Filed under: Cartoons,Educação,Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 22:00

Uma ministra com certezas

(via A Educação do meu Umbigo: Manual De Sobrevivência Para Educadores, Professores Alunos, Famílias E Outros Estertores)

Uma biografia política de Salazar

Filed under: Educação,Livros,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Mais uma interessante entrevista a Filipe Ribeiro Menezes, Professor de História na National University of Ireland, Maynooth e autor de Salazar: A Political Biography: Salazar queria ver Portugal na CEE

A biografia desmonta alguns dos mitos sobre o ditador. A ideia de que se tratava de um político que nunca mudou de rumo ou que sabia exactamente qual o caminho que Portugal deveria seguir. Na biografia, aparece um homem cauteloso, que geria as diversas facções, mas que mudou várias vezes de trilho durante os 40 anos no poder. Só um verdadeiro equilibrista conseguiria manter a neutralidade do país durante a II Guerra Mundial.

Nunca teve simpatia por Hitler e pouco ou nada tinha a ver com os fascismos europeus. De origem modesta, escreve o autor, Salazar não se destacou pela bravura no campo de batalha, ou por uma oratória demagógica, mas pelas suas proezas académicas, o que o distingue de Franco, Hitler ou Mussolini.

Alegre desconsolo

Filed under: Agenda,Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — ruicarmo @ 19:36

Ouvindo o discurso de arranque da pré-campanha de Manuel Alegre, fico convencido: ele é mesmo o candidato certo das forças que o apoiam. O proclamatório-vazio, a insistência em habitar num edifício que ameaça ruir a cada momento, são as marcas de uma esquerda incapaz de perceber que este modelo social é insustentável, que este Estado absorve quase toda a energia da sociedade, consome boa parte da pouca riqueza criada, é incapaz de perceber que quem sofre mais com o retardamento das reformas necessárias são exactamente os mais desfavorecidos, os descamisados que Alegre, BE e uma parte do PS se dizem representantes. No fundo, ninguém melhor do que Alegre corporiza o estado dessa esquerda tão palavrosa como vaidosa. Que teme a mudança e é por isso conservadora. Profundamente conservadora.

De M Ferreira de Almeida, no Quarta República.

Sendo claro que o ainda não candidato Cavaco se encontra claramente na frente da corrida presidencial, é o discurso de Manuel Alegre que o ajuda a manter-se como vencedor na eleição, salvo alguma trapalhada imprevista. Perante a concorrência, Cavaco é claramente um mal menor especialmente quando comparado com o candidato apoiado por  Louçã&Sócrates. Com aquele discurso, percebe-se o apoio do BE:  Alegre personaliza a “raiva” necessária para combater a direita (seja lá o que isso seja) . Qualidade  que como se sabe, o candidato-poeta não tinha nas últimas  eleições presidenciais. Pelo menos nas tão doces como inesquecíveis palavras de Louçã.

Leiituras complementares: Um discurso irrelevante para um candidato irrelevante, A via açoriana para o socialismo Alegre.

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