O Insurgente

Setembro 30, 2010

Renunciar

Filed under: Blogosfera,Portugal — ruicarmo @ 22:51

Um brilhante catálogo de renúncias, que o (des)governo socialista deveria seguir, da autoria de JM Ferreira de Almeida.

Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;

Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;

Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;

Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;

Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;

Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;

Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado transfere para os partidos políticos, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;

Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta  democracia, na mesma mesmísisma medida do corte nas transferências;

Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;

Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;

Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por mais de 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando – com tristeza – a redução para metade dos nossos representantes.

Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me – mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria – a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.

Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.

Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.

4 Comentários »

  1. Hoje é o dia Mundial da música:http://estrolabio.blogspot.com/2010/10/dia-mundial-da-musica-jose-afonso.html

    Comentário por luis Moreira — Outubro 1, 2010 @ 01:56

  2. siga o enterro laico e socialista

    Comentário por floribundus — Outubro 1, 2010 @ 07:25

  3. Eu renúncio a tudo isso e mais:
    Renúncio a ouvir essa cambada de politicos maltrapilhos,mentirosos,e falsos.
    Renúncio igualmente a ouvir essa cambada que “não sabem o que querem nem para onde vão” e para vergonha, nós nem sabemos muito bem de onde vieram.Caíram em cima de nós de paraquedas.Gente politicamente miserável,que passeia impunemente por este país a sua soberba a sua falta de vergonha,sem um pouco de pundonor,continuando a gritar que está tudo bem.SERÁ PRECISO GRITAR. MORTOS DE PÉ? Os nossos heróis,os nossos mortos merecem mais respeito.Mil anos de história,não são cem anos de República.

    Comentário por o fantasma — Outubro 1, 2010 @ 12:05

  4. E já agora:
    Renuncio a todas as deduções e benefícios fiscais, em troca de umas taxas de IRS e IRC mais baixas e aplicáveis a todos por igual e sem excepção, incluindo a banca.

    Comentário por Vale de Lobos — Outubro 1, 2010 @ 12:08


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