O Adolfo refere algo tão evidente que até se estranha a necessidade de ser dito – mas no PSD, aprisionado que está por sumidades comunicacionais que conhecem, de fonte certa, a fórmula mágica que vai levar os eleitores a votarem no PSD nas próximas eleições, há esta necessidade.
Ainda estou para perceber o que levou o PSD a negociar (e a viabilizar) o PECII com os seus aumentos de impostos para 2010 e 2011. A razão patriótica apresentada – os mercados, os juros da dívida pública, os ratings,… – mantém-se e agudizou-se. As explicações para a actual posição diferente perante o orçamento (‘já viabilizámos um aumento de impostos, e contra nossa vontade, não viabilizamos mais nenhum’) só relembram que o PSD já viabilizou um aumento de impostos, que na melhor das alternativas foram uns patinhos na negociação com o PS, e fará sempre questionar as motivações de provocar agora, ao lado do PS, uma crise política que levará a que o PSD pague, em votos, um preço (não se pense que quem trabalha numa empresa que vive no fio da navalha, que actualmente não serão poucas, vá agradecer e recompensar nas urnas a instabilidade política).
Ainda estou para perceber o que levou o PSD a não adoptar (para o PECII, se o considerava essencial para o interesse nacional, e para o OE2011 e OE futuros) uma política que não permitisse que as responsabilidades da aprovação ou do chumbo lhe fossem imputadas: afirmar que não contribui para a instabilidade política e financeira, que se for necessário viabiliza os documentos, mas deixando ao PS a exclusiva autoria dos ditos, sem qualquer negociação ou assunção de compromissos por parte do PSD.
A estratégia do PS, convencidos que estão - com certa razão - que os eleitores que votaram duas vezes em José Sócrates são em definitivo uns imbecis e na sua capacidade de manipular a opinião pública, também é arriscada e, percebe-se, um tremendo bluff. Os resultados de eleições a curto prazo são incertos e o PS também pagaria o preço eleitoral da crise política e financeira; afinal cabe ao governo a primeira responsabilidade de assegurar um orçamento, não à oposição, e de um governo minoritário espera-se que saiba encontrar compromissos em vez de impor, sem mais, a sua política; por outro lado, a oposição também não se esgota no PSD e não se vislumbra vontade de negociar o orçamento com o CDS ou à esquerda; sobretudo, ninguém acredita no desprendimento do PS face aos tachos estatais que com enlevo durante anos cultivaram e sem os quais já não sabem sobreviver.
[...] a Maria João explica como é possível que a presa caia sempre na ratoeira, e de novo, e de novo, como um perfeito [...]
Pingback por A ratoeira socialista « Farmácia Central — Setembro 24, 2010 @ 16:45
“Jorge Miranda: demissão do Governo poderia conduzir a coligação por iniciativa presidencial….” (J. Público).
Ajudem-me sff. Devido às limitações actuais de acção do PR.
Cenário A: Coligações. Presentemente PSD+CDS são uma coligação com uma “maioria relativa”, igual à do PS.
Se o PR aceitar demissão deste Governo (PS), obviamente não faz sentido renomear “novo” governo PS (as circunstâncias da demissão mantêm-se inalteradas). Pode o PR aceitar uma coligação PSD+CDS -que até não estão minimamente interessados em pegar na batata a ferver- que o PS reprovaria na AR. Esse governo, ficaria em “Governo de Gestão”?
Mais maiorias: PS+CDS, posta de lado. PS+BE+PCP, pago para ver, acabava com os sapos neste país. Nem o da PT escapava.
CenárioB: Eleições. Se o resultado for diferente da presente distribuição na AR. Ficariam os novos representantes do eleitorado a secar até ao que vem????
Agradeço as sábias, insurgentes, opiniôes.
Comentário por JS — Setembro 25, 2010 @ 00:50