O Insurgente

Setembro 24, 2010

Gente séria

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:39

As declarações de Teixeira dos Santos ontem no parlamento, ao anunciar o aumento dos impostos como “único” caminho para o país conseguir cumprir as responsabilidades assumidas, e ao perguntar à oposição em tom de desafio sobre onde é que estes achariam que se devia cortar, foram o confirmar pela voz do próprio da má-fé e da reserva mental com que o orçamento deste ano e o PEC II foram negociados pelo governo.

Na altura, este compremetia-se (jurando a pés juntos) e assumia o objectivo de diminuir o défice cortando a despesa, pedindo um aumento de receita para tornar mais efectiva e rápida essa diminuição. Agora, ainda poucos meses volvidos, demonstra que isso nunca foi a sua intenção, e que nunca esteve disposto a assumir qualquer ónus político derivado do corte da despesa. Foram as papas necessária para enganar um quantos tolos e salvar a face de outros tantos.

Agora, passados estes meses, continuamos a ter o governo da segunda derivada, que se gaba publicamente de “diminuir a taxa de crescimento da despesa”, em grande parte pela suspensão e retrocesso nas medidas que aprovou em ano de campanha eleitoral para presentear o seu putativo eleitorado. Continua a desafiar os outros para que lhe digam onde cortar, assumindo estes desse modo as despesas políticas que não tem a coragem nem a vontade de assumir. Simultaneamente, pede novo aumento de impostos para resolver (?) o problema da única maneira como já o demonstrou verdadeiramente querer fazer.

É esta gentinha que se quer levar a sério e ser tomada como um interlocutor responsável à mesa de negociações antecipadas ou não do orçamento para 2011. Não é gente de cheques em branco, sequer. É gente que parte para a negociação aceitando somente discutir a dimensão do gordo cheque que quer receber.

6 Comentários »

  1. “Continua a desafiar os outros para que lhe digam onde cortar, assumindo estes desse modo as despesas políticas que não tem a coragem nem a vontade de assumir.”

    Sendo que esses “outros” pedem para cortar, mas nunca tên a coragem nem a vontade de assumir a forma como esses cortes devem ser feitos.

    Ou seja, estão bons uns para os outros. Todos estão a pensar numa coisa (corte nos salários de funcionários públicos, incluindo de polícias, de médicos, de professores e de juízes), mas ninguém tem coragem de falar disso.

    Comentário por Luís Lavoura — Setembro 24, 2010 @ 12:05

  2. O problema é que não é impopular falar de cortes de salários de funcionários públicos, quando por “funcionários públicos” se entende apenas os “mangas de alpaca” das repartições.

    Mas seria altamente impopular falar de cortes de salários de polícias (que já hoje têm salários baixos), de juízes (que são altamente eficientes a boicotar o trabalho em caso de protesto), de médicos (que já hoje fogem para o setor privado e para o estrangeiro) e de professores (cuja capacidade de protesto não é de menosprezar).

    Uma coisa é cortar salários de funcionários de um Estado mínimo. Outra coisa, bem mais complicada, é cortar salários de um Estado Social – o que implica cortar salários em todo o setor da educação (incluindo superior) e da saúde.

    Comentário por Luís Lavoura — Setembro 24, 2010 @ 12:09

  3. LL,
    você não percebe que exigir aos que não são poder, que digam onde cortam é transferir a responsabilidade política? Se não querem assumir a responsabilidade que têm demitam-se, faça-se dos “outros” Governo e que aí sim paguem o ónus ou fiquem com os louros pelo que exigem que os primeiros façam.

    Comentário por Helder — Setembro 24, 2010 @ 12:11

  4. Desculpem o desespero, sim, já lhe chamo desespero…

    SOMOS UM POVO DE MERDA GOVERNADO POR UMA CAMBADA DE FILHOS DA PUTA!!!!!!!!!

    Comentário por Vasco — Setembro 24, 2010 @ 12:52

  5. VIVA O FMI!!!!!!!!!

    Comentário por Vasco — Setembro 24, 2010 @ 12:55

  6. [...] vem então o João Luís desmontar o mecanismo da ratoeira, definindo a natureza da embrulhada (em que todos estamos [...]

    Pingback por A ratoeira socialista « Farmácia Central — Setembro 24, 2010 @ 16:45


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