Esperei alguns dias para comentar publicamente o anúncio da suspensão da participação do Miguel Noronha n’O Insurgente porque não sabia muito bem o que seria adequado escrever. Continuo sem certezas a esse respeito, mas acho que não devo deixar passar o evento em branco.
O Miguel escreveu no post de despedida que iniciou a participação n’O Insurgente “há mais de cinco anos”. É verdade, mas não é a verdade toda.
No quarto aniversário d’O Insurgente, em 2009, reproduzi o que tinha escrito no balanço do primeiro ano Insurgente, ajustando apenas a referência temporal:
Quando há pouco mais de [quatro anos] atrás eu e o Miguel inicialmente discutimos a ideia de criar um novo blog colectivo, julgo que é correcto dizer que nem eu nem ele tínhamos um plano bem definido do que esse blog poderia ou deveria ser. Tínhamos (e temos), é certo, um conjunto de princípios gerais em comum que considerámos deverem nortear o projecto mas a identidade e o estilo do blog desenvolveram-se de forma mais ou menos espontânea desde o primeiro dia de actividade. Tivemos depois a sorte de, quer na equipa inicial, quer nas sucessivas expansões, todos os elementos se terem integrado perfeitamente no espírito do blog e enriquecido o seu conteúdo. Julgo que a chave desta coordenação descentralizada entre todos os elementos da família Insurgente tem sido o facto de todos compreendermos bem que o que temos em comum neste contexto é bem mais significativo do que o que nos separa.
Reproduzi o texto em 2009 porque, no essencial, ele não tinha perdido actualidade. No entanto, a partir de 31 de Agosto de 2010, o texto deixou, pelo menos em parte, de ser actual. O Insurgente foi, desde o início, um projecto no qual o Miguel Noronha teve um papel essencial, não só pela sua participação como blogger, mas também porque a própria identidade do blogue foi em boa parte definida e construída por ele.
Conjugando a minha cada vez mais escassa disponibilidade para escrever textos que vão além de referenciar outras fontes com a saída do Miguel, cheguei a ponderar seguir o exemplo dele. Concluí no entanto que num blogue em que se preza, desde a fundação, o individualismo (no sentido hayekiano do termo), faria pouco sentido tomar decisões por imitação. Assim sendo, continuarei por aqui enquanto para mim a colaboração continuar a fazer sentido. Quanto ao Miguel, estou certo que nos vamos ver por aí e, quem sabe, talvez até nos venhamos a reencontrar neste mesmo espaço.
“Quanto ao Miguel, estou certo que nos vamos ver por aí”
Quem sabe, quem sabe…
Comentário por Miguel — Setembro 6, 2010 @ 10:24
Espero bem que sim, porque gosto muito de ler os posts do Miguel Noronha, com o qual estou quase sempre de acordo (mais do que em relação a outros autores do blogue). Talvez porque nas matérias políticas, tenhamos apoiado Manuela Ferreira Leite quando ela era criticada pela generalidade dos liberais, que agora ainda têm mais com que se preocupar com a gritante inabilidade política do passismo. Essa transição da pureza ideológica para a o combate político é coisa que tem corrido bastante mal no, infelizmente, ainda incipiente espaço político liberal. É pena.
Dito isto, muita boa sorte ao Miguel Noronha. E, já agora, ao Insurgente.
Comentário por José Barros — Setembro 6, 2010 @ 17:42
É verdade, o Miguel Noronha faz muita falta, mas o André Azevedo Alves também faria. Chega de descansos, que os leitores do Insurgente precisam de vos ler. Abraços ao dois.
Comentário por Paulo Pinto Mascarenhas — Setembro 9, 2010 @ 00:26
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