Infelizmente, também em Portugal a História do Pensamento Económico é cada vez mais negligenciada – remetida para disciplinas opcionais ou simplesmente ignorada – o que só pode ter como resultado a “formação” de alunos com cada vez menos sentido crítico e menor capacidade para compreender as origens, evolução, vantagens e limitações das ferramentas de análise económica que lhes são apresentadas: Adam Smith? Who’s He? It’s time to return the history of economic thought to the college curriculum. Por Bruce Caldwell.
When I did my graduate work in economics at UNC, the history of economic thought was one of the core classes that all students had to take. We read and studied the great economists of the past–Smith, Malthus, Marx, Marshall, Keynes–whose insights directed (and sometimes misdirected) the progress of our discipline. Things have changed dramatically since then. The history of economic thought has virtually disappeared from the graduate curriculum in the United States, and if current trends continue, in a few decades it will have disappeared from the undergraduate curriculum, as well.
This situation is deplorable. The history of economic thought constitutes an essential part of the broader liberal education of economists.
Na FEP ainda se dá na licenciatura, e bem dado, com uma parte de metodologia dada pelo brilhante Mário Graça Moura
Comentário por Luís — Setembro 7, 2010 @ 09:08
Aliás há quem diga que “Economia” é uma pseudo-ciência. Que na verdade o que se ensina/aprende é apenas … História da Economia…. O resto é especular, com qualidade, (re)baralhando dados … históricos.
A “ciência” económica não previu Madoff. Não havia algorítmico a demonstrar Madoff. Como dizia A. Greenspan: “O sistema não foi desenhado para …” Madoffs. Com este, novo, dado histórico, já se podem desenhar “novos” sistemas que incluam Madoffs … até aparecer um novo, ainda desconhecido, “Mad-On”. Já se ouvia esta, meritosa, discução há dezenas de anos na faculdade. E não é só em Economia que é indispensável conhecer a História da sua (e outras) Artes.
Comentário por JS — Setembro 7, 2010 @ 12:17
JS, a economia não é uma ciência de previsão estatística, os próprios que quiseram que o fosse (a maioria da profissão ainda hoje), os empiristas pós-Keynes (o que inclui monetaristas e outros não-Keynesianos), são derrotados dentro do seu próprio critério.
Existem previsões no domínio de princípios gerais, como menos poupança e menos acumulação de capital gera menos crescimento no futuro, ou como a previsão da teoria dos ciclos económicos austríaca segundo o qual a manipulação em baixa das taxa de juro (ao permitir-se a expansão de crédito por pura expansão monetária para o efeito) tende a provocar um erro económico de sobre-investimento (ou melhor, malinvestment).
A quantificação e modelização não tem produzido resultados, porque causalidade e correlação não é a mesma coisa, e só uma teoria pode ler dados históricos, não os dados e a sua manipulação estatística é que constrói uma teoria a ser permanentemente testada como nas ciências naturais.
Assim, só a determinação lógica de causalidades lógicas pode construir princípios económicos universais sendo a investigação histórica (que tem claro, validade e utilidade) uma fotografia que vai mudando a ser interpretada à luz de uma teoria (e não o contrário).
A minha hipótese sobre o abandono da história económica, é que esta tem necessariamente de passar pelos clássicos e pré-clássicos e depois os austríacos, e só depois Keynes (com falácias que já tinham sido desmentidas anteriormente) vem a actual fase empirista e de modelização pós-Keynesiana. Ora, isso não dá muito jeito para a continuação do (ainda) actual consenso académico.
Comentário por CN — Setembro 7, 2010 @ 12:36
A minha hipótese sobre o abandono da história económica, é que esta tem necessariamente de passar pelos clássicos e pré-clássicos e depois os austríacos, e só depois Keynes (com falácias que já tinham sido desmentidas anteriormente) vem a actual fase empirista e de modelização pós-Keynesiana. Ora, isso não dá muito jeito para a continuação do (ainda) actual consenso académico. – CN
É precisamente o que eu também acho. Mas a doença é muito antiga e também abrange a universidade que foi a minha, a Católica.
Comentário por Eduardo F. — Setembro 7, 2010 @ 18:18
#3.Claro, e de acordo.
Comentário por JS — Setembro 7, 2010 @ 19:18