Um excelente artigo de Diogo Costa: Faca na mão, multiculturalismo no coração.
Liberalismo e multiculturalismo se assemelham porque ambos garantem o direito a estilos de vida não aprovados pela maioria da sociedade. Mas enquanto o multiculturalismo se encerra na soberania da liderança de cada grupo cultural sobre seus membros, o liberalismo assegura a soberania de cada membro do grupo.
(…)
Ao defender os direitos de cada indivíduo, os liberais reconhecem o crime que é o assassinato de uma criança. A Dra. Neusa reconhece apenas o direito dos líderes do grupo em praticar o assassinato, ou, como prefere a autora o “desaparecimento” e a “supressão” de criancinhas.
Vejam bem do que a Professora Neusa está a favor: um crime deixa de ser crime se for praticado repetidamente por muito tempo. Se começarmos a matar professores com doutorado a partir de agora, e continuarmos a mesma prática entra ano, sai ano, as Drªs. Neusas do século XXII dirão que tudo está bem, é a lógica da nossa cultura: por consumir recursos da sociedade sem contribuir com nenhuma produção de fato, os doutores são um peso para a comunidade.
Não existem diferentes lógicas assim como não existem diferentes justiças ou diferentes verdades. E a verdade é que, se o assassinato de inocentes é um crime, uma violação de justiça para todos os humanos, logo será crime se for praticado no oeste europeu, no leste asiático, ou no centro-oeste brasileiro. Direitos humanos se aplicam a toda a humanidade, não apenas a crimes cometidos por ocidentais contra outras culturas, ou por maiorias contra minorias.
(…)
A defesa do multiculturalismo é, portanto, incompatível com uma sociedade aberta, pacífica e baseada na universalidade dos direitos do homem. O respeito pela independência de minorias como os Yanomami não deve terminar nos seus líderes. A verdadeira tolerância cultural respeita a independência da menor das minorias de qualquer grupo: o indivíduo.
[...] Leitura complementar: Multiculturalismo vs. Liberalismo. [...]
Pingback por Multiculturalismo vs. Liberalismo (2) « O Insurgente — Setembro 5, 2010 @ 15:45