Junta-lhe apenas um pormenor: a promoção incessante de “causas fracturantes” e culturalmente “progressistas”. E a questão é saber se foi a extrema-esquerda que cedeu às causas fracturantes que dizia combater no passado ou se foram os “progressistas” que cederam ao populismo da extrema-esquerda. Inclino-me para a segunda. E ao decidirem seguir este caminho escolheram um espaço político. Um espaço em relação ao qual a esquerda civilizada tinha obrigação de manter um cordão sanitário.
Para que esse cordão sanitário exista e se mantenham fechados no baú da história fantasmas do passado seria necessário começar por dizer que o rei vai nu: Louçã não está, pelo seu populismo desbragado, no arco da esquerda democrática. Poderá eventualmente ter apenas a vantagem de, com a sua presença, travar o crescimento de uma extrema-esquerda mais violenta. Mas nem por isso deixa de ser o que é.
Publicado n’O Insurgente. Não publicado – obviamente – no Expresso Online.
Leitura complementar: Daniel Oliveira faz dura crítica a Francisco Louçã.

É, abaixo essa gente toda, sobretudo os que dedicaram a carreira académica a estudar os ciclos económicos. Toda a gente sabe que não há ciclos económicos – é sempre a subir, portugal com declive de 0,2% – e os ciclos económicos nunca aterraram na Portela.
(De resto, aguardo com uma impaciência quase santa um comentário céptico a esta notícia de uma volta de 180º no negacionismo do aquecimento global http://www.guardian.co.uk/environment/2010/aug/30/bjorn-lomborg-climate-change-u-turn )
Comentário por Fernando — Setembro 3, 2010 @ 11:19
“Toda a gente sabe que não há ciclos económicos”
Recomendo a leitura de Mises, Hayek e Rothbard. Nesse estado, até Schumpeter não faria mal nenhum.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 3, 2010 @ 11:34
Bem visto, André
Comentário por Miguel — Setembro 3, 2010 @ 11:53
Muito bem.
Na verdade bastava ler a parte do texto do DO em que se diz que o CDS “fala” e “age como a extrema-direita” para ver que aquilo é um puro desabafo histérico, sem qualquer rigor, e produzido com a habitual desonestidade que o costuma caracterizar.
Comentário por filipeabrantes — Setembro 3, 2010 @ 11:59
É sempre díficil dar crédito académico (sobretudo nos campos das ciências sociais)a pessoas que se envolvem ao mesmo tempo na luta política e são useiros da mais descarada desonestidade intelectual.
O famoso Krugman é um exemplo paradigmático e nós também os temos com abundância.
Comentário por ricardo saramago — Setembro 3, 2010 @ 12:49
O que eu fiz foi uma piada relacionada com a célebre música do josé mário branco em que ele diz que o fmi nunca aterrou na Portela. De resto, é claro que há ciclos económicos e isso está estudado por várias correntes que interpretam a economia de maneira diferente. Pergunto ao AAA e ao Miguel se algum dia leram as publicações do perigoso populista e demagogo (apesar de catedrático) Louçã relativas aos ciclos económicos. (A resposta sempre sábia do ricardo saramago já dispenso à partida.)
Comentário por Fernando — Setembro 3, 2010 @ 15:05
“Pergunto ao AAA e ao Miguel se algum dia leram as publicações do perigoso populista e demagogo (apesar de catedrático) Louçã relativas aos ciclos económicos.”
Qual a relevância disso para o post que está a comentar?
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 3, 2010 @ 15:08
Ricardo Saramago: Louçã está activamente envolvido nessa coisa chamada “política”. Já os professores de economia que professam a fé do liberalismo podem ser professores sem correr o risco de perder o crédito académico, já que estão no lado dos “bons”. É óbvio que o facto de serem a maioria na academia e ditarem todo o paradigma que se ensina nas faculdades faz deles os guardiões do templo da verdade.
Comentário por Fernando — Setembro 3, 2010 @ 15:08
AAA: mera curiosidade. É que Louçã e em geral os economistas de esquerda, ainda que lutem por um paradigma económico diferente, acrescentam valor ao conhecimento do paradigma actual. Ou estou errado? (Vá lá, leu mesmo?)
Comentário por Fernando — Setembro 3, 2010 @ 15:10
“AAA: mera curiosidade.”
Ok. Logo vi que não tinha nada a ver com o post.
Outras perguntas igualmente irrelevantes para o post: quais os artigos meus que Louçã terá lido? E o Fernando, será que já leu algum artigo meu, ou mesmo do Louçã?
Tantas perguntas e tão poucas respostas. Mas fico agradado por ver que o post deixou uma marca forte em bloquistas militantes como o Fernando.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 3, 2010 @ 15:30
“Bem visto, André”
Obrigado Miguel.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 3, 2010 @ 15:31
“Na verdade bastava ler a parte do texto do DO em que se diz que o CDS “fala” e “age como a extrema-direita” para ver que aquilo é um puro desabafo histérico, sem qualquer rigor, e produzido com a habitual desonestidade que o costuma caracterizar.”
De facto, é um texto com a marca do autor.
Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 3, 2010 @ 15:32
Eu comprei dois livros do Louçã (não li em profundidade, mas deu para ver) onde falava de crises, e é o mesmo de sempre, kondratieff misturado com ciclos de tecnologia/produção., crises do capitalismo. As razões monetárias, de manipulação da quantidade e taxa de juro, é que nada.
Comentário por CN — Setembro 3, 2010 @ 16:27
Caro Fernando
Obviamente todas as pessoas podem ter as suas preferencias políticas e os académicos não são excepção.
Quando os académicos das ciências sociais enveredam pela militância política, só excepcionalmente conseguem separar uma coisa da outra e amiúde não resistem à tentação de usar o estatuto universitário para legitimar as suas intervenções políticas.
É desta perversa situação que falo.
Quanto ao liberalismo que afirma predominar nos meios académicos, nunca o constatei provávelmente porque o nosso entendimento do termo liberal é obviamente diferente.
Ao contrário do Fernando e dos socialistas que chamam liberal a todos os não socialistas, o liberalismo, como corrente política, não preconiza nenhuma forma de organização da sociedade em concreto, mas tão só princípios que entendemos serem conquistas da civilização.
A saber: a igualdade de oportunidades, a igualdade perante a lei, o Estado de direito, o direito de propriedade, os direitos das minorias, os direitos individuais, a liberdade de consciência e da esfera privada.
Somos contra tudo o que vai contra estes princípios e temos uma desconfiança e um cepticismo elevado acerca de todas as doutrinas salvadoras(de esquerda ou direita), do aumento do poder dos burocratas e do estado, das ditaduras das maiorias e da uniformização do pensamento, dos hábitos, e das cruzadas contra inimigos imaginários que são sempre formas de justificar o autoritarismo.
Sabemos que o mundo é um lugar perigoso, injusto, cheio de maldade, mas não temos a ilusão perigosa de construir “paraísos na terra”.
Comentário por ricardo saramago — Setembro 3, 2010 @ 16:48
Este é o tipo de gente que tornaria a demolir a muralha da China para construir chiqueiros ou arrastaria professores e homens de cultura pela rua para serem humilhados pela populaça.
Comentário por A. R — Setembro 3, 2010 @ 21:27
“Sabemos que o mundo é um lugar perigoso, injusto, cheio de maldade, mas não temos a ilusão perigosa de construir “paraísos na terra””. Bem escrito! Chapelada.
Comentário por A. R — Setembro 3, 2010 @ 21:29
já andei a bater o arrastão em vários posts e não encontrei lá nenhum fernando…
strange..
Comentário por andrecruzzz — Setembro 3, 2010 @ 23:17
Todos sabemos que quando esses salvadores da Pátria nos deixarem,mesmo que seja no fim cumprido do caminho da vida,desses e doutros “salvadores” nada mais restará que cinza.Ninguém se lembrará jamais deles.
Mesmo que daqui a 50 anos haja outro programa sobre os portugueses mais ilustres de Portugal,de certeza que seu nome não vai constar da lista.
Deste clube de esquerda dita salvadora de Portugal,Desses seres que ao longo dos anos,nada produziram,continuaram a, enquanto aqui andarem a dizer mal de tudo e tudos.Vão ter uma magnífica reforma,têm pelo menos um consolo,usam a seu belo prazer o palco que lhe deram.Só ninguém diz,mas os portugueses querem saber,qual o bem que resultou desses milhões de euros que custa ao contribuite toda essa gente que orgulhosamente se diz de esquerda. PC Verdes.Bloco de esquerda,e mais alguns que para aí andam escondidos.
coisa espantosa;Não consta que militantes de tôpo tenham desertado de qualquer outro partido,do CDS,do PS, do PSD,para qualquer partido dito esquerdista. Mas o contrário está á vista. Estes partidos estão cheios de desiludidos da bandeira esquerdista.Estes partidos estão cheios de ex. esquerdistas radicais.Ou seram infiltrados.Nunca se sabe.Eles até ao que se sabe foram bons alunos na velha escola marxista.A cautela sem foi bôa companheira,e caldos de galinha numca fizeram mal a ninguém.
Comentário por o fantasma — Setembro 5, 2010 @ 08:31