La filosofía de autogestión se basaba en el obrero como pieza fundamental de la economía y se trataba de equilibrar el desnivel entre lo que ganaba un obrero y un técnico con estudios universitarios. La educación era gratuita y todo el mundo podía acceder a un título universitario. Pero un licenciado no ganaba mucho más. La diferencia entre el sueldo de un ingeniero, con un cargo relevante en INA (la industria petrolífera de Croacia), y el de señora de limpieza de su propia empresa era insignificante comparada con la que existe en España.
En este sentido la autogestión no estimulaba a los trabajadores, ya fueran cualificados o no. Era muy difícil y existía una gran desmotivación; es decir, daba igual trabajar o no, de todas formas se cobraba. Esto a mi me afectaba, pues me ponía muy nerviosa cuando iba a comprar y el dependiente o dependienta apenas se esforzaba por venderme nada. Para que iba a dejar de cotillear con su vecino o la novela que estaba leyendo si iba a ganar lo mismo comprara yo o no comprara?
Luísa Fernanda Garrido, Diario de Yugoslavia
Os parágrafos em cima transcritos, que são um dos traços do interessante retrato da Jugoslávia dos anos 80 feito por uma madrilena que assistiu à agonia final do ideal pan-eslavo (do sul), descrevem o deprimente resultado da acção de um Estado omnipresente e paternalista. Mas nem tudo mudou com a queda do Muro, com a desagregação do país, e nem sequer com o fim da guerra. Na Sérvia, ainda há poucos anos podíamos (e julgo que podemos) encontrar hotéis de gestão pública. Eram caros, decadentes, e o serviço… bem, pensem numa repartição de finanças e ficam com a ideia do serviço em hotéis chamados Voivodina, Balkan ou, vá-se lá saber porquê, Splendid. Damos a volta ao mundo e à História, e não há mais volta a dar: o Estado falha até na administração de uma mercearia ou de um hotel, e nem sequer o Estado-modelo de tantos revolucionários não-alinhados, com os seus avançados planos de auto-gestão, conseguiu desempenhar, com sucesso, tarefas aparentemente tão simples. Ficamos por isso surpreendidos ao saber que há ainda tantos crentes na alardeada capacidade da administração pública para tomar conta de algo tão importante como a Educação, só para dar um exemplo. E talvez seja essa a razão pela qual não precisamos de ir tão longe para encontrar quem lhe dê igual trabalhar ou não.

Novi Sad, 2004