O Insurgente

Agosto 26, 2010

A reciclagem e os preços de mercado

Filed under: Ambiente,Economia,Nanny State Watch,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 16:00

I Recycle! – Market Prices Compel Us to Recycle when Recycling Is Appropriate. Por Don Boudreaux.

It might well be immoral to waste things, but contrary to popular misconception, failure to recycle is not wasteful. Real waste happens when someone recycles for the sake of recycling—that is, recycles without weighing its costs and benefits. If it is immoral to waste, then it is immoral to recycle when the benefits of doing so are less than the costs of doing so, because such recycling is wasteful.

We recycle as much as we do because it makes good sense to do so. It would indeed be wasteful for me to discard my fine china after each use. So I don’t do it. And I don’t do it because the market reliably tells me that it’s wasteful to do so. I’m of no mind to purchase new china after each meal because the price of fine china far exceeds the value to me of the time I must spend cleaning and storing mine for future use. I’d quickly go broke if I refused to recycle most of the things that I regularly recycle. (Incidentally, I’ll bet that even Bill and Melinda Gates recycle their fine china.)

But I do discard paper plates after each use. The reason, at bottom, is no different from the reason I recycle my china rather than discard it: it would be wasteful to do otherwise. After all, I could recycle paper plates. Careful washing would enable my family and me to reuse paper plates a couple or three times. But notice what would be wasted: valuable labor and time. One important reason for using paper plates would be undermined. That reason, of course, is the importance of saving the time and effort that it would take to wash dishes following the meal. Time that I could spend playing with my son, relaxing with my wife, reading a good book, or fixing a leaky faucet would be wasted cleaning paper plates. And to what purpose? None. Paper plates are so expendable precisely because the materials necessary to make them are so abundant. This abundance is reflected accurately in their low price.

The market prices resources accurately enough for us to be confident that if the materials used to make any items that are not now recycled become sufficiently scarce, the prices of those materials will rise. These higher input prices will raise the prices paid by consumers for these items, giving consumers greater incentives to recycle them.

Reflecting on the impressive amount of recycling that actually takes place daily casts doubt on the prevailing misperception that people are naturally wasteful and mindlessly irresponsible. In fact, market prices compel us to recycle when recycling is appropriate—and to not recycle when recycling is inappropriate.

Leitura complementar: A importância de explicar a reciclagem às crianças.

8 Comentários »

  1. Isso estaria certíssimo se quem produz lixo pagasse os custos de transporte e destruição do lixo, o que não é o caso (bem, eu pago uma “taxa de resíduos sólidos urbanos”, mas não tem nada a ver com o lixo que eu efectivamente produzo – na verdade eu pagp mais tsru se lavar pratos do que se os deitar fora).

    Comentário por Miguel Madeira — Agosto 26, 2010 @ 19:41

  2. “The market prices resources accurately enough for us to be confident that if the materials used to make any items that are not now recycled become sufficiently scarce, the prices of those materials will rise”.

    Ou seja, podemos continuar a poluir, derrubar árvores, destruir as florestas ao ritmo actual, que não há problema, pois alguém reparará quando já não existirem madeiras para fazer o papel? E aí o quê? Ficarão os nossos filhos imensamente contentes por terem papel a preços elevados e um Mundo árido sem selvas, tudo se justificando pela possibilidade que foi dada aos paizinhos de não dispenderem uns miseráveis minutos do seu dia preocupando-se com a conservação da Terra?

    Esse texto é simplesmente estúpido. Invoca questões de natureza monetária (o “custo” do tempo vs o “custo” do papel vs o “custo” da porcelana) para responder a críticas que incidem habitualmente sobre a vertente da herança ambiental que deixamos para as futuras gerações. Há coisas que pura e simplesmente escapam ao âmbito económico-contabilístico, assumindo já feições do tipo ético-cultural-civilizacional. Mas há sempre doidos a quem isto escapa por completo…

    Comentário por Caribu — Agosto 27, 2010 @ 00:26

  3. O que tem isto a ver com a reciclagem dos jornais abaixo mencionada? Nada, certo? Bem me parecia…E lançar ideias avulsas sobre o tema, ao bochechos, não ajuda à discussão.

    Comentário por Rxc — Agosto 27, 2010 @ 10:08

  4. Um bom princípio mas que foi aqui defendido com os argumentos errados (porque ignora as externalidades). A reciclagem de papel, por exemplo, produz benefícios ambientais duvidosos, principalmente pelo facto de a vastíssima maioria do papel utilizado na Europa (não sei nos outros continentes) ser produzida a partir de florestas sustentáveis, ou seja, os produtores de papel plantam uma árvore quando abatem uma árvore para produzir pasta. Já o papel reciclado exige uma quantitdade considerável de químicos para o lavar, para não falar de toda a energia gasta na recolha selectiva e no processamento dos resíduos. O que deveria haver é um debate sério sobre quais os materiais cuja reciclagem produz efectivamente benefícios ambientais. Aposto (porque não tenho dados para afirmar)que plástico e vidro estão na categoria dos que vale a pena reciclar e que o papel e resíduos orgânicos no lado do que não vale a pena reciclar. Infelizmente com as posições ideológicas e de princípio que se têm assumido nesta área temo que o debate fique sempre pela campo da moralidade.

    Comentário por André — Agosto 27, 2010 @ 11:45

  5. Caro André, varrer para debaixo do tapete nunca foi nem será uma boa solução. Pelo menos a longo prazo. E já deveríamos estar num patamar de desenvolvimento civilizacional em que se assumisse o consumo dos recursos actualmente existentes no planeta como algo que inevitavelmente afecta as gerações futuras.

    Claro que é mais cómodo consumir e esbanjar ao máximo agora, visto que sai muito mais barato…para nós. É uma opção perfeitamente aceitável, se não nos preocuparmos com quem vem a seguir.

    Comentário por Rxc — Agosto 27, 2010 @ 12:09

  6. Caro Rxc, alguns dados disponíveis sobre o papel (como disse, existem poucos dados sobre outros materiais): A mairia da madeira consumida no mundo destina-se à produção de energia (53%) e serração (28%) e não à produção de papel. Claro está, a madeira é utilizada para produção de energia predominantemente em África, Ásia e América do Sul, pelo que apenas uma maior produção de energia a partir de outras fontes nesses países poderá levar a uma redução significativa do uso de madeira nessas regiões. No mundo industrializado, o papel é predominantemente produzido a partir de madeira obtida em plantações (incidentalmente 4% da área florestal mundial resulta de plantações, área essa que produz 35% da Madeira consumida no mundo(!)). A Europa (e, incidentalmente a América do Norte e Japão) tem um ganho líquido de área florestal, em parte em resultado da plantação de árvores para uso na indústria papeleira. Como tal, a reciclagem de papel produz ganhos insignificantes do ponto de vista ambiental que nada fazem para reduzir a destruição de florestas tropicais (ou mesmo as locais, porque como disse a maioria do papel vem de exploração sustentável de florestas). Aliás, a plantação de árvores para exploração industrial, ao promover espécies de maior rendimento, aliviará a pressão sobre a restante área florestal.
    Como disse, o debate deveria situar-se na utilidade da reciclagem por tipo de material e não na necessidade de reciclar tudo e mais alguma coisa como imperativo moral. Por outro lado, os dados disponíveis indicam que é mais importante influenciar os produtores a obterem matéria prima a partir de fontes sustentáveis e ambientalmente responsáveis (plantações) do que reciclar, que não faz nada pela preservação das grandes manchas florestais à escala planetária (Amazónia, Indonésia e África sub-sahariana)

    Comentário por André — Agosto 27, 2010 @ 12:27

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