Oooops… Por António Nogueira Leite.
Julho 4, 2010
Faltam dois
Depois de uma longa viagem por Espanha, no final dos anos 1910s, Kurt Heischer editou, em 1921, um livro de fotografia: Das Unbekannte Spanien. Título alemão, imagens espanholas. Imagens de um país fascinante, severo, dramático, feérico.
Julho 3, 2010
Alemanha humilha astros argentinos
O tango é alemão. Nada mau para uma equipa europeia, miscigenada. Que gosto que é ver a equipa alemã a jogar à bola.
Em termos estéticos, a outra parte boa da notícia é que não iremos ver Maradona em pele e osso.
Adenda: O incompetente está triste.
Moutinho no Porto
Não me ofende. Achava que Moutinho (bem mais que Miguel Veloso) tinha de sair. Claramente (a avaliar pela ultima época) já não tinha motivação para jogar no Sporting e era, para todos os efeitos, dos poucos jogadores com mercado no plantel. Obviamente que preferia que o capitão do Sporting não fosse para o Porto, mas desde o triste episódio do verão passado de 2008 que achei que não deveria ter continuado com a braçadeira. Para concluir se é um bom negócio ou não, falta saber em que condições foi vendido. Vamos aguardar.
Liberdades no Irão
Com um espírito provavelmente conservador, fico mais tonto com o alcance (e a origem) de mudanças substanciais . Talvez por isso, permaneçam no meu espírito algumas pequenas dúvidas:
Em 2010, o Irão tem uma sociedade (mais) livre, justa e decente? É melhor viver lá?
Que avanço civilizacional ocorreu na área económica, nas liberdades e direitos?
Cuba emagreceu recentemente os almoços grátis, é por isso um exemplo a ser seguido e destacado?
Julho 2, 2010
Já não sei se rir ou chorar
O Governo tem “todo o direito” de defender o interesse estratégico nacional no negócio PT/Vivo. - O ainda Presidente da República
Não consigo deixar de ter saudades de quando Cavaco estava calado. Julgava eu na altura que era uma coisa má só porque o PM tinha metido o país no lodo.
Para ouvir coisas destas, pergunto-me eu para que é que os portugueses elegem Cavaco e não um socialista sem complexos como Alegre?
Hoje às 18 horas, João Távora e Pedro Lomba (Repetição, Domingo, às 19)
Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa estamos em debate com João Távora e Pedro Lomba, analisando alguns dos principais temas da actualidade:
1) Mundial de futebol – Portugal foi eliminado pela Espanha nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Foi, apesar de tudo, um bom resultado, ou Gilberto Madaíl, Carlos Queiroz e José Sócrates têm os dias contados?
2) PT vs. Telefonica – O governo fez uso da sua golden share e anulou a venda da operadora Vivo à Telefonica, mesmo depois de aprovada pela maioria dos accionistas da PT. Pode o Estado sobrepor-se à vontade dos donos de uma empresa?
3) Sondagens – As últimas sondagens dão a vitória ao PSD, abrindo as portas a uma possível coligação de governo com o CDS. Será um cenário satisfatório, tendo em conta o falhanço do governo Barroso/Portas?
4) Obama e as chefias militares – No seguimento de uma polémica entrevista concedida à revista Rolling Stone, o presidente Obama demitiu o general Stanley McChrystal do comando da Força Internacional presente no Afeganistão. Haverá alguma desorientação militar entre a equipa de Obama?
O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 4 de Julho, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
Nem mais (6)
“Even though the Portuguese market only accounts for about 28% of PT’s customers, they generate almost 55% of its revenues and 60% of its profits. It looks like what is really crucial for PT is to keep competition out of the Portuguese market. Just imagine if the government (underhandedly) stopped blocking competition from abroad, and Telefonica or others entered the Portuguese market starting a price war?
PT might not be happy, but the Portuguese customers would be: ultimately, they’ve been the ones financing PTs Brazilian expansion all along.”
Reminiscências
"Fantasma da Lei de Nacionalização de Capitais ainda paira por aí…" de Tavares Moreira (Quarta República)
Foi no longínquo ano de 1941, a 13/4, que nasceu a Lei nº 1994, mais conhecida por Lei de Nacionalização de Capitais, importante peça da política económica da altura, a qual dispunha no essencial o seguinte:
Leiam o resto do post aqui.
Já o facto de o país se ter endividado “à lagardère” pondo em risco a sua solvência é irrelevante…
O mostro do dólar e as brigadas aéreas das agências de rating abandonam S. Francisco para vir destruir concertadamente o Euro
Rui Herbon, no Jugular
Lê-se cada coisa que só não dá para rir porque estamos no fio da navalha…
Leitura recomendada
Obviamente, nenhum Brasileiro sabe que a PT existe no Brasil e os poucos que sabem estão conscientes que quem manda na Vivo é e sempre foi a Telefónica (…) Será que estamos conscientes que esta oferta da Telefónica correspondia a mais de três vezes o valor da Vivo em Maio quando a Telefonica anunciou a primeira oferta e 98% do valor de mercado da Portugal Telecom? Seguramente, o valor que a PT poderia extrair da Vivo através desta oferta nunca voltará a ser tão elevado. Mas claro, tudo isto é estratégico.
Carlos Moedas, no 31 da Armada. Ler o texto integral, aqui.
Liberalizar os Despedimentos Não Liberaliza os Despedimentos
O PSD montou um grupo de trabalho para rever a Constituição. Acho muito bem, mesmo que estejam a trabalhar para aquecer. O que já me parece algo absurdo é o responsável por esse grupo vir dizer coisas como “considero inimaginável baixar salários ou o livre despedimento“. O que para ele é inimaginável é a realidade para dezenas de milhares de portugueses que, apesar de todos os direitos e garantias, deram por si no desemprego e que, para voltarem ao trabalho, têm de se sujeitar a ganhar muito menos do que ganhavam anteriormente.
Mas, mais do que ver as nossas elites a viver no país das maravilhas, o que é verdadeiramente deprimente é o discurso, esse sim populista, sobre a liberalização do despedimento. Andam há anos a vender-nos a ideia de que o despedimento é imoral e que a única coisa que ainda mantém 90% da população activa a trabalhar é o facto do código do trabalho impedir que um trabalhador seja despedido sem justa causa. Isto seria tudo muito bonito, muito fraterno, não fosse o facto desta mentalidade ser uma das principais responsáveis pelo estado esclerosado em que o país vive.
Ao contrário do que as nossas elites dizem, o que mantém 90% da população activa a trabalhar é a vontade de viver uma vida tão feliz quanto possível. O que mantém 10% da população activa no desemprego, sempre os mesmos 10% da população activa, é o facto deste discurso dos direitos fazer com que a felicidade de uma boa parte desses 90% seja paga com a infelicidade dos outros. O que nos mantém a todos na indigência é não haver maneira de mudar isto.
Estes nossos compagnons de route não querem explicar ao povo que um empresário que se dedique a despedir pessoas válidas apenas porque não gosta da cor dos seus sapatos, não será empresário por muito tempo. Não querem explicar que pessoas como o Alfredo Casimiro, um casapiano que se tornou milionário depois de criar a empresa que em 2010 foi considerada a melhor PME para se trabalhar, que dizem que a sua empresa “culturalmente, está desenhada para motivar, apoiar e acarinhar os melhores membros dentro de cada área, sejam ajudantes ou motoristas“, não o fazem (só) por serem bons samaritanos. Fazem porque, como o próprio explica, só tratando assim os seus funcionários é que empresa pode crescer. E quem diz uma empresa, diz o país. Portugal nunca enriquecerá desperdiçando pessoas.
Numa altura em que se fala tanto de interesse nacional, talvez fosse tempo das nossas elites mostrarem alguma coragem, alguma capacidade de liderança, e não de venderem a alma a quem está confortavelmente instalado a ver o comboio a passar.
A juventude eterna de Hemingway
“the coward dies a thousand deaths, the brave but one.”
Ernest Hemingway, A Farewell to Arms.
Hemingway foi em tempos o meu escritor. Quando em miúdo me pus a ler ‘O Velho e o Mar’ e me impressionou a teimosia e a morte feliz de Santiago. Rapidamente passei para o ‘Por Quem os Sinos Dobram’, a guerra civil espanhola, o acampamento dos soldados da resistência, o americano Robert Jordan que tinha trocado a vida fácil por uma luta inglória, mas que acabou premiado pelo amor. As voltas à volta da ponte que deveria ser tomada, ou derrubada, já não me lembro bem. Uma a uma fui lendo as obras de Hemingway, sempre com o ‘Adeus às Armas’, que não tinha e não conhecia quem tivesse, debaixo de olho. Encontrei-o na biblioteca da faculdade e li-o devagar, saboreando a crueza das palavras, a secura dos diálogos. Acho que o sangue me gelou, quando Hemingway (porque é sempre ele nos seus romances) vira as costas ao corpo morto da mulher que amou naquela guerra e o livro acaba. Li-o devagar por sentir ser o último que lia como se devem ler os livros de Hemingway: com paixão e uma entrega absoluta. Sem meio termo, dúvidas. Há uma idade certa para o autor que termina quando percebemos que a vida não é tão simples, linear e directa como a vivida nos seus livros. Os amores não acabam daquela forma abrupta. Moem-nos, roem-nos. Vão-nos desfazendo. Amolecendo. E também não agimos daquela maneira heróica, não morremos, nem matamos olho no olho. Não perdemos uma perna ou um braço, como quem muda de camisa, menos ainda sonhamos com leões. Não atiramos tudo para o ar, assim, sem mais nada. Somos fracos e fracos percebemos que precisamos de mais. Independentemente de tudo isso, Hemingway marca quem quiser ser marcado no momento certo. Quem quiser sonhar no tempo devido.
Irão abre bancos a investimento estrangeiro
Em contraste com o proteccionismo do governo português, patente no uso da ‘golden share’ para inviabilizar um negócio privado, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, face às novas sanções impostas pelos EUA, parece optar pelo caminho inverso. Decidindo acabar com a limitação ao investimento estrangeiro nos bancos iranianos, mostra uma faceta liberal que merece registo e satisfação.
The Iranian government has lifted a cap on the percentage of shares in Iranian banks that can be owned by a foreign individual or company, reports Bloomberg.
President Mahmoud Ahmadinejad signed an order on June 27 for government departments, including the Ministry of Economy and Finance, to implement the banking law amendment approved by the parliament in May, added Bloomberg.
The original law, which applied to both Iranians and foreigners, restricted the amount of shares in a bank that a single company could own to 10 percent and an individual to 5 percent. Iranian ownership of banks is still subject to the limits, Bloomberg reports.
The US Congress on June 24 approved sanctions on Iran that bar access to the American financial system for banks that do business with the country. The measures also punish foreign suppliers of gasoline to Iran.
Face às sanções injustas e criminosas* de que o seu país é alvo, gestos como este, de paz e liberdade, mereciam pelo menos uma breve referência por parte dos nossos ‘media’ (sempre prontos a destacar-lhe as frases bombásticas e provocações insignificantes). Ainda estão a tempo…
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*Limitações à importação de energia ou ameaças de boicote a empresas que negociem com empresas iranianas, como todas as sanções económicas, prejudicam em primeiro lugar a população do país visado. Estas sanções são tanto mais inaceitáveis que, segundo foi dito na altura das últimas eleições presidenciais no Irão, a maioria da população desaprova as políticas do actual presidente. Ou seja, pagarão os inocentes pelo pecador. Mais: se ao que dizem o presidente iraniano é mesmo um louco, autista e prepotente, é de esperar que nada faça perante as sanções, tal como agiu Saddam Hussein durante anos. Sabe-se que os líderes de regimes encurralados e ameaçados, raramente recuam face a sanções (ver casos de Cuba, Iraque ou Coreia do Norte) e que muitas vezes a aplicação destas pretende, na verdade, dar um primeiro passo em direcção a um ataque militar. Se calhar é mesmo esse o objectivo.
Governo com pé de chumbo, e o demónio do “mercado” ataca outra vez…
- A existência de uma golden share numa sociedade cotada é uma verdadeira aberração, que Bruxelas só foi tolerando – apesar dos vários avisos alertando para a sua incompatibilidade com os princípios da livre circulação de capitais no espaço da UE e da salvaguarda da concorrência – pelo simples facto de que ela só havia sido usada até há uns dias para uns fretes de cariz interno. Ora, o governo português optou por usar a golden share precisamente num quadro de decisão onde dificilmente o objectivo do seu exercício será atingido: está visto que é altamente provável que o Tribunal Europeu anule para a semana a deliberação da Mesa da Assembleia Geral que permitiu que a golden share se sobrepusesse à vontade expressiva da maioria dos accionistas da PT; parece claro que a VIVO vai mesmo parar às mãos da Telefonica; e o Governo e a administração da PT vão acabar, parafraseando o que em tempos foi dito pelo chairman da empresa, a fazer “figura de corno”. As golden shares em Portugal vão morrer de uma forma pouco honrosa para o país: com o governo e a administração da PT desautorizado(a)s, e por ordem e puxão de orelhas das instâncias comunitárias.
- A PT é uma sociedade cotada. As sociedades cotadas obedecem às regras do mercado, e não a um suposto “interesse nacional”. Mas dando de barato que existe um “interesse nacional” oposto ao normal funcionamento do mercado num quadro de economias abertas, não vejo onde é que isso se cruza com a venda da VIVO. Primeiro, que se saiba, a concretizar-se o negócio haverá uma troca de um activo por liquidez (e o preço oferecido pela Telefonica, tomando como referência até a capitalização bolsista da própria PT, é impressionante), sendo que a VIVO nem sequer se situa em Portugal. Mais, onde é que o “interesse nacional” fica defendido quando grandes accionistas da PT, portugueses, que aspiravam à venda para obter liquidez vêm a sua pretensão negada? Quem é que no seu juízo perfeito é capaz de afirmar que reforços de liquidez por venda de activos a um bom preço nesta fase não são positivos para as empresas portuguesas e para o nosso sistema financeiro?

O demónio do "mercado" a atacar os accionistas da PT
- Li e fiz um esforço por perceber. Mas, em que é que a venda da VIVO altera as condições de concorrência no mercado das telecomunicações móveis no Brasil? Já agora, como é que a PT pode ser “obrigada a vender a VIVO aos espanhóis”? A PT, diria, é dos seus accionistas, e as suas deliberações resultarão de manifestações de vontade. Pergunto-me que “mercado” é esse que “obriga” accionistas ao que quer que seja… Lê-se cada coisa nos blogues de direita…
Julho 1, 2010
A brisa de Al Gore
Anedótico, de tão refrescante.
In a startling reversal, Gore claimed that global cooling, not global warming, is really the greatest threat mankind faces. “The most recent reliable data suggest earth is actually heading into a Little Ice Age caused mainly by human activity. We now believe nuclear weapons testing in the latter half of the 20th century, particularly by the United States, shifted the planet on its axis, exposing less of the surface to the sun’s rays.”
Other reasons for the cooling earth, Gore added: “Widespread use of refrigerators, freezers, and air conditioners. They have become ubiquitous over the last fifty years, even in remote areas. Every time someone peeks in the fridge to see what’s in there, every time someone cranks up the AC, cold air escapes and temperatures decline worldwide. The result: falling sea levels as more and more water becomes locked up in polar caps and glaciers. That means less rain and, eventually, drought, famine, pestilence and a whole host of Biblical plagues.”
What to do? For a start, Boutros-Ghali suggested that everyone see Gore’s new feature documentary, An Inconvenient Truth II: This Time I’m Right. “To slow planetary cooling, Mr. Gore offers common-sense solutions, such as giving tax breaks for SUV purchases; burning more coal; revoking the ban on CFC compounds [found in aerosol spray propellants and AC units] to open holes in the ozone layer, allowing more solar radiation to reach the earth; and firing the Amazon rain forest, creating particulate barriers in the stratosphere to keep heat from escaping into space.”
Será a NATO o remédio para as nossas dores de cabeça?
Há um episódio da série televisiva House em que a equipa médica de House está a tratar uma paciente com abulia, ou seja, incapaz de tomar uma qualquer decisão. Após várias tentativas de diagnóstico, chegam à conclusão de que ela sofre de um cancro, e iniciam-lhe o tratamento por radiação. Para seu azar, e especialmente, para azar dela, o diagnóstico estava errado: ela tivera uma simples infecção, em princípio relativamente inofensiva; mas a radioterapia, baseada num diagnóstico errado, destruiu-lhe o sistema imunitário. Ao errarem o diagnóstico, e ao prescreverem o tratamento errado, os médicos da equipa de House condenaram a sua paciente à morte.
A NATO, cujo Secretário-geral Anders Fogh Rasmussen amanhã visita o Instituto de Estudos Políticos da UCP para uma conferência, talvez tivesse algo a aprender com este episódio de House. Pois tal como um médico precisa de identificar correctamente a doença que aflige o seu paciente, para lhe receitar os remédios mais adequados a combatê-la, também uma organização que, como a NATO, diz ser “baseada nos valores comuns da democracia, direitos humanos e estado de direito” e que se propõe (no irritante linguajar burocrático típico destas organizações) “ajudar a construir uma permanente comunidade transatlântica de valores e interesses partilhados” , tem de, antes de poder cumprir esse papel eficazmente, identificar as ameaças a esses “valores e interesses partilhados”.
(mais…)
The plot thickens… (2)
O mistério adensa-se ainda mais! Pelos vistos a "golden share" foi utilizada por razões diversas daquelas que o governo utilizou junto do TEJ. Pelo menos na versão do ministro da presidência:
Silva Pereira notou também que o Governo mostrou, "com esta tomada de posição, que não abdica de nenhum dos instrumentos disponíveis para defender o que considera serem os [1] interesses dos cidadãos", e deixou claro que "não foi apenas a proposta [da Telefónica] que [2] não conveceu o Governo mas foi também uma questão de [3] método", pois, disse, "não se pode desconsiderar a existência de uma perspectiva contrária que é protagonizada pelo Estado".
Lembrou Silva Pereira que ficou-se também ontem a saber que "responsáveis da Telefónica teriam contactado accionistas e administradores não mandatados da PT", mas, frisou, "compete à administração defender o interesse dos accionistas" e o processo também não permitiu acautelar uma forma como de [4] salvaguardar os interesses estratégicos da empresa.
Silva Pereira sublinhou ainda que "o Estado fez o que devia fazer para defender os interesses estratégicos da PT e dos cidadãos
Foram, portanto, quatro as razões
[1] O interesse dos cidadãos
[2] O montante proposto foi demasiado baixo
[3] A Telefonica não tomaram em consideração a opinião do governo
[4] A venda não salvaguardava os interesses estatégicos da empresa
A confusão é total. Pelos vistos, se a Telefonica tivesse combinado o negócio com o governo e o montante tivesse sido superior (quanto?) o interesse dos cidadãos poderia ter sido desconsedirado e sumia-se o "interesse estratégico da empresa". Continuo sem perceber onde reside a defesa do "interesse dos cidadãos" que pelos vistos – tal como a PT – é aqui nacionalizado à força. Algo que se percebe perfeitamente é a irritação do governo por não ter sido tido nem achado num negócio privado entre empresas privadas. Mais uma prova do que Sócrates é um perigoso neoliberal. Por último, acho curioso que o governo se veja como guardião da rentabilidade e dos "interesses estratégicos" de uma empresa privada. Mesmo contra os seus legitimos donos. Fica por saber é se estas procupações se cingem à PT (e porquê a PT?) ou se pretende intervir activamente nas decisões estatégicas de outras empresas. Nas empresas públicas o resultado não tem sido nada famoso…
Nem sei se têm reparado
…mas a euribor não para de subir. Quando é a próxima revisão da vossa taxa?
The plot thickens…
Na batalha juridica (perdida, segundo consta) que vem mantendo com o TEJ, o estado português apresentou quatro razões para justificar a existência de uma "golden share". A saber:
[1] objectivos de segurança pública, [2] necessidade de assegurar a prestação do serviço universal de telecomunicações e a [3] concorrência no mercado das telecomunicações e [4] evitar perturbações do mercado de capitais
Mesmo rejeitando a fundamentação do estado, gostava de perceber a racionalidade e a razão pela qual foi invocado o interesse público. Confesso não conseguir vislumbrar qual destes argumentos pode ser utilizado para impedir a venda da participação na Vivo à Telefonica. Pelo contrário, parece-me que a intervenção pública viola os pontos [3} e [4].
Nem mais (5)
António Nogueira Leite (Albergue Espanhol)
O que se passou esta semana na Portugal Telecom (PT) é paradigmático do que tem sido o pecado de sucessivos governos: vender o capital das empresas e continuar a mandar nelas. No caso vertente, Cavaco começou a privatização e Guterres completou-a, apenas no sentido em que foi nos seus governos que se vendeu a agentes privados, nacionais e estrangeiros, o capital da empresa. Mas na PT mandou Cavaco e seus rapazes, reinou Guterres com os seus boys, depois a dupla Barroso-Santana com sus muchachos e agora manda Sócrates. Ninguém pode ignorar, de Anchorage a Vladivostok, que Sócrates é o verdadeiro dono da empresa que Cavaco “pôs no prego” do Estado despesista há quase 20 anos.
A PT é hoje o retrato eloquente de um regime que apodrece à vista do mundo inteiro. Digo regime porque os governos não actuaram sozinhos. Muito pelo contrário
…
Na Cama Com…
Acho muito bem que o Governo tenha decidido fazer uso da golden share. Afinal de contas, se os accionistas da PT não vão financiar os projectos de obras públicas, não precisam do dinheiro para nada.
Várias questões; uma resposta
Por que motivo o interesse nacional não pode ser a venda da Vivo? Uma PT menos endividada, um sinal ao exterior de que em Portugal se pode investir, que o estado não tira o tapete a quem investe, nem exerce poderes discricionários contra quem aposta no país?
Qual o interesse nacional se o BES tiver dificuldades de financiamento e não se poder socorrer do bom investimento que fez na PT?Por que motivo o interesse nacional já não se enquadra numa verdadeira integração europeia?
Por que motivo o investimento estrangeiro em Portugal está em queda livre?
Por que motivo o interesse nacional passa pelo interesse político? Por que motivo o interesse nacional passa pelas necessidades dos Ruis Pedros Soares deste país?
Porque motivo já ninguém acredita neste governo?
Podia ser irónico se não fosse trágico
É caricato que um governo que pretende afundar (ainda mais) o país e os contribuintes com projectos como o TGV ou o novo aeroporto venha agora preocupar-se com rentabilidade de uma empresa privada.
Nem mais (4)
Rui Albuquerque (Portugal Contemporâneo)
Depois do episódio da golden share da PT, será que alguém duvida ainda que vivemos num regime de mercado puro e duro, e que a culpa do estado a que chegámos é do impiedoso neo-liberalismo em que temos vivido nas últimas décadas?
Nem mais (3)
Bruno Faria Lopes (O Elevador da Bica)
A maior parte dos accionistas de referência da PT, que tem dormido nos últimos anos com o poder político incumbente, que agora começa a abandonar, já deveria ter calculado que isto poderia acontecer. A golden-share esteve sempre lá. A abordagem intervencionista deste Executivo socialista à economia esteve sempre lá. Diz o sábio povo: "Quem se deita com cães, acorda com pulgas".
Paulo Pinto Mascarenhas (ABC do PPM)
A verdade é esta: Portugal ainda não tem uma verdadeira economia de mercado. O Estado continua a ser quem mais ordena.
Sobre os sacanas que nos governam
O valor de venda da Vivo corresponde a cerca de 4% do PIB português. Se a PT distribuisse pelos accionistas o valor recebido, estes poderiam finalmente efectuar a tão necessária desalavancagem e melhorar os credit ratings de Portugal e da banca portuguesa (ou seja, mais dinheiro disponível para emprestar às nano-mini-micro empresas portuguesas). Os impostos sobre esta distribuição de dividendos ajudariam a baixar o défice em cerca de 0.8% do PIB. A PT estaria a vender a Vivo por 35 (trinta e cinco!) vezes os lucros do último ano. Isto numa indústria que está em estagnação, ou declínio, um pouco por todo o mundo, com margens esmagadas e a sombra do VOIP a ameaçar enterrar a indústria ainda mais.
E desenganem-se: não foi o suposto interesse nacional que guiou estes senhores. Foi a pressão de meia dúzia de boys da PT que querem continuar a gerir uma grande empresa e ter alguém a pagar as suas visitas mensais às amantes brasileiras. Pode parecer ridículo, mas é por isto (poder e putas para uma meia dúzia de sacanas) que se sacrifica a saúde financeira de um país inteiro. Quando um dia algum dos leitores chegar ao banco e lhe disseram que não pode fazer um crédito à habitação ou, quem sabe, levantar os seus depósitos, espero que lhe conforte a consciência saber que pelo menos algures no Brasil um dos seus compatriotas está a gozar uma bela orgia.






