(…) Imaginábase el pobre ya coronado por el valor de su brazo, por lo menos, del imperio de Trapisonda; y así, con estos tan agradables pensamientos, llevado del estraño gusto que en ellos sentía, se dio priesa a poner en efeto lo que deseaba.
Y lo primero que hizo fue limpiar unas armas que habían sido de sus bisabuelos, que, tomadas de orín y llenas de moho, luengos siglos había que estaban puestas y olvidadas en un rincón. (…)
Julho 7, 2010
Fiesta
Keynes vs. Hayek: The Great Debate Continues
Artigo de Geral P O’Driscoll no WSJ
On Oct. 17, 1932, the Times published a lengthy letter from John Maynard Keynes and five other academic economists. Keynes, et al. (Keynes for short), made the case for spending—of any kind, private or public, whether on consumption or investment.
"Private economy" was the culprit that impeded a return to prosperity. If a person decides to save, there is no assurance that the funds "will find their way into investment in new capital construction by public or private concerns." They cite a "lack of confidence" as the reason that savings is not intermediated into investment. Accordingly, "the public interest in present conditions does not point towards private economy; to spend less money than we should like to do is not patriotic." They conclude by endorsing public spending to offset unwise private thrift.
The views in this letter came to be known as Keynesian economics. Depressions are caused by a spending deficit, which can be made up by government spending. Keynesian economics (which predates Keynes) is easily identifiable in speeches given by President Obama and his economic team.
Two days later, on Oct. 19, 1932, four professors at the University of London responded to the Keynes letter, and one of the signers was Friedrich A. Hayek who more than 50 years later would win the Nobel Prize in Economics.
Hayek, et al. (Hayek for short), identified three areas of contention. First, they correctly identified Keynes’s argument about the futility of savings as actually being an argument about what has classically been known as the dangers of hoarding, i.e., the potentially pernicious consequences of an economy-wide increase in the demand for money that is not met by a corresponding increase in the supply of money. "It is agreed that hoarding money, whether in cash or in idle balances, is deflationary in its effects. No one thinks that deflation is in itself desirable."
Second, the London professors disputed that it mattered not the form spending took, whether on consumption or investment. They saw a "revival of investment as peculiarly desirable," as do today’s proponents of supply-side economics. They distinguish between hoarding of money and savings that flows into securities, and reaffirm the importance of the securities markets in transforming savings into investment.
Their third and greatest disagreement with Keynes was over the benefits of government spending financed by deficits. They demurred. "The existence of public debt on a large scale imposes frictions and obstacles to readjustment very much greater than the frictions and obstacles imposed by the existence of private debt." This was not the time for "new municipal swimming baths, &c" (Keynes’s example). In our contemporary context, no stimulus.
Finally, and importantly, they offered a way forward. Governments world-wide, led by the U.S. with the destructive Smoot-Hawley Tariff of 1930, had turned to protectionism and restrictions on capital flows. Hayek argued it was time "to abolish those restrictions on trade and the free movement of capital."
Confusos?
A não ser que o governo esteja a equacionar manter a maioria do capital nestas empresas (o que nos casos da Galp e EDP implicava comprar mais acções) ou qualquer outro instrumento de controlo indirecto (de legalidade duvidosa) torna-se cada vez mais misterioso o veto à venda da Vivo.
O nacional-socialismo em acção
Em conferência de imprensa, Vitalino Canas disse ter recebido as palavras de Passos Coelho com “estupefacção” e condenou o facto do social-democrata não se ter coibido “de em Espanha manifestar uma posição favorável a interesses privados da Telefónica”, contrariando dessa forma o interesse nacional.
Coerência socrática
Socialistas ao Domingo, ultraliberais às Quartas. Por João Miranda.
Uma questão de vizinhança
“If you are asking me, ‘Am I willing to live with that versus living with a nuclear Iran?,’ my answer is still the same: ‘We cannot live with a nuclear Iran.’ I am willing to absorb what takes place at the expense of the security of the U.A.E.”(..)
The United States may be able to live with it,” he said. “We can’t.”
As frases são de Al-Otaiba, embaixador dos Emirados Árabes Unidos, nos EUA. A reportagem é do Washington Times.
Mercado de arrendamento em força
Esta é das notícias mais interessantes das últimas semanas. E das mais óbvias, também. Só falta aproveitar o ‘estímulo’ para reduzir a dívida das famílias.
Costumes liberais e fait-divers
“We are happy that the Islamic republic of Iran’s government has backed us in designing these hairstyles.”
Several barber shops have reportedly been shut down and penalised in recent years for offering Western-style haircuts.
Iranian police carry out regular morality checks, arresting women in short coats and flimsy headscarves as well as men sporting spiky hair and tight, low-slung jeans. Ties are also viewed with suspicion as a symbol of Western decadence.
Fonte: Telegraph
Expliquem lá que “interesse nacional” ficou salvaguardado
Eu sou fundamentalmente contra as golden shares ou qualquer tipo de direito especial dos poderes públicos numa empresa cotada. Se os Estados entendem que devem proteger um dado sector, então que assumam as consequências económicas da sua intenção. Isto de condicionar a realização de mais-valias com uma participação de 500 acções é do ponto de vista conceptual bizarro.
O que me parece porém particularmente grave em toda esta questão da golden share é que para lá da retórica, em substância, ninguém ainda veio explicar – e continuamos todos sem saber – que “interesse nacional” em concreto se salvaguarda com a intervenção do Estado na venda da participação que a PT tem na VIVO.
E esta explicação tem de ser dada, porque já conseguimos perceber que interesses nacionais estão a ser sacrificados, a saber: 1) a possibilidade de realização de mais-valias significativas para os accionistas, mediante pagamento de um prémio elevadíssimo por uma participação minoritária, logo, pouco líquida, numa empresa de telecomunicações no exterior; 2) a possibilidade de aceder a liquidez por parte de Bancos portugueses num quadro onde o acesso a capitais é crítico para a economia do país; 3) a possibilidade do Estado capitalizar o equivalente a 0,8% do défice por via de uma receita fiscal adicional, pela tributação do dividendo extraordinário a distribuir pela PT aos seus accionistas.
Mesmo quem defende que as golden shares devem existir, e ser utilizadas quando se justifique, deve questionar e exigir uma explicação cabal, porque, em rigor, não se vislumbra qualquer especial interesse nacional que enquadre a intervenção pública, ao mesmo tempo que percebemos o que o país e as empresas perdem pelo veto da operação.
Julho 6, 2010
O “Turismo de Portugal” é porreiro, pá!
Primeiro Controlinveste, logo a seguir Impresa e, por último, Cofina. Naturalmente.
Turismo de Portugal defende que jornais só devem ter publicidade quando servem objectivos
Luís Patrão reagia a uma notícia da edição de hoje do Correio da Manhã, na qual é afirmado que o Turismo de Portugal contratou uma agência de meios, que tem como “cliente a Controlinveste” (grupo de media presidido por Joaquim Oliveira e que detém os títulos Diário de Notícias e Jornal de Notícias) para assessorar na elaboração de um concurso público para uma campanha publicitária.
Segundo o jornal, o organismo do turismo vai investir mais de dois milhões de euros a partir de setembro e já escolheu as publicações onde quer apostar, das quais a Controlinveste é a grande beneficiada, seguindo-se a Impresa e depois a Cofina.
O CM adianta que o investimento publicitário contempla, “numa primeira vaga”: 48 páginas a cores de publicações da Controlinveste, 32 nas publicações da Impresa e 11 no grupo Cofina e menciona o “desequilíbrio” da distribuição de publicidade, ao não contemplar o semanário Sol, que, recorda, tem divulgados várias histórias sobre o primeiro ministro.
Os amigos são para as ocasiões. Por José Manuel Fernandes.
Luís Patrão, presidente do Turismo de Portugal, defende a discriminação na colocação de anúncios. Na próxima campanha daquele organismo o grosso da publicidade vai para as publicações da Controlinveste, do camarada Oliveirinha, um amigo do peito do Vara e do Sócrates. O resto que se lixe.
Uma questão de palavras
Na sua última edição, a The Economist publicou um artigo argumentando que “fairness” é “uma má ideia”. No editorial, pode ler-se que, ao usar o argumento de que os cortes que tem promovido são “duros” mas “justos”, a coligação que governa o Reino Unido comete um grande erro. Segundo a revista, a palavra “fair” é demasiado vaga (“to one lot of people, fairness means establishing the same rules for everybody, playing by them, and letting the best man win and the winner take all. To another, it means making sure that everybody gets equal shares”), devendo ser preterido em prol de palavras que “dizem o que querem dizer”. No blog Tory Diary, Tim Montgomerie critica o argumento da The Economist, perguntando “why should Labour have all the best words?“:
“It’s fair enough for The Economist and the IEA to have their intellectual arguments but politicians need to live in the real world. Defining ourselves against social justice (as some Tory MPs have advised) or fairness is electorally stupid. Conservatives need to dominate the whole political stage and that means breaking Labour’s monopoly in certain policy areas – and also defining ourselves on new ways. Defending capitalism/ conservatism as efficient and empowering only persuades so many. Making the case that capitalism/ conservatism is also fair and socially just seems like common sense to me.”
Montgomerie, parece-me, tem toda a razão. Não é que a Economist esteja errada ao dizer que o termo “fairness” (como o termo português “justiça”) é demasiado vaga, que tem dois sentidos incompatíveis um com um outro, e que um desses sentidos (o de que “justiça” é haver pouca desigualdade) nada tem de justo. Mas argumentar que os políticos que queiram promover reformas liberais ou liberalizantes devem abdicar de usar palavras como “fairness” ou justiça demonstra uma profunda incompreensão acerca, não tanto de como a política, o jogo político, funciona, mas acerca de como o cérebro humano (dos eleitores) funciona.
Políticos e seus conselheiros tendem a ver o eleitorado como um corpo definido de opiniões: algumas pessoas inclinam-se para a “esquerda”, algumas para a “direita”, e depois há um número grande de eleitores “moderados”, que se situam no “centro” do espectro político. Cometem o erro de verem estes eleitores “centristas” como pessoas com opiniões políticas claramente definidas, embora “moderadas”. Pensam que os eleitores “centristas” estão tão certos das suas opiniões como os eleitores de “direita” e de “esquerda”, e que a única diferença entre estes diferentes tipos de eleitores é a de que os “centristas”, sendo menos “extremistas”, são “captáveis”, podem ser “ganhos” se os políticos forem ao encontro dos seus desejos e lhes oferecerem um conjunto de políticas que as sondagens lhes dizem que eles querem.
O problema está em que os eleitores “centristas” não são uma espécie de versão “intermédia” dos seus concidadãos mais “extremistas”: eles são realmente diferentes. Ao contrário destes últimos, os eleitores “centristas” não têm opiniões políticas firmemente definidas: no seu livro The Political Brain, Drew Westen mostra como os eleitores alinhados interpretam toda e qual informação à luz das suas crenças já definidas (mesmo que sejam contraditórias), e como os eleitores “voláteis” mudam a sua escolha política, não porque estejam “no meio” do espectro político e os partidos ajustem as suas políticas às suas preferências medianas, mas antes porque, não tendo um corpo rígido de convicções políticas, orientam as suas opções eleitorais de acordo com outros critérios, como a sua simpatia pelos líderes partidários, a percepção que têm da competência destes últimos, da sua honestidade, ou apenas e só porque acham que o “novo chefe” é “diferente” do “velho”.
As coisas tornam-se ainda mais complicadas pelo facto de esses eleitores volatéis nem sequer saberem o que querem: Malcom Gladwell conta a história de Howard Moskowitz, um psicofísico americano (ou seja, uma pessoa que estuda as respostas sensoriais a estímulos físicos) descobriu que o recurso a focus groups na indústria alimentar, em que as pessoas eram questionadas acerca de, por exemplo, qual o tipo de molho de tomate que preferiam, era contraproducente, pois as pessoas não sabiam dizer o que queriam antes de o provarem. Isto não acontece apenas na indústria alimentar: num dos seus livros, Gladwell mostra como uma boa razão para os homens não saberem o que as mulheres querem é que elas próprias também não sabem: Sheena Iyengar e Raymond Fisman, dois professores da Universidade de Columbia, nos EUA, realizaram um estudo acerca de como as descrições de mulheres acerca daquilo que procuravam num homem (ou seja, aquilo que elas pensam que procuram) não correspondia às características reais dos homens que “escolhiam”. E diversos estudos sobre comportamento eleitoral mostram como os eleitores exibem uma “polifasia cognitiva” ou seja, a capacidade de terem duas opiniões contraditórias entre si, sem terem noção disso.
Isto não quer dizer que as sondagens e os focus groups sejam irrelevantes. Apenas que o seu propósito deve ser outro que não o de escolher quais as políticas a apresentar ao eleitorado. E aqui voltamos ao argumento da The Economist: como demonstra o especialista em sondagens Frank Luntz, algumas palavras provocam respostas mais positivas e outras palavras respostas mais negativas, e a única forma de saber quais usar será testando-as. Se o “cérebro político” dos eleitores “voláteis” responde positivamente a palavras como “fairness” ou “justiça”, não faz sentido que os políticos não usem essas palavras. Políticos que queiram promover reformas liberais não devem abdicar de tais palavras só porque elas têm sido associadas a políticas “socialistas”. Antes devem procurar associá-las às suas ideias, fazendo as pessoas perceber que nada há de “fair” ou “justo” naquilo que os socialistas defendem. O uso de tais palvras não significa (ou não deve significar) que os políticos abandonem as suas convicções. Apenas deve ser o resultado de uma tentativa de tornar as suas ideias mais apelativas ao volátil cérebro político dos eleitores.
Homem, decida-se
Então afinal é para dizer a verdade ou para fazer demagogia?
Much ado about nothing
Ou em português, muito barulho por nada. José Sócrates aproveitou um parentesis para fazer uma intervenção de fundo a explicar como aquela coisa que dá pelo nome de SNS é afinal um símbolo de justiça, pois como sabemos se todos os portugueses estiverem numa lista de espera sem tratamento à vista é bom, pois ninguém se fica a rir do vizinho desafortunado. Compreensível apenas a comparação por sabermos o estado da Justiça em Portugal.
Do outro lado da barricada o PSD promete uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Umas operações estéticas para remover as linhas mais estúpidas da constituição que em nada são praticáveis e que portanto ninguém sentirá falta. Um conjunto de simbolismos que fazem bem em desaparecer mas que o líder do PSD garante desde já não vão introduzir mudanças radicais na vida dos portugueses.
A maricagem já pode casar, os abortos são livres e a eutanásia já não é o que era. Discuta-se então a constituição, faça-se muito barulho sobre ideologias iguais para parecerem que são diferentes. Fiquemos todos na mesma amarrados por um Estado super-protector que não nos deixa espaço para respirar mas mudemos o seu papel de parede que está velho e gasto depois de 40 anos de uso. O regime está no fim mas o circo não pode parar.
Não se devem fazer declarações políticas logo a seguir ao almoço
Ouvi na TSF o engº Pinto de Sousa dizer que a constituição portuguesa não é ideológica e o que o PSD quer fazer (ao retirar a gratuidade do ensino e da saúde) é consagrar o “neoliberalismo” na CRP.
Vou fingir que acredito
Vamos lá ver. José Sócrates terá ficado extremamente incomodado por não ter sido consultado (ou por a sua opinião não ter sido levada em conta) no negócio da venda da Vivo. Já no caso da (falhada) compra da Media Capital alega que não sabia de nada. E consta que achou perfeitamente normal.
Julho 5, 2010
Uma questão de interesses
Interesses nacionais (iv). Por Jorge Costa.
Gostava de saber quantos dos PTs (sigla de patrioteiros das telecomunicações) que têm vindo a público, numa espécie de union sacrée contra a oferta da Telefonica, se opõem à perda do último vestígio de soberania nacional, no magnífico projecto de solução dos verdadeiros problemas nacionais que consiste na integração orçamental europeia, pedra-de-toque do «federalismo». Melhor dizendo: que consiste na resolução radical desses problemas, pela eliminação política do paciente.
Tiranetes e tiranetas
O governo espanhol, talvez por ter tido pouco confiança nas capacidades da selecção de futebol, marcou para hoje mais uma manobra de diversão progressista. Espanha ultrapassa meio mundo na corrida para o Homem Novo, proclama o “aborto livre” até às 14 semanas, e aprova uma lei que, entre outros detalhes, — e aqui está a grande novidade, o novo avanço civilizacional do mundo cor-de-rosa de Zapatero — permite a uma adolescente, com 16 ou 17 anos, abortar sem informar os pais da sua situação. A expensas dos contribuintes, claro!, porque quando falha a educação sexual, a educação para a cidadania, ou a educação para vamos-ser-todos-muito-progressistas-e-bem-comportados-e-saudáveis-e-idiotas, há que tapar os buracos com retórica, leis e, principalmente, dinheiro; dinheiro dos outros, ingrediente fundamental para moldar, corrigir, doutrinar. E agora, tal como em Portugal, todos os espanhóis vão pagar as opções e os erros do vizinho (já nem vou falar de moral, e de questões de consciência). Tudo, dizem, porque uma mulher tem o direito de fazer aquilo que bem entender com o seu corpo. Ou quase tudo. Este bando danado, liderado pelas feministas do género e da génera, e que não descansou enquanto não deixou mais este marco no inexorável caminho para a “igualdade”, diz que a prostituição é obra do demo e recusa qualquer passo no sentido da legalização da mesma. Bibiana Aído, a ministra(-bibelô) mais inútil da história das democracias europeias, e com provas dadas de preocupante debilidade intelectual — chamava-se burrice, antes de nos adestrarem na arte da linguagem politicamente correcta —, chegou ao ponto de iniciar uma cruzada contra aqueles castiços anúncios de “massagens” que hoje inundam, e pagam, até o jornal mais orgulhoso. Sobre a liberdade deste Admirável Mundo estamos conversados. Sobre a ignorância, a má-fé e os inquisidores também.
É impossível pagar a dívida externa dos PIGS
"O nível de endividamento externo líquido dos designados por PIGS [...] é muito mais elevado do que o observado na generalidade dos precedentes históricos. Em quase todos esses precedentes, a dívida externa foi reestruturada e reescalonada", afirma Ricardo Cabral, professor do Departamento de Gestão e Economia da Universidade da Madeira.
Ricardo Cabral considera, por isso, que as autoridades centrais da União Europeia e do Banco Central Europeu andam a empatar um desfecho. "De um ponto de vista realista, com base nos dados e na experiência conhecida, dever-se-ia saber que o resultado final será o reescalonamento ou a reestruturação da dívida desses países. Iludem-se os que pensam que seremos capazes de pagar essa dívida". E acrescenta sobre o caso português: "Ao tentar-se pagar essa dívida, causam-se danos irremediáveis à economia portuguesa. Condena-se, pelo menos, a uma década com crescimento económico ainda pior do que a década que termina".
Ao que parece os fotógrafos da Caras até são convidados para algumas reuniões
Foram contratados pela PT nos últimos anos, entre outros, o filho recém-licenciado de Jorge Sampaio, o filho de António Guterres, o filho de Marcelo Rebelo de Sousa, o irmão de Santana Lopes, o filho de Otelo Saraiva de Carvalho e a filha de Jardim Gonçalves. Se juntarmos a estes, todos os outros filhos, filhas, e afilhados que prestam pareceres e serviços de consultoria percebemos melhor este consenso mediático em torno do “interesse nacional”.
Leituras adicionais: Sobre os sacanas que nos governam, Sobre os sacanas que formam a opinião pública
Claro que há interesses
blá, blá, blá “interesses estratégicos”, blá blá, blá, “interesse económico”, blá, blá, blá “importância das comunicações”. Pedro Santana Lopes fala de tudo, menos do preço oferecido pela Vivo. Entre tantos “interesses”, faltou-lhe referir um tipo interesse: o conflito de interesses e revelar se escreve este post como comentador político ou como irmão de um alto quadro da PT.
Leituras adicionais: Sobre os sacanas que nos governam, Sobre os sacanas que formam a opinião pública
Curiosidades abrantinas
Para os "abrantes", Paulo Rangel (que defende uma posição próxima da de Passos Coelho) está em pré-campanha para líder do PSD. Já Paula Teixeira da Cruz (que alinha com o nacionalismo socialista e discorda da direcção do PSD) "impõe respeito" . Eu sei que não se pode esperar grande coisa dos "abrantes" mas seria desejável um pouco mais de rigidez na coluna vertebral.
A Riqueza das Nações e A Teoria dos Sentimentos Morais
Já está disponível há algum tempo mas, como creio que ainda não tinha divulgado no blogue, aqui fica o link para o meu mais recente artigo publicado no OrdemLivre.org: Ética, mercado e regulação: o legado de Adam Smith
The Wealth of Nations (disponível online aqui)
The Theory of Moral Sentiments (disponível online aqui)
O rosto do liberalismo europeu
Parece que tem cara de peixe mas não, é um ex-maoista / recém-imperialista.
Um país a saque (em nome do “interesse nacional”, claro)
Hoje também eu quero ser insurgente. Por António Nogueira Leite.
Leituras “obrigatórias”. Por LR.
Leitura complementar: Sobre os sacanas que formam a opinião pública; Sobre os sacanas que nos governam.
O Esplendor do Simplex
António Bagão Félix no Diário Económico
Assim começa o Decreto-Lei 35/2010 de 15 de Abril:
Artigo 1º – “Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis nºs 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77,(…)
O Estado no seu melhor face a um Código alterado por 58 diplomas! O agora glosado Simplex no seu esplendor! Os múltiplos e sucessivos autores deste “sudoku jurídico “mereciam receber o prémio “Ideia Simplex”, que oficialmente “premeia a capacidade de inovação daqueles que exercem funções públicas, beneficiando (…) da sua relação de proximidade com os utentes”. Mas haja esperança. O Governo já anunciou um novo programa: o Simplegis, para maior transparência e melhor aplicação da lei.
O curioso é que já depois disso, surgiu o DL 70/2010 (condição de recursos de prestações sociais) em que a clareza é tão pouca que, para o abono de família, até parece haver situações em que se tem direito a este benefício pela parte não revogada e deixa de se ter pela parte inovada. Ou vice-versa!
Julho 4, 2010
Sobre os sacanas que formam a opinião pública
Neste momento fala na televisão um senhor muito respeitado de uma área política supostamente diferente da de José Sócrates. Ainda não fez menção ao preço que a Telefonica ofereceu pela Vivo, provavelmente não sabe quanto foi. Mas já repetiu diversas vezes o discurso do interesse nacional: critica os accionistas pela falta de patriotismo e fala de vitória espanhola. Só se esqueceu de referir que há uns anos atrás utilizou a sua influência para colocar o filho nos quadros da PT (onde ainda se encontra).
Quando um dos leitores for despedido porque a sua empresa não conseguiu obter um crédito no banco, espero que lhe conforte a consciência saber que pelo menos o filho de um intelectualóide português terá sempre o seu emprego garantido.
Leitura adicional: Sobre os sacanas que nos governam
Baralho e baralhados no Albergue
Quer-me parecer que esta insurgência causou alguma baralhação infundada por aqui. Mais ou menos baralhado no contexto do social-tremendismo socrático (ainda) reinante, continuarei a tentar fazer-me entender. Mas não demasiado.
A mão de Suarez

(via Gabriel Silva)
Numa conferência internacional recente que decorreu há dias, voltei a sentir em conversas informais a dificuldade de explicar a norte-americanos que não apreciam futebol o impacto que o jogo gera e as razões pelas quais o aprecio como espectador. Tenho para mim que se fosse possível explicar tudo o que a mão de Suarez naquele momento e os desenvolvimentos subsequentes no jogo significaram teria mais hipóteses de ser bem sucedido. Ou talvez não: talvez este episódio apenas lhes reforçasse a ideia de estar perante um jogo com “so little scoring” e “often decided by random events”, frequentemente bizarro, injusto e incompreensível – em suma: imperfeito. Tão imperfeito quanto humano.
Sócrates encurralado
Cada vez mais isolado, Sócrates vai acumulando sinais de desorientação: Sócrates defende “golden share” e acusa Comissão Europeia de “posições ideológicas ultraliberais”
Sócrates diz não conhecer qualquer plano alternativo de desenvolvimento da PT, caso avançasse com o negócio e, questionado sobre se a decisão o deixar sozinho, o primeiro-ministro defende-se dos ataques que lhe têm sido feitos.
“Qualificar de colonialismo o investimento de Portugal no Brasil é ridículo. Não tenho medo da solidão na hora de tomar decisões. Um primeiro-ministro não pode deixar-se encurralar. Nenhum governo gosta que lhe dobrem o braço”, disse.
Uma indústria em crescimento
Mesmo em tempo de crise, há sectores que se apresentam em franca expansão, ainda que infelizmente não pelos melhores motivos: Dispositivo de combate aos fogos quase triplicou custo em cinco anos
O secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, adiantou há dias, no arranque da pior fase dos incêndios florestais, a Charlie, que o dispositivo deste ano custa 103 milhões de euros, um montante que contrasta com os 36,6 milhões de euros contabilizados para o mesmo efeito em 2005, um dos piores anos em termos de área ardida com mais de 338 mil hectares de floresta destruídos pelas chamas.
(…)
Desde que, em 2007, o Estado começou a operar os dez meios aéreos adquiridos por si, cujo objectivo principal é combater os incêndios florestais, os custos dispararam. Em 2008, os gastos com a operação anual dos nove helicópteros (um foi destruído num acidente logo em 2007) foi orçamentado em 23 milhões de euros que se somaram aos 29,1 milhões gastos com o aluguer entre, Maio e Outubro, dos restantes 49 aparelhos que compuseram o dispositivo desse ano.
(…)
Para o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Caldeira, o custo do dispositivo já ultrapassa o razoável, defendendo, por isso, uma reavaliação dos gastos. “Depois desta época de incêndios florestais, em Outubro ou Novembro, e se se confirmar a consolidação deste dispositivo, é preciso reavaliá-lo na perspectiva do seu custo-benefício”, afirma Duarte Caldeira. Apesar de reconhecer que a aquisição de meios aéreos por parte do Estado foi uma reivindicação de muito anos, o presidente da Liga sublinha que é necessário avaliar se o país precisa de tantos aparelhos. “Não sei se é ajustado ao país dispor de tantos meios aéreos”, questiona.


