O Insurgente

Julho 14, 2010

Ficou claro que Sócrates mentiu

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 19:27

Comentário (audio) de Adolfo Mesquita Nunes sobre as conclusões da comissão de inquérito no caso PT/TVI, no Aparelho de Estado.

The broken-piñata fallacy

Filed under: Desporto,Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 15:30

The Soccer-Stimulus Fallacy no Wall Street Journal

The idea is that Spaniards, having conquered the soccer world, will now be in such high spirits that they’ll forget their considerable economic and financial woes and go on a great national spending spree. This, in turn, is supposed to boost growth by at least 25 basis points, or one-quarter of 1%. Not unreasonably, team memorabilia, food, booze, and other means with which to celebrate Spain’s victory, are expected to be in high demand.

That sounds about right, and congratulations to Spain’s trinket and tapas vendors for what we imagine is a fat week. But there’s no such thing as a free celebration, and the money spent celebrating Sunday’s 1-0 victory over Holland is, by definition, not available for spending on other things. A household that buys a crate of bubbly to toast Andres Iniesta will certainly improve the wine merchant’s fortunes, but probably at the expense of someone else—perhaps a carpenter who had been booked to perform repairs, or wages for a cleaning lady.

To put it another way, winning the World Cup does not expand the Spanish economy’s productive capacity, and so the euros spent celebrating have to come from somewhere—either forgone consumption elsewhere, or reduced savings, or increased debt.

Short-term consumption and one-off GDP bumps notwithstanding, Spain’s long-term prospects will only brighten if the country can improve the supply side of its economy. The labor market for Spain’s World Cup heroes may be brighter than ever, but their victory will do nothing for the 20% of the Spanish work force that is currently unemployed. For them, loosening up Spain’s still-rigid labor market would do a lot more good than any national party.(…)

In other words, solid economic fundamentals yield economic confidence. Were Madrid to liberalize its labor market, more aggressively consolidate its savings banks, and drop its income, corporate, and capital-gains tax rates, it would do more for economic growth than a hundred World Cups

Teste de admissão

Filed under: Diversos — Nuno Branco @ 14:28

Mantendo-se tudo o resto igual, que cenário é melhor para si:

1) Você quer comprar 10Kg batatas. Vai à praça e encontra 2 vendedores a vender batatas a 1€/kg.

2) Você quer comprar 10Kg batatas. Vai à praça e encontra 5 vendedores a vender batatas a 10€/kg.

Se respondeu que prefere a hipótese 1 por favor envie o seu currículo para o Jornal de Negócios. É que estes artigos já chateiam.

Se optou pelo cenário 2, pare de andar nos blogs e vá corrigir o texto da notícia.

Chamem-lhe o Que Quiserem

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:48

Acho uma certa piada o “interesse nacional” só voltar a ser tema de debate porque envolve, num único negócio, milhares de milhões de euros e um grupo de gente que não está habituado a ser sodomizado pelo poder político. Já o português médio, mais calejado nestas andanças, não tem grandes problemas em que o “interesse nacional” lhe saia do bolso. Abdica de algum do carinho a que o grande capital tem direito em troca de estabilidade emocional e prestações suaves. Não tem direito a capas de jornais mas é um arranjinho que dá para ir vivendo.

A RTP, por exemplo, em nome do interesse nacional e do direito ao “entretenimento de qualidade”, passa os dias a brindar pessoas que não pagam impostos com produção nacional e publireportagens destinadas a promover a diversidade cultural da nação e, por este serviço, para além da publicidade que desvia da SIC e da TVI, cobra 300 milhões de euros anuais aos portugueses que a essa hora estão a trabalhar. Até aqui, nada de novo. Parece que andam há 75 anos nisto.

O que é verdadeiramente requintado neste negócio são as manobras a que a RTP e o poder político recorrem para desorçamentar os custos reais da sua actuação. A publireportagem de hoje tinha como patrocinadores a REN, o Turismo do Açores, e o Queijo Terra Nostra, curiosamente, dos Açores. Para além de ser mais uma prova da utilidade dos lacticínios na composiçao de ramalhetes, este trio de beneméritos é um digno representante da delicadeza com que o Estado trata o contribuinte.

Alguém achou que pedir directamente aos portugueses mais do que 300 milhões por ano era demais, por isso tratou de pedir ao Turismo do Açores e à REN para nos sacarem mais qualquer coisinha, sem deixar provas. O Queijo Terra Nostra agradece a boleia, os accionistas privados da REN parece que também não se incomodam e o produtor beirão de enchidos que vai aparecer na “nossa” televisão a vender a sua morcela ao som do Duo Ele e Ela já vai ter uma razão para votar nas próximas eleições.

Golden shares? Para quê?

A “fascização” da crise

Filed under: Comentário,Economia — Nuno Branco @ 11:19

Com todo o respeito pelo André, concordando com a sua conclusão de que a crise vai chegar a mais pessoas, discordo de praticamente tudo o resto. A ameaça não está na inflação nem necessariamente nas taxas de juros mas sim na deflação. A parte da população (em que felizmente me incluo) que manteve o seu emprego e os seus rendimentos tem sido realmente privilegiada por uma baixa de preços e da baixa da prestação da hipoteca (que reflecte uma taxa de juro particular). Esta parte da população, tirando os funcionários públicos que serão sempre os últimos a sofrer o que quer que seja, está realmente em risco mas não é de ver o seu rendimento diminuído pela inflação… está em risco de ver o seu rendimento pura e simplesmente desaparecer por falência do empregador.

Quanto aos medos da inflação devido à inundação de notas podemos ver aqui na imagem em baixo que o grande dilúvio já passou. (mais…)

Estou mais descansado

Filed under: Política — Miguel Noronha @ 10:10

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manucher Mottaki, garantiu hoje em Madrid que a sentença de morte por lapidação se mantém para Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos e acusada de adultério.

Numa visita oficial a Madrid, o ministro assegura que “a justiça iraniana não suspendeu a lapidação” de Ashtiani mas defendeu a realização de um “amplo debate” sobre a questão do “castigo imposto pela lei islâmica”, noticiou hoje o jornal “El País”.

Sugiro a participação do ex- PR Jorge Sampaio que costuma gostar bastante de “amplos debates” com culturas diferentes (atenção, nada de valorações qualitativas). E podem até convidá-lo a lançar a primeira pedra.

A democratização da crise

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:00

Até agora a crise deixou ilesos os que não perderam o emprego e mantiveram os seus ordenados. É sobre esta parte da população que, devido à descida das prestações pagas ao banco, viveu melhor nos últimos 2 anos que nos anteriores dez, que a crise se vai agora abater, começando a sentir os malefícios da inflação que lhe come os rendimentos. É esta parte da população que tem mantido o governo PS, e é ela quem não tem mostrado interesse em algumas reformas estruturais, como sejam a liberalização laboral. Com a inflação a bater à porta, algo que o comum dos mortais podia antever, a crise democratizou-se.

Agora não vai ser fácil para todos. Será muito importante que o PSD tenha em atenção esta nova percepção de uma parte significativa do eleitorado.

A propósito de boatos

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 09:36

Surgiu hoje num jornal polaco a notícia que o Unicredit estaria interessado em comprar a participação que o BCP detem no Bank Millennium (Polónia). Apesar da notícia já ter sido desmentida por uma fonte oficial do banco português tanto os títulos do BCP como do Bank Millennium continuam em alta. Estará a administração do BCP a ponderar nova queixa à PJ?

Dúvida Existência: Será que os “socialistas nacionalistas” também classificam esta participação como “interesse nacional”? Será que o “engº” Pinto de Sousa irá fazer nova declaração ao país?

Uma República Perfeita

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal,Teoria — Miguel Noronha @ 09:17

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

Ao descrever o governo republicano, Montesquieu recordava que em Atenas, quando um estrangeiro se introduzia na assembleia do povo, era punido com a morte, por procurar usurpar o direito de soberania.

Não deveria por isso causar espanto que a tentativa de intromissão da estrangeira Telefónica nos negócios de um Estado neo-republicano tenha terminado com o análogo a uma sentença de morte. Nem tão pouco deveria o veto governativo ser tratado como um acto de oportunismo: o Governo invocou a razão de Estado porque o partido socialista tem uma concepção mercantilista das relações internacionais e encara a acumulação de activos externos como um meio de preservação e expansão do poder político. (mais…)

Julho 13, 2010

Quando regressarmos da praia

Filed under: Diversos — Miguel Noronha @ 18:22

O ministro das Finanças alemão afirmou hoje que concordou com Teixeira dos Santos avaliar depois do Verão os apoios bilaterais e aconselhamento que podem ser dados a Portugal.

A pergunta que se segue

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 16:07

Como a direita liberal, mais ou menos dogmática, se manifesta contra os subsídios às empresas da generalidade dos sectores, para quando a acusação de que odiamos o mercado, as empresas e os empresários?

Posso ser, em vez de taberneira, barmaid?

Filed under: Blogosfera,Cultura,Nanny State Watch,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:03

A discussão sobre a subsidiodependência dos artistas independentes está, como se esperava, a gerar indignações dos amantes das artes encartados. E o argumento (se se lhe pode chamar argumento, uma vez que se destina a qualificar quem tem opinião diferente, em vez de explicar a posição própria) é muito simples: quem não gosta de sustentar artistas é taberneiro, art-hater, e mais uns epítetos ao estilo do bardo da aldeia de gauleses que resiste ainda e sempre ao invasor (pois, porque quem não gosta de sustentar artistas com o orçamento de estado nunca passou além do Astérix). Como eu não sou tão caridosa como o Rodrigo, que ainda tenta explicar que talvez (talvez!) quem não aprove subsídios para os artistas também goste de consumir bens culturais, e só em dias de anormal humildade cedo a elencar os meus gostos e preferências para justificar a minha capacidade para proferir uma determinada opinião e, por fim, já cheguei à idade em que não tenho paciência para desmontar os preconceitos e prefiro gozar com eles, aqui vos deixo um objecto de arte muito mais agradável do que a esmagadora maioria dos produzidos com financiamento estatal: uns Jimmy Choo.

Supostamente deviamos evitar repetir asneira

Filed under: Desporto,Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 14:25

Augusto Mateus defende demolição de estádios do Euro 2004

O ex-ministro deixa ao Brasil, encarregue da organização do Mundial de Futebol em 2014, o conselho de reformar os estádios já existentes antes de construir novos. Em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, Augusto Mateus defende que Portugal ainda está a pagar a factura dos estádios construídos ou renovados para a realização do Euro 2004.(…)

Perspectivando o futuro encargo do Brasil na organização do evento, Augusto Mateus deixa o conselho de que o “Brasil não se deixe entusiasmar pela festa do futebol”. O país deve retirar da experiência de Portugal um exemplo a evitar, pois “o principal problema dessas operações é que quando lançadas, parecem ter uma forte adesão dos cidadãos e dos responsáveis políticos (…) mas no ‘day-after’, ficam encargos financeiros e custos de manutenção elevados”, afirmou à Folha.

Leitura recomendada: “A Janela do Cardeal”

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:24

Recomendo a todos o livro do meu grande amigo Luis Miguel Novais, A Janela do Cardeal, editado pela Planeta, e apresentado pelo autor a semana passada na Invicta cidade do Porto, no Forte de S. João Baptista (Castelo da Foz). Já li, gostei, e aconselho, em especial aos que são genuinamente portuenses, e querem conhecer a história da sua cidade. (mais…)

Vagas para o ensino superior público 2010 – primeira fase

Filed under: Educação,Portugal — André Azevedo Alves @ 13:03

Candidaturas ao Ensino Superior abrem hoje

Quem quiser frequentar o ensino superior público no próximo ano lectivo poderá candidatar-se a partir de hoje a um dos 53.986 lugares disponíveis nas universidades e politécnicos, mais 2068 do que em 2009/2010.

A primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público arranca hoje e termina a 23 de Julho e os resultados das colocações serão conhecidos a 13 de Setembro.

A lista de vagas disponíveis para a primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público – assim como as notas dos últimos colocados em cada curso na primeira fase em 2009 – podem ser consultadas aqui.

Claro que houve pânico (III)

Filed under: Comentário,Economia — Nuno Branco @ 12:27

Agradeço aqui ao Rodrigo a informação complementar. Fiquei a saber que afinal os boatos não tiveram apenas origem nos e-mails mas também em SMS. Fiquei sem saber, e provavelmente nunca irei saber o efeito prático desses e-mails nas contas do BCP. Quanto dinheiro realmente “fugiu” do BCP entre Quinta e Segunda de manhã mas até prova em contrário suspeito que não saiu mais dinheiro do que o normal e que como tal, havendo preocupação, não houve nenhum pânico sem ser o da própria fragilizada administração do BCP. Até os administradores da Lehman conseguiram demonstrar mais calma no dia da falência do que esta gente.

Isto porque estas coisas quando são a sério não andam com SMS para trás e para a frente. O chamado smart money sai muito antes, quando as coisas ainda aparentam alguma calma e fogem devagarinho e caladinhos para não assustarem ninguém pois eles sabem que isso seria a morte do artista. Do que o Rodrigo aconselhou espero que apesar de não ter reforçado o pânico tenha aconselhado alguma preocupação e medidas de contingência a quem procurou o seu conselho, é que a corrida à banca em espaço europeu é real e basta olhar para um qualquer gráfico do EUR/CHF para a ver em tempo real. Atingiu a “corrida” tal escala que o próprio banco central suíço interveio no mercado (permitindo assim vantagens para os mais atrasados fugirem com o seu dinheiro a uma melhor taxa de cambio) . Quando o “povinho” chegar ao banco numa qualquer manhã de segunda feira já ele estará descapitalizado, poupem-me os SMS e as teorias de conspiração contra o grande e nobre BCP.

A mim nada disto me surpreende a não ser pela demora. Se em tempos me espantei com a velocidade da queda que parecia ter atingido velocidade terminal hoje apenas me admiro com o número de “zombies” e “dead men walking” que povoam o sistema financeiro e do qual o BCP será certamente a figura de bandeira para a banca nacional (fruto, entre outras coisas, do seu tamanho, da expansão a leste e dos problemas “administrativos” que são públicos). A acontecer (note-se que é apenas uma probabilidade, antes que seja processado por fazer parte do processo conspirativo) será um evento disruptivo para todos, mesmo os que se tentaram precaver não será fácil e a capacidade de a CGD absorver um monstro daqueles estará relacionada com a cronologia dos acontecimentos do que também for acontecendo aqui ao lado nas Cajas e outros bancos de grandes dimensões que farão o BCP parecer um anão financeiro. (mais…)

Cuidado com os rapazes!

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 12:07

Os ratings da Moody’s não são fiáveis. Pelo menos é o que diz o RBS

Para Harvinder Sian, do Royal Bank of Scotland (RBS), o corte do ‘rating’ português para A1 pela Moody’s está longe do valor justo.(…)

Harvinder Sian, do Royal Bank of Scotland (RBS), acredita que o corte do ‘rating’ da Moody’s deveria ter sido maior. Para o estratega sénior de obrigações do banco britânico Portugal deveria ter um ‘rating’ semelhante à da Bulgária, Croácia, Lituânia, da Islândia e mesmo inferior ao do Brasil e da Colômbia.

“Penso que Portugal deveria ser classificado com, pelo menos, ‘BBB’”, revela Sion, em declarações citadas pelo Finantial Times.

O ponto de vista do especialista prende-se com a crónica tendência de fraco crescimento nominal da economia nacional que poderá traduzir-se num impacto cada vez menor das medidas de austeridade nas contas públicas.

“Mas mais importante, a dívida total da economia está próxima de 350% do PIB, com os empréstimos a não residentes (tanto público como privado) a serem de 205% do PIB, o que significa que a adaptação a um mundo sem risco será mais doloroso e precisa de ser cuidadosamente gerido pelas autoridades monetárias”, refere.

Para Sian, é esta escassez de financiamento externo que ajuda a explicar porque a dependência da banca nacional em relação ao Banco Central Europeu (BCE) tem vindo a aumentar rapidamente.

De acordo com dados da autoridade monetária da zona euro, o recurso da banca nacional aos cofres do BCE quase que duplicaram entre Abril e Maio, passando de 18,5 mil milhões de euros em Abril para 36,8 mil milhões em Maio.

O estratega do RBS refere que não existem recursos internos disponíveis que ajudem a aliviar estas preocupações, lembrando que “a posição de investimento estrangeiro líquido é próximo de -109% do PIB”.

Há lugar para mais um taberneiro?

Filed under: Cultura,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:51

Em complemento ao que aqui escreveu o Rodrigo.

O que me provoca maior estranheza é o Pedro Mexia só nos concender duas opções no campo do financimento da cultura. Ou o fazemos de forma voluntária ou então devemos ser obrigados a disponibilizar os recursos necessários. Pela forma como coloca a questão sou levado a concluir que será esta a única forma de evitar uma devastadora hecatombe cultural e o regresso ao Paleolítico. Não vislumbro outra razão que o leve a concluir pela existência de um direito divino aos subsídios.

Eu, taberneiro, me confesso

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 10:48

Tenho alguma dificuldade em perceber o newspeak do Pedro Mexia, que não vê contradição em chamar “independentes” a artistas que vivem maioritariamente de subsídios estatais. Não haja confusões, não tenho qualquer “ódio à cultura”, e se dependessem de pessoas como eu, as actividades ditas culturais em Portugal dariam tendencialmente lucro: não me considerando um “homem de letras”, e muito menos um “intelectual”, para o meu nível de rendimento sou um grande consumidor de todo o tipo de oferta cultural, livros, discos, revistas, arte contemporânea, antiguidades, objectos de design, espectáculos.

Um artista, para poder qualificar para um subsídio, tem de conformar a sua produção à obediência de critérios definidos por quem concede as verbas, e sujeitar-se ao crivo da aprovação, tantas vezes dependente da pertença a cliques ou da promoção de supostas bandeiras. Se num quadro com estas características o Pedro Mexia e quem ele defende precisam de se sentir “independentes”, que assim seja. Não é caso porém para qualificar de “tontos, taberneiros, filisteus, analfabetos” os que têm dificuldade – certamente por limitações intelectuais – em compreender tal semântica. Até porque são estes “tontos, taberneiros, filisteus, analfabetos“ que os sustentam; certamente “tontos, taberneiros, filisteus, analfabetos“ porque, para lá do trabalho e das obrigações familiares, não lhes sobra muito tempo para se tornarem em seres iluminados, capazes de qualificar para a subsidiodependência.

Cultivar a irresponsabilidade

Filed under: Cultura,Economia,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:31

Uma medida profundamente demagógica e irresponsável mas que certamente ajudará a reunir mais uns apoiozinhos em tempo de crise:
Ministra da Cultura reage aos protestos e anuncia que já não haverá cortes este ano

Em declarações ao PÚBLICO no final do encontro, a ministra explicou: “Consegui meios para não fazer cortes nenhuns no resto do ano. Foi possível porque o Ministério da Cultura (MC) se empenhou e obteve da parte do Governo solidariedade e, em particular do senhor primeiro-ministro, as condições para não aplicar os cortes.”

Já em campanha eleitoral. Por José Manuel Fernandes.

Um dia chegará em que se perceberá, de vez, que os subsídios de uns são os impostos pagos por outros. Até lá vão-se satisfazendo as clientelas com mais visibilidade mediática…

Leitura complementar: Aguarda-se a demissão de Gabriela Canavilhas.

É claro que houve pânico (II)

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 10:19

Ao contrário do Nuno, entre quinta e sábado recebi inúmeras chamadas e mensagens de pessoas em pânico com a probabilidade de o BCP estar em situação de falência, em risco de ser intervencionado ou perto de iniciar um processo de fusão com a CGD. Muitas delas, de pessoas com suposto discernimento e capacidade crítica, e algumas, com responsabilidades elevadas nas empresas e nos meios profissionais onde actuam.

Durante dois dias dediquei boa parte do meu tempo a explicar que, tanto quanto se sabe, não há razões para entrar numa espiral de pânico. Na minha humilde opinião, acho que fez bem a Administração do BCP ao assumir que não ignora os rumores, e que os repudia. É função das administrações nesta fase, com transparência, dar nota da solidez das suas instituições, apresentando argumentos que ajudem a acalmar estas crises de confiança.

Ainda o downgrade da Moody’s

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 08:59

Wall Street Journal

Moody’s Investors Service Inc. on Tuesday downgraded Portugal’s government-bond ratings to A1 from Aa2, with a stable outlook, pointing to the country’s weak fiscal position and low growth prospects.

“The Portuguese government’s financial strength will continue to weaken over the medium term, as evidenced by ongoing deterioration in the country’s debt metrics, such as debt to [gross domestic product] and debt to revenues,” Moody’s said in a release.

The ratings agency added that the Portuguese economy’s growth prospects are likely to remain weak unless recent structural reforms bear fruit.

ADENDA: O texto da Moddy’s e alguns comentários no FT-Alphaville

Às armas!

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 08:46

Moodys corta “rating” da dívida portuguesa para “A1

Aguarda-se a todo o instante um novo assomo patriotico

Uma conclusão surpreendente

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:32

A dificuldade em ultrapassar a barreira psicológica de viajar de automóvel ao lado de um desconhecido é um dos factores que está na origem da fraca adesão ao carpooling na Área Metropolitana de Lisboa, segundo um estudo apresentado hoje.

Certamente, a entidade que encomendou este estudo terá abundantes verbas às sua disposição.

8,5 milhões de euros

Filed under: Desporto,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 00:19

Um começo francamente prometedor para Roberto. Faço votos de que possa continuar ao mesmo nível: Afinal, quanto vale Roberto? Ex-treinador conta tudo

Confrontado com o valor pago pelo Benfica [8,5 milhões de euros], Abel Resino reage de forma curiosa. «A crise não chegou a Portugal? Isso é um valor importante. Não posso dizer muito mais. Se o Benfica aceitou pagar esses números é porque tem uma grande confiança no atleta.»

Que jogue tão bem como fala…

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:17

É o que se espera do colombiano James Rodriguez: «Benfica? Escolhi o F.C. Porto porque é maior»

Socialismo + Nacionalismo: uma receita para o desastre

Filed under: Double standards,Economia,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:11

Paula Teixeira da Cruz, proteccionismo e a predação neocolonial. Por João Miranda.

Em resumo, devemos proteger o nosso mercado para que as nossas empresas sejam grandes no mercado dos outros. Algo me diz que isto não vai resultar.

Leitura complementar: Mistérios do socialismo nacionalista.

Julho 12, 2010

Quando não são os nossos

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 23:12

Em 2008, uma associação espanhola para a recuperação da memória histórica, dessas que andam agora muito buliçosas e atrevidas, foi de armas, bagagens e picaretas para Singra, uma pequena povoação de Aragão, em busca dos restos mortais de doze republicanos que se diz terem sido fuzilados, por essas paragens, durante a Guerra Civil. Iam preparados para actos solenes, e talvez até levassem um monumento na mala. Pretendiam esclarecer a história de doze homens assassinados pelos “maus” — acto abjecto, sem dúvida, como tantos outros numa guerra entre irmãos — e ao mesmo tempo fazer a sua propaganda, porque “recuperação da memória histórica”, neste contexto, significa manipular a opinião pública e borrar metade da História. No embuste são levados alguns cidadãos que apenas querem saber o que aconteceu aos seus familiares e prestar-lhes as devidas homenagens fúnebres. Mas, removendo a ténue capa das boas intenções, o que estes exaltados nos têm para mostrar é a sede de vingança dos derrotados e o moralismo de quem se sente iluminado pela razão. E, apesar do nome, um enorme desprezo pela memória. Aquilo que encontraram em Singra, e a forma como reagiram, só veio reforçar esta tese.

Feito o buraco e desenterrados os ossos, descobriu-se que na vala comum não estavam doze republicanos, mas sim trinta e seis soldados pertencentes aos dois lados. Ali foram enterrados por um dos bandos — juntos, como nasceram — após a batalha de Teruel. Descoberto o equívoco, o grupelho abandonou Singra, deixando os ossos daqueles soldados em caixas de cartão que ficaram encerradas numa escola local. Havia “maus” naquela vala e, para além disso, nenhum dos “bons” apresentava indícios de ter sido fuzilado. Não havia nada que se pudesse aproveitar na campanha de manipulação das massas. Eram apenas soldados que haviam caído como soldados e que agora estragavam a festa. Não lhes interessava. Não lhes servia qualquer propósito. Os ossos foram abandonados, sem actos solenes, sem monumentos.

E aqui temos, ilustrado por este curto episódio da nova Espanha, o estranho conceito de “memória” dos moralistas que gostam de ir para as Puertas del Sol sempre que ofendem o seu herói, Baltazar Garzón. Mas, claro, quem não tem cultura não tem memória. Quem faz de modo de vida a destruição do passado, da tradição, em nome de um progressismo bacoco não tem, nem nunca terá, memória. E sem memória, sem passado, somos como os outros animais.

Jamais

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:00

Por muito que Cavaco Silva tenha estudado a zona euro – o que não se contesta – para alguém com conhecimento de história económica (e em particular história dos sistemas monetários) este tipo de negação taxativa não pode deixar de parecer seriamente imprudente e pouco inspirador de confiança: Cavaco: “Não acredito que Portugal alguma vez saia da zona euro”

“Eu estudei muito a zona euro, tenho livros publicados sobre a zona euro, eu não acredito que Portugal alguma vez saia da zona Euro, nem acredito que a Grécia venha a sair”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, quando questionado sobre as declarações de Paul Krugman, prémio Nobel da Economia.

É claro que houve pânico

Filed under: Comentário — Nuno Branco @ 19:41

Demorei a falar sobre isto porque andei todo o dia à procura de mais informação sobre o tal pânico que se abateu sobre o BCP durante o fim de semana. Perguntei a amigos o que sabiam sobre tal pânico e como se sentiam eles, particularmente os que são clientes do BCP. Fiquei praticamente na mesma, tudo o que eles sabiam era o que tinham ouvido nas notícias de hoje, durante o fim de semana ninguém recebeu nenhuma informação de que o céu estava para cair.

Ao que percebi, o incentivo ao medo vinha de um e-mail (que penso ter visto a sua primeira encarnação há mais de um ano) muito pobrezinho profetizando que hoje as portas do BCP estariam fechadas. De tão pobrezinho que ele era pode-se prontamente concluir que isto não é nenhuma campanha organizada contra o BCP mas apenas algo vindo de alguém com demasiado tempo livre e as únicas almas capazes de levarem a dita informação a sério seriam do género da avó Hermelinda ligada à internet com o seu Magalhães ou das pessoas que acham que se não fizerem forward 20 vezes daquele outro e-mail vão ter azar durante 7 anos ou coisa que o valha.

Corrida à banca? Nem vê-la. Nem hoje à porta dos balcões do BCP nem, que eu saiba, durante o fim de semana nas caixas multibanco. O único pânico veio mesmo da administração do BCP ao ter que desmentir a informação que mal circulava (realmente, a informação só começou a circular depois do desmentido). Ora, se há alguma coisa que clarifica a situação de solvência do BCP é meramente a facilidade com que esta entra em pânico.

Pânico? Claro que houve. E pelos vistos com razão.

The Real São Bento

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 19:32

A vida política portuguesa anda estranha. Todos os dias, as figuras mais ou menos destacadas do PS e do PSD oferecem ao país uma versão portuguesa (e apesar de tudo, ligeiramente menos degradante) de um reality-show da MTV: zangam-se em frente às câmeras de televisão, para depois acabarem o dia aos abraços (qualquer pessoa que tenha tido a infelicidade de ver programas como Laguna Beach ou The Hills consegue ver a semelhança).

Quase todos os dias, o dr. Passos Coelho levanta-se do colo de Ângelo Correia e ataca toda e qualquer medida do Governo. De seguida, o “engenheiro” José Sócrates sai do caixão e, no seu melhor Armani, vem queixar-se da “irresponsabilidade do PSD” (no dia em que o Armani tenha sido particularmente bem engomado, ele até se entusiasma e fala “da direita” para juntar o dr. Portas à festa). Inevitavelmente, seguem-se-lhe o dr. Silva Pereira, sempre pronto a carregar a àgua do chefe, e, se as circunstâncias assim o exigirem, o dr. Santos Silva, uma espécie de Brother Mouzone do PS. Para acabar a festa, o PSD chama os seus especialistas em fingir oposição (e ninguém o faz tão bem como Miguel Relvas) para mostrarem a sua indignação e como o país não consegue viver com mais um único dia de Sócrates no poder. Com um cenário destes, seriam de esperar moções de censura diárias, visitas de emergência a Belém (onde impávido e sereno, Cavaco Silva preside às cerimónias fúnebres do país) e pancadaria no Parlamento.

No entanto, nada disso acontece. Pelo contrário, todas as medidas anunciadas pelo Governo, que Passos Coelho e restantes focas amestradas atacam vigorosamente no início da semana, chegam a sexta (ou Sábado, para melhor passarem despercebidas) aprovadas pelos dois partidos, que entretanto se parecem ter escapulido como adolescentes ardendo por um coito furtivo. Tal como normalmente acontece com esses adolescentes, a coisa não acaba bem (embora, em vez da criancinha que fará as alegrias desses adolescentes, o destino mais provável seja o empobrecimento dos portugueses). É claro que Sócrates e Passos Coelho até se podem sair bem com a brincadeira: Sócrates consegue (atacando o PSD) alegrar (no pun intended) o bom povo socialista, e ao mesmo tempo (assegurando o apoio do PSD para as suas medidas) prolongar a morte lenta que tem sido este Governo; Passos Coelho talvez consiga (atacando o PS) convencer alguns de que é “diferente” dos socialistas, e (apoiando o PS) mostrar o quão é “responsável”.

Restam dois problemas: em primeiro lugar, não podem ser os dois bem sucedidos ao mesmo tempo. Inevitavelmente, um deles acabará mal, e a seu tempo (que poderá ser longo, é certo), o outro não escapará a um destino semelhante. Em segundo lugar, acabarão por nos arrastar todos com eles. A violência da retórica com que se agridem, por um lado, e a manifesta hipocrisia com que actuam, por outro, não resulta noutra coisa que não no aumento da repulsa dos eleitores pela política e pelo “regime”. Com o espectáculo que nos andam a oferecer, PS e PSD não se limitam a estragar o seu futuro (por muito que demorem a fazê-lo): ao chafurdarem na lama, arrastam para ela a democracia portuguesa e as condições de vida dos portugueses. Nada que os preocupe.

Leitura recomendada

Filed under: Blogosfera,Teoria — ruicarmo @ 18:46

Quando o liberalismo é convertido numa ideia perfeita, capaz de responder a todas as perguntas com uma única resposta correta, transforma-se numa ideologia utópica similar às outras a que deveria combater ou servir de contraponto. Qual a diferença entre uma ideologia que confere ao indivíduo ou ao mercado o estatuto de infalibilidade e perfeição, e uma outra que confere a mesma infalibilidade ao partido, ao líder ou ao proletariado?

Se o mercado é conduzido pelos indivíduos, só se depositam todas as fichas no funcionamento ideal do mercado se se acredita na atuação perfeita dos seres humanos. O entendimento de que o ser humano agirá sempre de forma ordenada e eficiente desde que livre da intervenção de terceiros (pelo estado ou qualquer poder centralizado) advém da certeza de que o indivíduo é perfeito e só não age plenamente porque constrangido ou coagido. A questão de fundo é uma ideia de perfeição que conduz a soluções fáceis e igualmente inaplicáveis. Fico sempre impressionado com a quantidade de gênios que aparecem publicamente expondo a chave da compreensão humana e social.

É legítimo compreender e defender o liberalismo como um conjunto de ideais que oferecem respostas adequadas (e não uma única resposta) a determinados problemas. É perigoso e estúpido defender as ideias liberais como uma ideologia capaz de salvar todos os seres humanos ou, pior, capaz de aperfeiçoá-los segundo um plano ideal de sociedade ou de modo de vida.

O utopismo revolucionário não é uma exclusividade de socialistas e comunistas. A certeza de que basta destruir o que existe (estado, instituições etc.) para florescer uma nova sociedade é uma estrada rumo ao cinismo ou ao caos. Por ser a diferença um traço distintivo dos seres humanos, é impossível ignorar a diversidade e apresentar uma solução absoluta, que terá, necessariamente, de ser imposta. A história do século XX é um exemplo concreto e recente dos resultados de décadas de fermentação ideológica revolucionária.

Bruno Garschagen, no Mídia sem Máscara.

Acredito que também daria jeito ao Ministro das Finanças

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 18:43

“Bring Paul the Octopus to Brussels” no Europhrenia Blog

Seeing as Paul’s accuracy rate this World Cup has been 100%, I propose that in his declining days his powers be put to the service of the European Union. Is Iceland or Serbia to be the next EU member state? Who will first leave the Eurozone – Greece or Germany? You can imagine the excitement in the glass palaces of Brussels as Presidents Van Rompuy and Barroso drop the transparent boxes with national flags into Paul’s aquarium. Paul contracts and expands in wavy, whirly octopus motion in his liquid medium, edges towards a defaulting Greece, a Euroreluctant Germany, before prizing of the lid and gobbling the juicy mussel of fate.

And why should his prophecies be confined to the fate of nations only? Should the EU pass a carbon tax? Will slash and burn austerity budgets help the recovery? At what age should we retire? Will Catherine Ashton emerge from obscurity? Given that Sunday’s football final is now a foregone conclusion, the EU will no longer have to defend itself against accusations of back room deals and transparency deficits. Paul foresaw it all.

Eu bem sabia que a Espanha não devia ter ganho

Filed under: Desporto — Miguel Noronha @ 17:10

FPF espera que título de Espanha “sirva de reforço” a candidatura ibérica ao Mundial

Mistérios do socialismo nacionalista

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:04

Paula Teixeira da Cruz defende uma política proteccionista em sectores estratégicos do país como o das telecomunicações

Proteccionismos retrogrados à parte, continuo sem perceber onde é que a participação na Vivo se enquadra no sector das telecomunicações portuguesas que deveria ser protegido.

Reabilitar vandalizando

Filed under: Cultura,Double standards,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:45

Uma imagem que vale por mil palavras: Bloco defende reabilitação urbana. Por João Miranda.

O governo em permanente caso de força maior

Filed under: Cultura,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 14:38

Não percebo, sinceramente que não, este autêntico levantamento contra as declarações de Gabriela Canavilhas relativamente ao Director-Geral que ela se escusou de demitir. Elas espelham, até em menor grau e com menor espalhafato, a prática socialista de sacudir, uma e outra vez, a água do capote.

Não há crise, não há desemprego, não há falências, não há incompetências, não há atrasos ou derrapagens que lhes sejam imputáveis. Tudo vem de fora ou dos outros ou do tempo ou da conjuntura ou da oposição ou do botaabaixismo ou até, mesmo volvidos não sei quantos anos, do Santana. Nada, absolutamente nada, que possa correr mal é da sua responsabilidade.

Estamos pois perante um governo em permanente invocação de casos de força de maior. Perante isto, Canavilhas não surpreende em nada. Surpreenderia, isso sim, se estivesse caladinha ou, melhor ainda, se estivesse a tentar resolver as trapalhadas que os antecessores lhe deixaram de presente.

Aguarda-se a demissão de Gabriela Canavilhas

Filed under: Cultura,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:12

Mesmo vindo do Ministério que vem, a irresponsabilidade política assumida pela Ministra da Cultura é de tal ordem que este episódio ainda consegue surpreender: Demissão. Por Gabriel Silva.

Pela sua inacção, foi a ministra responsável pelos atrasos, pela ineficácia e dificuldades que diz terem existido. Preferiu a «estabilidade» daquilo que descreve e que só pode ser entendido como incompetência. Mas que estabilidade poderia haver se afinal nada era feito?

Ela mesmo o diz: «A sua intervenção tem sido meramente de aplicação de medidas do Governo», o que se diga, é o que se espera de qualquer director-geral, logo…..

Portanto, já se demitiu senhora ministra? Ou o primeiro-ministro não o fará por si em nome da estabilidade e enquanto a senhora não arranja «nova colocação»?

À atenção (também) das almas caridosas subscritoras de certificados do tesouro

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — João Luís Pinto @ 12:19

O Governo alemão tem planos para responsabilizar todos os detentores de títulos de dívida pública, caso um país da zona euro deixe de ter condições para satisfazer os seus compromissos, noticiou hoje a revista alemã Der Spiegel.

Um documento elaborado na chancelaria federal, a que aquela revista teve acesso, aponta ainda para a criação de uma organização independente para supervisionar a insolvência de Estados, propondo-se que, se houver graves problemas de endividamento, estes possam prorrogar os prazos de pagamento, ou pagar menos aos credores.

Público

O interesse nacional de cidadãos livres

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:42

A tónica nacionalista é mais forte quando há uma crise económica, o dinheiro escasseia e o desemprego alastra. Como agora, em 2010, com a justificação do uso da golden share na PT, a irritação latente contra os espanhóis e o incómodo para com a capacidade produtiva das empresas alemãs. Não se trata de um nacionalismo acerbado, que os tempos não estão para isso e uma certa vergonha (ou decoro, se nos quisermos optimistas) não o permitem. Pouco importa. A semente vai sendo lançada, como habitualmente, por quem não sabe governar além do umbigo, contra quem mais ganhou com a abertura dos mercados, mais beneficia com a globalização: os cidadãos.

É este ponto que nunca podemos esquecer quando falamos de interesse nacional: ele não é único, mas a soma dos interesses de cada cidadão. Traduz-se no que cada um antevê como benéfico para si, a sua família, conhecidos, concidadãos, vizinhos, sócios, co-associados e por aí em diante. O que cada um, multiplicado pelos milhões que somos, procuramos em sociedade, vivendo em comunidade, partilhando uns com os outros o que temos e o que construímos com o trabalho e o esforço diário. O interesse nacional é conseguirmos viver melhor do que até aqui. É, na prossecução dos muitos interesses próprios, criar emprego e tirar pessoas da miséria. Permitir que se possa viver o mais plenamente possível, sem entraves desnecessários e arbitrários. Uma sociedade justa e equilibrada. Saudável. Pegando na ideia de Tocqueville, procurar não elevar alguns indivíduos muito acima do nível médio, mas permitir que muitos atinjam esse mesmo patamar. Não procurar a realização de feitos extraordinários, mas o encorajamento das virtudes simples e indispensáveis a uma vida sã em sociedade.

Esta perspectiva requer abertura. De espírito, de vontades e de mercados. Obriga a que nunca se desista da ideia da liberdade. Da liberdade como o valor mais importante e frágil que possuímos. Algo que não pactua com favores, corrupção, desonestidade, mentiras, meias verdades, deturpação de conceitos e de interesses. Não pactua que uns falem em nome de todos. Não aceita que se lhes nacionalize as vontades e os interesses. Só na concessão da liberdade às pessoas, aceitando e compreendendo as suas consequências, é possível ver a longo prazo e estar pronto para receber as vantagens que, mais cedo do que tarde, advirão dessa escolha. O caso da PT, da Vivo e da utilização da golden share pelo Estado encaixa neste tema, pois o que vamos perder com o erro do governo e o egoísmo de alguns, é muito mais do que se ganhará com o controle da empresa brasileira pela Portugal Telecom.

Não há seres iluminados. Assim sendo, a única maneira de alargarmos horizontes é aceitando que o exercício das vontades, quer seja política, económica e até a dos accionistas de qualquer empresa, se faça em liberdade. Sem interferências alheias que apenas tolhem o objectivo final.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers