O povo do meio – nova espécie identificada no ecossistema do Estado Social. Por Helena Matos.
Quando o Estado se passou a chamar social, a mobilidade social passou a depender cada vez mais da capacidade que tivermos para nos relacionar com a sua estrutura. O povo do meio para passar a ser povo de cima não tem de trabalhar mais. Tem de aprender a mexer-se melhor no labirinto estatal. E sobretudo não esquecer que a primeira regra para conviver com o Estado social é que este não se contesta. Influencia-se.
André
Fabulosa designação – “o povo do meio” – e fabulosa análise dos lugares de nomeação da administração pública, altamente politizada…
Este é, aliás, um dos maiores obstáculos à verdadeira reforma administrativa, pois coloca em risco os privilégios deste “povo do meio” que, por sua vez, asseguram a manutenção no poder do “povo de cima”, ou do “povo do topo”.
Esta é também a dimensão da organização do “corporativismo português” = forma de organização obsoleta e incompatível com uma gestão saudável e responsável do colectivo, dos impostos dos contribuintes.
Ana
Comentário por agfernandes — Julho 30, 2010 @ 08:08
O Estado Social deve funcionar como uma rede que ampara qualquer cidadão em situação de queda, ou seja, quando cai em situação de infortúnio (desemprego, viuvez, incapacidade por doença, etc.) e na velhice.
Essa rede deve existir para todos os cidadão, independentemente da capacidade de cada um para ter a sua própria rede (até porque essa capacidade pode desaparecer a qualquer momento ou, principalmente, quando mais precisar dela).
Defender o contrário é uma insensatez. Por isso, nada contra o Estado Social? Com certeza!
Comentário por AMCD — Julho 30, 2010 @ 13:42
«Defender o contrário é uma insensatez. Por isso, nada contra o Estado Social? Com certeza!»
É extraordinária a soberba daqueles que gostam de ser humanitários com o dinheiro dos outros.
Comentário por Migas — Julho 30, 2010 @ 14:03
“Soberba”? “Dinheiro dos outros”?
Eu pago pontualmente os meus impostos e não me furto ao seu pagamento colocando o meu dinheiro nas Ilhas Caimão ou noutro paraíso fiscal qualquer. Logo, não é o dinheiro dos outros. Há uma proporção do meu que também lá está.
E se por acaso o Migas cair no infortúnio, coisa que sinceramente não lhe desejo, saberá que pode contar com uma fracção dos meus impostos, se bem que ínfima, para o apoiar socialmente.
Comentário por AMCD — Julho 30, 2010 @ 14:38
“Logo, não é o dinheiro dos outros. Há uma proporção do meu que também lá está”
É também o dinheiro dos outros, para além do seu. A não ser que seja o único contribuinte para o sistema, isto é. Assiste-lhe todo o direito de contribuir para o sistema. Já o inverso, é-nos infelizmente negado.
De resto não vejo qual o problema em colocar o dinheiro nas Ilhas Caimão. Parece que há quem entende ter direitos sobre os recursos alheios.
Comentário por Miguel — Julho 30, 2010 @ 14:50
“Já o inverso, é-nos infelizmente negado.”
Bem pode-se fazer uma option out se quiser. Mas sempre que usufruir de algo do Estado tem de pagar, o que acha?
Comentário por João Cardiga — Julho 30, 2010 @ 16:52
Acho muitissimo bem.
Comentário por Miguel — Julho 30, 2010 @ 16:55
Ok, fica então assim combinado. O Estado português devolve o dinheiro que você já pagou, esquece até o que já usufrui, mas a partir de agora cobra-lhe, por exemplo, 10.000 Eur de fee, mais 1.000 Eur por metro, sempre que utilizar uma via publica. Combinado?
Comentário por João Cardiga — Julho 30, 2010 @ 17:01
E você passa a pagar 1.000.000 euros por cada comentário no Insurgente. Combinado?
Comentário por Miguel — Julho 30, 2010 @ 17:05
sem problema. Claro que como eu propus não existe efeito retroactivo. Combinado portanto?
Comentário por João Cardiga — Julho 30, 2010 @ 17:06
Ok. O pagamento é adiantado que aqui não se fia.
A partir daqui a aprovação de comentários fica dependente do pagamento.
Comentário por Miguel — Julho 30, 2010 @ 17:08
mas a partir de agora cobra-lhe, por exemplo, 10.000 Eur de fee, mais 1.000 Eur por metro
há coisas que não pagam mesmo imposto…
Comentário por AntonioCostaAmaral (AA) — Julho 30, 2010 @ 18:02
” É extraordinária a soberba daqueles que gostam de ser humanitários com o dinheiro dos outros.”
Esta senhora certamente que vai ajudar com o seu dinheiro, quem cair em desgraça ..
Não.
Vive obcecada não com as desgraças que acontecem aos outros, mas que lhe tirem uns euros para o tal estado social os socorrer.
” Acaba-se com os hospitais. Com as escolas. Com tudo, que assim poupo uns euros por mês ” é a mensagem
Comentário por Ricardo — Julho 31, 2010 @ 03:12
E chama de soberba, haver impostos para hospitais, escolas, etc.
Vá lá ela compreender, quem é a soberba.
Comentário por Ricardo — Julho 31, 2010 @ 03:14