Ao contrário do Nuno, entre quinta e sábado recebi inúmeras chamadas e mensagens de pessoas em pânico com a probabilidade de o BCP estar em situação de falência, em risco de ser intervencionado ou perto de iniciar um processo de fusão com a CGD. Muitas delas, de pessoas com suposto discernimento e capacidade crítica, e algumas, com responsabilidades elevadas nas empresas e nos meios profissionais onde actuam.
Durante dois dias dediquei boa parte do meu tempo a explicar que, tanto quanto se sabe, não há razões para entrar numa espiral de pânico. Na minha humilde opinião, acho que fez bem a Administração do BCP ao assumir que não ignora os rumores, e que os repudia. É função das administrações nesta fase, com transparência, dar nota da solidez das suas instituições, apresentando argumentos que ajudem a acalmar estas crises de confiança.
cheira a propaganda eleitoral de comissários politicos
Comentário por floribundus — Julho 13, 2010 @ 11:41
[...] que houve pânico (III) Filed under: Comentário,Economia — Nuno Branco @ 12:27 Agradeço aqui ao Rodrigo a informação complementar. Fiquei a saber que afinal os boatos não tiveram apenas origem nos [...]
Pingback por Claro que houve pânico (III) « O Insurgente — Julho 13, 2010 @ 12:28
Dado o sistema de reservas parciais de cerca de 3-5% de moeda para os depósitos, como é que um Banco pode garantir que as pessoas não começam a levantar dinheiro, sim porque sim?
Não pode.
O que está em causa numa corrida ao banco é o simples facto dos levantamentos serem maiores que as reservas.
A probabilidade de tal acontecer é de 0% (ninguém o faz) ou de 100% (se começa, toda a gente o faz, porque sabe que os primeiros serão os únicos a terem a garantia de o receberem).
Portanto, como garantir que a probabilidade de 100% não se dá? Não pode garantir porque é da simples livre vontade das pessoas.
Eu sempre tive a impressão que os próprios banqueiros, bancos centrais e companhia, não percebem o próprio sistema que defendem como racional (reservas parciais, moeda emitida em regime de monopólio) e o único livre (ouro, prata com reservas de 100%) como o irracional e “relíquia”.
Comentário por CN — Julho 13, 2010 @ 13:23
“Portanto, como garantir que a probabilidade de 100% não se dá? ”
Isso não interessa para nada. Se não há que chege faz-me mais.
Comentário por Nuno Branco — Julho 13, 2010 @ 14:35
Nuno
Sim, claro, no fundo há uma promessa velada de garantia total com recurso a inflação, nesta crise houve mesmo um garantia dada por primeiros-ministros por toda a Europa.
Mas a análise do fenómeno “corrida ao Banco” é escamoteada em análises de solvabilidade, o que não é inteiramente o que está em causa que é a aplicação em crédito de depósitos à ordem o que torna qualquer movimento de transferência via desconfiança seja do que for, numa potencial “corrida ao banco”.
E não existem meias corridas ao banco, quando se inicia toda a gente o faz, com medo de chegar após reservas esgotarem.
Comentário por CN — Julho 13, 2010 @ 15:10
Nenhum banco do mundo pode resistir a uma corrida aos depósitos, a não ser através da intervenção do Banco Central ou de outros bancos, fornecendo a liquidez necessária
Isto é verdadeiro em qualquer época ou sistema monetário.
A confiança e a reputação são o capital mais importante do negócio bancário e um simples boato, se bem sucedido, pode destruir qualquer Banco.
Nestes casos de pouco vale a solidez do balanço e a prudência da gestão.
Comentário por ricardo saramago — Julho 13, 2010 @ 18:02
Essa agora!!!
Basta que acabem com o sistema fraccionário, e garantam 100% dos depósitos dos clientes. Em permanência. Isto de aplicarem a quase totalidade do capital dos depositantes, sem a sua autorização expressa, e onde bem entendem, resulta no caos a que assistimos. E que só agora começou…
A Banca, se quer subsistir, tem de voltar ao modelo clássico. é a única forma de restabelcer a confiança no sistema.
Cumprimentos.
Comentário por NSP — Julho 13, 2010 @ 23:40
“Isto é verdadeiro em qualquer época ou sistema monetário.”
Só é verdadeiro em sistemas de reservas parciais, e historicamente as reservas parciais são uma deturpação do direito civil.
As notas e depósitos eram suposto ser “depósitos civis” de moeda de ouro, não “promessas de pagamento” de moeda de ouro.
Os Bancos (e os credores como os soberanos, desde cedo perceberam o ganho em arranjar crédito com depósitos e notas fabricadas (“promessas de pagamento”, em vez de crédito por transferência da propriedade de moedas/ouro/prata… muito conveniente) e isso deu desde cedo origem às bolhas seguidas de falências bancárias.
Comentário por CN — Julho 14, 2010 @ 10:43
Caros CN e NSP
Estamos a confundir várias coisas diferentes.
A actividade bancária consiste e sempre consistiu em transformar depósitos em crédito, aproveitando o facto de os depositantes não necessitarem todos ao mesmo tempo dos valores depositados. Os depósitos estarão tanto mais garantidos, quanto maior for o capital do banco e as garantias exigidas aos devedores.
Os depósitos e o capital desempenham funções distintas.Grosso modo os bancos emprestam os valores depositados e dão garantia aos depositantes atravès do seu capital.
Se exigirmos ao banco que mantenha 100% de capital como reserva a cobrir cada empréstimo(“sistema não fraccional”), então o banco não precisaria de depósitos e provávelmente não os aceitaria.
Comentário por ricardo saramago — Julho 14, 2010 @ 17:09