O Insurgente

Julho 7, 2010

Costumes liberais e fait-divers

Filed under: Cultura,Internacional,Nanny State Watch,Religião — ruicarmo @ 11:34

“We are happy that the Islamic republic of Iran’s government has backed us in designing these hairstyles.”

Several barber shops have reportedly been shut down and penalised in recent years for offering Western-style haircuts.

Iranian police carry out regular morality checks, arresting women in short coats and flimsy headscarves as well as men sporting spiky hair and tight, low-slung jeans. Ties are also viewed with suspicion as a symbol of Western decadence.

Fonte: Telegraph

48 Comentários »

  1. Há no Ocidente quem queira imitar a polícia iraniana, prendendo mulheres que usem na cabeça véus, não demasiadamente curtos mas sim demasiadamente compridos. Esse véus demasiadamente compridos são vistos por essas pessoas como um sinal da decadência do Ocidente.

    Comentário por Luís Lavoura — Julho 7, 2010 @ 11:45

  2. Como está escrito no título, é um fait-divers. A “tónica” está na “felicidade” de alguns iranianos em terem o estado a indicar-lhes o “design” do corte de cabelo. É também informativo: o governo iraniano não aprecia rabos de cavalo e aconselha evitar o uso excessivo de gel. Permite, no entanto, o cabelinho à Elvis.
    Para um liberal social não serão nada más estas demonstrações ridículas do nanny state.

    Comentário por ruicarmo — Julho 7, 2010 @ 12:12

  3. “Há no Ocidente quem queira imitar a polícia iraniana, prendendo mulheres que usem na cabeça véus, não demasiadamente curtos mas sim demasiadamente compridos. Esse véus demasiadamente compridos são vistos por essas pessoas como um sinal da decadência do Ocidente.”

    Assim como prender gente nua na rua.

    Comentário por lucklucky — Julho 7, 2010 @ 14:44

  4. “Ties are also viewed with suspicion as a symbol of Western decadence.”

    Nem tudo é mau :P

    Comentário por Nuno Branco — Julho 7, 2010 @ 15:04

  5. :D
    Mas isto não será bom, de todo.
    “However,quiffs appear to be acceptable, as are fashioning one’s hair in the style of Simon Cowell or cultivating a 1980s-style floppy fringe.”

    De qualquer modo, “liberalismos” à parte, imagino que haverá uma comissão da carteira de barbeiros, da responsabilidade da ordem dos barbeiros iranianos, presidida por um membro do partido.

    Comentário por ruicarmo — Julho 7, 2010 @ 16:24

  6. Vamos todos fingir que a crítica social dirigida ao Irão é inocente. Já as monarquias islâmicas absolutas (e que eu até dou como exemplo do pragmatismo islâmico semelhante a qualquer outro pragmatismo)…

    Independentemente dos méritos da crítica, um anti-war não pacifista como eu, vê os mesmos padrões repetidos, um inimigo passa a ser objecto de demonização permanente, um aliado objectivamente com as mesmas características… é um aliado. O objectivo final, mesmo que os próprios não o percebam (ou percebem até muito bem), é assegurar à partida que num possível confronto futuro, “inimigo” no fundo mais do que merece, tinha que ser, etc, e tal. Não, não sou ingénuo nem idealista, sou até muito realista. Os maus regimes, se são assim tão maus, caiem essencialmente pela própria população como a URSS, Portugal? Imaginem lá se para combater o império do mal (a expressão é de Reagan, mas Reagan na verdade serviu de tampão a certos crazy neo-cons que pediam first-strike baseados em puritanismo moral jacobino como é do seu timbre) tivesse existido confronto directo?

    Longe vão os tempos do “mind your own business”. É mais “every single business on the most remote location (specially on our state-geo-strategically enemies) on the planet is everybody business”. Os Romanos diziam o mesmo, embora os estados satélites servissem os seus interesses e combatessem por proxy, as suas guerras, Hoje, nos EUA é mais ao contrário.

    Comentário por CN — Julho 7, 2010 @ 20:57

  7. “um inimigo passa a ser objecto de demonização permanente, um aliado objectivamente com as mesmas características… é um aliado.”

    Qual é esse aliado que diz que os EUA, Israel, Europa etc… serão destruídos?

    “Não, não sou ingénuo nem idealista, sou até muito realista. Os maus regimes, se são assim tão maus, caiem essencialmente pela própria população como a URSS”

    Curioso preâmbulo para o que se seguiu. Resumindo a Coreia do Norte não é assim tão má…Hitler, idem…
    Qualquer conhecimento mínimo básico de História nos diz que os maus regimes podem acabar com bang ou com fizzle… e para acabar com fizzle a ideologia tem de deixar de ser acreditada pela elite e pela população que a suporta.

    P.S: União Sovíética acabou depois de milhões de mortos espalhados pelo mundo na Guerra Fria. Acabou com fizzle ou com bang e para quem?

    Comentário por lucklucky — Julho 7, 2010 @ 21:42

  8. “P.S: União Sovíética acabou depois de milhões de mortos espalhados pelo mundo na Guerra Fria. ”

    Sim, estou a lembrar-me dos Vietnamitas com Napalm. Depois os Killing Fields que só acabaram depois dos Vietnamitas pararem com aquilo, e apenas porque a própria guerra do Vietname criou as condições para os Khmer Vermelhos subirem ao poder depois da queda da monarquia (uma especialidade americana, ajudar a acabar com monarquias que são substituídas por bem pior, Czar, Kaiser, Áustria e etc). Os milhões de mortes que eu saiba aconteceram essencialmente com o aliado (“Uncle Joe” para Roosevelt) Estaline, nos anos 30, que ganhou depois a WWII.

    Comentário por CN — Julho 7, 2010 @ 22:19

  9. “Vamos todos fingir que a crítica social dirigida ao Irão é inocente.”
    Porque razão teria que ser inocente?

    Comentário por Rui Carmo — Julho 7, 2010 @ 22:49

  10. A agenda do querido líder é clara, não admite tréguas nem pausas: erradicar Israel do mapa e mudar a história e destino da grande Pérsia. Noutra dimensão que vai para além dos aconselhamentos estéticos governamentais, são objectivos ditatoriais que penso pouco terem a ver com o liberalismo. E que provocam reacções como esta: http://oinsurgente.org/2010/07/07/uma-questao-de-vizinhanca/
    A revolução islâmica iraniana não terá sido forjada pelos vencedores da I e II GM’s.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 7, 2010 @ 23:02

  11. #9 “Porque razão teria de ser inocente?”.

    Chama-se a isto “refutar” um comentário por uma pergunta irónica. O que é intelectualmente desonesto – principalmente em resposta a uma posição argumentada, como é a do Carlos Novais.

    Afinal, as críticas repetidas ao Irão de certos comentadores do Insurgente são, ou não são inocentes? Têm ou não um objectivo escondido? É uma pergunta. A sugestão do Carlos Novais ficou sem resposta. No teu caso em especial, Carmo? Onde queres chegar com essa matracagem constante sobre o mundo muçulmano? Porque é que não te preocupas tanto com o estado português, apesar de viveres sob a sua autoridade? O que te interessa assim tanto no Irão?

    Vá lá, faz a tua declaração de interesses. Assume-te. Faz o teu coming-out.

    Porque é que te finges de defensor dos valores ocidentais e/ou liberais – paz, liberdade, mercado livre, propriedade privada – quando no fundo o que tu queres é defender a política agressiva do Ocidente (Nato-EUA-EU) no mundo – através de guerras, golpes de estado, guerra clandestina, etc – e os interesses (mais ou menos bem entendidos, mais ou menos justos) de Israël? Porque é que te posicionas como “defensor” dos iranianos em coisas relativamente triviais (como cortes de cabelos) quando o que tu mais gostavas é que os americanos/israelitas bombardeassem o Irão, e mudassem o seu regime, provocando pelo meio milhares e milhares de mortes? Preferes que te bombardeiem ou que te imponham um corte de cabelo?

    Tens vergonha de te afirmar claramente como sionista? Como militarista? Como globalista intervencionsista? De dizer que isto está acima de qualquer liberalismo, na tua escala de valores? Era uma declaração de imoralidade convicta, mas pelo menos era mais claro. Armas-te em liberal para dar o troco a quem? Aos leitores do Insurgente? Achas que qualquer pessoa genuinamente interessada pela liberdade não vê imediatamente que és um hipócrita e um imoral? Que o teu paleio é uma fachada com intenções pouco nobres? Como é que concilias estado-mínimo, sociedade livre, com cruzadas morais militaristas financiadas pelo imposto, pela inflação, e pelo serviço militar? O estado-social-corporativo (que, apesar de todos os seus males, ainda produz alguns serviços) é mau, mas o estado militarista (que mata e destrói, principalmente) é bom, é isso? É este o alcance dos teus “valores”? A guerra não é um programa governamental como qualquer outro? Tu e os teus amiguinhos têm o direito de forçar os outros a entrar em lutas que não lhes dizem respeito, injustas ainda por cima?

    Se realmente tens algum problema com muçulmanos vai tu lutar com eles – vai viver para Israël, eles aceitam-te de certeza, depois de tantos bons e leais serviços. Até são capazes de te oferecer uma casa num colonato construído nalgum olival palestiniano. Mas não queiras forçar os ocidentais a pagar impostos, a morrer e a matar muita gente inocente por causa das tuas taras. Sê homem, deixa de fazer o cãozinho que ladra pelo dono (o de Tel-Avive, e um que tens no Insurgente), e vai morder a sério.

    Patético. No circo contratam gente como tu, para fazer rir as crianças.

    PS: fazes chichi na cama, de noite, a sonhar nos iranianos? Acreditas mesmo que eles são um grande perigo para nós? Ou as tuas tangas são simplesmente instrumentais?

    Reformulando a pergunta:

    És completamente idiota, ou és completamente imoral?
    Não tens cérebro, ou não tens coração?

    Comentário por Pedro Bandeira — Julho 8, 2010 @ 00:45

  12. Isso é uma crítica esquisita ao Irão (ambição imperialista) para quem tem a NATO e os EUA a ocupar em duas frentes Estados que em nada poderiam beliscar nem a NATO nem os EUA. O Irão foi sujeito a um golpe de Estado organizado pela CIA e ingleses para depor um Presidente eleito que queria nacionalizar activos petrolíferos que foi exactamente o que os ingleses fizeram (nacionalizar indústrias) no seu próprio país. O islamismo radical moderno acabou a crescer ajudado contra o Ocidentalismo forçado e intervencionismo permanente no médio oriente e zona por todo o séc.20 (ingleses no Afeganistão no séc.19), tal como o nazismo cresceu contra a imposição de Versalhes. Não serve de desculpa, mas nem o regime iraniano demo-teo se pode comparar ao nazismo secular-pagão.

    A crítica social com atenção microscópica pode ser feita, tudo bem, (vamos imaginar blogs americanos a comentarem ao pormenor todas as idiossincrasias do Portugal tradicional salazarento com a intenção, imaginemos, de demonizar a cultura portuguesa, imaginemos por ter sido seleccionada como mais uma Cartago para Roma, como o foi o Iraque e Saddam, só faltou mesmo o “Carthago delenda est”) mas…

    A coisa provavelmente acaba numa apoteose qualquer de destruição, aposto, com iniciativa do nosso lado, mas com uma boa desculpa (para quem se ilude com isso), tipo 2 WMD sobre civis japoneses.

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 00:50

  13. És completamente idiota, ou és completamente imoral?
    Não tens cérebro, ou não tens coração?

    Lindo :-) E assim se vê a força sei lá do quê

    Comentário por Helder — Julho 8, 2010 @ 01:53

  14. Sugiro que daqui em diante o Pedro Bandeira descarregue as suas frustrações no seu próprio blog. Comentários desse tipo serão imediatamente apagados.

    Comentário por Miguel — Julho 8, 2010 @ 09:30

  15. Rui Carmo, pode comentar (atenção que eu até acho compreensível e legítimo apelos a formas voluntárias de discriminação – como “não alugar a”, menos se for por via estatista-legal, mas sou favorável a controle razoável da imigração)? É que imagino isto no Irão e começavam a falar dos Mullah isto e aquilo, teocracia, isto e aquilo…

    Rabbis: ‘Don’t rent to foreign workers’
    By LAHAV HARKOV
    07/08/2010 12:42

    25 Tel Aviv rabbis sign petition: “Do not have mercy on them”

    Twenty-five rabbis in southern Tel Aviv released a letter on Thursday, warning Jews not to rent their homes to illegal immigrants and foreign workers.

    “The neighborhood and synagogue rabbis who signed below warn the public about the halachic prohibition and the predicted danger of renting homes to these people!!!” the letter reads.

    RELATED:
    ‘Send them back where they came from’
    Yishai denies plan to deport 800 children of foreign workers
    Crackdown on illegal foreign workers also targets employees

    Rabbi Chanania Leviev of the Chabad House in Kiryat Shalem told The Jerusalem Post to “walk around the streets here, and see what it’s like – it’s impossible to live like this!”

    The southern Tel Aviv rabbi relayed that the petition is essential to maintaining the quality of life in his neighborhood, and that illegal foreign workers are adversly effecting his congregation.

    “You see them everywhere, in all the streets, all the parks,” Leviev said. “Girls walk by and get hit on [by foreign workers] all the time!”

    The rabbis added to the letter that, according to police estimates, 40 percent of the crimes in south Tel Aviv are committed by “infiltrators,” and that four murders were committed by illegal immigrants in the past year.

    The rabbis quote the Talmud as saying “do not have mercy on them,” and cite the Shulchan Aruch, a major halachic source, to justify their actions.

    Many rabbis added messages next to their signatures, such as “may whoever helps preserve the Jewish nature of Tel Aviv be blessed.”

    In recent months, protests have been held in the southern Tel Aviv neighborhoods HaTikvah and Shapira, opposing the influx of illegal immigrants and refugees.

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 11:29

  16. Caro CN,
    o meu comentário é simples: trata-se uma petição, de uma vontade, de uma opinião, se quiser, desses rabis. E que não faz lei. Se concordo com a petição, não – jamais a assinaria. Atendendo à milenar diáspora judaica, até acho-a estúpida. Mas como os rabis não governam através de petições em lado nenhum, é mais “ditatorial” o estado meter-se nos assuntos capilares dos cidadãos.

    Quanto à critíca esquisita, não a acho. Por aquilo que sei – posso estar enganado – o sentimento de insegurança, o receio de um Irão nuclear é comum por parte de alguns estados sunitas da região e que as declarações do embaixador comprovam.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 21:00

  17. Pedro Bandeira, é a primeira e última vez que usa nos meus posts essa verborreia. Seja educado.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 21:02

  18. Caro Rui Carmo,

    se eu lhe colocar todas as questões que o Pedro Bandeira colocou, mas desta vez de forma educada e sem verborreia, responde?

    Comentário por Rui Botelho Rdorigues — Julho 8, 2010 @ 21:13

  19. Caro Rui Botelho Moniz,
    sempre ao longo de alguns anos de blogoesfera leio e comento post’s e caixas de comentários. E procuro responder assim que tenha tempo e saiba. Em relação ao senhor a que se refere, assunto encerrado.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 21:19

  20. Peço desculpa, ter-me enganado no nome.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 21:19

  21. Esquisito como o estado é incompetente para gerir uma empresa de água, transportes ou telecomunicações mas competentíssimo para gerir uma guerra…

    Comentário por Ana Dias — Julho 8, 2010 @ 21:51

  22. Caro Rui Carmo,

    Esqueça o senhor e os modos como o senhor pôs a questão; concentre-se na questão. Mais precisamente: quer que a NATO invada e/ou bombardeie o Irão ou não? Se sim, porque é que avalia positivamente a intervenção externa do Estado e negativamente a intervenção interna? E se é a liberdade o princípio que a NATO defende pelo mundo fora, porque será que é financiada por impostos, por inflação, e alimentada por serviço militar obrigatório? E mesmo quando o serviço militar não é obrigatório, não estarão os militares sujeitos à mesma estupidez, incompetência e irresponsabilidade que todos os outros funcionários públicos?

    Comentário por Rui Botelho Rdorigues — Julho 8, 2010 @ 22:04

  23. Rui B. R.,

    quanto à última questão, a minha experiência de vários anos de militar dizem-me que sim que de uma maneira geral os militares estão sujeitos a tudo isso que, diga-se, não é diferente daquilo a que estão sujeitas a generalidade das pessoas – os incentivos é que serão diferentes e o potenciam no caso dos funcionários públicos, embora a formação específica dos militares mude alguma coisa. No entanto, ainda da minha experiência, diria que os comandos militares são muito mais avessos e cuidadosos em relação a intervenções desse género do que os decisores políticos. E muito menos irresponsáveis. Por razões que me parecem óbvias, por um lado porque todos estudaram a história no que respeita a guerras e sabem bem os seus efeitos e por outro, muitos deles têm experiência própria e não nascem Generais, antes disso são Tenentes, Capitães, etc. Exemplos americanos são Schwarzkopf, Powel, Petraeus ou o que acaba de ser demitido (esquece-me o nome)

    Comentário por Helder — Julho 8, 2010 @ 22:25

  24. A Ana Dias disse tudo. Apesar da realidade ser até muito clara, existe uma tendência para a deificação de estatistas que cometeram toda a espécie de erros de julgamento, provocadores de unintended consequences, de interesses próprios de carreira, de uso de demagogia pelo medo, tudo disfarçado de altos valores. Enfim, é uma fraqueza muito comum na direita liberal, bem intencionados e cheio de ideais, perigosos como qualquer bem intencionado cheio de ideais.

    Bom, mas deixando generalizações de lado, o que chamo a atenção é para o focus particular da crítica social para um da

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 22:26

  25. opps, concluía eu:

    Bom, mas deixando generalizações de lado, o que chamo a atenção é para o focus particular da crítica social para um dado alvo, é um processo comum a antecedentes de conflitos. De repente todo e qualquer particularidade cultural, social ou política, idiossincrasia passar a ser evocada com muita, muita frequência.

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 22:31

  26. “Esquisito como o estado é incompetente para gerir uma empresa de água, transportes ou telecomunicações mas competentíssimo para gerir uma guerra…”

    Desde quando o estado é competente para gerir uma guerra? É só a maneira menos incompentente.

    “Mais precisamente: quer que a NATO invada e/ou bombardeie o Irão ou não? Se sim, porque é que avalia positivamente a intervenção externa do Estado e negativamente a intervenção interna? E se é a liberdade o princípio que a NATO defende pelo mundo fora, porque será que é financiada por impostos, por inflação, e alimentada por serviço militar obrigatório? E mesmo quando o serviço militar não é obrigatório, não estarão os militares sujeitos à mesma estupidez, incompetência e irresponsabilidade que todos os outros funcionários públicos?”

    Estão sujeitos a isso tudo, desperdício, asneiras, planos errados, combater a guerra de hoje com as armas da última, e se forem uns milhares de soldados haverá criminosos etc. E depois? Não é isso que manda embora o problema. É encontrar o menos mau meio para resolver o problema. Não percebo uma parte sequer da questão qualquer consulta aos manuais de política diz-lhe que a maior parte dos liberais quer um Estado Limitado e não Estado Zero.

    Comentário por lucklucky — Julho 8, 2010 @ 22:34

  27. Caro Rui Rodrigues,
    as palavras não se apagam, Vou num post sobre a intervenção do estado no hairstyle masculino procurar responder às suas questões sobre política internacional: na actual conjuntura não deve a Nato invadir/bombardear o Irão. Porque razão teria que avaliar da mesma forma assuntos e naturezas diferentes? A Nato é uma construção de uma estrutura militar e política composta por vários países, que a integram de livre vontade e confesso que não sabia que tinha um tão liberal objectivo – a liberdade. Os militares, tal como os jornalistas, os economistas, os advogados ou os padeiros estarão sujeitos a todas as virtudes humanas e profissionais dos funcionários públicos… com uma reponsabilidade maior: têm uma arma e muitas vezes, o monopólio da força militar.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 22:36

  28. CN e Ana Dias,

    o minarquismo* pressupõe defesa externa a cargo do estado, não tem nada que ver com competência, tem que ver com exclusividade. A gestão das empresas não faz parte de nenhuma atribuição legítima do estado e tem outras características. Em caso de guerra em abstracto – por mim deixem o Irão em paz e eles que se entendam – não estou bem a ver que se há-de encarregar de a gerir. O meu condomínio? ;-)

    *sim Carlos, já sei que não és minarquista, mas também não és pacifista e suponho que aceitas o jus belli

    Comentário por Helder — Julho 8, 2010 @ 22:41

  29. “Sim, estou a lembrar-me dos Vietnamitas com Napalm. Depois os Killing Fields que só acabaram depois dos Vietnamitas pararem com aquilo, e apenas porque a própria guerra do Vietname criou as condições para os Khmer Vermelhos subirem ao poder depois da queda da monarquia (uma especialidade americana, ajudar a acabar com monarquias que são substituídas por bem pior, Czar, Kaiser, Áustria e etc). Os milhões de mortes que eu saiba aconteceram essencialmente com o aliado (“Uncle Joe” para Roosevelt) Estaline, nos anos 30, que ganhou depois a WWII.”

    Curioso não houve resposta aos meus argumentos. Só a típica palhaçada habitual, com falsidades pelo meio – vide Kaiser, Vietnam- em que os outros não têm vontade e as coisas só acontecem por reacção aos americanos. Para CN alíás parece que o único Estado que existe são os EUA.

    Comentário por lucklucky — Julho 8, 2010 @ 22:41

  30. “De repente todo e qualquer particularidade cultural, social ou política, idiossincrasia passar a ser evocada com muita, muita frequência.”

    É algo natural, a que não se pode fugir, mesmo que se queira. Em termos abstractos a tragédia no Haiti foi disso exemplo. Outros acontecimentos noticiados por meios alternativos aos tradicionais: o massacre na praça tiananmen e a insurgência civil iraniana.

    Quanto à apreciação dos militares, se bem que não cumpri o SMO, subscrevo o que escreveu o Helder.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 8, 2010 @ 22:44

  31. “Rui Carmo, pode comentar (atenção que eu até acho compreensível e legítimo apelos a formas voluntárias de discriminação – como “não alugar a”, menos se for por via estatista-legal, mas sou favorável a controle razoável da imigração)? É que imagino isto no Irão e começavam a falar dos Mullah isto e aquilo, teocracia, isto e aquilo…”

    Tem piada… não o vi fazer algum comentário aos que são mortos a tiro pelos egípcios.

    The Africans risking all on the Egypt-Israel border

    In his sparsely decorated apartment, Yahya Mohamed, a refugee from Darfur in Sudan, explains how he risked everything trying to move to Israel.

    “I decided to go to Israel because people who went before told me the situation was much better over there,” he says.

    “I left my country looking for safety and security but in Egypt I found harassment and more problems.

    “Work here is difficult and they throw stones and tomatoes at me on the street. They curse at me and call me ‘the black’.”

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/world/middle_east/10240699.stm

    Comentário por lucklucky — Julho 8, 2010 @ 22:48

  32. Iranian cleric wants creation of ‘Greater Iran’

    By ALI AKBAR DAREINI

    TEHRAN, Iran (AP) – A radical cleric called Saturday for the creation of a “Greater Iran” that would rule over the entire Middle East and Central Asia, in an event that he said would herald the coming of Islam’s expected messiah.

    Ayatollah Mohammad Bagher Kharrazi said the creation of what he calls an Islamic United States is a central aim of the political party he leads called Hezbollah, or Party of God, and that he hoped to make it a reality if they win the next presidential election.

    Kharrazi’s comments reveal the thinking of a growing number of hard-liners in Iran, many of whom have become more radical during the postelection political crisis and the international standoff over the country’s nuclear program. Kharrazi, however, is not highly influential in Iran’s clerical hierarchy and his views do not represent those of the current government.

    Kharrazi’s comments were published Saturday in his newspaper, Hezbollah.

    He said he envisioned a Greater Iran that would stretch from Afghanistan to Israel, bringing about the destruction of the Jewish state.

    He also said its formation would be a prelude to the reappearance of the Mahdi, a revered ninth-century saint known as the Hidden Imam, whom Muslims believe will reappear before judgment day to end tyranny and promote justice in the world.

    “The Islamic United States will be an introduction to the formation of the global village of the oppressed and that will be a prelude to the single global rule of the Mahdi,” the Hezbollah newspaper quoted him as saying.

    Besides Israel, he said the union would also destroy Shiite Iran’s other regional adversaries, whom he called “cancerous tumors.” He singled out secular Arab nationalists such as members of Saddam Hussein’s Baath Party in Iraq, as well as followers of the austere version of Sunni Islam practiced primarily in Saudi Arabia that is known as Wahabism.

    Saudi Arabia and other Sunni Arab nations have watched Iran’s growing regional clout with deep concern.

    The growing voice of hard-liners like Kharrazi has deepened worries even if it appears unlikely such a divisive figure would win the 2013 presidential election.

    Still, even President Mahmoud Ahmadinejad said on Thursday that he expects the government which follows his to be “ten times more revolutionary.”

    Comentário por lucklucky — Julho 8, 2010 @ 22:51

  33. Caro Rui Carmo,

    deixemos então a questão para outro post. porém, convenhamos que a escolha desta particular intervenção do Estado se deve somente, como disse o CN, ao facto de o Irão fazer parte do que alguns de vocês consideram o novo «eixo do mal». semelhantes ou piores intervenções por parte de outros Estados não são mencionadas porque não fazem parte do «eixo do mal».

    Caro Lucklucky,

    eu sei que «a maior parte dos liberais quer um Estado Limitado e não Estado Zero.» Deixe-me porém assegurar-lhe que eu não sou a maior parte dos liberais.

    Comentário por Rui Botelho Rdorigues — Julho 8, 2010 @ 23:12

  34. A defesa territorial é uma coisa, a presença no outro oposto do planeta para combater uns tipos que pare fazer alguma moça se têm de suicidar com bombas artesanais, enfim, as pessoas têm medo, é compreensível, querem reduzir o risco a zero nem que seja preciso danos colaterais sobre civis, espalhar unintended consequences por todo o lado. Por vez penso que é uma forma de cobardia.

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 23:38

  35. “alguma moça” – alguma mossa

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 23:39

  36. “S os outros não têm vontade e as coisas só acontecem por reacção aos americanos. Para CN alíás parece que o único Estado que existe são os EUA.”

    O Estado Federal americano teve sempre a infelicidade de ao contrariar a sua falta de vocação original para Império e deixando de olhar para o umbigo, meterem-se no que não percebem imbuídos de ingenuidade bacoca. Foi assim na WWI (um luta cínica entre impérios ), foi assim na WWII (o “Uncle Joe” Estaline ganhou, alguma dúvida? o Império Britânico, a motivação máxima de Churchill caiu), no Vietname, foram fazer uma chacina (e provocar outra) por causa da tese do dominó.

    Azar, como os liberais sabem, o intervencionista é dado a provocar muitas asneiras, o intervencionista que mexe com nações inteiras, o seu sentido nacionalista, cultura e histórico, é dado a provocar asneiras monumentais e trágicas.

    Comentário por CN — Julho 8, 2010 @ 23:52

  37. CN #34

    o q é a defesa territorial não é pacífico. Por exemplo, enquanto Embaixador em França, Jefferson apoiou as Barbarian Wars e era, nessa altura, alguém que seria hoje um isolacionista.

    Já concordo em relação ao FUD abundantemente utilizado pelo estados e gurpos de interesse, do meteoro ao aquecimento global passando pela bomba iraniana.

    Rui,

    Deixe-me porém assegurar-lhe que eu não sou a maior parte dos liberais.

    Pois nesse caso reveja a doutrina porque provavelmente é anarquista, o que não tem mal nenhum

    Comentário por Helder — Julho 9, 2010 @ 00:28

  38. Carlos #36 também sabes melhor que eu que essa não é a única tendência nos EUA, há outra não-intervencionista e não-idealista

    Comentário por Helder — Julho 9, 2010 @ 00:31

  39. Essa do anarquismo vir à baila tanto faz sentido, como nenhum. Porque é que um anarquista será diferente dos outros, todos pretendem defender propriedade, individual ou comum. E como um não-anarquista resolve o problema da anarquia internacional em que ele próprio vive? defendendo um estado mínimo mundial que só se ocupa da defesa territorial contra extraterrestres? Quem é que vive em outro mundo?

    Comentário por CN — Julho 9, 2010 @ 08:34

  40. Carlos, quando encontar melhor definição para a defesa de “Governo Zero” logo a uso, até lá aceito sugestões.

    Comentário por Helder — Julho 9, 2010 @ 09:39

  41. Não existe “governo” zero (as empresas têm “governos”), mas pode existir ausência de monopólio territorial da violência, tanto pode, que é o que existe internacionalmente. Depois, cada parcela (Estado) de monopólio territorial da violência pode ser consentido ou imposto (por elites ou por maiorias). Se for consentido tem de conceder (pode ser implicitamente, mas é melhor que o seja formalmente) o direito de secessão. É tudo. Sempre vivemos em anarquia. Refutar o anarquismo é defender um Estado mundial. QED.

    Comentário por CN — Julho 9, 2010 @ 11:29

  42. “A defesa territorial é uma coisa, a presença no outro oposto do planeta para combater uns tipos que pare fazer alguma moça se têm de suicidar com bombas artesanais, enfim, as pessoas têm medo, é compreensível, querem reduzir o risco a zero nem que seja preciso danos colaterais sobre civis, espalhar unintended consequences por todo o lado. Por vez penso que é uma forma de cobardia.”

    “Unintended consequences” acontecem caso se haja ou não se haja. A Uninteded consequence de não fazer nada de especial em relação aos ataques iniciais da Al-qaeda foi o 11 de Setembro.

    Caso não tenha notado esses tipos explodem no “lado oposto” do planeta porque se levou a Guerra para lá, que é onde pertence. A tentativa de arregimentar todos os muçulmanos contra o Ocidente falhou após o 11 de SET que curiosamente não foi “no lado oposto”, Quénia e antes de 11 de SET pela primeira vez no WTC em 1993.

    O desprezo sobre “bombas artesanais” mostra bem a ignorância. Pior, mostra que não se quer ver os factos. É só fazer uma lista das explosões “artesanais” na última década e verificar os resultados. Foram as bombas artesanais que mais mortos provocaram. É só estar tão afastado do mundo e não perceber que o saber se disseminou e fabricar explosivos que matam dezenas ou centenas de uma vez não tem nada de especial tecnologicamente.

    Comentário por lucklucky — Julho 9, 2010 @ 13:44

  43. Caro Rui Rodrigues,

    é livre de me interpelar em qualquer post. mas parece que me quer impor um sistema de quotas: “ora hoje falei mal do “eixo do mal”, duas vezes tenho que falar outras tantas da política externa dos EUA.” Era o que faltava.

    E entre o exemplo que deu origem ao post – a intervenção estatal iraniana na definição do estilo do corte de cabelo masculino – e o exemplo que o CN deu – uma petição parva de rabis – parece-me evidente que apenas uma implica uma intervenção do estado. E ridícula, diga-se.
    Penso ter sido claro.

    Comentário por Rui Carmo — Julho 9, 2010 @ 23:53

  44. Caro Helder,

    eu sou liberal. e anarquista – como qualquer liberal consistente.

    Caro Rui Carmo,

    não imponho quotas a ninguém, só me custa ver incoerência e má fé juntas. obrigado pela sua atenção.

    Comentário por Rui Botelho Rdorigues — Julho 10, 2010 @ 19:49

  45. Caro Rui Rodrigues,
    o insulto é quase grátis e custa pouco. Como insiste em trilhar esse caminho, deixará de ter a minha atenção.

    Comentário por ruicarmo — Julho 11, 2010 @ 12:08

  46. Hoje na Europa, a fractura fundamental é entre os que desejam uma guerra de civilizações armageddónica e apocalíptica contra a mundo islãmico para salvar a colónia sionista e controlar o petróleo (um Reich “judeo-cristão” que teria o mesmo fim inglório que o III Reich) e os que lutam pela aliança de civilizações, que …não é mais que a extrapolação mundial da solução europeia de raiz kantiana que põs um termo definitivo à milenar guerra civil europeia no pós-guerra. De novo patriotas europeus contra os novos “collabos” com o novo nazismo, o aquele que sonha com o Armageddon……

    Comentário por Euroliberal — Julho 11, 2010 @ 20:04

  47. [...] Outros penteados: Costmes liberais e fait-divers. [...]

    Pingback por Notas de rodapé III « O Insurgente — Outubro 10, 2010 @ 02:44

  48. [...] complementar: Costumes liberais e fait-divers. Classificar isto: Share this:FacebookTwitterStumbleUponEmailMaisPrintDiggLinkedInGostar [...]

    Pingback por Mais 14 episódios “fashion-shock” « O Insurgente — Março 10, 2012 @ 18:49


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