O Insurgente

Junho 30, 2010

Brothers, you asked for it.

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 17:22

Anda por aí um ultraje com o facto de o governo português ter impedido uma empresa espanhola de deter uma posição numa empresa brasileira através de uma posição minoritária de 5% que se sobrepôs à vontade de 76% dos accionistas que se expressaram hoje em assembleia geral.

É verdade que, ao contrário do que seria normal, uma acção não equivale a um voto quando se trata da PT. Existe uma entidade obscura que com uma acção consegue controlar 50% + 1 dos votos. Mas esta entidade, que é ditadora das regras pelas quais se regem os negócios em Portugal, não fez isto de surpresa. Estas regras são conhecidas há muito tempo, o Governo ou o Estado nunca enganou ninguém e nunca fez intenções de abdicar deste poder mesmo a pedido do tribunal europeu (o federalismo só dá jeito para pagar a nossa dívida).

Quando os senhores que hoje votaram no sentido oposto do governo compraram as acções que compraram sabiam que essas acções não valiam nada em termos de decisão sobre a empresa da qual eram accionistas. Mesmo assim compraram-nas, por sua conta e risco. O próprio acto de comprar acções de uma empresa que é gerida desta forma dá um aval moral à actuação cobarde e controladora do governo. Quem dá avales morais deste género, para poder mamar uns quantos dividendos de uma empresa que só existe pela protecção que goza do Estado escusa de vir chorar para o meu ombro, venderam-se por tuta e meia agora lidem com a escumalha a quem se venderam.  Como diria um certo Francisco: “Brothers, you asked for it”.

9 Comentários »

  1. Bullseye
    Já agora resta dizer que muitos desses mesmos accionistas são também gente que elegeu os inteligentes responsáveis por esta decisão e que, não há muito tempo, elogiavam a veia modernizadora e visão reformista do nosso iluminado PM

    Comentário por Brutus — Junho 30, 2010 @ 17:45

  2. O Estado vem estragar um negóco que era bom para o país.

    Comentário por Fiipe B. — Junho 30, 2010 @ 18:03

  3. perspectivasQuarta-feira, 30 Junho 2010
    A direita medíocre

    A direita medíocre é aquela que defende a desnacionalização do país em nome de dogmas económicos, colocando a economia a montante da cultura quando deveria ser exactamente ao contrário. Serve-se de algumas verdades decorrentes dos primeiros princípios para impôr a mentira em forma de dogma.

    A direita medíocre é aquela que reconhece que o negócio da venda da VIVO aos espanhóis da Telefónica era mau para o nosso país, mas que, em nome do dogma hayekiano, o Estado português não deveria utilizar o veto da Golden Share.

    A direita medíocre é aquela que, em nome do dogma, defende a aplicação dogmática daquilo a que chama “mecanismos de mercado”, fazendo com que o Estado português se alheasse da sua Golden Share e permitisse que se distribuíssem dividendos decorrentes da venda da Vivo pelos accionistas da Portugal Telecom, e ficassem na Portugal Telecom as dívidas decorrentes da expansão internacional da empresa portuguesa nos últimos dez anos.

    A direita medíocre defende a privatização dos lucros e a nacionalização dos prejuízos — a direita medíocre é estruturalmente irresponsável. A direita medíocre é contra o Estado quando quer lucros através da aplicação do dogma, e a favor do Estado quando quer sacudir os prejuízos da sua responsabilidade. A direita medíocre é a grande responsável pelo estado a que chegamos.

    A direita medíocre é aquela que defende o haraquiri da Portugal Telecom em nome do dogma economicista: confunde propositadamente a necessidade de “menos Estado” — que a direita responsável também defende — com a imposição de um “Estado exíguo” — que é o Estado incapaz de defender os interesses mais básicos e essenciais do país — em nome de interesses estrangeiros. A direita medíocre é iberista e fala portunhol.

    http://espectivas.wordpress.com/

    Comentário por tono mouco — Junho 30, 2010 @ 18:41

  4. Certíssimo.

    E vai-me dar muito gozo ver o banho que esses “investidores” vão apanhar quando as acções da PT vierem para o seu real valor.

    Mas a conclusão a tirar é apenas uma: quando os políticos se metem a fazer negócios só sai merda.

    É bom que vão memorizando isto, porque me parece que quando chegar o tempo do PSD, virão outros empresários do costume sempre lestos a “investir” com o dinheiro dos outros.

    Comentário por jP Ribeiro — Junho 30, 2010 @ 19:44

  5. Passos Coelho é mesmo BURRO!!! afirmar que não se devia vender a VIVO, porque esta colocava em causa os interesses de Portugal…quando o interesse estratégico de Portugal é que os Bancos Portugueses se fortaleçam o mais rapidamente possivel, ja começa a faltar o crédito para as nossas PME´s…Pedro Passos Coelho, SoCretino II !!

    Belmiro de Azevedo, ou alguem da mesma estirpe, a Primeiro-Ministro de Portugal!! please, pra ontem…

    Comentário por tric — Junho 30, 2010 @ 20:00

  6. O Sr. Engº estragou o negócio ao BES e pode não haver outra oportunidade assim.
    Com o veto político o engº comprou uma guerra com Espanha que não pode ganhar em troca não obteve nada.
    Face às crises que se avizinham, Sócrates tornou-se mais um problema e já não faz parte dos planos.
    Por esta altura, o BES já terá trocado Sócrates por Passos Coelho.
    Vamos assistir em breve aos sinais dos ratos a abandonar o navio.

    Comentário por ricardo saramago — Junho 30, 2010 @ 22:18

  7. Acabo de saber que a Telefónica mantem a oferta até dia 16 de Julho.
    É triste que já ninguém leve a sério o governo português.

    Comentário por ricardo saramago — Junho 30, 2010 @ 22:54

  8. err.. o estado votou contra porque os administradores assim o quiseram. Mas quem “emprega” os administradores não são os accionistas?
    Epá, se a “tasca” fosse minha e o taberneiro não quisesse vender o que eu queira…lá ia o dito á vida!!

    Comentário por Paulo Pacheco — Julho 1, 2010 @ 00:19

  9. Não é por acaso que o DN publicou uma grande fotografia do presidente da mesa da assembleia dizendo que aquele era o homem chave da decisão. Quem é que colocou esse homem nesse lugar?
    O caso PT – Telefónica – Vivo – TVI – Jornal das Sextas é mais do mesmo… poeira para os olhos do contribuinte para ele não ver as negociatas que entretanto se fazem nos bastidores.

    Comentário por Manolo Heredia — Julho 1, 2010 @ 08:41


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