A questão da cobrança electrónica e automática de portagens já se encontra resolvida de forma satisfatória e espontânea pela sociedade portuguesa, recorrendo a tecnologia portuguesa de aplicação e prestígio internacionais, de adesão voluntária. A situação presente não expõe todo o universo de cidadãos proprietários dos equipamentos descritos aos riscos e custos inerentes ao sistema proposto: estes podem optar livremente por beneficiar dos serviços actuais, que não são condição necessária para o uso de vias sujeitas a regime de portagem.
Além disso, ao ser universal e coerciva, a proposta em cima da mesa parece fazer depender o uso de viatura da utilização de vias com portagens. Ora tal não é um facto, existindo as mais diversas vias que não requerem esse pagamento, sendo até que a própria cobertura do território nacional por esse tipo de equipamentos não é integral.
Todos os utilizadores de veículos serão pois obrigados a incorrer em novos custos e riscos associados à aquisição de um dispositivo, independentemente de pretenderem ou não fazer uso das referidas vias. Em Portugal existem 4,2 milhões de veículos e foram registados 200 a 300 mil novos veículos por ano desde 19902. Isto implica um custo de implementação na ordem dos 42 milhões de euros (assumindo um custo de 10/matrícula) e um custo directo regular de 2 a 3 milhões de euros por ano.
Excerto da carta enviada ao Presidente da República Portuguesa em 5 de Março de 2009, pela Associação Liberdade na Era Digital, a qual recomendo a leitura na íntegra.
Declaração de interesses: sou associado fundador da referida associação.
“já se encontra resolvida de forma satisfatória e espontânea pela sociedade portuguesa”
A cobrança de portagens é coerciva. Não se pode dizer que ela é feita “de forma satisfatória e espontânea pela sociedade”.
Comentário por Luís Lavoura — Junho 23, 2010 @ 09:17
“A cobrança de portagens é coerciva.”
Tão coerciva como é coercivo o Luís Lavoura pagar as compras na mercearia.
Comentário por João Luís Pinto — Junho 23, 2010 @ 11:51
Tem razão. Mas creio (posso estar enganado) que o sistema Via Verde tal como existe hoje não foi propriamente introduzido de forma livre e espontânea pela sociedade em geral, sem intervenção do Estado. Repare que existe um só cartão Via Verde que funciona para uma série de autoestradas, pontes e outras coisas (parques de estacionamento, etc), que pertencem a um conjunto de entidades diferentes. É deveras peculiar que, enquanto que cada supermercado tem o seu próprio cartão de compras, todos eles utilizem o mesmo Via Verde. Isto cheira-me a monopólio promovido pelo Estado.
Comentário por Luís Lavoura — Junho 23, 2010 @ 12:04
“É deveras peculiar que, enquanto que cada supermercado tem o seu próprio cartão de compras, todos eles utilizem o mesmo Via Verde.”
Curiosamente a generalidade também aceita pagamento por multibanco.
Comentário por João Luís Pinto — Junho 23, 2010 @ 12:11