Leio no Expresso ‘A África do Sul tem uma taxa de infeção de sida entre 16 a 18 por cento e se há finalmente políticas de luta é também o próprio Presidente que, acusa a oposição, inviabiliza esse trabalho com comportamentos promíscuos’ e espanto-me. Então os comportamentos promíscuos potenciam o contágio com o HIV? Então não basta usar preservativo? Então afinal também é preciso mudar comportamentos sexuais? Então o culpado pelo contágio da sida em África não é o Papa?
Junho 9, 2010
20 Comentários »
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O preservativo não protege a 100%. É uma questão matemática.
Comentário por Luís — Junho 9, 2010 @ 19:49
‘O preservativo não protege a 100%. É uma questão matemática.’
Donde: para evitar o contágio é também necessário alterar comportamentos e a Igreja tem razão, certo?
Comentário por Maria João Marques — Junho 9, 2010 @ 20:11
Sim, claro que tem razão. Aliás, adianto-lhe que alguns professores que tive na FMUP sabem disso e afirmam-no nas aulas. A promiscuidade é um dos factores de risco para o HIV e para outras DST’s, como as doenças provocadas pelo HPV (cancro do pénis ou cancro do colo do útero). E também se sabe que os indivíduos que têm relações estáveis e duradouras são mais saudáveis, fisicamente e psicologicamente. Ou seja, por outras palavras, a monogamia é um comportamento saudável e muito recomendável.
PS: estou a recordar-me que um professor de Medicina Preventiva afirmou numa aula que as campanhas contra a promiscuidade em África podem ser mais eficazes que as campanhas pelo uso do preservativo.
Comentário por Luís — Junho 9, 2010 @ 20:29
Bem observado.
Comentário por André Azevedo Alves — Junho 9, 2010 @ 21:15
Mas desde quando a defesa do uso do preservativo exclui a defesa da ausência de comportamentos de risco? O preservativo visa actuar a curto prazo enquanto que a mudança de comportamentos visa o médio/longo prazo.
A monogamia é um comportamento maioritário mas longe de ser dominante (incluíndo alguns membros do clero); deal with it.
Comentário por nuno vieira matos — Junho 9, 2010 @ 21:34
#5
As campanhas costumam centrar-se apenas no apelo ao uso do preservativo e não na alteração dos comportamentos.
Comentário por Luís — Junho 9, 2010 @ 21:41
Luís, bom testemunho.
‘O preservativo visa actuar a curto prazo enquanto que a mudança de comportamentos visa o médio/longo prazo.’
Então tem a mesma opinião que a Igreja, porque ninguém na Igreja diz a alguém que vai ter uma relação de risco ‘não uses preservativo’. A Igreja centra-se no objectivo que resolve de facto o problema e os folclóricos concentram-se apenas no curto prazo.
‘A monogamia é um comportamento maioritário mas longe de ser dominante (incluíndo alguns membros do clero)’
Tem a certeza que existem padres polígamos? até pode haver padres promíscuos, mas polígamos acho difícil.
Comentário por Maria João Marques — Junho 9, 2010 @ 21:43
MJM, memória curta; a igreja tem sido opositora do uso do preservativo (embora com um discurso que tem vindo a ficar moderado). Foclóricos? Então o que se aplica nas boas práticas de gestão (que que respeita a atenuaçãio e por fim eliminação de risco) que a MJM tanto deve gostar já não se aplica neste caso?
MJM, vamos discutir sintaxe? O comportamento de risco afinal é só a poligamia; a promiscuidade é isenta? Ah, e gostei do “até pode haver padres promíscuos”; nada como uma boa dose de optimismo e auto-negação para bem findar o dia.
Comentário por nuno vieira matos — Junho 9, 2010 @ 21:48
Err.. vamos discutir os valores se o uso do preservativo fosse abolido e se começasse a desencorajar os comportamentos promíscuos? Que estupidez de post.
Comentário por Não Interessa — Junho 9, 2010 @ 22:12
eu perguntava aos devotos que aqui escrevem, que sejam maiores de idade, se os respectivos comportamentos sexuais são só para fins reprodutivos?
Comentário por guna — Junho 9, 2010 @ 22:25
genial, como é que ninguém pensou nisto? afinal de contas todos os problemas do mundo se resumem a desvios comportamentais. ou seja, se todos nos contentarmos com o suficiente, deixará de haver pobreza no mundo, se todos no globo começarem a agir com maior tolerância simultaneamente, deixa de haver guerra no mundo.
ainda bem que temos a maria joão marques para nos relembrar que a culpa de todos os males resultam dos comportamentos humanos. isto há com cada uma…
Comentário por marmita — Junho 9, 2010 @ 22:31
O Papa bem que tenta espalhar mais a SIDA, mas felizmente ninguém lhe dá ouvidos. Se há ainda muitos homens que não usam preserverativo, é simplesmente porque preferem assim.
Comentário por tina — Junho 9, 2010 @ 22:37
3. Portanto, Luis, está a dizer que um professor de medicina preventiva disse que convencer pessoas a ter menos sexo é mais eficaz do que convencê-las a ter sexo com preservativos. Em Africa. Que é mais fácil convencer um homem a só ter sexo com a esposa do que convencê-lo a usar camisinha quando quer ter sexo com outras mulheres. Portanto, em África. ok.
Comentário por Pedro — Junho 9, 2010 @ 22:52
Nuno, não, a Igreja não é opositora do uso de preservativo. O que se passa é que a resposta da Igreja não passa pelo preservativo, mas sim por uma vida sexual mais criteriosa. A Igreja não é contra o preservativo; diz apenas que o preservativo não é A solução, algo que aparentemente é consensual. Se alguém vai ter uma relação sexual de risco, a Igreja diz para a não ter, não para a ter mas sem preservativo. De resto, as organizações católicas em África devem fazer mais pela educação para defesa do HIV (incluindo quanto à distribuição de preservativos) do que todos os estados. E foi o Nuno que falou de padres e ausência de monogamia na mesma frase.
Não interessa, quem falou de abolir os preservativos? O que se tem falado é que os preservativos não chegam para resolver o problema e é necessário que se vá pelo caminho que a Igreja tem apontado.
Guna, eu perguntava: o que tem V. a ver com a minha vida sexual? e o que tem a minha vida sexual a ver com a propagação da sida em África?
Comentário por Maria João Marques — Junho 9, 2010 @ 23:30
MJM, não há soluções, há prevenções. O preservstivo é uma medida preventiva sendo mais fácil convencer alguém a usar preservativo que alterar um comportamento sexual.
BTW, uma relação sexual de risco pode ser com o companheiro ou companheira (daó o rastreio ser importante – daí que medidas como a do arcebispo tutu sejam de louvar). Mas bare in mind, que um comportamento sexual responsável não passa necessariamente pela monogamia que é a batuta da Igreja. Devem ser apontados os comportamentos de risco a evitar e não o comportamento que toda a gente deve seguir. Há uma diferença fundamental.
Comentário por nuno vieira matos — Junho 9, 2010 @ 23:37
Cara Maria João Marques
Desista: não vale a pena discutir com broncos.
Comentário por A. R — Junho 9, 2010 @ 23:38
Nuno, pelos números da sida em África e pelas reportagens que de vez em quando leio sobre a predisposição dos africanos (sobretudo os homens) para usarem preservativo ou, até, fazerem o teste do HIV, sinceramente acho que o preservativo está a falhar na função preventiva. (Ao contrário de na Europa, por exemplo). Em África, ou se tenta outra via ou se aceita a inevitabilidade de um continente contaminado.
A.R., há que persistir
Comentário por Maria João Marques — Junho 10, 2010 @ 10:01
Em atenção a dois ou três intelectuais de alto gabarito que por aqui comentaram:
Em África, por questões de ordem cultural, há alguma resistência por parte dos homens no que concerne à utilização do preservativo; para além disso, há uma elevada promiscuidade, e muita poligamia. A alteração de comportamentos passa por ter apenas uma parceira sexual, e não pela abstinência sexual. Estou em crer que li algures num estudo o seguinte: para além da recusa do uso do preservativo, há também alguma recusa, por parte de africanos, de serem submetidos a testes ao HIV.
Esta mania de muitos ocidentais de verem o mundo apenas pelo seu prisma, como se os outros povos fossem culturalmente iguais a nós…
Comentário por Luís — Junho 10, 2010 @ 14:27
“14.Nuno, não, a Igreja não é opositora do uso de preservativo. ”
Por acaso gostava que apresentasse um documento oficial da ICAR onde seja considerado moralmente lícita a utilização de preservativo.
A MJM mente – a posição oficial da Igreja Católica é esta: é absolutamente contra o uso do preservativo em todas as circunstâncias, mesmo quando um dos elemntos do casal está infectado com HIV e há o risco de contaminar o conjuge.
Esta é a doutrina oficial.
Qunato ao post, é bastante estúpido – nenhum programa sério de prevenção da Sida excluiu os aspectos comportamentais.
Todos os programas realizados incluem sempre esssa dimensão.
Mas o contrário também é verdade – nenhum programa sério de prevenção da SIDA pode excluír a promoção da utilização de preservativos, especialmente em àfrica, onde a patologia é endémica e a principal forma de transmissão são os contactos heterossexuais.
De resto o post revela pura ignorância.
Comentário por Bluesmile — Junho 10, 2010 @ 14:59
“Se alguém vai ter uma relação sexual de risco, a Igreja diz para a não ter, não para a ter mas sem preservativo.”
Eis outra observação particularmente ignorante. Em àfrica ( e noutros lados do mundo) , todas as relações sexuais são de risco.
Mas são especialmente de risco as relações sexuais no âmbito da conjugalidade heterossexual.
Em boa verdade, em àfrica a maior parte das adolescentes são infectadas nas primeiras relações sexuais com os seus extremosos maridos.
A falsa crença de que ter sexo com virgens cura a Sida não ajuda nada. Na àfrica subsahariana 59% das pessoas que vivem com HIV são mulheres.
Enfim, a estupidez compulsiva desta beatagem irrita-me. Mea culpa.
Comentário por Bluesmile — Junho 10, 2010 @ 15:11