O Insurgente

Maio 12, 2010

Stick’em up!

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Botelho Moniz @ 11:10

A Irlanda cortou drasticamente na despesa pública, incluindo na massa salarial dos funcionários públicos, antes de quem quer que fosse pudesse sugerir a medida. A Grécia acabou por ser obrigada a seguir o mesmo caminho, depois de várias tentativas de fugir à realidade. Agora é a Espanha que toma as mesmas medidas, antes que alguém a obrigue.

Em Portugal, Sócrates, com a provável conivência do líder da oposição, prepara-se para um aumento generalizado de impostos.

Já não se pode confiar em ninguém

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 11:06

O sumo-sacerdote do despesismo europeu vai ser obrigado a fazer significativos cortes no orçamento. Nestas medidas está incluido uma redução de 5% no vencimento de funcionários públicos. Como medidas estruturais irá ser feita uma reforma da legislação laboral e das pensões

ADENDA: O João Miranda faz aqui um resumo das medidas.

O fim da soberania orçamental

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:14

Diário Económico

Depois da política monetária, Estados também perdem a soberania sobre a política orçamental.(…) Segundo a proposta de “Reforço da Coordenação da Política Económica”, que deverá hoje ser aprovada no colégio de comissários, e à qual o Diário Económico teve acesso, Bruxelas quer permitir que uma maioria de ministros das finanças do euro possa exigir a um país a revisão de uma medida de política orçamental, se esta for inadequada aos objectivos europeus.

Como aqui dizia o Miguel Morgado, “a histeria da “solidariedade” (…) [vai] exigir uma União Europeia muito mais centralizada no exercício do poder e com poderes acrescidos de intromissão na vida interna dos estados”. E, muita atenção. A não ser que muitssimo bem balizados (mas que como qualquer legislação podem ser facilmente alterados) não é difícil prever que possam ser invocados pretensos “objectivos europeus” para justificar qualquer tipo de intromissão desde obrigar-nos a gastar menos na rubrica x (para cumprir o PEC), a incluir uma maior dotação para a rubrica y (para cumprir qualquer objectivo da “agenda 2040″) ou impedir a descida do imposto z (para não fazer concorrência aos outros estados-membros). Não sei se era isto que os euro-entusiastas estavam à espera mas é uma consequência lógica do europeismo.

Refúgio

Filed under: Economia,Política — Miguel Noronha @ 08:59

Gold Climbs to Record for Second Day as Euro Risk Fuels Demand

10 000 000 Zimbabwe Dollars

Gold climbed to a record for a second day on investor concern that international financial support for indebted European states will depress currencies.(…)

Gold advanced as the euro extended losses against the dollar on doubts that an almost $1 trillion loan package will be able to prevent Greece’s sovereign debt crisis being repeated in other European states.

“All we can do is to put our money into real assets because paper money everywhere is being debased,” Jim Rogers, Singapore-based chairman of Rogers Holdings, told Bloomberg Television today. “I’m not selling gold forever.”

Maio 11, 2010

Recordando desconhecimentos

Filed under: Política,Portugal — LA @ 23:21

Hoje dei por mim a ver na televisão uma Sra. Deputada do PCP a ser entrevistada na qualidade de relatora da comissão parlamentar de Ética sobre liberdade de imprensa (creio ser esse o nome da comissão).
Rita Rato é o nome da deputada comunista responsável por relatar as conclusões da referida comissão.
Ao ouvi-la falar sobre a diminuição da liberdade de expressão em Portugal recordei-me das palavras da Sra. Deputada do PCP em entrevista ao CM, após ser eleita:

- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?
- Não sei que questão concreta dos direitos humanos…

- O facto de haver presos políticos.
- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.
- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?
- Não, não abordámos isto.
(…)
- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

- Mas foi bem documentado…
- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
- Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…

Tenho a certeza que a Sra. Deputada já satisfez a necessidade de saber mais sobre muitas outras coisas, sobre outras experiências. Como o exercício da liberdade de expressão em países como Cuba ou na Coreia do Norte, referências duradouras do PCP.

Não vai ser fácil

Filed under: Comentário,Diversos,Economia,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 16:46

Depois de reler este texto escrito no meu blogue pessoal, dou-me conta que só falta a inflação para se juntar aos défices e aos impostos que nos estão a cair em cima.

França e Alemanha podem comprometer “rating” de “AAA” com plano europeu

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 14:17

Jornal de Negócios

A Alemanha e França podem comprometer os seus “ratings” AAA , com o plano de estabilização do euro, no valor de 750 mil milhões de euros, que poderá obrigar os dois países a financiarem dívida de Estados com menor qualidade de crédito. A advertência vem de um estratega do UniCredit, que vê semelhanças entre o plano europeu e o “esquema Ponzi”.(…)

O pacote “é uma espécie de esquema Ponzi ao mais alto nível”, refere o estratega do UniCredit, Stefan Kolek, à Bloomberg. Isto porque arrisca gerar mais endividamento “em vez de cortar [o nível de] dívida, na medida que obriga países europeus a comprar dívida dos Estados mais problemáticos”.

Contribuições da igreja católica

Filed under: Livros,Religião — BZ @ 14:13

Em dia de visita do Papa Bento XVI, uma leitura histórica:

IgrejaCatolica_WoodsIgrejaCatolica_Woods2

Vem aí a versão farmacêutica de Copenhaga

Filed under: Economia,Internacional,Nanny State Watch,Política — elisabetejoaquim @ 13:01

A Organização Mundial da Saúde tem uma estratégia global e plano de acção para financiar a investigação, produção e distribuição de medicamentos por todo o mundo, sobretudo para o tratamento de doenças contagiosas nos países pobres.

O financiamento passará pelo lobbying junto dos «países ricos» no sentido de se criar um «imposto ao consumo global», a cobrar sobre a actividade na internet («digital/bit tax»), sobre transações on line, vôos internacionais, etc. A OMS estima que só esse imposto seja capaz de recolher vários milhares de milhões de dólares.

Ler a notícia completa aqui.

Um Papa notável

Filed under: Diversos,Portugal,Religião — Maria João Marques @ 12:47

O (verdadeiro) problema português

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:36

“The crisis: a view from Portugal” de André Azevedo Alves no IEA blog

Apart from the far-left parties (which have an electoral weight of close to 20% and hold radical anti-capitalistic views) there is a large social-democratic consensus in Portuguese society favouring Keynesian views that is shaken only by the prospect of imminent financial collapse. The Keynesian consensus pervades most political, media and academic contexts and leads to a dangerous state of denial and to blaming external agents (greedy faceless speculators, the US, the ECB or even Germany) for the crisis.

Aconselho a leitura integral deste post

Este título não soa lá muito bem

Filed under: Media — Miguel Botelho Moniz @ 12:13

Telefónica diz o que a PT pode fazer aos 5,7 mil milhões

Ainda vamos ver o Queiroz a queixar-se de ser shortado

Filed under: Desporto,Media — Miguel Botelho Moniz @ 12:11

Goldman Sachs afasta Portugal da conquista do título no Mundial

Pedro em Portugal

Filed under: Diversos — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:02

Sou pouco dado a adversativas na minha condição de católico. Não se é católico mas, como se as nossas opiniões e dissensões, pelas quais respondo e responderei, pudessem ser fundamento para atenuar a fé que me faz católico. Com elas, mas sem adversativas, estarei na celebração eucarística presidida por Pedro no Terreiro do Paço.

Shorting on Moral Hazard

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 12:02

No Zero Hedge

Zero Hedge has received confirmation that several of the largest French banks are now actively shorting the euro to take advantage of globalized moral hazard, which with every ensuing bailout does nothing but make the bonuses of French FX traders surge. In other words, the very banks that Europe is bailing out are betting more and more aggressively with each passing day against Europe’s own survival! Even George Soros has shed a tear of pride in how beautifully his initial plan to take on the BOE has mutated for the Bailout Generation.

(…)l French banks (and now US hedge funds), are succeeding, as the last traces of this weekend’s $1 trillion bailout are long forgotten: futures are plunging, Asia is collapsing, the EURUSD is probing a 1.26 handle and we see it easily going back down to 1.25, even as gold surges.

We anticipate another record bailout to be announced by Europe within the month as Europe now has no other choice. And each subsequent bailout will only lead European banks to bet even more aggressively against the survival of Europe, which destroys more and more European taxpayer capital. Welcome to Global Moral Hazard.

Nuestros hermanos

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 11:17

Antes de mais queria agradecer à Telefonica sem a qual o panorama estaria bastante mais negro hoje.

E ao segundo dia… (2)

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 11:05

Diário Económico

O preço dos ‘credit default swaps’ (CDS) sobre obrigações do Tesouro a cinco anos subia 18,5 pontos base para os 273 mil euros, segundo dados da Bloomberg, depois de ter ontem afundado 42 pontos.(…)

Os receios dos investidores de que o megafundo da União Europeia, de até 750 mil milhões de euros, seja insuficiente para travar a crise de dívida na zona euro está a fazer subir os indicadores de risco da dívida nacional.

A pesar no sentimento dos investidores está também o novo alerta do FMI. O número 2 do Fundo Monetário Internacional, John Lipsky, disse que Portugal deve focar-se em reduzir o seu défice orçamental, no seguimento dos esforços para conter a crise de dívida na zona euro.

E ao segundo dia…

Filed under: Economia,União Europeia — Miguel Noronha @ 08:47

Será que o mercado já está a largar o euro: Euro Erases Gains as Bailout Optimism Ebbs

The euro lost all of yesterday’s gains on concern the almost $1 trillion lending plan to bail out indebted nations in Europe will fail to avert a slowdown in the region.(…) “Markets realized quickly that this crisis won’t be cured by adding liquidity, no matter how big it is,” said Toshihiko Sakai, head of trading for currencies and financial products at Mitsubishi UFJ Trust & Banking Corp. in Tokyo. “The structural problems of the euro zone will persist. I’m not surprised at all the euro is losing strength again.”

Maio 10, 2010

Bento XVI em Portugal

Filed under: Internacional,Portugal,Religião — André Azevedo Alves @ 23:41

Bento XVI em Portugal

Viagem Apostólica de Sua Santidade Bento XVI a Portugal
no 10º aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, Pastorinhos de Fátima (11‑14 de Maio de 2010)
PROGRAMA

(mais…)

De Margaret Thatcher a David Cameron

Filed under: Cultura,Economia,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 23:32

Margaret Thatcher: Free Society Speech (1975)

Thatcher: “No! No! No!”

Thatcher’s Last Stand Against Socialism

FALTAM THATCHERS. Por João Gonçalves.

O sr. Cameron, que deverá ser o próximo 1º ministro britânico, parece mais um daqueles produtos do “pingo doce venha cá” que comandam o mundo, uns brancos e outros mais escurinhos. Muito penteadinho, moderadamente redondo de corpo por causa das fibras e das bicicletas, repetidor de lugares-comuns que Blair aplaudiria, Cameron corporiza a moleza indistinta que caracteriza o presente mando global.

(…)

as democracias ocidentais, entregues a vulgares manequins irrelevantes, a nuvens de cinza vulcânica e a uma crise económica e financeira endémica, declinam. E até no declínio não revelam a grandeza de outros tempos e de outros declínios, por exemplo, tão maravilhosamente descritos por Gibbon. Pulido Valente sugere que falta uma Margaret Thatcher. Faltam muitas e em todo o lado.

David Cameron exposed

Bom senso em estado puro

Filed under: Blogosfera,Desporto,Política,Portugal — ruicarmo @ 22:28

Por João Gonçalves, no Portugal dos pequeninos:

A D. Ana Paula Vitorino – que perdeu o lugar do betão para o dr. Mendonça – quer explicações de Sócrates acerca da “técnica da meia-dose” de TGV assinada outro dia. Diz ela que, assim, não vale a pena e é “incoerente”. Por seu lado, Alegre, cuja tonteira política aparenta não ter limites (e temos um ano desta desgraça ambulante pela frente), veio colocar uma fraldinha ao 1º ministro (por quem ele, de repente, sentiu uma atracção que nunca dantes se tinha notado) porque Cavaco referiu que era preciso confiar no ministro das finanças. Finalmente o edil Costa, de Lisboa, que se tem distinguido por não fazer nada, aparece agora preocupado com a falta da terceira ponte da mesma forma que também se havia amofinado com os contentores de Alcântara, tudo coisas indispensáveis para a vida quotidiana dos lisboetas. O PS começa a tornar-se num partido interessante. O kim-il-sunguismo socrático, para além dos acéfalos indefectíveis e de adesivos oportunistas como Alegre, já não é o que era. Mesmo assim ainda é de mais.

Adenda: Afinal enganei-me acerca do alcaide Costa. Ouviam-se grunhos vindos dos Paços do Concelho e, já em casa, percebi que, afinal, Costa sempre faz qualquer coisa – recebe clubes de futebol e pessoas com uma águia no ombro que, infelizmente, não consta que tivesse defecado in loco como lhe competia. Vieira, o presidente do dito clube, mereceu o tratamento carinhoso de “Luís Filipe” e uma caravela. Depois foram todos para a balaustrada da CML, aos pulos como vulgares símios, para contentamento dos outros símios lá em baixo. Nunca lamentei tanto não ter um um senhor como presidente da CML. Um senhor como Rui Rio, por exemplo.

David Cameron e o UKIP

Filed under: Internacional,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 20:00

Uma boa pergunta: Why does David Cameron prefer to deal with the Liberal Democrats after an election than with UKIP before?

Overdose

Filed under: Economia,Internacional,Política — elisabetejoaquim @ 19:55

Trailer aqui.

Do que é que precisamos: mais ou menos “Europa”?

Ontem, “celebrou-se” (por assim dizer) o “Dia da Europa”. Ao contrário do que os euroentusiastas mais excitadas gostariam, os tempos não estão para grandes festas, e as “celebrações” passaram ainda mais despercebidas dos “europeus” do que é usual. Preocupados em evitar que a Grécia rebente (ainda mais) e outros países apanhem com os estilhaços, nem mesmo os propagandistas do costume gastaram muito tempo a falar das maravilhas da “união”. No entanto, de forma mais ou menos envergonhada, lá aproveitaram as reuniões de emergência para o “salvamento” da Grécia para nos explicarem como todo o tumulto é a prova de que precisamos de “mais Europa”.

O raciocínio desta gente é simples: a crise actual mostra como “os problemas de hoje” são “problemas globais”. E, dizem-nos, “problemas globais” requerem “soluções globais”. As “complicações” (para ser generoso) enfrentadas pela Grécia (e, não esqueçamos, Portugal) mostram, continua o argumento, como nenhum país tem capacidade para enfrentar crises como a actual sozinho, e portanto, como “construções” como a União Europeia são indispensáveis no “mundo globalizado de hoje”.

Mas e se a actual crise, o que mostra, realmente, é que “soluções globais” são a pior opção possível? E se o que a crise mostra é como precisamos de menos “Europa”, em vez de uma “maior e mais profunda intergração”? Há algum tempo, no New York Times, David Brooks pegava na “gripe A” (ainda se lembra, caro leitor?) e colocava a mesma pergunta aos que, tal como os europeístas de hoje, procuram “soluções globais para problemas globais”: “a couple of years ago”, escreve Brooks, “G. John Ikenberry of Princeton wrote a superb paper making the case for the centralized response. He argued that America should help build a series of multinational institutions to address global problems. The great powers should construct an “infrastructure of international cooperation … creating shared capacities to respond to a wide variety of contingencies.” If you apply that logic to the swine flu, you could say that the world should beef up the World Health Organization to give it the power to analyze the spread of the disease, decide when and where quarantines are necessary and organize a single global response. If we had a body like that, we wouldn’t be seeing the sort of frictions that are emerging from today’s decentralized approach. Europe has offended the U.S. by warning its citizens not to travel across the Atlantic. Ukraine is restricting pork imports. Europe could hoard flu vaccines, leaving the U.S., which has only one manufacturing plant, high and dry. Fear of a pandemic could lead to a restrictionist race, as nations compete to curtail movement and build walls. Those dangers are all real. Yet, so far, that’s not the lesson of this crisis. The response to swine flu suggests that a decentralized approach is best. This crisis is only days old, yet we’ve already seen a bottom-up, highly aggressive response. In the first place, the decentralized approach is much faster. Mexico responded unilaterally and aggressively to close schools and cancel events. The U.S. has responded with astonishing speed, considering there are still few illnesses and just one hospitalization (…) A single global response would produce a uniform approach. A decentralized response fosters experimentation. The bottom line is that the swine flu crisis is two emergent problems piled on top of one another. At bottom, there is the dynamic network of the outbreak. It is fueled by complex feedback loops consisting of the virus itself, human mobility to spread it and environmental factors to make it potent. On top, there is the psychology of fear caused by the disease. It emerges from rumors, news reports, Tweets and expert warnings. The correct response to these dynamic, decentralized, emergent problems is to create dynamic, decentralized, emergent authorities: chains of local officials, state agencies, national governments and international bodies that are as flexible as the problem itself.”

Tal como a “gripe A”, a crise económica mostra como vivemos num mundo de imprevisibilidade e risco. E tal como Brooks, tenho sérias dúvidas que “respostas globais”, ou “europeias”, sejam a melhor forma de viver num mundo como o nosso. Não seria melhor termos uma diversidade de respostas aos problemas, em vez de caminharmos todos para o abismo? não deveríamos nós aceitar a natureza imprevisível, caótica, arriscada, do mundo globalizado de hoje, ee correr o menor número de riscos possível na configuração dos próprios arranjos políticos. Precisamente por os riscos de qualquer decisão serem enormes, não só para quem a toma como para todos os outros, deveremos limitar, não o número de pessoas que tomam decisões, mas o número de pessoas sujeitos a um só decisor: se eu e o meu vizinho fizermos duas apostas diferentes, pode acontecer que eu perca, mas que ele ganhe. E mesmo que o facto de eu perder possa ter impacto sobre o ganho dele, o que é verdade é que ele ganhou alguma coisa, minorando o impacto que a minha perda possa ter nele; se o “Grande Regulador” fizer uma aposta em nome dos dois, ambos vamos perder o mesmo, sem nada que sirva de almofada a qualquer um de nós. E sim, é verdade que a nossa tendência para copiarmos as respostas que os outros dão significa que, muitas vezes, estamos a copiar respostas erradas. Mas também significa que, outras vezes, estamos a copiar respostas certas. Se um “Grande Regulador” der as respostas por todos nós, ou decidir qual o leque de respostas admissíveis, todos beneficiaremos quando ele tiver razão, mas o impacto de uma resposta errada será também muito maior, porque todos estarão errados.

A “Europa”, como seria de esperar, não está a seguir por este caminho. De certa maneira, a opção europeia é inevitável: como explicava o Miguel Morgado há dias, a única forma de salvar o euro será através de maior “integração” (o termo em EUROSOC para “subordinação nacional a Bruxelas”). Mas como o próprio Miguel notava, o facto de uma política “salvar” o euro não significa que ela não crie outros problemas, eventualmente mais graves e mais dificeís de resolver. A “saída” europeia da crise corre o risco de ignorar a principal lição que se deveria tirar da dita crise: a imprevisibilidade do nosso mundo, e a irracionalidade de algumas das nossas decisões, são factores que não podemos dispensar ao pensarmos acerca de como deverão ser os nossos arranjos políticos. Mas devemos considerar ambos igualmente, e levá-los a sério: deveremos perceber que todos podemos fazer escolhas erradas, e perceber que qualquer escolha pode ter consequências imprevisíveis. E que por isso, será melhor que o processo de escolha seja o mais disseminado possível, para que ninguém possa escolher por todos, para que o impacto de uma escolha errada seja o menor possível. “Mais Europa” é precisamento um exemplo do que não precisamos.

Momento zen na SICN

Filed under: Media,Política,Portugal — elisabetejoaquim @ 18:52

Mais um episódio que atesta a estranha relação entre jornalismo e politicamente correcto, hoje no Opinião Pública.

Jornalista para o comentador: «Aqui este telespectador elogia o sistema da Suíça mas de toda a maneira não se compara de todo à situação que vivemos na União Europeia. É um mundo à parte. E muitas vezes não é um bom, não é? [riso condescendente]»

Tiago Caiado Guerreiro: «Sim, os suíços são muito crus: lá é ou trabalhas ou não comes [jornalista com sorriso amarelo]. E é por isso que é um país rico [jornalista perde o sorriso]. Aqui, nós privilegiamos quem não trabalha, damos subsídios a quem não trabalha, damos casas às pessoas que não trabalham, damos acesso aos hospitais às pessoas que não trabalham e penalizamos as pessoas que trabalham: quanto mais você trabalhar, mais penalizado é, mais impostos… [jornalista interrompe com cara de quem se sente na obrigação moral de reorientar a conversa]

«Mas numa situação de crise, se calhar existiria aí muita injustiça não é?, se não existisse um suporte solidário.»

TCG: «O sistema português não está orientado para a solidariedade, está orientado para o voto. Na Suíça quem precisa mesmo de apoio, os deficientes, os idosos, têem-no. Aqui nós apoiamos os que não querem trabalhar, os preguiçosos, e penalizamos os que se esforçam, que pagam todos os serviços (…). Temos por outro lado uma classe política que cria uma clientela com imensos privilégios…»

Depois de vários ouvintes que elogiam o comentador e esperam que o «coitado não seja despedido pela coragem», a jornalista pede ao último ouvinte que fale muito rápido porque já não há tempo e quer «voltar à conversa dos subsídios» com o comentador:

«Diziámos há pouco que subsidiamos pessoas que não querem trabalhar mas há que salientar que há pessoas que não trabalham porque não conseguem e creio que são bastantes, não é?» [entoação retórica que o comentador compreende como um diz que sim or else], e jornalista que assim rematou «conversa» dos subsídios segue para outro tema (consolidação orçamental) sem esperar pela resposta do comentador.

Mas o comentador é um chato, e realmente tem coragem, e realmente pode vir a ser despedido, e consegue na resposta meter um ainda mais chocante «há maneira de fazer isso sem subsídios, eu sou contra subsídios».

Um manifesto bestial

Filed under: Blogosfera,Economia,Educação,Media,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 17:11

Um manifesto que vale mais do que mil avaliações burocráticas para compreender o lamentável estado de grande parte da academia nacional: Recordando o manifesto pela despesa pública (mais uma vez). Por João Miranda.

Uma lista de signatários que convém não esquecer e da qual, tanto quanto sei, apenas um dos integrantes – Carlos Santos – evidenciou claros sinais públicos de arrependimento:

(mais…)

You’ll dance to anything

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:56

O Partido Socialista apoia as decisões do governo para controlar o défice. Sem nunca referir o apoio ou não do PS a um eventual aumento dos impostos, tal como já admitido pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, Augusto Santos Silva disse que no que toca às medidas a tomar pelo governo para garantir a redução do défice orçamental tem apenas a certeza de que “não haverá quebras de compromissos eleitorais”, garantiu o dirigente socialista no final da reunião do Secretariado Nacional dos socialistas.

Sem qualquer problema. O mesmo grupo parlamentar que ovacionou Ricardo Rodrigues depois deste ter furtado os gravadores aos jornalistas é capaz de encaixar qualquer coisa. Tal como no caso anterior, espero também um apoio entusiastico dos mesmos “abrantes” que antes escreviam tiradas entusiasticas a cada leilão de dívida pública.

Le TARP

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 16:47

David Zervos no Real Time Economics

In the end, this has got to be a sad day for the ECB which has now seen its mandate altered by the greater powers of the EU. The rules of the game have just been changed in Europe and it remains to be seen how the market will like an ECB which has just lost a great deal of its independence. My quick thoughts on markets are as follows: great for risk assets, terrible news for bunds, great news for southern European bonds, bad news for the flight to quality UST trade, and ultimately terrible news for the EUR. Maybe the EUR tries to rally on this, but it the end this bailout has done nothing positive for the EUR. The market will inevitably look at the ECB as being forced by the EU to monetize the debts of EU rogue nations…To sum up, this is TARP mach 2 (or le tarp), we now have a firm commitment by the Europeans to the reflation trade.”

Leiam também este conjunto de reflexões (e links) do Tyler Cowen.

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 16:27

Esta semana, em destaque o blog Real Time Economics.

Read my lips (2)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:41

“Como tudo mudou em alguns meses” (por vezes bastou uma semanita), uma interessante compilação do Diário Económico

Um sério aviso

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 15:30

Mais um artigo no IEA blog (que com vêm realçar o que já aqui tinha escrito)

European leaders have only bought time – the crisis is not over yet. Of course, the governments of PIIGS countries no longer need to borrow money at steadily rising interest rates and the threat of default is off the agenda. However, the problems of high and unsustainable deficits and deteriorated competitiveness in some euro area countries have not diminished.

All countries of the eurozone, especially the PIIGS, still need to cut their huge structural deficits and to reduce their debts. Greece must stick to her austerity measures. The differences in competitiveness and the resulting current account imbalances within the euro area have to be adjusted through greater labour market flexibility. Moreover, the credibility of the ECB to curb inflation needs to be restored after today’s announcement that it will monetise government debts. Unless urgent action is taken to deal with these problems, the crisis could re-emerge in even more dramatic form. It might not be possible to rescue the euro again.

Uma visão bem mais pessimista no Zero Hedge.

The European Union and the bailout

Filed under: Economia,Internacional,Justiça,Media,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 13:50

Euro bailout: has Germany opened a Pandora’s box? Por Malte Tobias Kähler.

The Austrian Business Cycle Theory (ABCT), developed largely by Ludwig von Mises and F. A. Hayek, predicted the present crisis and explained its causes in advance. Many commentators aware of this theory warned that after the real estate bubble went bust, a new one would form in the sovereign debt markets. Expanding fiscal budgets in a recessionary environment would ultimately lead to a situation in which highly indebted governments needed a bailout. For Greece and the other PIIGS (Portugal, Ireland, Italy, Greece and Spain), that burden now largely falls on their friends and allies within the European Union.

Chancellor Angela Merkel has tried to calm things down. Recently portrayed by the media as la Madame Non, she hesitated to confirm German aid, but eventually gave in. And this is despite the fact that such financial aid appears to constitute a breach of European Law (§125 of the Treaty on the functioning of the European Union clearly states that the Union shall not be liable for or assume the commitments of central governments of any member state). A group of respected economists and lawyers are therefore questioning the legitimacy of bailouts in the highest German court, the Bundesverfassungsgericht. The same individuals fought but lost their case against the introduction of the euro in 1998. This time, however, they insist on their position, for otherwise the bailout might turn the “European Union into an inflationary union.”

Indeed, giving financial aid to Greece and the other PIIGS means not only breaking the very principles on which the eurozone was once founded; it also means opening a Pandora’s Box.

Uma pequenita dúvida

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:38

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje “sem precedentes” na história da União Europeia e do euro o pacote de 750 mil milhões de euros aprovado em Bruxelas para proteger a moeda única.

Quem é que vai entrar com o graveto?

É isto, não é?

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:58

Até agora as medidas anunciadas pelo governo para reduzir a despesa pública têm carácter transitório e avulso. Daqui se conclui que o governo encara as origens da crise como uma perturbação exógena e conjuntural. Dir-se-ia que somos uma economia extremamente competitiva que tem registado altas taxas de crescimento nos últimos anos. O futuro é risonho e não há qualquer problema estrutural.

Read my lips

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:47

Diário Económico, 01/10/2009

A retoma da actividade e o recuo dos estímulos à economia serão, por si só, suficientes para corrigir o défice orçamental, disse Fernando Teixeira dos Santos ao Diário Económico.

Diário Económico, 10/05/2010

O primeiro-ministro anunciou a redução do défice para 7,3% em 2010. Para isso, o Governo está a estudar o aumento do IVA e um novo imposto sobre salários.(…)

Uma possibilidade é aumentar o IVA em um ou dois pontos percentuais. A avaliar pelas receitas do passado, cada ponto do IVA permite arrecadar quase 600 milhões de euros por ano. Tendo em conta que a medida já só teria efeito em cerca de metade deste ano, o Executivo não poderá contar com mais de 300 milhões de euros por cada ponto de subida.

A outra possibilidade é criar um imposto especial sobre os salários. Por exemplo, o subsídio de Natal poderá ser taxado de acordo com um imposto autónomo e pontual, apenas para este ano. Segundo uma fonte próxima do Governo, o objectivo é que quaisquer que sejam as novas medidas, elas afectem o conjunto da população e não apenas os funcionários públicos. Recorde-se que a Grécia já eliminou o 13º e 14º meses da função pública.

Liberdade ou segurança

Filed under: Nanny State Watch,União Europeia — Carlos M. Fernandes @ 00:02

Houve alguém que disse: quem aceita trocar liberdade por segurança não merece uma coisa nem a outra e acaba por ficar sem as duas. Se pensarmos em segurança no sentido lato, podemos ver na falência do modelo social europeu (Estado Social, Estado-Providência, Welfare State, chamem-lhe o que quiserem) uma demonstração empírica da teoria. Os europeus, inebriados pela promessa de bem-estar eterno, abdicaram do controlo das suas vidas, entregaram-no ao Estado sem hesitar, e no processo reforçaram outra tese: doutrinar os seres humanos é de uma facilidade absurda (E.O.Wilson). Agora, o tal bem-estar ausentou-se para parte incerta e a liberdade não será recuperada tão cedo. Se aceitarmos a sentença em cima referida, há que reconhecer que os europeus não merecem outra sorte. Só é pena que grupos privilegiados de cidadãos, com os seus “direitos adquiridos” bem blindados, continuem a conseguir fintar a derrocada. E que as gerações que pouco o nada aproveitaram do repasto tenham também que pagar a conta. A maior fatia da conta.

Brincar com o fogo

Filed under: Economia,Internacional,Justiça,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 00:01

British taxpayers ordered to bail out euro

All 27 EU finance ministers have been summoned to Brussels on Sunday to sign up to a “European stabilisation mechanism. Britain will be unable to veto this as it will be put through under the “qualified majority voting” system.

The deal, effectively to shore up the euro, was denounced as a “stitch-up” last night after it emerged Nicolas Sarkozy, the French President and Angela Merkel, the German Chancellor, had devised it behind closed doors and were attempting to push it through at a time when there is no clear government in Britain.

It was declared a “done deal” by the 16 euro zone leaders who met in the early hours of Saturday morning.

(…)

“When the markets reopen Monday we will have in place a mechanism to defend the euro,” said President Sarkozy yesterday. “This is a full-scale mobilisation.”

Euro-zone leaders are attempting to get round objections from countries such as Britain by invoking Article 122 of the Lisbon Treaty, intended to enable a collective response to natural disasters. This does not need unanimous agreement.

By doing so, Mr Sarkozy has ensured a speedy confrontation with a new British prime minister and other leaders of non-euro currency countries. All 27 EU finance ministers must be present, but because decision will be taken by qualified majority vote, the 16 euro zone leaders can ensure its passage.

(via LR: Isto vai acabar mal)

Maio 9, 2010

A crise e os túneis

Filed under: Cultura,Desporto,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:54

Sem TGV, mas com o contributo de vários túneis, acabou hoje a crise para milhões de portugueses.

Asneiras em serie

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 22:32

Plans for a European credit-rating authority are already under consideration at the European Commission, the bloc’s Brussels-based executive agency. It also is investigating whether ratings companies such as Standard & Poor’s wield too much power over investors’ perceptions of governments.

Asked whether steps to stem speculation against government bonds would include restrictions on short sales or credit default swaps, European Commission President Jose Barroso said “some of the points you have mentioned will be contemplated.”

32º

Filed under: Diversos — Miguel Noronha @ 20:59

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