“Com uma moeda única, um ajustamento a choques requer ajustamento nos salários relativos – e como os países da periferia europeia passaram do crescimento à crise, o seu ajustamento tem de ser feito em baixa”, diz Paul Krugman no seu blogue do Wall Street Times, de que é colunista. “Neste altura, os salários na Grécia/Espanha/Portugal/Lituânia/Estónia, etc., precisam de cair qualquer coisa como 20 a 30% face aos salários relativos na Alemanha.”
Maio 18, 2010
Banco de Portugal desmente governo
Principais conclusões do relatório anual do BdP.
- Não se verificou redução dos funcionários públicos em 2008 e 2009;
- Despesa com vencimentos continuou a crescer em termos absolutos e em % do PIB;
- Crise não foi a principal responsável pela “explosão” do défice orçamental;
- Problemas orçamentais são estruturais e não conjunturais decorrentes do crescimento excessivo da despesa corrente primária;
- PEC (mesmo na versão revista) não altera desequilibrios
- Mesmo que se verifiquem as previsões macroeconómicas do governo poderão não ser atingidos os objectivos da receita e despesa.
Folgo que a recente nomeação do Dr. Vítor Constâncio para o BCE lhe tenha despertado um sentido crítico que parece ter andado vários anos em semi-reforma num qualquer paraíso fiscal.
Encontro com a realidade
“The death of the European dream” de Gideon Rachman (Financial Times)
With the enactment of the Lisbon treaty late last year, some European leaders allowed themselves to dream of a new world order – one in which the European Union was finally recognised as a global superpower, to rank alongside the US and China.(…)
However, the European economic crisis has made life much harder for those Americans or Asians who want to argue that the rest of the world should learn from Europe. Last week I met a member of the Japanese establishment who was guffawing at the idea that his prime minister had ever believed that Europe could be some sort of model. In the US, the European financial crisis has been seized upon by conservatives, who argue that Mr Obama’s alleged embrace of European-style “socialism” will bankrupt America.
While the EU’s foreign admirers are on the defensive, international Eurosceptics are in the ascendancy. Charles Grant, head of the Centre for European Reform, a pro-EU think-tank, says he has been struck on his recent travels by the growing disdain for Europe in Delhi, Beijing and Washington. “We’re seen as locked into permanent economic and demographic decline, and our pretensions to hard power are treated with contempt,” he laments.
A few years ago Jeremy Rifkin, an American author, published a book called The European Dream, which made a great splash in Brussels. Mr Rifkin, who perhaps not coincidentally also wrote a book called The End of Work, argued that Europe was a model for the future. “While the American spirit is languishing, a new European dream is being born,” he wrote. “It is a dream far better suited to the next stage in the human journey – one that promises to bring humanity to a global consciousness befitting an increasingly interconnected society.”
Reading those words today, I don’t know whether to laugh or cry.
Quais medidas de austeridade?
austeridade
(latim austeritas, -atis)
s. f.
1. Qualidade de austero.
2. Cuidado escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos ou deleita a concupiscência.
3. Severidade, rigor.
Agradeço um desenho, uma caixa de areia ou assim. É que para já não vejo medidas de austeridade nenhumas, só mais impostos e gastar como se não houvesse amanhã.
Maio 17, 2010
Em dia de tango, também há tropa fandanga

Em tempos de centenário da imposição da república, foi particularmente delicioso assistir a um presidente da república, em pleno prime-time, assumir de sua iniciativa e vontade a incapacidade orgânica em decidir algo de institucionalmente consequente.
Nem sequer em relação à possibilidade de um lobby aceder a um papelucho com a chancela da respectiva repartição da república (porque para casamento – se algum dia lá chegarem – ainda vai faltar um bom bocado, minhas jóias).
Depois de uma semana com o papa a abençoar os espectros da tralha primo-republicana no terreiro do paço (à sombra de D. José, marioneta da república à là Cromwell portuguesa), e a mobilizar em largos números o povão que teima em falhar as cerimónias da dita efeméride pergunto-me, até lavar os cestos, o que ainda estará para vir.
Mercado mau
«Eles estão-nos a atacar forte e feio!». «Estão-nos a atacar mais a nós!»
Fátima Campos Ferreira sobre o “ataque dos especuladores a Portugal”, agora no Prós e Contras.
Extinga-se a Presidência da República
Foi, de facto, uma estranha leitura presidencial do sempre potencialmente escorregadio conceito de “ética da responsabilidade”: Ética da responsabilidade. Por Carlos Loureiro.
Se o presidente se recusa a exercer os poderes para que foi eleito, assinando de cruz um diploma com que não concorda, apesar de gastar 3941 caracteres e meios públicos não integrados no orçamento para os ler em voz alta (para não referir tudo o resto), parece-me que a ética da responsabilidade aqui invocada deveria justificar – para não desviar “a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas” e para evitar “o agravamento das situações de pobreza” e ajudar resolver “a situação que o País enfrenta devido ao elevado endividamento externo e outras dificuldades que temos de ultrapassar” – a imediata extinção do órgão de soberania “Presidência da República”. O pais não notaria grande diferença e sempre se reduziam 21.000.000 de euros na rubrica da despesa pública.
Bento XVI em Portugal
Uma muito completa e recomendável lista de links relativos à visita de Bento XVI a Portugal: Peregrinação do Papa Bento XVI a Portugal (Maio de 2010) (via Pedro Picoito, com quem partilho o problema de ainda não ter tido disponibilidade para escrever sobre a visita do Papa a Portugal).
Este é o momento de darmos as mãos
Em entrevista às TVs, Helena André, a Ministra do Trabalho, diz ter noção que medidas de austeridade vão ter impacto negativo sobre o emprego, e já tem uma estratégia bem definida para «melhorar ao máximo esse impacto negativo»:
- «podemos começar a ter algumas perspectivas positivas relativamente ao emprego»;
- «tentar procurar com as medidas que existem no terreno sobre essa matéria melhorar os seus efeitos»;
- «estar preprado para tudo»
- «cerrar fileiras»
- «dar as mãos»
Um acontecimento importante
Daqui a bocado, o Presidente de todos os portugueses vai falar ao país.
Na imagem, Scarlett J. está a arrumar o frigorífico que deixei em alvoroço, antes de ouvir o que o senhor tem para nos dizer.
Os reis do terceiro mundo
Bela dupla hoje na Antena Aberta da RTPN. Camilo Lourenço e Tiago Caiado Guerreiro analisaram as chamadas medidas de austeridade decididas pelo governo e chegaram à conclusão que Portugal é um país de terceiro mundo; que pensa poder enganar os mercados; cuja classe política não tem interesse em reduzir a despesa corrente (que pesa 75% da despesa total); e cuja função pública é um peso morto (70% do que é produzido pelo sector público são serviços entre o próprio sector público). Por fim deixaram a aposta de que a reacção da Moodys às medidas será uma nova baixa do rating.
O que a dupla está a descurar e que certamente influenciará positivamente a avaliação da Moodys é que o nosso primeiro ministro continua muito satisfeito consigo mesmo. Inspirado pelo espírito de partilha da semana passada, Sócrates tirou ontem um tempinho para explicar a uns empresários reunidos em Madrid que isso do investimento dos privados é tudo muito bonito mas que sem investimento do Estado a coisa não vai lá, e indicou, evidentemente, Portugal como um exemplo a seguir.
A Moodys que descanse. Num país de terceiro mundo não existem verdadeiras alternativas dentro da classe política, mas no nosso país as coisas estão sob controlo: Jerónimo de Sousa acabou de se chegar à frente para comandar o barco.
Servidão fiscal
Henrique Raposo no Expresso online
Perante nova crise, Sócrates recorreu ao instrumento do costume: a máquina fiscal que oprime a sociedade com 133 dias (ou já serão 140?) de trabalho-para-o-estado. Cortar na despesa do Estado? Nem pensar. Isso seria entrar no terreno dos “economicistas insensíveis” – a tradução ideológica do “não se fala de dinheiro à mesa”. Como costuma dizer Tiago Caiado Guerreiro, o Estado está cada mais rico e cheio de vícios, enquanto a sociedade está cada vez mais pobre e oprimida por esta servidão fiscal
Outra vez errado
O PSD faz muito mal em recusar a proposta de Luís Amado sobre a imposição de limites constitucionais ao défice e endividamento públicos. Contrariamente ao que diz Miguel Relvas não se trata de “uma visão muito socialista que tem a atitude e o pressuposto que tudo deve ser regulamentado“. Trata-se de limitar a acção e crescimento do Estado e defender a liberdade dos individuos contra o gigantismo e as intromissões do estado social.
O “novo” PSD só se alia ao PS quando não deve. Para que serve este PSD?
A herança socialista em Portugal
Portugal caminha a passos largos para atingir a maior carga fiscal de sempre. Se as previsões do Governo se concretizarem, a partir de 2011 os portugueses já terão de entregar à Direcção Geral dos Impostos e à Segurança Social cerca de 38,7% de toda a riqueza produzida internamente, um valor que nunca antes tinha sido alcançado.(…)
Esta conta, feita com base no PEC e nas previsões de receita adicional já reveladas pelo Executivo, apenas contabiliza os impostos directos e indirectos e contribuições sociais. Se itens como as receitas de capital – entre as quais se contam, por exemplo, vendas de património – fossem levadas em conta, o fardo sobre a economia escalava até ultrapassar os 43% do PIB.
Endoideceram…
Numa entrevista publicada hoje no jornal alemão Handelsblatt, George Papandreou afirmou que vários líderes europeus escreveram ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pedindo o fim dos controversos CDS (‘credit default swaps’).
Na mesma entrevista o PM grego pedia aos investidores que não lhe cortassem o crédito.
E agora, a Itália
Sabendo que será, depois da Grécia, Espanha e Portugal, o próximo alvo dos mercados a Itália prepara-se para fazer cortes no orçamentais.
E daí?
Colóquio – 19 de Maio no Campus da Foz da Católica, Porto
No programa do colóquio de lançamento e apresentação do novo MPA da Universidade Católica (Porto) em parceria com a Universidade de Aveiro, destaco a conferência de Nils Karlson, Presidente do Ratio Institute e um dos mais conhecedores e influentes agentes nas reformas políticas que têm vindo a concretizar-se na Suécia nas últimas duas décadas.
Entrada livre. Mais informações aqui.
Barbárie
Infelizmente, neste caso não parece tratar-se de uma notícia falsa e o mais grave é que este tipo de comportamentos começa a tornar-se rotineiro em Portugal: D. Chaves-F.C. Porto: veículos de adeptos apedrejado – Um autocarro e vários carros pessoais atacados em Lisboa
Alguns veículos que transportavam adeptos do F.C. Porto e Desp. Chaves foram apedrejados em Lisboa, à saída da CRIL para a Segunda Circular, em Lisboa. Entre eles estava um autocarro com adeptos do F.C. Porto, mas também vários carros pessoais, onde seguiam adeptos das duas equipas de regresso ao norte.
Maio 16, 2010
(Princípio de) Alternativa à institucionalização
As famílias que se disponibilizarem a entrar no programa recebem, no mínimo, 622 euros por mês.
De fora ficam as famílias que tenham de facto relação de parentesco com os idosos e as famílias sem «boas condições financeiras», para assim «evitar casos de aproveitamento».
Em destaque: A Casa de Sarto
Esta semana em destaque n’O Insurgente: A Casa de Sarto
Uma vitória em Oeiras
A vitória na Taça de Portugal atenua – mas obviamente não anula – o que foi inequivocamente uma má época do FC Porto.
Só lamento que, mais uma vez, a final se tenha realizado no estádio que mais simboliza a macrocefalia e o centralismo atávico que tanto contribuem para atrofiar Portugal.
Católicos ignoram instruções de Fernanda Câncio
Deus nos livre dos católicos. Por Pedro Picoito.
Pelo que li aqui, Fernanda Câncio está indignada com a profaníssima euforia dos padres e freiras que se encontraram com o Papa na igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, há três dias.
(…)
Então agora os senhores padres e as senhoras religiosas põem-se a aplaudir o chefe da Igreja Católica Apostólica Romana? Valha-nos Deus! (Se me é permitido invocar o nome de Deus em vão, talvez sob anátema dos especialistas do protocolo divino.) Mas onde é que isto vai parar? Ninguém no Vaticano, na Conferência Episcopal ou na Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta explicou aos curas e às freirinhas que o Papa não é popular? Que não é mediático? Que não provoca entusiasmo? Que João Paulo II é que era o dos afectos e das multidões e Bento XVI é tímido, frio, reservado e ex-nazi? Por amor de Deus (se me é permitido, etc.)! Mas esta gente não lê os jornais?!
Já não há respeito por nada, é o que é. O mundo está perdido. E os católicos, se não escutam o Papa com o coração, só com o coração e nada mais do que o coração, para lá caminham. Aliás, já nem escutam a Fernanda Câncio…
Dirty dirty market
Chávez encontrou o golpe de misericórdia para acabar com o mercado negro (atenção ao racismo, avisa) sujo dos especuladores: «We are battling a mafia…I said before, we are going to give them the mother of all blows.»
E os bancos que se ponham do lado certo da batalha porque Chávez não os vai «aturar toda a vida», e isto é my way or the nationalized way.
Entretanto, Sócrates está muito impressionado com a capacidade de retaliação do camarada Chávez e prepara-se para fazer um workshop de técnicas de combate contra a crise do capitalismo, em Caracas, no fim do mês.
Maio 15, 2010
Trichet
Para Trichet, a responsabilidade pela agitação que conduziu o euro ao mais baixo nível em ano e meio (1,2358 dólares) não pode ser atribuída aos mercados onde se formam os câmbios. Deve ser colocada nos governos que deixaram que os seus défices crescessem em desvario.
A crise actual “não tem nada a ver com ataques especulativos. Tem a ver com as finanças públicas e, portanto, com a estabilidade financeira da zona euro. A responsabilidade dos europeus é tomar medidas que contrariem as actuais tensões nos mercados”, defendeu o homem que comanda a política monetária no espaço da moeda única.
Uma professora de Mirandela nua na Playboy e a descentralização
O caso de Bruna Real, a professora do Ensino Básico em Mirandela que posou para a Playboy e acabou por ser suspensa das actividades lectivas pela Câmara de Mirandela evidencia bem uma das principais vantagens de este tipo de decisões serem tomadas ao nível mais descentralizado possível.
Num sistema de decisão totalmente centralizado, um único critério de decisão teria de ser forçosamente aplicado a nível nacional violando muito provavelmente em alguns contextos de forma grosseira as sensibilidades e preferências das comunidades locais e dos stakeholders de cada escola. Com a possibilidade de decisão descentralizada a nível municipal (ainda que o ideal fosse um grau de descentralização ainda maior), é mais fácil (ou menos difícil) acomodar diferentes preferências das comunidades educativas locais, assim como responsabilizar os decisores no caso de estes as interpretarem de forma incorrecta.
Note-se que no Facebook, o Grupo de Apoio à Professora Bruna Real! (Playboy/Mirandela) já conta com mais de 2500 membros. Num sistema descentralizado – e admitindo que o protagonismo agora conseguido não abra outras oportunidades profissionais mais aliciantes a Bruna Real – é muito mais fácil que esses apoiantes (juntamente com outros que se têm manifestado nos media e na blogosfera) possam constituir uma base de apoio para o recrutamento da professora que posou para a Playboy para uma escola do Ensino Básico na qual, por exemplo, estejam a estudar os filhos de alguns desses apoiantes.
Já agora, face a esta notícia, seria também interessante saber o que pensa a Federação Nacional de Educação do caso de Bruna Real e da decisão da Câmara Municipal de Mirandela.
O pior ainda está para vir…
1% ? Por JCD.
Se não encontrarmos petróleo nas Berlengas, só há uma única possibilidade de o fazer: cortar no custo da função pública. Quanto? Contas grossas, 15% nos salários dos funcionários. Ou 15% dos funcionários, o que será mais complicado porque continuarão a receber subsídios. Ou então um mix dos dois. Não vale a pena chocarem-se ou pensarem que há outro caminho – não há. É disto que um dia teremos que falar e quem vos disser o contrario, mente. O corte dos salários pode fazer-se através da desvalorização do Novo Escudo. Nesse caso falemos de 30%. Ou então por um governo marxista – nesse caso, mais vale apostar nos 60%.
Leitura complementar: The crisis: a view from Portugal; Portugal, a crise e o consenso keynesiano.
Os jugulares e o Papa
É de facto caso para dizer que, à passagem da Verdade, nem os jugulares ficam indiferentes: Atracção fatal. Por Pedro Pestana Bastos.
De todos os blogues que acompanharam a vinda do Papa, o jugular foi sem dúvida o campeão.
Foram quatro dias de total desassossego. Quase tortura.
Trinta e dois textos sobre Sua Santidade evidenciaram a intensidade da sua visita a Portugal.
Pornografia política
Mesmo tratando-se de Portugal, custa a acreditar que o descaramento possa chegar a este ponto e que, a confirmar-se, tudo fique, mais uma vez, impune: Fundos do TGV Lisboa/Porto e Vigo desviados para nova ponte sobre o Tejo
O governo quer desviar os fundos comunitários destinados às ligações em alta velocidade ferroviária (TGV) Lisboa/Porto e Porto/Vigo para financiar a terceira travessia do Tejo. A intenção, manifestada pelo secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, tem dois objectivos: reforçar os fundos públicos para a ponte Chelas/Barreiro e evitar a perda dos incentivos comunitários que tinham sido atribuídos às linhas de TGV que o executivo adiou por dois anos para reduzir a despesa. O plano suscitou já a reacção indignada do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, em declarações ao i: “Seria o cúmulo”. Ainda ontem, lembra o autarca, “pediram enormes sacrifícios aos portugueses, contra até o que tinham dito anteriormente, e, a ser assim, esses sacrifícios não seriam afinal para equilibrar as contas públicas, mas antes para pagar a nova ponte do Tejo. É de um ridículo tal que não pode ser mesmo verdade”, garante.
Afinal a terceira travessia do Tejo, projecto que o governo anunciou estar a reavalia, vai avançar, apesar da decisão, confirmada ontem, de anular o concurso para o troço Lisboa/Poceirão da ligação de TGV entre Lisboa e Madrid. O objectivo é lançar novo concurso para a ponte Chelas/Barreiro. E de preferência num intervalo não superior a seis meses para evitar ter de indemnizar os concorrentes, disse ao i o secretário de Estado dos Transportes.
(…)
Em números redondos, a terceira travessia vai receber 500 milhões de euros da União Europeia, entre Fundo de Coesão e Redes Transeuropeias. No actual modelo financeiro, estavam atribuídos 170 milhões de euros de fundos, o que obrigava os privados a recorrerem a mais financiamento bancário e, como tal, também a pedir mais ao Estado, encarecendo o projecto. Os novos fundos serão desviados das linhas Lisboa/Porto e Porto Vigo, que ainda não estão a concurso, e cuja execução foi adiada por dois anos no quadro do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento).
Teixeira dos Santos pede a minha compreensão
Mas eu compreendo-o perfeitamente. Já há muito que o topei.
Lá como cá…
O efeito Bush/Obama: We Are Out of Money. Por Matt Welch.
American conservatives, particularly the fiscal variety, tend to hold up the European Union as a model of irresponsible, big-spending economic policy. But consider this: According to E.U. rules, member countries cannot maintain budget deficits above 3 percent of gross domestic product; nor can their total debt rise above 60 percent of GDP. As Veronique de Rugy points out in this issue, the U.S. budget deficit in 2009 was three times the E.U.’s limit, and total debt will zoom past the 60 percent threshold sometime this year. Washington makes Paris look frugal.
In March the federal government created the most expensive new entitlement in four decades, even as the bond rating company Moody’s Investors Service warned that debt levels could soon precipitate a downgrade in U.S. Treasury bonds. The main opposition party fought the bill by decrying “cuts” to Medicare, and it has kept itself at arm’s length from one of the few politicians talking seriously about long-term reform.
Today may be terrible, but tomorrow is going to be much worse, at least as measured by such metrics as deficits, debt, and entitlement spending.
Maio 14, 2010
Uma notícia falsa da Benfica TV
Os episódios de violência são graves e a impunidade sistemática dos agressores, seja qual for a respectiva filiação, é deplorável mas, felizmente, desta vez – ao contrário do que aconteceu na tristemente célebre final de 1996 da Taça de Portugal – parece ter-se tratado apenas de uma notícia falsa da Benfica TV: Hospitais de Braga e São João no Porto desmentem morte de adepto noticiada pela Benfica TV
Contactados pelo PÚBLICO, responsáveis dos dois hospitais referem que, de facto, entrou um jovem de 21 anos no domingo à noite no hospital de Braga, que foi posteriormente transferido para o Hospital de São João, no Porto, por ter um traumatismo oftalmológico. Uma transferência que se deveu ao facto de, em Braga, não existir urgência hospitalar oftalmológica. Mas, segundo o informação prestada pelo Hospital São João, esse jovem acabou por ter alta no passado dia 11.
Tristeza no final da Taça de Portugal 1995/96
Barbárie
Acabo de ler isto que aqui linko, quase compulsivamente:
O homem, que festejava a vitória benfiquista estava internado desde domingo à noite.
O dia já não corria lá muito bem. A notícia da morte de Saldanha Sanches (aqui assinalada) também não ajudava. Mas, aquela que acima refiro, relata-nos mais que a morte de uma pessoa. Ela é um espelho preocupante do estado a que este país parece ter chegado.
O mesmo país que é capaz de manifestações tão bonitas como aquelas com que temos acompanhado a peregrinação do Papa, também é capaz de manifestações tão inqualificavelmente bárbaras como as que ocorreram em Braga — conhecida entre nós como a terra dos Arcebispos e do Bom Jesus.
O que é que pode justificar uma coisa destas? Será este um caso isolado ou um prenúncio do desvario a que este país tem sido entregue nos últimos tempos? Ou, como sempre, vamos todos fazer de conta que nada se passou?



