O Insurgente

Maio 20, 2010

A culpa é dos especuladores (qed)

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 16:27

No Zero Hedge

10:30 05/20 GERMANY FINMIN: NEED RULES FOR ORDERLY INSOLVENCY OF EMU STATS
10:30 05/20 GERMANY FINMIN: CAN’T HAVE EU AID PACKAGE EACH TIME

What’s that? We are to expect more “orderly insolvencies” without EU bailouts? What kind of Keynesian travesy is this? But at least the road is clear for Portugal, Spain and Italy CDS to go points up front shortly.

No Diário Económico

O preço dos ‘credit default swaps’ (CDS) sobre títulos da dívida pública portuguesa a 5 anos está a avançar 27,3 pontos para negociar nos 307,57 pontos base, a quinta maior subida em todo o mundo. Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa, os investidores vão pagar um seguro anual de 307,57 mil euros.

Mais do mesmo

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:00

O Governo aprovou hoje o pacote de austeridade que inclui o aumento do IVA, IRS e IRC, bem como a redução de despesa, com vista a reduzir o défice para 4,6% do produto interno bruto (PIB) em 2011.

O (brutal) aumento de impostos eu vi. Quanto ao que se convencionou chamar “redução da despesa” o que eu vi foi principalmente o congelamento de transferências que terão de ser realizadas nos próximos anos sob pena da falência e/ou cessação de actividade de empresas, institutos públicos e autarquias. No Ministério da Finanças reza-se (peço desculpa à Sra. Palmira) a todos santos pelo milagre da multiplicação da receita fiscal. Da última vez que se tentou este número tudo parecia estar a correr às mil maravilhas até as receitas começarem a falhar.

Sérgio Sousa Pinto, o anti-ultra-liberalista (2)

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 15:43

Camilo Lourenço no Jornal de Negócios

Sousa Pinto é o exemplo de políticos europeus que não sabem o que andam a dizer. Não percebem que politizar bancos centrais é submeter a política monetária aos ciclos eleitorais. Coisa que nos anos 70 e 80 deu cabo do poder de compra de milhões de famílias europeias. Alguém devia explicar ao deputado que bancos centrais independentes são a melhor protecção para o aforro e poder de compra das classes com menos posses. E que os alemães, que se deram muito bem com um banco central independente durante 50 anos, não estão para aturar os Sérgios Sousa Pintos desta vida (50% de alemães querem regressar ao Marco). Porque já perceberam que, há dez anos, em vez de se deitarem com graúdos, deitaram-se com miúdos. E como diz o ditado, quem se deita com miúdos acaba molhado.

LEITURA COMPLEMENTAR: Sérgio Sousa Pinto, o anti-ultra-liberalista

Agora é que vai ser

Filed under: Economia,Política,Portugal — Nuno Branco @ 15:27

Os “abrantes” vão rebentar os mealheiros para finalmente destruirem qualquer tentativa de um ataque especulativo contra a nação.

“Em Julho faremos já uma emissão de obrigações em cerca de mil milhões de euros” para particulares, disse Teixeira dos Santos na conferência que se seguiu ao Conselho de Ministros de hoje.

Outro dia *daqueles*

Filed under: Economia,Portugal — Miguel Noronha @ 15:24

Uma petição anti-crise

Filed under: Política,Portugal — Nuno Branco @ 14:02

Cerca de 20 mil portugueses exigem a redução imediata do número de deputados no Parlamento “por razões morais e financeiras”, através de uma petição on-line que terá de ser debatida na Assembleia.

Para o que lá se faz, 1 por partido chega.

Afinal Vai Ser Poceirão-Elvas

Filed under: Economia,Internacional,Política — Tomás Belchior @ 12:56

O governo espanhol vai rever todos os projectos de TGV, garantindo apenas a conclusão, no final deste ano, da ligação de Madrid a Valência que, dentro em breve, entra na fase de testes.

São ainda desconhecidas as implicações da nova política de austeridade na ligação de alta velocidade entre a capital espanhola e Lisboa. Contudo, tudo indica que será abrangida pelo princípio genérico anunciado pelo ministro José Blanco de uma atraso entre 12 a 18 meses. Até porque, com os cortes orçamentais anunciados, diminui drasticamente a capacidade de licitação de obras.

Ainda bem que fomos a correr assinar contratos. Afinal de contas, os espanhóis estavam à nossa espera.

Os marcianos que paguem a crise

Filed under: Economia,Política,Portugal — LA @ 12:24

O PCP continua a tentar fazer crer a quem lhe prestar atenção que os serviços e produtos providenciados por empresas estatais são grátis – ou deveriam sê-lo.
Agora promoveram um abaixo-assinado contra a cobrança de estacionamento no novos parques da estação ferroviária de Setúbal. Como se propõem pagar pelas obras que foram feitas, pela manutenção das mesmas e pelos serviços prestados? Não sabem nem lhes interessa.
Claro que não lhes interessa para nada que muitos dos milhões de euros que fazem com que Portugal esteja na situação trágica em que está se devam aos deficits abissais das empresas estatais ligadas aos transportes – como a CP ou a REFER. Claro que não têm nada a dizer sobre as causas desses deficits a não ser que para remediar as consequências se deveriam aumentar impostos, criar novos impostos e, claro, gastar ainda mais em obras ou outros projectos que expandam o sector público estatal ou favoreçam grupos cujos interesses estejam ligados à expansão da despesa estatal. Nada disto Vos parece contraditório com os discursos dos dirigentes comunistas que incessantemente disparam contra “os interesses do grande capital”? Claro que é.

Infelizmente, noutros partidos a situação não é muito diferente, como temos podido verificar nos últimos anos de governo do Partido Socialista ou nos cuidados que os dirigentes do PSD sempre têm tido em não perder, também eles, o rumo socialista apontado pela Constituição que impõe a intervenção estatal em todos os aspectos da vida dos cidadãos.
Nada no discurso e prática dos governos dos últimos anos defendeu os contribuintes. Quem trabalha, poupa e investe apenas pode contar com a sanha destruidora de riqueza que caracterizou a intervenção dos governos (deste em particular), do estado e dos seus funcionários, na vida de todos nós.
Para mal dos nossos pecados, os marcianos ainda não se dignaram a pagar as facturas dos disparates feitos em todos estes anos de estatização dos recursos dos portugueses. Creio bem que não será ainda neste momento trágico que o FMM (aka, Fundo Monetário Marciano) se dignará a provomer a solvência das empresas estatais ou do OE nacional.

Acerca do empréstimo que até podia dar lucro

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:49

No Público

“A Grécia está insolvente e, mesmo com o pacote de austeridade, chegará ao final de três anos com uma dívida face ao PIB de 150 por cento e um défice de cinco por cento, valores demasiado altos”, considera o economista-chefe da Schroders. “(…)

O economista desconfia que o pacote de austeridade do Governo grego não irá ser seguido até ao fim, devido ao impacto que vai ter na economia e no emprego, e que os países europeus acabarão por ter de transformar os empréstimos de 110 mil milhões de euros num apoio a fundo perdido: “Teremos de escolher entre dois caminhos: deixar a Grécia falir, o que ameaçaria o projecto europeu, ou perdoar a dívida.”

Um País a Bloquear uma Estrada

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 09:36

Na minha ignorância, pensava que as constituições serviam para limitar a acção do Estado e, consequentemente, garantir a nossa liberdade individual. Pensava também que as regras eram para se cumprir. Nos últimos dias descobri que estava enganado.

Quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros veio falar em limites constitucionais para o endividamento foi interessante ver a confluência de “beaux esprits” que acharam a ideia absurda. A esquerda radical, logicamente, não quer travões à acção do Estado mas no lodo da social-democracia não estamos melhor. O PS acha a ideia ultra-liberal e simultaneamente anti-patriótica porque nos estaríamos a sujeitar aos ditames do BCE. Já o PSD define-a como socialista porque constituiria apenas mais um “travão programático”, mais uma “linha orientadora” que levaria à tal sociedade socialista que o 25 de Abril nos prometeu. Ou seja, à falta de melhor, temos direito a malabarismo.

Por um lado, é bonito ver que os sacrossantos limites do Pacto de Estabilidade só o são se forem também decorativos. Eram intocáveis quando serviram para nos certificar como bons alunos da Europa e para nos dar acesso ao Euro. Uns anos depois, ao darmos por nós mergulhados num estado de emergência que nos aterrou no colo em duas semanas, esses mesmos limites transformaram-se num “exercício degradante de sujeição” e numa “espécie de prego no caixão do Euro” assim que se falou em limitar de facto a capacidade dos governos fazerem o que lhes apetece com o nosso dinheiro. Tenho pena que esta malta não tenha participado nas conversas do nosso Primeiro-Ministro com o Sarkozy ou com a Merkel. De certeza que lhes teríamos sacado mais do que um troço de TGV.

Por outro lado, é igualmente bonito ver a liberdade individual metida no mesmo saco do “direito a uma habitação de dimensão adequada” ou do “direito à cultura física e ao desporto“, especialmente para dizer que já não há espaço nesse saco para o direito a não estar sujeito à actuação arbitrária do Estado. A liberdade não pode ser uma “linha orientadora” ou um “travão programático” da constituição pela simples razão de que a liberdade e o consentimento são a razão de ser da constituição. Lamentavelmente, ver princípios basilares da democracia liberal instrumentalizados e doseados para nosso próprio bem é algo a que nos habituámos. Agora, pelos vistos, vamos ser obrigados a habituar-nos à ideia de que os governos podem comprar votos ao preço que for preciso para financiarem a sua estadia no poder.

Nos últimos tempos já se tinha tornado evidente que estávamos entregues aos bichos, mas com o PS e o PSD a assumirem que não conseguem governar o país sem o levarem periodicamente à bancarrota, a coisa ficou oficializada.

À atenção dos “abrantes”

Filed under: Justiça,Media,Política — Miguel Noronha @ 09:36

O governo italiano quer proibir os jornais de publicarem o conteúdo de escutas telefónicas, estando em estudo penas de prisão para jornalistas que divulguem conteúdos durante investigações policiais e antes de ser realizada a audiência preliminar do caso.(…)

A Federação Nacional da Imprensa Italiana já manifestou a rejeição da lei, que mereceu também a oposição do Partido Democrata, principal força da oposição ao governo liderado por Berlusconi.

«As sanções económicas sobre jornais, jornalistas e editores (…) são tão graves que nem a Espanha de Franco [época da ditadura] tinha chegado a tanto», disse hoje um membro do Partido Democrata.

Americanos contra DC

Filed under: Internacional,Política — Miguel Noronha @ 08:57

Nuno Gouveia no Era Uma Vez na América

Se alguma consequência podemos retirar das várias eleições de ontem é que os cidadãos estão furiosos com Washington. Neste momento poucos incumbentes podem considerar-se “safos” para as eleições para Novembro. Quanto mais próximo do círculo de poder, mais probabilidades existem de serem afastados nas urnas.(…)

No Kentucky, um candidato republicano fortemente apoiado pelo aparelho e pelas figuras mais poderosas, foi derrotado por Rand Paul, que apesar de ter apoios importantes como Sarah Palin e do actual senador Jim Bunning, era considerado um verdadeiro outsider. Esta foi a primeira grande vitória do Tea Party Movement, o que aliás foi destacado por Paul no discurso de vitória. No Arkansas, a senadora Blanche Lincoln foi obrigada a disputar uma segunda volta com um candidato mais à esquerda neste estado conservador. E na Pennsylvania, Arlen Specter nem com Obama e Biden a seu lado conseguiu vencer. Noutra eleição disputada ontem, no 12º distrito da Pennsylvania, venceu um democrata. Mas repare-se que este candidato fez campanha contra Washington e contra a reforma da saúde aprovada no Congresso pelos democratas. E apenas teve uma figura nacional a seu lado – Bill Clinton. Neste momento, para vencer em grandes parcelas do território americano, é preciso atacar o governo e Washington.

Uma boa razão para, nos próximos tempos, seguir atentamente o blog do Nuno Gouveia e do José Gomes André.

Maio 19, 2010

O Mundo mudou!

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 22:25

 

Esta frase de espanto do nosso PM continua a ecoar na minha cabeça: “O Mundo mudou!” Como é que ninguém tinha reparado?  A Judite de Sousa, pelos vistos não tinha. Mas o nosso PM não é só um homem clarividente. Não. É um homem paciente. Muito paciente. Ele explicou várias vezes, mas a pobre Judite parecia continuar sem perceber. Ele não se poupou a esforços: “posso explicar outra vez”, dizia ele num tom respeitosamente complacente.

E assim todos nós íamos fazendo um esforço para tentarmos assimilar a evidência.

Obrigado senhor Primeiro-Ministro. Muito obrigado por perder o seu precioso tempo para nos explicar aquilo que, aparentemente, desconhecemos. Aliás, é para isso mesmo que serve um canal de televisão do Estado: para termos o privilégio de ouvirmos o nosso PM a contar-nos uma história de embalar antes de irmos para a caminha dormir o soninho dos justos.

Eu, pela minha parte, dormi muito mais descansadinho depois de ouvir uma empolgante história de monstros especuladores que andam a atacar as dívidas soberanas de países poupadinhos e inocentes. Uma pura fantasia que, como qualquer história de criancinhas, tem por objectivo ajudar-nos a lidar com os nossos próprios medos. Afinal, afinal, nada disto é real: é pura especulação.

Ficar à espera da bola não chega

Filed under: Colunas,Comentário,Política,Portugal,Semana Política — Bruno Alves @ 17:05

Certamente animado pelas imagens de confrontos nas ruas das cidades gregas, o Partido Comunista Português decidiu apresentar uma moção de censura ao Governo de José Sócrates. O Bloco de Esquerda, ultimamente muito incomodado com o “governo bicéfalo” (a mim parece-me mais acéfalo, mas talvez esteja enganado) dos “tangos” de Sócrates e Passos Coelho, já anunciou que apoiaria a iniciativa (como agora se diz). Já o CDS e o PSD preferem abster-se, condenando assim à partida a moção comunista.

Procurando justificar a posição laranja, Miguel Relvas, esse símbolo da dignidade e firmeza políticas, veio dizer que o PSD continuaria “a manter a censura ao Governo naquilo que ele merece, mas, enquanto se justificar, vamos continuar a exigir que o Governo governe e que assuma as suas responsabilidades, desde logo, a de retirar Portugal e os portugueses da situação em que os colocou”. É uma justificação que explica muito do pensamento (chamemos-lhe assim, hoje sinto-me generoso) da actual direcção do PSD, e faz temer que ela não vá muito longe, arrastando consigo o país.

O que Relvas, com a sofisticação intelectual que lhe é conhecida, está a dizer com “exigir que o Governo governe e que assuma as suas responsabilidades, desde logo, a de retirar Portugal e os portugueses da situação em que os colocou”, é que acha que, já que o PS fez asneira e governou mal, agora deve ser o PS a executar as medidas impopulares que a asneira anterior implica que sejam agora tomadas. É esta a “estratégia” delineada pelas cabeças em torno de Passos Coelho: já que o PS seguiu uma política de terra queimada, deixá-lo a tentar apagar o fogo, e quando forem apanhados por ele, chegar ao terreno já livre e, qual “especulador sem escrúpulos”, lucrar com ele. O PSD espera que seja o PS a sofrer as consequências de tomar medidas impopulares, facilitando o acesso ao poder, que consideram estar ainda demasiado longe nas actuais circunstâncias. Note-se, em primeiro lugar, como esta gente está disposta a deixar alegremente a situação política do país degradar-se, desde que isso facilite o seu acesso ao poder daqui a uns tempos. É sempre bom saber a qualidade dos “estadistas” que querem “mudar” o país. Em segundo lugar, tenho sérias dúvidas que o “desgaste” do PS seja suficiente para lançar o poder no colo do PSD, como imagina a liderança laranja.

Essa ideia de que o “cansaço” dos portugueses com Sócrates faz com que o PSD apenas precise de ficar sentado e esperar que “as coisas sigam o seu rumo” há muito que se instalou no PSD. No Congresso de Mafra, foi essa ideia que fez inúmeros oradores afirmarem que o partido estava a eleger “o próximo Primeiro-Ministro de Portugal”. Como fora essa ideia a levar os críticos de Manuela Ferreira Leite a dizerem que perante um Governo tão fragilizado por “casos” e desgastado pela “crise”, só mesmo a suposta inabilidade de Ferreira Leite pode explicar a sobrevivência do regime socrático. Mas, como já várias vezes escrevi, quanto mais apodrecido o Governo estiver, mais difícil será pô-lo no lixo.

Em primeiro lugar, porque nem a total describilização é suficiente para o Primeiro-Ministro deixar de se agarrar ao poder como eu gostaria de me agarrar a uma adolescente de qualidade estética superlativa. Como toda a sua história de vida demonstra, o cheiro de matéria fecal manifestamente não incomoda José Sócrates, que, como o outro senhor de The Wire prefere “to live in shit than to be seen to work a shovel”. Por muito que o seu regime apodreça, Sócrates nunca abdicará livremente do trono que ocupa, e de lá só poderá ser arrancado “à bomba”. “Bomba” essa que o Presidente da República, um senhor reconhecidamente pacífico, não quer largar, e longe vai o tempo (esperemos nós) em que os militares se entregavam a essas actividades. A única “bomba” que poderá ser usada será a dos eleitores nas urnas, mas temo que, quanto mais necessária ela se torne, menor seja a probabilidade deles estarem dispostos ao trabalho de a lançar.

Já antes das eleições de Setembro passado o escrevi: é precisamente o facto de vivermos num clima de “fim de regime” do PS que tornará as coisas mais difíceis para o PSD. Em primeiro lugar, a violência e degradação do debate “excita” os “fiéis”, que por muito desagradados que possam estar com Sócrates, não gostam de ver “um dos seus” ser atacado por “eles”. A podridão do regime fidelizará o PS, que tenderá, até à última hora, a proteger Sócrates como se de uma criança indefesa se tratasse (depois da última hora, a canção será outra).

Em segundo lugar, a demagogia reinante favorece os partidos de protesto, mas pequenos, o que estranhamente, acaba por favorecer o PS. O ódio a Sócrates não se traduz forçosamente no voto no PSD, podendo mais facilmente deslocar-se para o CDS ou até para o BE, partidos dados à berraria que faz o gosto do povo. É difícil a um partido que quer ser governo fazer oposição num ambiente político degradado, porque aquilo que pode motivar a conquista de votos (essa mesma degradação do regime do momento) é também aquilo que faz com que as pessoas tenham uma maior predisposição para votar em quem faz barulho, só por fazerem barulho. A degradação do Governo do PS acaba por retirar votos, não apenas ao PS, mas também ao PSD.

Até porque a podridão do Governo, arrastando consigo a desconfiança dos eleitores, traz também uma desconfiança não apenas em relação ao Governo, mas em relação à alternativa. Um Governo que mente, que manipula, que esconde e que parece corromper e estar corrompido, faz com que os eleitores, muito sabiamente, desconfiem de todo e qualquer político que lhes peça a sua confiança. Porquê confiar “nestes”, só porque nos dizem que vão ser diferentes? Os “outros” disseram “o mesmo”, e “foi o que se viu”. A desconfiança dos eleitores em relação a este Governo transforma-se, muito rapidamente, numa descrença na palavra de toda a classe política. Quanto pior o PS for, quanto mais degradado o Governo estiver, mais agreste será o clima político para aqueles que queiram promover uma alteração do estado das coisas (deixemos de lado a “mudança” obâmica, ela própria um produto e causa da podridão). Quanto menos as pessoas acreditarem no PS, menos acreditarão na possibilidade de “os outros” serem diferentes.

Os actuais responsáveis do PSD estão a seguir uma estratégia comum a alguns treinadores de futebol: tendo um ponta-de-lança alto e forte na equipa, deixam-no plantado junto à defensiva contrária, para que quando a equipa recuperar a bola, apanharem o adversário quando a sua defesa está desprotegida. O problema está em que jogar dessa forma implica o risco de, por se ter menos um jogador envolvido em tarefas defensivas (ou, no caso do PSD, por não fazer oposição e preferir queimar o PS lentamente), não ser capaz de recuperar a bola e portanto não ter oportunidades de atacar a baliza contrária. Não espero grandes tratados filosóficos de Relvas e companhia, mas um mínimo de bom senso permitir-lhes-ia perceber que, ao PSD, ficar plantado na àrea à espera da bola talvez não seja suficiente, e que ao fazê-lo o partido laranja talvez se arrisque a ser apanhado em fora-de-jogo. Mas, como já se viu, bom senso não é um bem em excesso por aqueles lados.

Boas notícias

Filed under: Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 16:59

O vice-PM inglês Nick Clegg anunciou a revogação ou revisão de uma série de decretos que aumentavam a intromissão estatal na vida privada e que tinham sido aprovadas nos últimos anos pelos trabalhistas.

Você decide

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:17

O ministro das Obras Públicas alertou hoje para o risco de Portugal perder fundos comunitários já atribuídos e ter de pagar inclusive indemnizações a Espanha, caso a construção do TGV entre Lisboa e Caia não aconteça nos prazos definidos.

Fazer o TGV implica enterrar recursos num projecto de duvidosa rentabilidade que, com grande probabildiade, não terá receitas suficientes para cobrir os custos operacionais. No entanto, parece que a melhor justificação que o governo encontra para realizar este elefante branco projecto são a perda de fundos comunitários e o pagamento de uma indemnização, cujo valor não revela, a nuestros hermanos. Isto, para além de ter de reconhecer que fez asneira da grossa. Novamente.

Para que serve afinal o governo?

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 15:42

João Miranda

José Sócrates foi ontem explicar à RTP que fez tudo bem até 2008, mas depois veio a crise internacional e estragou tudo. Fez tudo bem até Maio de 2010, mas depois o mundo mudou em 15 dias. De repente deu-se conta que os juros da dívida estavam nos 7% e só lhe restava subir impostos.

Há duas lições a tirar disto.

A primeira é que é duvidoso que os governos sirvam para alguma coisa. Por muito bem que governem, o que realmente conta é o que se passa no resto do mundo.

A segunda é que um país pode ser atingido em menos de 15 dias por um ataque especulativo à dívida sem motivo aparente e sem qualquer relação com as contas passadas. Por isso talvez seja melhor mantermos uma margem de segurança tão grande quanto possível. Défice zero e dívida zero. Mas nem isso é certo que resulte.

Pagarão caro

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 15:06

A tese do primeiro-ministro de que o mundo mudou para explicar a subida dos impostos e o adiamento das obras públicas até pegava não fosse o caso do PSD já ter, nas últimas legislativas, alertado para o perigo que constituíam os défices públicos e o endividamento público e privado. Não fosse também o caso de todos os membros deste blogue, já tivessem chamado a atenção para a realidade e a afirmado que iríamos pagar mais impostos e sofrer com mais desemprego. Não era preciso ser mágico. Apenas verdadeiro. Fora isto, nada é novo e tudo está igual.

A tese de que o mundo mudou é mais uma tentativa deste PS nos enganar. De um PS que ainda não percebeu, ou não quer realizar, que os Portugueses podem ser distraídos, mas não são parvos. O PS de Sócrates pagará bem caro o que anda a fazer.

Salva-me se puderes

Filed under: Diversos — Nuno Branco @ 14:10

Até os mais distraídos já se aperceberam que existe um desígnio supra-nacional para salvar o euro dos maléficos especuladores (quem salvará o euro dos políticos é que eu gostava de saber) que insistem em não nos emprestar dinheiro (não faz mal, que Trichet há-de salvar o euro imprimindo notas de 100). Eu que, como todos sabem, vendi a alma ao diabo por 42 gramas de prata quando ainda era adolescente resolvi há alguns meses emprestar uns pequenos trocos a empreendedores no estrangeiro cometendo dois pecados capitais:

1)  Agindo que nem um agiota (não sei bem onde isto fica na escala do mal entre “especulador” e “assassino em série”) cobrando juros pelos empréstimos.

2)  Desvio dinheiro para o Kenia e para a Tanzânia e recuso-me a emprestar aos descendentes de Afonso Henriques (cometendo outros pecados como o amor ao meu dinheiro e a traição à pátria)

Entre os riscos destes empréstimos está obviamente a possibilidade de default do empreendedor (aquilo lá não é a europa nem os EUA. Os empresários podem realmente falhar) e o risco cambial visto que estamos a falar de dois países que não são propriamente estáveis. E porque vos conto tudo isto? Porque acreditem ou não, com todas as ajudas dos governos para “salvar o euro” já é o segundo mês consecutivo em que além dos juros que recebo registo também ganhos cambiais nestes empréstimos.

Pois é, parece que apesar de todo este “salvamento” que aí anda o KES (Kenyan Shilling) e o TZS (Tanzanian Shilling) oferecem mais garantias de estabilidade do que o euro. Se calhar porque ninguém quer salvar estas moedas ou simplesmente porque não querem culpar os outros pelas suas próprias asneiras.

Os reguladores destabilizadores

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 12:45

A proibição pelas autoridades alemãs do “naked short selling” está a ter a reacção esperada nos mercados. Convém notar que não era exactamente a esperada pelos primeiros.

A propósito nesta medida escreve o Zero Hedge

Because the cure can kill the patient

The market’s immediate response to the ban announcement was to sell the Euro. Such a response makes sense as when faced with the inability to manage risk in debt, stock or CDS markets, participants sell what they can. And that means the Euro. But by having inadvertently further undermined the Euro, today’s actions increase the risk of failure in the entirety of the liquidity support program as the Achilles heal of the European intervention is its potential to undermine the currency. Unlike the US policy response, massive liquidity support from the ECB can create the perception (if not the reality) of a debt monetization scheme. While the US explicitly monetized the debt, it benefited from a flight to quality and worlds reserve currency status, neither of which the Euro enjoys. A precipitous decline in the Euro remains the risk to the outlook, and on display today as the Euro declines led the selloff in broad risk markets.

Fica mais uma vez claro que sáo os verdadeiros destabilizadores.

Será que os socialistas deram cabo do socialismo?

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:38

Em Janeiro de 2009 escrevi este pequeno texto no qual explicava porque o incremento da intervenção estatal na economia, a que assistimos desde o início da crise financeira em Setembro de 2008, poderia ser o golpe fatal que os socialistas davam no Estado social. Na altura cheguei a afirmar que quando a crise passasse, os Estados estariam afundados em défices enormes, que as gerações futuras não iriam querer pagar.

Agora, em Maio de 2010, a ordem do dia é marcada pelo perigo dos estados (com o grego na primeira linha da grelha de partida) falirem. O endividamento público é insustentável e o défice, que Sócrates, nunca é demais repeti-lo, disse e citando Krugman, ter salvo o mundo, pode liquidar o estado social e as políticas públicas perseguidas há tantos anos.

Em Janeiro do ano passado, o canto do cisne já se ouvia, mas muitos socialistas ainda estavam maravilhados. Poucos meses passaram e anda tudo estarrecido. A experiência já está a ser dura para os mais de 10% de desempregados (falo de Portugal). Preparem-se que vai ser ainda pior, e não nos devemos espantar se o desemprego chegar aos 15%. Os governos socialistas não nos fizeram perder apenas 10 anos. Liquidaram a organização do estado tal qual se encontra concebido desde o 25 de Abril.

Hoje à tarde, no Campus da Foz da Católica, Porto

Filed under: Agenda,Economia,Educação,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:30


(clique para aumentar)

No programa do colóquio de lançamento e apresentação do novo MPA da Universidade Católica (Porto) em parceria com a Universidade de Aveiro, destaco a conferência de Nils Karlson, Presidente do Ratio Institute e um dos mais conhecedores e influentes agentes nas reformas políticas que têm vindo a concretizar-se na Suécia nas últimas duas décadas.

Entrada livre. Mais informações aqui.

Sérgio Sousa Pinto, o anti-ultra-liberalista

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:18

Como seria de esperar, embora bastante oportuna a proposta de Luís Amado não é bem vista no interior do PS. Segundo o Sérgio Sousa Pinto a tentativa de limitar constitucionalmente o despesismo estatal é “uma ideia ultra-liberalista” (sic). (já para o PSD seria uma proposta socialista). Pelo meio confirma que, contrariando os seus estatutos e apesar dos desmentidos de Trichet, a perda da indepência do BCE e invoca (mas infelizmente não desenvolve) uma realidade alternativa onde do pontos de vista “económico, político e histórico“, a proposta de Luís Amado “não faz sentido nenhum

Mugabe e a destruição do Zimbabwe

Filed under: Economia,Justiça,Media,Política — Miguel Noronha @ 09:25

“De Cannes a Harare” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

[O] notável documentário “Mugabe and the White African”, recentemente editado (…) não teve estreia comercial na maioria dos países europeus. É pena, não só porque venceu os British Independent Film Awards de 2009, mas também porque é muito instrutivo sobre o carácter político dos movimentos socialistas africanos ditos de “libertação”.

Não há modo del filmar a violência com que Mugabe e a ZANU-PF expropriaram, assassinaram ou expulsaram mais de 4000 agricultores brancos do Zimbabwe, sob o pretexto da “reforma agrária”. Não há tradução visual para a miséria daí resultante, que reduziu um país com vantagem comparativa na agricultura a um deserto estéril, onde a esperança de vida é de 44 anos (43 para as mulheres) um terço da população passa fome, 1,3 milhões sofrem de SIDA e pelo menos 3 milhões refugiaram-se na África do Sul. Os autores do documentário resolvem o dilema com uma simplicidade magistral: sob o fundo da tragédia, centram-se na família de Mike Campbell, um agricultor que adquiriu uma quinta e que depois de 20 anos a pagar as dívidas contraídas se recusou a aceitar o despotismo do confisco. Apesar do terror constante, que culminou no rapto e espancamento brutal da sua família, Campbell contestou judicialmente a expropriação e foi o primeiro africano a ver os seus direitos de propriedade reafirmados por um tribunal internacional.

A história da destruição do Zimbabwe soa distante no grau de criminalização do Estado e irreal na enormidade do terrorismo racista de Mugabe, o auto-proclamado “Hitler negro”. Importa por isso recordar alguns dos elementos fundamentais desse processo: o ataque político aos financiadores internacionais, acusando o FMI de “organizar uma conspiração internacional”, evidentemente branca, que limitou o acesso aos mercados de capitais quando estes eram vitais; a cumplicidade política do ANC sul-africano, fundada no medo de que a destituição democrática de um movimento de “libertação” lhes pudesse vir a retirar o controlo político, que presumem permanente; a cumplicidade activa do poder judiciário na destruição do estado de direito, com inúmeros magistrados a integrarem a lista de “beneficiários” das expropriações; e, finalmente, o desprezo sistemático de Mugabe e dos seus cúmplices pelos resultados de eleições e referendos. Alguns destes factores sugerem que as distâncias política e espacial ao Zimbabwe não são equivalentes e que o exemplo de Mike Campbell poderá ser inspirador para outros homens, noutras circunstâncias. Um cínico encontraria facilmente razões para a ausência de interesse europeu na exibição comercial do documentário.

Rand Paul vence no Kentucky

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 01:05

O primeiro passo está dado: Paul Wins Ky. Sen. Primary in Test of Tea Party

Rand Paul defeated Republican establishment favorite Trey Grayson in the Republican primary for U.S. Senate, a closely watched race that was a key test of the tea party movement’s strength.

Paul, the son of former presidential candidate U.S. Rep. Ron Paul, on Tuesday gave the tea party its first victory in a statewide election — one that could embolden the fledgling political movement in other states. With 31 percent of precincts reporting, Paul was leading with 65,702 votes, or 59 percent, to Grayson’s 40,767 votes or 37 percent.

Paul, a 47-year-old Bowling Green eye surgeon, had never before run for office and turned to the Internet fundraising model used by his father to pay for his campaign. Grayson stayed competitive drawing heavy financial support from traditional GOP donors inside Kentucky.

The Kentucky election was being watched around the country, especially after tea party activists helped to defeat three-term Sen. Bob Bennett in Utah and forced Florida Gov. Charlie Crist to abandon the GOP to make an independent run for the Senate.

Paul began the race as a long shot against Grayson, the GOP establishment candidate and perceived frontrunner in the race to replace retiring Sen. Jim Bunning.

Rand Paul vs. Trey Grayson

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 00:41

Blogging the Primaries

In Kentucky, can Rand Paul, the eye surgeon and son of Representative Ron Paul, win the Republican Senate primary, and thus demonstrate just how much actual electoral power the Tea Party has?

Mr. Paul is running explicitly as a Tea Party candidate and against Trey Grayson, the Kentucky secretary of state. It is hard to find a better example of the grassroots versus the Republican establishment: Mr. Grayson has the support of Senator Mitch McConnell of Kentucky, the Senate minority leader. Two Democrats are fighting for the nomination there: Jack Conway, the attorney general, and Daniel Mongiardo, the lieutenant governor.

Who is Rand Paul ?

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 00:40

In Kentucky, Senate hopeful Rand Paul redefines ‘conservative’

Dr. Paul, the favoured candidate to win the Republican Senate nomination in Tuesday’s Kentucky primary, wants Congress to withdraw his country from United Nations programs, meddle in U.S. central bank policy, and abolish the federal education department.

The 47-year-old eye surgeon preaches a curious mixture of libertarianism (he favours legalizing medical marijuana and slashing government to its elemental functions) and moral righteousness (he advocates a constitutional amendment banning abortion outright). He also has the GOP establishment scared stiff.

Dr. Paul, the son of Texas congressman and 2008 GOP presidential contender Ron Paul, has exploited name recognition, Tea Party anger and wall-to-wall exposure on Fox News to emerge as the most radical face yet of the new Republicanism.

(…)

Mr. McConnell, along with the rest of the Republican establishment, lined up behind Mr. Grayson, whose other backers include former vice-president Dick Cheney, the U.S. Chamber of Commerce and crooner-turned-conservative-militant Pat Boone.

Dr. Rand has the GOP mavericks on his side, including Sarah Palin, Steve Forbes and Jim DeMint, the arch-conservative South Carolina senator who has stirred revolt within his own party by backing Tea Party candidates such as Marco Rubio in Florida and Chuck DeVore in California.

Maio 18, 2010

“Alo Presidente” sabotado

Filed under: Economia,Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 20:43

Chávez reclama do próprio serviço público. Por Bruno Garschagen.

Encontro FLE – “Política para a Educação” – 20 de Maio no Porto

Filed under: Agenda,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:35


(clique para aumentar)

A ética da reeleição

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 20:00

Belém vale bem uma missa. Por Pedro Picoito.

A primeira responsabilidade de um político, como a de qualquer outro homem, é ser fiel à sua consciência. Se um político não responde perante as suas próprias convicções, responde perante o quê? Em nome de que convicções exerce ele o poder? As da maioria? As do Parlamento? As do Eng. Sócrates? Pobre Cavaco, a reeleição não vale isso. (Ou, como diria Thomas More ao seu secretário Richard Rich, que o condenou à morte com um testemunho falso e em troca recebeu o cargo de procurador do rei no Pais de Gales: “Pobre Richard, de nada serve ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma – quanto mais o País de Gales…”)
Pormenor extremamente curioso: o Presidente da República usava hoje a mesma gravata com que recebeu o Papa. Talvez para dizer que as suas “convicções” não mudam. Mas “as convicções” não são como uma gravata que se tira e põe. Ao contrário de quem está em Belém.

Leitura complementar: Extinga-se a Presidência da República.

No gira-discos

Filed under: Cultura,Videos — ruicarmo @ 19:20

Love Will Tear Us Apart, dos Joy Division. Para recordar Ian Curtis.

A Exportação de Direitos, Liberdades e Garantias

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 16:11

Pelo menos desde que ficámos sem dinheiro para pagar o socialismo pátrio que as exportações são vendidas como sendo a nossa única salvação. O problema é que essa solução é tão fictícia como a universalidade dos direitos que ela deveria financiar. Começando por relembrar algumas lições:

“Such an argument ignores an essential truth about imports and exports: over the long term, exports and imports must be equal. We can think of a country like a household. Purchases are paid for from the proceeds of sales, and sales are made for the purpose of additional purchases. In the long run, purchases and sales must be equal. A nation’s trade policy works the same way. Over a nation’s history, the value of exports in current dollars must equal the value of imports in present value. Any attempt to permanently increase exports and decrease imports is futile.”

Ou então, dito de outra forma:

“Exceeded only by the pathological dread of imports that affects all nations is a pathological yearning for exports. Logically, it is true, no thing could be more inconsistent. In the long run imports and exports must equal each other (considering both in the broadest sense, which includes such “invisible” terms as tourist expenditures, ocean freight charges and all other items in the “balance of payments”). It is exports that pay for imports, and vice versa. The greater exports we have, the greater imports we must have, if we ever expect to get paid. The smaller imports we have, the smaller exports we can have. Without imports we can have no exports, for foreigners will have no funds with which to buy our goods. When we decide to cut down our imports, we are in effect deciding also to cut down our exports. When we decide to increase our exports, we are in effect deciding also to increase our imports.”

Ou seja, as exportações não nos podem salvar por uma razão simples: o défice externo que nós temos vindo a acumular há 15 anos foi desperdiçado. Temos andado a importar bens e dinheiro que, em vez de melhorarem a nossa competitividade e financiarem o nosso crescimento, foram deitados para o lixo juntamente com a nossa capacidade de os pagar.

Como é que se sai deste buraco? Com aumentos de produtividade. Sendo que a produtividade é a “relação entre uma dada quantidade produzida e um ou vários factores necessários para a obter”, só temos duas soluções: ou reduzimos o preço dos factores ou aumentamos a quantidade produzida. Como é que isto se faz? Com concorrência. Com concorrência entre países, com concorrência entre regiões e cidades, com concorrência entre o sector privado e o sector público, com concorrência entre empresas, com concorrência entre trabalhadores.

Num país onde milhares de pessoas têm o direito constitucional de trabalhar em part-time e receber em full-time, talvez fosse altura de fazermos alguma redistribuição de direitos. Podíamos começar por dar aos 22,7% de jovens desempregados, ou aos 170.000 desempregados que não recebem qualquer subsídio, a oportunidade de ficar com esses mesmos empregos, trabalhando e recebendo em part-time, para ver o que acontecia às nossas exportações.

Isto sim seria todo um programa.

Amanhã, no Campus da Foz da Católica, Porto

Filed under: Agenda,Economia,Educação,Internacional,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:53


(clique para aumentar)

No programa do colóquio de lançamento e apresentação do novo MPA da Universidade Católica (Porto) em parceria com a Universidade de Aveiro, destaco a conferência de Nils Karlson, Presidente do Ratio Institute e um dos mais conhecedores e influentes agentes nas reformas políticas que têm vindo a concretizar-se na Suécia nas últimas duas décadas.

Entrada livre. Mais informações aqui.

Assustador

Filed under: Cartoons,Comentário,Educação,Portugal — André Azevedo Alves @ 14:45

Pela amostra de questões retiradas da prova de aferição de Matemática do 2º Ciclo de 2010, é caso para dizer que vale tudo para promover o sucesso estatístico do eduquês: High Standards. Por Alexandre Homem Cristo.

Da série “Frases que impõem respeito”™ (*)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:53

O conselho do presidente do BPI ao Governo começou por ser para que não se publiquem mais cenários macroeconómicos sem explicar como se financiam, entendendo ainda que a dívida de Portugal (onde inclui Estado, empresas e particulares) é “de tal maneira grande” que acredita que “não é financiável”.

(*) Título roubado aos “abrantes”

O PEC é credível

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 12:26

O comissário dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, afirmou hoje que serão pedidas reduções adicionais do défice a Portugal.

Pelo menos é o que ainda ontem garantia Jean Claude Juncker.

As vítimas do ordenado mínimo

Filed under: Economia,Portugal — Nuno Branco @ 12:21

São eles. Obrigados por decreto a produzirem algo no valor de 475€ por mês estes jovens com pouca (ou nenhuma) experiência e com o ensino deficiente que conhecemos não têm grandes alternativas numa altura em que a caridade patronal está, compreensivelmente, em baixa.

Esperemos que o recente aumento de impostos incentive o suficiente a economia paralela para que eles possam sentir-se uteis e aprendam uma profissão.

Novamente o Bush

Filed under: Economia,Internacional,Política — Miguel Noronha @ 11:59

O Senado norte-americano aprovou hoje uma medida que visa bloquear ajudas do Fundo Monetário Internacional (FMI), como a que se destina à Grécia, caso não existam garantias de que o dinheiro será pago.

Malditos especuladores

Filed under: Economia,Portugal — Nuno Branco @ 11:56

Portugueses retiram 82 milhões de euros dos certificados de aforro. Cambada de especuladores sem cara a aumentar o custo de endividamento da nação.

Não é só desde ontem

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:07

Acho que por diversas vezes já aqui escrevi que não tenciono voltar a votar em Cavaco Silva.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers