O Insurgente

Maio 14, 2010

José Luís Saldanha Sanches

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 15:40

Conheci pessoalmente Saldanha Sanches num jantar em casa de um familiar meu. Apareceu de mochila às costas e logo conversou comigo grande parte da noite como se nos conhecêssemos há muito. Em Setembro aceitou gravar o Descubra as Diferenças, experiência que mais tarde não quis repetir por já se encontrar doente. Desejei-lhe aquilo que é possível desejar a uma pessoa na situação em que ele se encontrava. José Luís Saldanha Sanches não era apenas brilhante. Era um homem simpático, simples, que falava de igual para igual com quem se esforçava, independentemente dos seus pergaminhos, como só o fazem os homens que gostam discutir. Um homem lúcido, combativo, indisciplinadamente combativo, que opinava e se maravilhava com o que ouvia. Será um mentor quanto à forma de estar na vida.

Não receava as consequências que advinham do que dizia. E isto vale muito.

23 Comentários »

  1. Recordo-me do seu cabelo “à escovinha”, dos óculos de aros dourados, da inesgotável capacidade de trabalho e da força que emanava para todos que o rodeavam, ainda que estivéssemos, à epoca já distante, em campos bem diferentes.

    Mais recentemente, decorrido quer o tempo de “nojo” habitual quer o da “normalidade”, foi uma voz intrépida, incómoda mas sempre verdadeira e construtiva. Perdemos um dos melhores de nós.

    Comentário por Eduardo F. — Maio 14, 2010 @ 16:01

  2. Parecia uma pessoa simpática e isto confirma. Condolências aos seus amigos e família.

    Comentário por lucklucky — Maio 14, 2010 @ 17:04

  3. O Prof. Saldanha Sanches é uma das pesssoas mais humanas e generosas que conheço, para além de ser também uma mente brilhante e inspiradora e um grande jurista e fiscalista.
    é com profunda tristeza que vivo a noticia do seu desaparecimento físico. Que perdure na prática diária o seu exemplo

    Comentário por Helena Magno — Maio 14, 2010 @ 17:09

  4. [...] dia já não corria lá muito bem. A notícia da morte de Saldanha Sanches (aqui assinalada) também não ajudava. Mas, aquela que acima refiro, relata-nos mais que a morte de uma pessoa. Ela [...]

    Pingback por O Insurgente — Maio 14, 2010 @ 17:10

  5. “Não receava as consequências que advinham do que dizia. E isto vale muito.”

    Isso vale tudo!
    Apesar de não concordar com tudo o que dizia, era daquelas vozes que merecia que nos batessemos para que não fosse calada.

    Comentário por jtcb — Maio 14, 2010 @ 17:16

  6. A impressão que dava sempre que abria a boca era de defender o parasitismo desenvergonhado deste regime (é para isto que serve um fiscalista, aliás).

    Quem passou a vida a inventar justificações para pôr na prisão quem não se submete ao fisco não merece grande respeito. No caso dele isto é ainda mais apropriado. Ele tinha passado uns tempos nas prisões do antigo regime. Isto devia ter-lhe abrido os olhos para a importância da liberdade. Em vez disso, aproveitou a revolução para se tornar em cacique deste regime: o percurso típico do rebelde que se vende ao poder.

    Qualquer que fossem as suas qualidades pessoais, este homem levou uma vida de chupista burocrático, e de apologista do regime. Em suma, um predador notável, e um ideólogo da corte.

    Parece que hoje o Diabo ganhou mais um inquilino. (E com a fornada de Abrilistas que vai a caminho, não se avizinha nenhuma descida das rendas, por aquelas bandas.)

    Comentário por Pedro Bandeira — Maio 14, 2010 @ 18:37

  7. abrido=aberto
    qualquer=quaisquer

    Comentário por Pedro Bandeira — Maio 14, 2010 @ 18:41

  8. “Não receava as consequências que advinham do que dizia.”

    No caso, a leitura dessa observação era profundamente negativa, não positiva.

    Em relação ao trato pessoal como homem, não me posso pronunciar. Mas da sua intervenção publica, só me ocorre a senha persecutória de cobrador do Reino que sempre demonstrou, o seu discurso de “puro” iluminado disposto a ultrapassar todos os limites da razoabilidade e da devassa para cobrar o que achava que era devido – porque sim.

    Só posso dizer que, na minha opinião, o liberalismo e os direitos dos contribuintes face ao estado só ganharam hoje com a perda de um inimigo, um promotor na praça pública e na academia do totalitarismo fiscal – que em grande parte nos levou ao estado em que estamos hoje.

    Terá sido em êxtase, com certeza, coincidindo como coincidiu com o aumento generalizado dos impostos.

    Comentário por João Luís Pinto — Maio 14, 2010 @ 19:18

  9. Aulas monótonas, mas interessantes. Faltava o tom para empolgar alunos, mas o conteúdo estava sempre lá. Adeus, Professor.

    Comentário por Luís de Aguiar Fernandes — Maio 14, 2010 @ 19:22

  10. Parece que este blog está cada vez mais entregue aos Insurgentes da Corte.

    Aguarda-se ansiosamente o elogio fúnebre do Chávez ou do Fidel (que são pessoalmente muito calorosos, também eles).

    Comentário por Pedro Bandeira — Maio 14, 2010 @ 19:23

  11. Também tinha uma veia autoritária que o fazia confrontar-se com os vizinhos de um apartamento onde estava a instalar a filha.

    Era contudo um homem de valor. Deus o tenha seja misericordioso com ele.

    Comentário por A. R — Maio 14, 2010 @ 19:27

  12. Qual é o mal de fugir ao fisco? Uma pessoa é obrigada a deixar-se roubar?

    Qual é o mal da corrupção? Um empresário não pode pagar a um parasita do estado para que este o deixe produzir em paz?

    Qual é o mal dum político roubar o estado? Se um empregado do Al Capone roubar o seu patrão, temos que ter pena deste último, ou da sua corte “defraudada”? O dinheiro não devia ter ficado no bolso dos contribuintes em primeiro lugar, sendo mais ou menos irrelevante quem é o chupista (político, reformado, empresa subsidiada, funcionário público, etc…) que o mama em último lugar?

    Comentário por Pedro Bandeira — Maio 14, 2010 @ 19:32

  13. Os doutrinadores da caça ao “contribuinte” (ao parvo que se deixa comer pela máquina) não merecem qualquer respeito.

    Sobre pêsames à família, bem, os funcionários e dirigentes dos regimes totalitários também tinham famílias. Cabe na cabeça de alguém lamentar a morte de canalhas imorais só por terem família? É o mundo ao contrário.

    Comentário por Filipe Abrantes — Maio 14, 2010 @ 19:57

  14. Imagino que de facto, o Saldanha Sanches fosse boa pessoa, mas isso somos quase todos, não somos? De resto subscrevo o comentário do JLP. Fará falta à família e amigos com certeza.

    Comentário por Helder — Maio 14, 2010 @ 23:20

  15. Menos 1 fdp.

    Comentário por Al — Maio 15, 2010 @ 00:46

  16. Ena, ena, o que p´ra aqui vai neste blog, tanta gentinha satisfeita pelo desaparecimento de um homem que se limitou a levantar a voz contra a barbarie da vampiragem.

    Escusam de ficar descansados: O caldinho explosivo em que este país se está a tornar é terra fértil para o aparecimento de muitos Saldanhas…parece-me é que não vão ter cara tão simpática quanto este nem vão ser tão meigos…

    Comentário por Dervich — Maio 15, 2010 @ 01:13

  17. Dervich, destes muitas voltas nas tuas danças, e isto trocou-te as ideias. O vampiro, era ELE.

    Mas de resto tens razão, entrou-se numa fase em que as condições materiais para o saque estatal da economia desapareceram. Necessariamente, a classe parasita, em vez de conter o seu nível de vida como tem que fazer mais tarde ou mais cedo, vai querer pesar ainda mais ferozmente sobre o burro, e fazer a caça selvagem ao “fraudor”.

    Comentário por Pedro Bandeira — Maio 15, 2010 @ 19:06

  18. Como dizem por aqui alguns, o Sr. passou algumas dificuldades, e era efectivamente magnânimo como pessoa e como profissional, pese embora a discordância aqui manifesta.
    Este blog insurge-se, mas não devia disparatar.
    Eu pago os impostos todos, e sinto-os no pelo e no dia-a-dia, não gosto de pagar tanto, mas tenho a certeza absoluta que há muitos que não pagam o que deviam pagar, e por isso eu pago por eles também.
    Outra coisa, é que os sucessivos governos não consigam diminuir a despesa pública, que não fomentem o investimento, que não planeiem à distância, etc, etc, etc.
    Se escreveram o que aqui escreveram deste Homem, quando morrer aquele último amigo pago a peso de ouro que esteve nas cobranças, um tal de Paulo Macedo (corrijam-me se estiver errado) o Insurgente vai abaixo.

    Comentário por Álvaro Oliveira — Maio 17, 2010 @ 18:11

  19. “Só posso dizer que, na minha opinião, o liberalismo e os direitos dos contribuintes face ao estado só ganharam hoje com a perda de um inimigo, um promotor na praça pública e na academia do totalitarismo fiscal – que em grande parte nos levou ao estado em que estamos hoje.”

    bottomline, o homem poderia ser encantador, mas o país seria bem pior se a sua visão se realizasse.

    Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Maio 17, 2010 @ 19:14

  20. Homem Grande, um óptimista que amava viver. Tristes são os que criticam por criticar mas soluções não apresentam nenhumas….Mentes brilhantes cheguem-se à frente……

    Comentário por Paula Pereira — Setembro 30, 2010 @ 00:57

  21. “Tristes são os que criticam por criticar mas soluções não apresentam nenhumas”

    Paula esqueça os “ensinamentos” de Saldanha Sanches e esse mal passa-lhe num instante.

    Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Setembro 30, 2010 @ 07:34

  22. Comecei hoje a lêr a biografia de Saldanha Sanches.Temos a mesma idade, começamos em crianças no mesmo colégio Valsassina e em jovens voltamos a frequentar de novo, um mesmo colégio Moderno. Contudo não nos conhecemos e julgo que nem falamos alguma vez. Lamento que tal tenha acontecido, porquanto identifiquei-me desde sempre com os seus pensamentos. Mas meu irmão veio a conhecê-lo na Faculdade de Direito e muitas vezes me dizia que o tinha encontrado na rua e estiveram a falar. Mais tarde, muitas e muitas vezes, viajamos no mesmo metro e ficava-o admirando na sua simplicidade. Tinha a humildade do sábio.Uma figura tão nobre, uma inteligência tão acima do normal, sem um carro com motorista, sem mordomias…Fiquei muito chocado quando soube do seu desaparecimento.O espirito humano ainda tem muitos segredos por desvendar. Como é possível não conhecermos a pessoa, não falarmos com a pessoa, mas nutrirmos por ela grande estima e consideração pelo que ela representa. E ainda tristeza por a perdermos. O espirito deste país desde sempre foi pobre, porque nunca conseguiu escutar e compreender os seus cérebros superiores, e por isso, tolhido pelos medos, sempre os preferiu acorrentar.

    Comentário por fernando t. — Dezembro 8, 2010 @ 06:43

  23. este “cérebro superior” perdia poucas oportunidades de ser amigo — do dinheiro dos outros

    Comentário por AA — Dezembro 8, 2010 @ 18:10


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