O Insurgente

Abril 21, 2010

Os Atletas da Contrição

Filed under: Política,Religião — Miguel Noronha @ 10:20

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

Como Pascal Bruckner argumentou no ensaio La tyrannie de la pénitence (Paris, 2006) as ideologias seculares que dominam por completo a discussão intelectual europeia apropriaram-se do sentimento de culpa imanente à cultura judaico-cristã e perverteram-no com uma finalidade política destrutiva. Nesta deturpação secular da teologia, o estatuto de vítima ressuscita a categoria religiosa do amaldiçoado, estimulando o aparecimento de inúmeras congregações de sofredores e estigmatizados que competem pelo rendimento moral proporcionado pelo sofrimento, num fraccionamento neo-tribal destruidor da condição civil. Os judeus, tendo cometido o crime imperdoável de afirmar o seu desejo de existir sem prévia autorização dos europeus, viram o seu privilégio de vítimas históricas ser-lhes revogado e transferido para o “palestiniano”, por ser aquele que corporiza de forma cristalina o ódio ao ocidente, como admitiu Jean Genet. A admissão pública do pecado, típica do protestantismo evangelista, foi transformada numa culpa generalizada, difusa e permanente pelo passado histórico europeu, exumado e colocado perante o tribunal intelectual de uma casta pseudo-clerical e condenado por crimes imprescritíveis, de colonialismo, imperialismo ou “genocídio”. Gerações de europeus são educadas na genuflexão rotineira sob o peso desta pretensa culpa, enquanto a oligarquia intelectual, autênticos atletas da contrição, como lhes chamou Bruckner, administra com zelo e entusiasmo os rigores penitenciais. Como Bento XVI pretende restaurar a autoridade ética e intelectual da Igreja Católica, tornou-se num Papa perigoso para os atletas da contrição: vale tudo para o desacreditar, até ameaçá-lo de prisão

Coitadinhos

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:17

“A Responsabilidade dos Economistas” de Luís Campos e Cunha (blog Sedes)

Um Secretário de Estado afirma hoje (ver J. de Negócios de 20 de Abril) que é responsabilidade dos economistas portugueses desmentir artigos na imprensa internacional, como o de Simon Johnson, sobre Portugal (e a Espanha). (…)

Ou seja, as culpas são dos economistas portugueses que não desmentem e dos talibãs porque querem acabar com o euro. Os nossos governantes não têm responsabilidades, são vítimas. E eu a pensar que as vítimas eramos nós.

Num mês em que o mundo se focou em Portugal e ficou preocupado com o descalabro das nossas contas públicas, os governantes aprovaram o contrato para a construção do TGV-Madrid. (…) Quando é que o Governo nos dá factos (e não discursos) para negar a onda de suspeita sobre Portugal? Não houve muitos economistas a chamarem a atenção, em tempo oportuno, para o desnorte deste Governo em matéria orçamental?

Nietzsche, Freud, Marx (e Tocqueville)

Filed under: Política,Teoria — Miguel Noronha @ 08:53

Paulo Tunhas no i

Nos meados da década de 70 do século passado, um adolescente que pretendesse penetrar os arcanos da política, do sexo e da moral ia quase fatalmente parar a Marx, Freud e Nietzsche. Ou então a derivados, como Reich ou Marcuse – Bataille e Debord para espíritos mais sofisticados. Não pretendo que o resultado fosse esplêndido; muito pelo contrário. Saía dali uma salada próxima da ininteligibilidade, mas que possuía, estranhamente, alguma coerência.(…)

Hoje sabe-se que era Tocqueville quem tinha razão e que as sociedades democráticas caminham quase fatalmente para a absoluta regimentação e uniformização da vida, ameaçando a liberdade. Mas naquela altura não era o tempo, nem a idade, de o conhecer.

Parabéns

Filed under: Cultura — ruicarmo @ 01:41

Mark Twain.

Abril 20, 2010

Peace and Violence

Filed under: Diversos — Helder Ferreira @ 22:43

Donald Boudreaux, no Cafe Hayek num post a ler

Government cloaks itself in magnificent titles, marble buildings, and majestic ceremonies. Behind this glorious façade, though, is a fusillade of brutal and deadly force, ready to be violently unleashed against anyone who disobeys the commands of ruling politicians.

Círculos Uninominais

Filed under: Comentário,Internacional,Política,Teoria — André Abrantes Amaral @ 19:04

“(N)A representação proporcional (…) o eleitorado é levado a encarar como uma mera flutuação temporária da popularidade – e não um veredicto de “Culpado” – a perda de cinco ou dez por cento dos votos sofrida por um partido. Com o decurso do tempo, o povo habitua-se à ideia de que nenhum partido ou nenhum dos seus líderes pode ser responsabilizado pelas suas decisões.”

Karl Popper, “A Conferência de Lisboa,”, “Em Busca de um Mundo Melhor, Lisboa, Editorial Fragmentos, 1992, pp. 221-230.

O Tomás Belchior chamou aqui a atenção para as consequências negativas dos círculos uninominais: um partido pode ter uma percentagem elevada dos votos, mas poucos deputados, devido à dispersão do seu eleitorado.

Sucede que os círculos uninominais, e principalmente os do Reino Unido que são a uma volta, não servem apenas para escolher quem é eleito. Servem, essencialmente, para controlar quem é eleito. Socorrendo-me de Karl Popper e da conferência que este proferiu em Lisboa, se não me engano em 1987, se o sistema de representação proporcional conduz ao surgimento de muitos partidos, cria outros problemas como sejam a difícil governabilidade do país. Como é bastante custoso obter a maioria absoluta, os eleitores, de um sistema proporcional, não votam contra o partido de governo e facilmente se decidem a votar nos mais pequenos. As consequências são essencialmente duas e, ambas, negativas: Não só os pequenos partidos adquirem uma importância que não têm (por dependerem deles, mesmo com poucos votos) a viabilização dos governos, como também, o partido de governo não é devidamente punido. É esta falta de dura punição eleitoral que explica, em grande parte, a estagnação do PS e do PSD em Portugal. Para quê renovar, se a derrota nunca é dolorosa? Se a culpa nunca lhes é imputada?

Dirá o Tomás que o sistema uninominal no Reino Unido está a proteger os grandes partidos, impedindo-os de serem devidamente punidos, e serem substituídos pelos Liberais-Democratas. Em parte, e caso siga este raciocínio, terá razão. Porém, mais importante que o partido que ascende ao poder é saber no que é que ele consiste. E aqui reside a renovação interna que os círculos uninominais, não só favorece, como obriga. Quem ouça as declarações de David Cameron ou de Gordon Brown sobre as sondagens que dão excelentes resultados a Nick Clegg, facilmente se surpreende com a rapidez com que o novo alvo é reconhecido. Para os conservadores, é mesmo o homem a abater.

O que assistimos no Reino Unido é um importante terramoto político, resultado da incapacidade de renovação dos conservadores que escolheram (na minha opinião) o fraco líder que é David Cameron. Ao que parece, os tories mudaram de discurso, mas não acertaram no que queria o eleitorado. Independentemente de todas as análises que possam ser feitas, não nos podemos esquecer que esta não é a primeira vez que tal sucede. A história pode-se repetir e os próximos tempos (talvez anos) nos dirão qual dos três, não se alterando o sistema, ficará de fora. Dir-nos-á também qual será a essência ideológica dos dois sobreviventes.

Vitimas esquecidas

Filed under: Política,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 16:52

Numa altura em que as mais altas personalidades se desdobram em acusações aos especuladores pelos problemas de Portugal e Grécia convém não esquecer a ultima grande vítima portuguesa dos especuladores. Afinal de contas o negócio da senhora só falhou porque os malvados pararam de lhe emprestar dinheiro.

Justiça

Filed under: Justiça,Portugal — Miguel Noronha @ 16:48

O ex-autarca de Faro foi considerado culpado por desviar dinheiro do municipio para o Farense (uma prioridade em qualquer municipio). Como não roubou em proveito próprio o tribunal reduziu-lhe a pena. E um dos crimes que era acusado entrentanto prescreveu.

Aproximar os Eleitos dos Eleitores e Essas Coisas

Filed under: Internacional,Política,Teoria — Tomás Belchior @ 14:11


Nos últimos dias sairam duas sondagens interessantes sobre as eleições no Reino Unido. Além de darem a vitória (ou quase) aos Lib-Dems e os Trabalhistas em terceiro lugar, têm interesse por outro motivo: ilustram particularmente bem uma das limitações dos círculos uninominais que por cá são muitas vezes vistos como a salvação da nossa democracia.

Na primeira sondagem, que dá a vitória aos Lib-Dems com 33% e resultados de 32% e 26% para Conservadores e Trabalhistas respectivamente, a distribuição de lugares seria a seguinte: Conservadores com 251 deputados, Trabalhistas com 230 e Lib-Dems com 137. Na segunda sondagem, que dá a vitória aos Conservadores com 33% e resultados de 30% e 28% para Lib-Dems e Trabalhistas respectivamente, a distribuição de lugares seria ainda mais sui generis: Trabalhistas com 275 deputados, Conservadores com 245 e Lib-Dems com 99. Ou seja, esta segunda sondagem dá como hipótese ser o terceiro partido mais votado o vencedor das eleições de 6 de Maio. Diria que é uma representação algo distorcida da vontade dos eleitores.

Estes resultados não desqualificam só por si os sistemas eleitorais baseados em círculos uninominais mas demonstram uma das regras implícitas da política: as reformas não resolvem problemas, limitam-se a criar problemas novos.

E agora, José?

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:50

Diário Económico

Carlos Enes confirmou hoje na comissão de inquérito que, em 2005, jantou com dois deputados do PS e um assessor José Sócrates, que lhe terão transmitido uma reunião do primeiro-ministro com a Prisa.

O encontro terá acontecido durante as negociações para compra da Mediacapital e nele terão sido definidas “condições” para o sucesso da operação, entre as quais o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã. Uma decisão que, “por arrasto”, levaria à demissão do director-geral da TVI, José Eduardo Moniz.(…)

O jornalista confessou também que existem neste momento na TVI documentos sobre o caso Freeport que nunca foram revelados.

Uma boa oportunidade para aumentar o intervencionismo

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política — Miguel Noronha @ 12:45

Ainda não se provou que a Goldman Sachs tenha defraudado quem quer que fosse mas os politicos aproveitam para agir imediatamente. Especialmente, antes que seja conhecido o veredicto.

Salvar o Planeta Através de Projectos-Piloto

Filed under: Ambiente,Economia,Internacional — Tomás Belchior @ 12:23

Parece que episódio da erupção do Eyjafjallajokull provocou (directamente) uma redução líquida diária das emissões de carbono de cerca de 50.000 toneladas de CO2. O grande capital foi subjugado pela Mãe Natureza e ainda ficámos com umas fotos bestiais. O problema é que, no meio de todas estas vantagens, uns pobrezinhos africanos ficaram ainda mais pobres.

Isto só prova que, com o fim do mundo a aproximar-se a passos largos, precisamos de uma solução urgente para estes dilemas éticos. Uma solução que só pode passar por acabar com esta coisa da globalização de uma vez por todas. A bem do planeta.

“o Estado português tratou as vítimas como criminosos e os criminosos como vítimas.”

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:13

Entrevista a Manuel Castelo-Branco no Diário de Notícias

“O esquecimento das vítimas, no caso do meu pai, começou no dia em que ele foi morto. E a forma como as vítimas foram sendo tratadas foi cada vez mais violenta para as suas famílias. Começou com um julgamento e com uma pena que os FP 25 não cumpriram, houve uma série de atrasos no sistema judicial, uma série de lacunas que permitiram a abertura de buracos na lei que eles souberam aproveitar”.

“Houve algum patrocínio do poder político, onde à cabeça estaria o Dr. Mário Soares, que veio a promover a amnistia, e que levou a que estes crimes fossem completamente branqueados”, acrescentou.

Manuel Castelo-Branco considerou que “o culminar desta história lamentável de injustiça onde as vítimas foram profunda e ostensivamente esquecidas e os terroristas foram quase proclamados heróis, foi a promoção do chefe máximo das FP-25, Otelo Saraiva de Carvalho, a coronel em que recebeu uma indemnização que foi o triplo daquilo que receberam as famílias das vítimas que ele assassinou”.

100 anos

Filed under: Diversos — André Abrantes Amaral @ 12:09

Um homem nasce e cresce na Beira Alta, tira um curso, casa e vai para Angola exercer medicina. Será um dos seis médicos a trabalhar em Angola naquele ano de 1939, quando embarca em Lisboa, com a sua mulher, para chegar ao destino passados meses. Uma vida passada em África, em Nova Lisboa, até regressar em 1969, trinta anos mais tarde, sete filhos depois e já com os primeiros dos treze netos que ainda hão-de chegar. O meu avô chamava-se António Abrantes Amaral (tal qual o meu pai) e nasceu faz hoje 100 anos. É engraçado que agora, agora que já passei a idade que ele tinha quando foi para África, agora é que deixei de o ver como alguém que sabia tudo, tinha conhecimento de tudo e vivia acima de todos. Ele também deve ter tido medo, vivido a incerteza, naquele ano em que a guerra começou na Europa e ninguém deveria saber como iria ser a vida nas colónias. Hoje não o vejo velho nem doente, mas medianamente alto e vigoroso como era, de camisa branca, calças à época de cintura subida, cabelo preto penteado para trás, a tratar doentes, a receber amigos, a falar com familiares, a rir, a sonhar, a pensar o que quer fazer da vida e sentir o que gostava esperar do mundo. Alguém como eu.

Não é todos os dias que se nasceu há cem anos. E não são todos os que 100 anos passados conseguem que alguém escreva sobre si.

Portugal: à espera de um milagre

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — Miguel Noronha @ 11:54

“Growth an Debt Miracles” de Miguel Morgado (The Portuguese Economy)

In a recent paper – “Growth in a Time of Debt” – Carmen Reinhart and Kenneth Rogoff make use of their deep empirical knowledge of financial crises and their aftermath to establish some relations between real growth and debt. Their general findings are important though not altogether surprising. Briefly stated, they find that there is no strong link between real GDP growth and public debt below the threshold of 90 per cent of GDP. Only when public debt goes beyond that threshold does growth suffer with accumulating debt. For emerging markets, and as far as external debt (both public and private) is concerned, the threshold for the appearance of a strong relationship between weak real growth and debt is at 60 per cent of GDP. (mais…)

Tirar o Vão de Escada da Equação

Filed under: Cultura,Internacional,Justiça,Religião — Tomás Belchior @ 11:33

Florida Doctor Kills Wrong Twin, Loses License

The Florida Board of Medicine revoked a Sarasota OB-GYN’s medical license last Friday for aborting the wrong baby of a mother pregnant with twins.  Dr. Matthew Kachinas mistakenly killed a healthy baby girl instead of her twin brother who had Down syndrome and possible congenital defects. State records showed that Kachinas made a $250,000 liability settlement with K.M. for “an incident” on the day of her selective termination.

A realidade tem o hábito tramado de nos dar cabo do idealismo.

(Via First Thoughts)

Um país diferente da Grécia

Filed under: Internacional,Política,Sondagens — Nuno Branco @ 09:36

Uma sondagem do Pew Research Center:

1) Just 22% say they can trust the government in Washington almost always or most of the time.

2) Opinions about elected officials are particularly poor. In a follow-up survey in early April, just 25% expressed a favorable opinion of Congress

3) the survey also finds a rise in the percentage saying the federal government has a negative effect on their day-to-day lives.

4) In the current survey, 56% say they are frustrated with the federal government, 21% say they are angry

5) Over this period, a larger minority of the public also has come to view the federal government as a major threat to their personal freedom — 30% feel this way, up from 18% in a 2003

Por lá ainda há esperança que as pessoas acordem.

A teoria da manada aplicada ao serviço público de televisão

Filed under: Media,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:34

A proposta [do PSD] para privatizar a televisão pública encerra uma inquietação. É que não me lembro de um único país do mundo sem uma televisão pública. Na União Europeia, todos os países têm uma televisão pública. Mesmo os países ditos mais liberais, como os EUA ou o Reino Unido, têm uma estação pública de televisão.

Parece que para estes senhores é difícil conceber a existência de um serviço público de televisão sem o primeiro canal (cuja programação é toda ela um “serviço público”) ou mesmo com zero canais (conforme é proposto neste livro).

Israel

Filed under: Médio Oriente — ruicarmo @ 00:31

O estado que trava todos os dias uma guerra de independência e de sobrevivência, está de parabéns, pelo 62º aniversário.

A natureza (humana)

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 00:15

This one, last week, was different. It started underneath a glacier nearby the first eruption. It melted down a lot of ice and we had huge floods. When the lava hits the water you have a huge explosion and it explodes into thin dust (…). Standing in front of it at night is magnificent because you can really see the lightning that is at the center of the eruption. It’s incredibly exciting (…). I’m very happy to live here in Iceland even though we’re broke. We’re poor, with beauty.

Ash and Lightning Above an Icelandic Volcano
Credit Marco Fulle

Abril 19, 2010

Portugal igualzinho à Grécia

Filed under: Economia,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 19:23

Há duvidas?

Weber, citing television footage of Greek demonstrators, expressed concern that sections of the Greek population either don’t care or fail to appreciate the seriousness of the situation their debt-laden country faces.

E, já sem surpresa acrescentou:

Bundesbank President Axel Weber told German lawmakers that Greece may need more aid than the 30 billion euros ($40 billion) promised by the European Union as the government in Athens struggles to push through planned spending cuts.

Sobre a tributação de mais-valias obtidas por não residentes

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 17:25

” (…) O alerta foi lançado no Diário de Notícias, na edição de sexta-feira: os estrangeiros estão isentos da futura taxa sobre as mais valias em Bolsa, por via dos Estatutos de Benefícios Fiscais. Os investidores nacionais pagam imposto, mesmo usando “veículos” estrangeiros, já que as normas anti-abuso cortam este caminho.

O mais grave não é esta discriminação entre nacionais e estrangeiros, o que, já de si, é condenável. É que, a isenção de imposto facilita e acelera a saída de activos nacionais (lei-se empresas) para mãos estrangeiras, num quadro em que estas estão mais baratinhas, porque umas descapitalizadas e outras afectadas pelo ciclo económico (…) “

Rudolfo Rebêlo, no Albergue Espanhol

As mais-valias obtidas em bolsa por cidadãos não residentes são, na generalidade das jurisdições desenvolvidas, isentas do pagamento de imposto. Tal não significa, porém, que o ganho não venha a ser tributado. O que se entende é que caberá ao Estado de residência do investidor definir se tributa ou não esse rendimento.

A isenção de imposto de mais-valias obtidas por não-residentes é, além do mais, essencial para a sobrevivência de qualquer mercado de capitais: recordo que os EUA, que têm a Bolsa mais atractiva do planeta e tributa as mais-valias para os seus residentes fiscais à mesma taxa que os restantes rendimentos, isenta os ganhos obtidos por não-residentes.

Vemos agora algumas pessoas espantadas por constatar que tributar as mais-valias de residentes poderá conduzir à saída de capitais para o exterior. Noto que, ao contrário do que afirma o Rudolfo Rebêlo, aqui, quando a lei entrar em vigor, muita da receita esperada poderá não ser efectivamente cobrada, porque, racionalmente, vários investidores vão optar por ir pregar para outras freguesias. Sim, porque mesmo as normas anti-abuso não são aptas a impedir a transferência de holdings ou casas-mãe para o exterior, como já ocorreu no passado, por razões distintas. Num quadro global, há sempre unintended consequences, e afinal, o mundo é dinâmico, a realidade não é estática. Como dizia o outro, “é a vida”…

Nota final: Noto, em qualquer caso, que tecnicamente nunca fui a favor das razões apresentadas para justificar que as mais-valias deveriam merecer um tratamento de favor face a outras categorias de rendimentos. Eu defendo, por razões políticas, uma descida significativa da carga fiscal, mas não por via da discriminação de certo tipo de rendimentos face a outros.

Governar ou brincar aos governantes? (3)

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Nuno Branco @ 16:39

Há cerca de três meses fiz uma breve análise das origens da crise neste tópico. Além das breves causas da crise abordei as diferentes formas com que os governantes dos diferentes países da zona euro estavam a abordar os problemas com que se deparavam escrevendo a propósito da Irlanda:

E assim podemos ver a diferença entre duas maneiras de agir: Aqueles que agem para resolver os problemas ganham estabilidade financeira, aqueles que brincam aos governantes ganham dores de cabeça. A este ritmo não será de espantar que lá para o verão este gráfico já esteja invertido com Portugal e Espanha acima da Irlanda… certamente uma boa arma de arremesso para as próximas campanhas eleitorais para podermos todos a continuar a não fazer nada até ao dia que tenhamos de chamar o “papá FMI”.

Algumas coisas mudaram entrentanto: Por exemplo, na altura só os mais maléficos especuladores se atreviam a falar do FMI na zona euro enquanto que hoje o tema é já curriqueiro. O que não mudou foi a percepção negativa que os mercados tinham do nosso país, bem pelo contrário agravou-se e como previsto na altura o custo da dívida Portuguesa é hoje mais cara que a Irlandesa pela primeira vez desde, pelo menos, os últimos 18 meses. (mais…)

Com um pouco de sorte, ainda será no túnel das Antas

Filed under: Desporto — Carlos Guimarães Pinto @ 15:24

Pinto da Costa – “Benfica vai festejar o título no túnel do Marquês”

Sobre a – verdadeira – natureza da liberdade de escolha

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:44

A liberdade de escolha não advoga, ao contrário do que se lê por aí, o fim da universalidade de acesso, nem sequer promove “desigualdades” ou “retóricas de mercados”. O que há, sim, é uma mudança de paradigma: assume-se que a defesa do bem comum e da universalidade não radica na natureza do prestador – que pode ser público, privado, ou cooperativo – mas na finalidade da prestação.

E é isso que a esquerda mais corporativa, dogmática e conservadora – no pior sentido do termo – não aceita. A esquerda vê na liberdade de escolha uma ameaça ao poder dos sindicatos e das estruturas politizadas diluídas nos aparelhos dos ministérios, aos favores de um determinado status quo que privilegiam certas classes e corporações, em prejuízo da economia do país. Quem ler o João Rodrigues até fica com a sensação que a actual Escola em Portugal favorece a mobilidade social, ou que a nossa Saúde não incorpora um desperdício incomportável, por ausência de concorrência, checks and balances, e tutela do utente sobre os prestadores.

Artigos como o que o João Rodrigues escreve hoje no i assentam na já gasta falsa superioridade moral da extrema-esquerda, numa triste arrogância intelectual, em clichés que não demonstram nada, e escondem, não uma preocupação com a eficiência do sistema ou com a melhoria da prestação para os cidadãos, mas um receio que a liberdade de escolha venha a enfraquecer o peso corporativo da esquerda na máquina do Estado. Uma certa esquerda tornou-se em Portugal numa força de bloqueio às reformas e à modernização que o país necessita, urgentemente, para sair da profunda crise em que estamos mergulhados.

A generalidade da esquerda, tristemente, perdeu a sua marca progressista, para se tornar numa obsoleta máquina de defesa do status quo.

Nota final: Já agora, e para que não haja confusões no plano ideológico, ao contrário do que se lê por aí, a defesa da liberdade de escolha, tal como o PSD o apresenta, não é “liberal”, mas essencialmente social-democrata. O financiamento permanece estatal, obtido por via fiscal, e o sistema continuaria a ser organizado nos moldes definidos no actual quadro constitucional de acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde e à Educação. O que se discute é, desde logo, como deve ser organizada a oferta dos cuidados, ao nível dos prestadores e da rede, e qual o papel que os cidadãos poderão ter na tutela do sistema, com o poder da sua própria escolha. O que a liberdade de escolha faz é transferir parte do Poder que hoje pertence ao Estado, para os cidadãos. Não é estranho que a esquerda desconfie de soluções que concedem Poder aos cidadãos?

Deverá a Alemanha resgatar a Grécia?

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 14:25

Ricardo Arroja

No último mês, a Grécia parece ter conseguido manobrar os corredores do poder político e, parece, ter obtido o apoio financeiro da UE e do FMI. A questão que se coloca é: e se outros precisarem de tratamento semelhante? Estarão os alemães dispostos a isso? Infelizmente, julgo que não. Por isso, a bem da equidade, estou hoje convencido de que a melhor solução seria um “default” da Grécia, pois o seu incumprimento levaria à diferenciação do risco soberano na Europa – a única forma de travar a indisciplina orçamental de alguns, premiando o bom comportamento de outros. O contrário será manter a permissividade, e o incentivo, em relação à violação das regras – esta, sim, a verdadeira caixa de Pandora, cujos efeitos perdurarão durante décadas. E, pior, se por acaso a Europa salvar os gregos não salvando depois outros que também necessitem de ajuda, então, criar-se-ia uma outra situação de enorme injustiça. Como aconteceu nos EUA quando, depois de se resgatar a Bear Stearns, se deixou cair a Lehman Brothers…

Socialismo insular

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:45

Na Madeira aposta-se numa subida do desemprego.

Pois é

Filed under: Economia,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 12:15

O mercado começa a penalizar a Alemanha pelo previsível “bailout” à Grécia

Angela Merkel’s about- face on bailing out Greece is turning German bonds into a losing bet after beating Treasuries the past 18 months.

Yields on 10-year bunds rose as much as 0.24 percentage point relative to similar-maturity Treasuries since April 5 and BlackRock Inc., the world’s largest money manager, said it no longer pays to own the debt amid Europe’s fiscal crisis. Ignis Asset Management added to a bet that bunds would lag behind U.S. debt after the $61 billion rescue was announced April 11.

“The bund rally is over,” said Stuart Thomson, a money manager at Ignis in Glasgow, Scotland, who helps oversee more than $100 billion. “Greece ultimately has to default and bund yields will have to rise as Germany funds the Greek rescue over the next two to three years.”German credit risk may rise should the nation get saddled with increasing financial burdens from debt-laden neighbors (…)

Nick Clegg

Filed under: Comentário Internacional,Política — Bruno Gonçalves @ 11:24

Nick Clegg to win the General Election? Has someone put something in the water supply? Por Boris Johnson.

What has happened to us all, when serious papers can start raving about “Prime Minister Clegg”? Has someone put something in the water supply? Has some sulphur yellow cloud descended imperceptibly from Iceland and addled our brains? These are Lib Dems we are talking about! They say anything to anyone. They are not so much two-faced as positively polycephalous. They go around every university campus promising to abolish “Labour’s unfair tuition fees” – while dear Cleggie tells his party conference that this policy, this cardinal Lib Dem policy, would cost £12 billion and that the country can’t afford it. In the north of England you will find plenty of Lib Dem literature extolling their “mansion tax”, a proposal on which they remain deafeningly silent in places like Richmond and Kingston, where it would mean a vast new tax on people who happen to live in overvalued houses.

Everybody treats Vince Cable as a semi-holy Mahatma Gandhi of British politics, because he is supposed in some way to have anticipated the financial crisis. Actually his most notable recommendation before the crisis was that Britain should join the euro – a move that would gravely have worsened our current position by leaving us in a Greek-style straitjacket.

What crouton of substance did Clegg offer last Thursday, in the opaque minestrone of waffle? He wants to get rid of Trident. Great! So Lib Dem foreign policy means voluntarily resigning from the UN Security Council, abandoning all pretensions to world influence, and sub-contracting our nuclear deterrent to France! They are a bunch of euro-loving road-hump fetishists who are attempting like some defective vacuum cleaner to suck and blow at the same time; and the worst of it is that if you do vote Lib Dem in the demented belief that there could ever be such a thing as a Lib Dem government, you won’t get Prime Minister Clegg. You’ll get Prime Minister Gordon Brown, for five more holepunch-hurling years, because the Lib Dems almost always vote with Labour, and in my years in Parliament I can’t remember a single moment when they opposed a Labour measure to expand state spending or state control.

Falta de sorte

Filed under: Comentário,Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 11:05

Não deixa de ser assustador que um nevoeiro e um vulcão possam empurrar a Polónia para os braços da Rússia. A natureza tem uma força contra a qual a melhor das vontades, por vezes, nada pode. Há países sem sorte.

Estupidez europeia

Filed under: Nanny State Watch,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 10:52

No i

Em Portugal, como na União Europeia, ser turista vai passar a ser um direito. Idosos com mais de 65 anos, pensionistas, jovens entre os 18 e 25 anos, famílias com “dificuldades sociais, financeiras ou pessoais” e portadores de deficiência, todos poderão vir a beneficiar de férias com um subsídio da Comissão Europeia, que pode cobrir até 30% das despesas.

È estupidez pura e simples. Sem mais comentários.

Balão de oxigénio (2)

Filed under: Economia,União Europeia — Nuno Branco @ 10:46

O balão de oxigénio fornecido à Grécia pela UE teve a espectacular duração de… uma semana. O preço da dívida a 10 anos já se encontra em novos máximos.

Nada de surpreendente, como tinha escrito antes o bluff não compensa. Resta agora o plano B (activar o plano) ou no caso de alguém ganhar juízo naquela terra podem sempre tentar renegociar a dívida com os credores.

Um governo em negação

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:43

No i

Portugal está num estado semelhante ao da Argentina, em 2002. Esta é a comparação feita pelo ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Simon Johnson. O economista chefe diz temer que “o governo português esteja em estado de negação.” Uma resposta a Teixeira dos Santos que tinha considerado as declarações de Johnson como “disparates” que revelavam “ignorância”.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Passa a Outro e Não ao Mesmo; Estado de Negação

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 08:45

Esta semana, numa modesta homenagem ao recentemente falecido Henrique Nascimento Rodrigues, o blog em destaque é o Ouvidor do Kimbo.

E uma rede de cidades flutuantes para o caso de haver dilúvio? (aceitam-se mais sugestões na caixa de comentários)

Filed under: Política,Portugal,Religião — Carlos Guimarães Pinto @ 06:54

É interessante a falta de argumentos que se vai sentindo entre os defensores das grandes obras públicas. A última dos Don Quixotes do Cainesianismo é justificar a necessidade da ligação à rede de alta velocidade com a recente interrupção dos vôos devido às cinzas do vulcão – www.google.com, volcano iceland, search, scroll down, copy, paste – Eyjafjallajoekull. A última erupção do Vulcão – paste – Eyjafjallajoekull aconteceu há quase 200 anos atrás (ou, para o Miguel Madeira, há 188 anos e 4 meses) e não é de esperar que venha a acontecer com mais frequência no futuro, mas isso importa pouco. Nada como investir mais uns milhões para estarmos preparados para tudo.

Abril 18, 2010

Tolerar Valores

Filed under: Cultura,Política,Portugal,Religião — Tomás Belchior @ 19:33


Ideias que se perdem em tempos de iluminismos:

“Nobody has a right to be unafected by the social milieu of which he or she is part. [...] Nobody has a legal right not to encounter religious symbols in public places and thus impose his aversion to such symbols on the community that cherishes them.”

Quem diz símbolos religiosos, diz um Papa. Esta ideia de ter o Estado como mediador de valores é uma coisa que me incomoda mas, dentro desse cenário, ao menos que os valores que o Estado anda a “tolerar” tenham alguma correspondência com os valores dos portugueses.

Você decide

Filed under: Economia,Educação,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 19:04

Redução das deduções fiscais não vai afectar famílias da classe média, diz Isabel Alçada

Ignorância profunda ou mentira despudorada?

Na morte de um anticomunista

Filed under: Media,Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 14:21

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Em muitos dos obituários de Lech Kaczynski, o Presidente da Polónia morto num acidente aéreo em Smolensk, aprende-se que o homem era extremista (de direita: os extremistas são sempre de direita), conservador, reaccionário, nacionalista, truculento, populista, antieuropeu, ultracatólico, xenófobo, homófobo e, o que é estranhíssimo para o primeiro Chefe do Estado polaco a participar em cerimónias religiosas numa sinagoga e para um sujeito altamente prezado na comunidade judaica local e em Israel, anti-semita.

Claro que, em português de gente, todo o jargão acima significa o seguinte: Kaczynski era democrata e não era de esquerda, passe a provável redundância. E era democrata de longa data, desde o tempo em que o saudoso Sol soviético brilhava em Varsóvia e esse particular extremista lutava na primeira linha do Solidariedade contra o respectivo calor (a viagem a Smolensk, aliás, visava evocar o assassínio de 20 mil polacos em Katyn, em 1940 e a expensas de Estaline). Só o passado de resistência ao horror totalitário tornava Kaczynski uma espécie rara entre os actuais dirigentes europeus, nados e criados na mansidão do marketing (eu sei: mansa é a minha tia). Mas Kaczynski ousou mais, e talvez tenham sido dele, principalmente enquanto ministro da Justiça, os principais esforços para erradicar a herança corrupta que o comunismo invariavelmente legou, mesmo entre os que o combateram. E foram certamente dele as maiores objecções ao Tratado de Lisboa, que naturalmente considerava uma nova ameaça à soberania nacional.

Por puro acaso, eu estava em Cracóvia em Setembro de 2005, quando o gémeo biológico e político de Lech venceu com relativa surpresa as “legislativas”. Já então os irmãos mereciam, dentro e sobretudo fora do país, o rancor de muita imprensa. Cinco anos depois, a Polónia é uma nação mais livre e independente como praticamente nunca o foi na sua tumultuosa história. O rancor, com ou sem a moderação a que o pudor fúnebre convida, manteve-se. Ou agravou-se: os obituários de Kaczynski traem, afinal, o desprezo de tantos pela democracia. Num mundo em que a morte de “grandes antifascistas”, frequentemente ao serviço de outros fascismos, convoca intensa emoção, “Morreu um grande anticomunista” não faz manchetes. Ainda assim, ter morrido em pleno exercício da sua causa faz a Kaczynski a justiça que lhe tentaram negar.

Um exemplo chamado Figo

Filed under: Desporto,Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:38

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

O problema das novas gerações não é a falta de referências, mas o tipo das ditas. O jovem Edu, jogador da bola e autor dos golos que apuraram o Desportivo de Chaves para a final da Taça de Portugal, garantiu ao DN ter Luís Figo “como um exemplo” que procura seguir “em todos os sentidos”. Todos?

De acordo com o Ministério Público, o sr. Figo soube conceder uma entrevista simpática para com o eng. Sócrates, soube enviar a entrevista na véspera da publicação ao cuidado do famoso administrador Rui Pedro Soares, soube apanhar um voo para Lisboa de modo a partilhar com o primeiro-ministro um extraordinário pequeno-almoço e, nos intervalos, soube exigir 750 mil euros (ou dois milhões: os números variam com as fontes) de uma empresa pelos actos cívicos acima descritos. De acordo com o Ministério Público, o sr. Figo só não soube que a empresa em questão, a Taguspark, é uma sociedade de capitais maioritariamente públicos, desconhecimento que tecnicamente o iliba no processo judicial em curso.

Aparentemente, desde que os contratos que assina lhe rendam verbas avultadas, o sr. Figo não cansa a cabeça com a origem das mesmas. Um dia, a sua meritória obra de apoio às crianças futebolistas acaba patrocinada por cultos satânicos, de resto uma alternativa que me parece preferível ao patrocínio inadvertido do contribuinte. Verdadeiramente dignos de preocupação são os petizes que, em vez de beneficiarem da Fundação Luís Figo, já sonham com os benefícios de uma fundação própria, bastando-lhes para isso o exemplo adequado, o grau de ignorância adequado e os governantes adequados. Além, claro, dos eleitores adequados, que respeitam as recomendações políticas do sr. Figo e são indiferentes ao seu preço.

Abril 17, 2010

No gira-discos

Filed under: Diversos — ruicarmo @ 01:16

What Difference Does It Make?, The Smiths.

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