“A Responsabilidade dos Economistas” de Luís Campos e Cunha (blog Sedes)
Um Secretário de Estado afirma hoje (ver J. de Negócios de 20 de Abril) que é responsabilidade dos economistas portugueses desmentir artigos na imprensa internacional, como o de Simon Johnson, sobre Portugal (e a Espanha). (…)
Ou seja, as culpas são dos economistas portugueses que não desmentem e dos talibãs porque querem acabar com o euro. Os nossos governantes não têm responsabilidades, são vítimas. E eu a pensar que as vítimas eramos nós.
Num mês em que o mundo se focou em Portugal e ficou preocupado com o descalabro das nossas contas públicas, os governantes aprovaram o contrato para a construção do TGV-Madrid. (…) Quando é que o Governo nos dá factos (e não discursos) para negar a onda de suspeita sobre Portugal? Não houve muitos economistas a chamarem a atenção, em tempo oportuno, para o desnorte deste Governo em matéria orçamental?
“Não houve muitos economistas a chamarem a atenção, em tempo oportuno, para o desnorte deste Governo em matéria orçamental?”
Por acaso não houve muitos.
Comentário por lucklucky — Abril 21, 2010 @ 09:34
Comentário por Rxc — Abril 21, 2010 @ 09:37
Miguel, tenho pensado muito nisto… nesta atitude do governo e do Presidente a que já chamam “de negação”… e que só poderia entender como defesa do país em relação a especuladores-abutres a farejar países em falência… mas com todos estes sinais errados… o PEC, o TGV (viram o “Prós e Prós” desta semana?) e outros contratos danosos para o bem público…?
E isto na sequência de uma governação inclassificável… o aumento sistemático de impostos, os sacrifícios pedidos sem qualquer rsultado benéfico posterior… da concessão às Estradas de Portugal em 2007… e a desorçamentação nos sucessivos OE… a nacionalização do BPN e outros episódios bancários… a ausência de supervisão do Banco de Portugal… enfim, no final deste filme medíocre, em que se sugaram as energias e a vitalidade económica do país, com quase metade da população na pobreza, com fluxos de emigração ao nível dos anos 60, qual será mesmo a imagem de Portugal no exterior?
Comentário por Ana Silva Fernandes — Abril 21, 2010 @ 10:06
” qual será mesmo a imagem de Portugal no exterior?”
O acrónimo PIIGS não é só por causa das iniciais.
Comentário por Miguel — Abril 21, 2010 @ 10:50
O que houve e ainda há muito é muitos economistas e jornalistas a aceitar e reproduzir de forma totalmente acrítica e acéfala aquilo que um governo reconhecidamente incompetente e mentiroso ia fazendo passar nas suas acções de propaganda barata. Só assim se explica que esteja a demorar tanto tempo para que as pessoas caiam na real e alcancem a dimensão da crise e dos probelmas estruturais graves de que padecemos. Só assim se compreende o unanimismo em redor de obras públicas totalmente inúteis, de orçamentos de Estado totalmente irrealistas, ou de um PEC que é uma verdadeira farsa e que não tarda a ser revisto por pressão dos mercados. Já agora, não se esqueçam que os malévolos mercados (ai que palavra maldita) e, pior ainda, os terríveis especuladores, são eles próprios os nossos credores. No momento em que eles fecharem a torneira, este país abre inevitavelmente falência.
O que falta neste país é precisamente mais discussão, confronto de ideias, crítica. Para verbo de encher já temos o nosso inútil PR
Comentário por brutus — Abril 21, 2010 @ 11:31