As notícias vindas ao lume sobre possível fim do ‘i’ (pelo menos como ele foi concebido) parecem comprovar que o tempo dos jornais à antiga, que noticiam tudo e alguma coisa, terá os dias contados. Há cerca de 5 anos que não compro jornais, sejam diários ou semanários. Substituiu-os pela edição online do WSJ (que me custa cerca de 30 cêntimos/dia) e a subscrição em papel de revistas mais específicas, como sejam a ‘American Interest’, a ‘Literary Review’ e a ‘Atlantic’. São alguns exemplos, havendo muitas mais publicações, ao ponto do processo de escolha se tornar quase angustiante. O certo é que no meio de tanta oferta, há que alargar a procura. No que diz respeito à imprensa portuguesa, fico-me pela leitura dos respectivos sites e na opinião, fio-me pelo que se publica na blogosfera. Há nela mais diversidade e ainda se encontra quem pense pela sua cabeça, sem calculismos rasteiros.
Posto isto, julgo que ainda se vislumbra uma réstia de esperança para a imprensa escrita portuguesa. Principalmente se apostada na criação de publicações mais especializadas, envolvendo pequenos investimentos, com custos de manutenção bastante controlados e viradas para um público alvo muito específico. O fácil acesso aos sites noticiosos parece ter liquidado qualquer ideia de um jornal português ter uma grande tiragem. O eventual sucesso do iPad pode ser o golpe de misericórdia, tornando possível ler os jornais estrangeiros como se folheássemos as suas folhas de papel. Talvez tenha chegado a altura das ideias simples e dos projectos ambiciosamente pequenos. Não é fácil. No entanto, e da mesma forma que a internet permitiu àqueles que sabem e querem, começassem a escrever, também pode ajudar ao surgimento de pequenos investidores com ideias muito concretas.
Outras considerações à parte, o iPad parece-me um flop.
Daqui a um ano logo saberemos.
Comentário por Nuno Branco — Abril 5, 2010 @ 13:55
Nuno, também estou à espera do vai acontecer com o iPad. A expectativa é muita.
Comentário por André Abrantes Amaral — Abril 5, 2010 @ 14:54
Infelizmente o resultado vai ser a concentração dos jornais… vão sobrar muito poucas publicações (online ou offline, tanto faz, é a mesma coisa), e o resto do espaço vai ser ocupado por publicações nicho (ex: wsj) e pelos bloggers. Em Portugal dos grandes vão sobrar talvez o CM e o Publico, se tanto (e os desportivos, claro).
Em relação ao iPad, acho que estão a ver isto mal, todo o raciocínio por detrás desse produto é o mesmo modelo que os jornais sempre usaram… tenta tornar os internautas em meros consumidores de conteúdos em vez de contribuidoes. Vejam este artigo: http://www.businessinsider.com/i-really-hate-what-apple-is-trying-to-do-with-the-ipad-2010-4
Comentário por Bernardo — Abril 6, 2010 @ 15:18
[...] Naves comentou a minha opinião sobre a imprensa escrita em Portugal, cuidado que agradeço. Comete, no entanto, alguns lapsos e cai em certas contradições quando [...]
Pingback por Separar o trigo do joio « O Insurgente — Abril 7, 2010 @ 10:44
[...] i provocou uma pequena discussão na blogosfera sobre a viabilidade futura da imprensa (ex: aqui, aqui, e aqui). É certo que a circulação generalizada de revistas e jornais é algo desejável, [...]
Pingback por Desafios da imprensa « Mercado de Limões — Junho 3, 2010 @ 16:19
[...] O lançamento do Público Mais, hoje noticiado naquele jornal parece ir ao encontro do que comentei há mais de um ano. [...]
Pingback por Público Mais e a imprensa escrita em Portugal « O Insurgente — Julho 21, 2011 @ 11:04
[...] pela informação, menos ainda que seja a causa para a má qualidade dos jornais portugueses. Conforme tive oportunidade de referir em Abril do ano passado, um dos motivos para a quebra nas vendas das edições em papel dos jornais prende-se com o [...]
Pingback por A crise da imprensa escrita « O Insurgente — Setembro 14, 2011 @ 11:50