JPP, neste post, identifica, e bem, as cisões latentes no PSD, para depois considerar que a defesa da “unidade” é uma ideia feita com facilidade, ao bom estilo de La Palisse.
O PSD precisa de unidade, e JPP não o ignora; outra coisa é que o único protagonista que seria capaz de efectivamente assumir esse papel, JPAB, poderá não ser o que recolhe a preferência da maioria dos militantes. Agora, neste plano não duvidemos, o candidato que JPP apoia é aquele que mais anticorpos tem no partido. Uma vitória de Paulo Rangel, que dificilmente acontecerá, poderia bem ser o canto do cisne do PSD, tal o nível e a quantidade de ódios que o candidato e inúmeros membros da sua candidatura – JPP, incluído – geram entre a maioria dos militantes.
Não deixa de ser triste que o PSD veja na unidade um valor utópico, como deixa transparecer talvez sem querer JPP no seu post, ou até uma justificação para o “ambiente de exclusão” com que eufemisticamente se refere à carnificina que se avizinha.
Não me interpretem mal, tenho especial simpatia por JPP, e amizade por PR, mas considero que hoje é evidente o erro que desde o início antecipei: a candidatura de Paulo Rangel, pela forma como emergiu e se posicionou ao longo da campanha, reabriu feridas antigas e recentes, acentuou divergências, balcanizou ainda mais o partido – no fundo, dificultou um processo de unidade, que estava em curso – tendo-se desperdiçado a hipótese de dar corpo a uma alternativa que efectivamente teria mais chances de ser agregadora e inclusiva. A candidatura de PR provocou um downgrade do debate eleitoral no PSD, encheu-a de pequenos casos e quezilências, impediu que verdadeiramente se discutisse o partido e o país, sem acrescentar valor, pois estamos a chegar ao fim e não se percebeu que “ruptura” afinal se pretende protagonizar.
Os militantes do PSD que olham para a política pela positiva têm ainda a hipótese de dar corpo à única candidatura que não suscita ódios de morte em larga escala, que genuinamente quer unir o PSD nas suas diferenças, a de JPAB, evitando o genocídio partidário que já se sente no ar, com o som do afiar de facas longas que, não duvidem, vão ser usadas até ao limite, no day after às eleições, e que JPP, com a sua habitual frontalidade, aqui identifica. O PSD de PPC, e o de PR, são como água e azeite, não se misturam, por mais que tentemos diluí-las, e pior, odeiam-se de morte. O que aí vem, com a vitória de algum deles, é muito feio. E JPP sabe isso muito bem. Pena que tenha preferido, convencido que PR carregaria um karma de vitória, por acentuar ainda mais o clima de desunião e populismo no PSD, em vez de ajudar a dar consistência a uma solução mais serena, que se estava a construir a partir do ambiente de união conseguido a pulso e com dificuldades por JPAB no grupo parlamentar.