O Insurgente

Março 14, 2010

Mais umas notas sobre o Congresso

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 00:11

1. JPAG fez um bom discurso. Não teve grande receptividade na sala (poucos delegados que lhe são afectos), mas gostei do conteúdo e do tom (que estava, novamente, aguerrido).

2. A sala do congresso é inacreditável. Os observadores estão quais utentes do metro de Tóquio em horas de ponta. Para beber um café ou comprar uma garrafa de água, só um café a uma boa distância do pavilhão. Ir a um congresso do PSD devia ser mais confortável do que fazer uma peregrinação a Fátima.

3. A coreografia dos delegados no congresso é muito curiosa. Não tanto nos que se levantam e nos que ficam sentados quando um dos candidatos discursam, mas nos cumprimentos entre barões – antes do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, quando não se sabia o que diria, houve uma procissão de delegados para o cumprimentar -, no tom de voz que se usa, para quem os circunda e os jornalistas ouvirem, quem vai cumprimentar quem, onde se posicionam as várias candidaturas.

3 Comentários »

  1. Discordo da análise relativamente à prestação de Aguiar Branco.

    1) Não percebi a insistência na afirmação das dificuldades de se ser líder da oposição. Deu uma imagem de fraqueza e de justificação desnecessária de opções que considero correctas (a abstenção no orçamento, por exemplo).

    2) Notou-se em JPAB, tanto quanto em Passos Coelho – cujo discurso foi, repito, confrangedor – que leram discursos escritos. Ora o que passa bem “lido” pode não passar bem – e, a maioria das vezes, não passa de todo – “ouvido”. As frases longuíssimas do discurso de JPAB provocaram sono e bocejos, o que prejudicou o conteúdo.

    3) Quanto ao conteúdo, continua-se a não perceber as propostas de JPAB. Acredito que as tenha, mas eu não as percebo. Fala, por exemplo, em economia social, mas ainda não percebi o que pretende dizer com esse conceito. E isso é fatal para quem está atrás na corrida e precisa de se distinguir pelas propostas.

    Isto dito, Rangel foi, dentro do universo dos candidatos, o único que fez um discurso empolgante e correctamente agressivo e afirmativo em relação ao PS. Dos ex-líderes Marques Mendes produziu claramente o melhor discurso, ainda mais claro em matéria de desestatização da sociedade e do país.

    Comentário por José Barros — Março 14, 2010 @ 00:23

  2. Li agora o que escreveu o Jorge Costa no Cachimbo (aqui: http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2010/03/tres-discuros-e-uma-razao-de-voto.html) e concordo em absoluto.

    Comentário por José Barros — Março 14, 2010 @ 00:25

  3. José, isto talvez tenha a ver com as expectativas. JPAB foi muito átono no debate do DE e ontem estava com mais garra, isso sem dúvida.

    Comentário por Maria João Marques — Março 14, 2010 @ 16:49


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