O Insurgente

Março 12, 2010

Robin dos Bosques

Filed under: Comentário,Economia,Nanny State Watch — BZ @ 00:28

Nota: Nuno, seis anos atrás tive oportunidade de publicar post com olhar alternativo sobre a mítica personagem de Robin dos Bosques, que a seguir transcrevo.

“Roubar os ricos para dar aos pobres” é o lema do famoso justiceiro que a classe política sempre gostou de citar – só que, hoje, em vez de “roubo” chamam-lhe impostos.

No clássico filme com o supracitado título (“The Adventures of Robin Hood” – 1938), o personagem interpretado por Errol Flynn, depois de capturar Lady Marion e o Xerife de Nothingham, oferece um banquete aos seus novos “convidados”. É nesta cena que Robin pergunta ao seu bando de ladrões o que devem fazer com o dinheiro roubado. Resposta: “pagar o resgate de King Richard [Rei Ricardo?]“.

Sinopse:
Robin dos Bosques, líder do “partido da oposição”, descobre que o partido do príncipe John está a cobrar demasiados impostos para proveito da elite de nobres normandos. Em nome de uma sociedade mais justa, Robin propõe-se roubar o príncipe e devolver o dinheiro ao povo.

O popular discurso convence dezenas de pobres “ex-criminosos” que, indignados pela injusta lei fiscal, se inscrevem como “militantes”. Constroem a sede do partido na floresta de Sherwood e começam a assaltar os cobradores de impostos do príncipe John.

Dado que passam muito do tempo útil em “actividade política”, não há oportunidade para produzir os necessários recursos para sustento próprio. Assim, caçam animais da floresta (veados, por exemplo) e recebem oferendas dos aldeões, gratos pela devolução do seu dinheiro – apesar da carne de veado ser um óptimo complemento à precária alimentação destes, a proibição do príncipe John da prática de tal actividade já, antes, lhes impossibilitava o acesso a este recurso. Com o partido de Robin dos Bosques, pelo menos, ficam com uma maior porção dos seus rendimentos…

O príncipe John, contudo, para o combate à “evasão fiscal”, contrata mais soldados e passa a cobrar taxas de imposto mais altas – compensação das perdas incorridas com os assaltos e o pagamento de salários dos novos “funcionários públicos”. A política do partido de Sherwood não está a resultar – estão a perder militantes (mortos pela oposição) e o apoio do povo começa a estar em dúvida.

“A crueldade do príncipe não tem limites” – diz Robin – “o povo necessita de um melhor líder, temos de resgatar Richard… o nosso Rei”. O bando de ladrões aplaude e o povo, resignado, autoriza a retenção de uma grande parte do dinheiro confiscado para o pagamento do resgate.

Mas, os sacrifícios do povo dão fruto. Richard é resgatado e acaba por destronar o seu irmão John. A guerra terminou e – como recompensa – Richard nomeia Robin, Sir Robin de Locksley. Dá, ainda, a sua benção ao casamento deste com Lady Marion. O povo celebra, oferecendo um banquete…

Epílogo:
Acaba aqui o filme (“The End”) mas não a história do povo inglês…

Richard confisca alguns bens dos nobres normandos e dá-os aos nobres que se mantiveram leais à coroa – entre outros, Robin. Não confisca tudo aos normandos porque sabe que estes poderiam revoltar-se e iniciar uma guerra civil.

E, para pagar os custos da Cruzada (a razão pela sua ausência), a “lealdade” da nobreza e os confortos dignos de um rei, as taxas de imposto, estipuladas pelo príncipe John, mantêm-se. Para o bem da Nação!

PS: a caça de veados – desporto real – continuou a ser proibida aos aldeões…

3 Comentários »

  1. Agora é que me lixaste, temos aqui um especialista em Robin dos Bosques que não me deixa agarrar às minhas pequenas ilusões de criança :(

    Comentário por Nuno Branco — Março 12, 2010 @ 09:30

  2. Não és único!!! Quando, anos atrás, revi o filme aquela cena do banquete deu-me calafrios :(

    “It belongs to the king”

    Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 12:12

  3. [...] Robin dos Bosques (2) Arquivado em: Cultura, Livros, Política, Videos — BZ @ 02:56 Leitura complementar: “Roubaram-me o Robin dos Bosques”; “Robin dos Bosques” [...]

    Pingback por Robin dos Bosques (2) « O Insurgente — Março 23, 2010 @ 02:56


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