Há que reconhecer que os socialistas lisboetas sempre preferiram gastar dinheiro em coisas mais vistosas, como paradas gay, campanhas disto e daquilo, fundações sem objectivo que não fazer publicidade às figuras gratas à esquerda que lhe dão o nome, e outras coisas igualmente inúteis, em vez de resolver os pouco sexy problemas dos munícipes, como possibilitar-lhes movimentarem-se em ruas sem crateras sucessivas e que obriguem a guiar aos esses em cada rua e a suportar estoicamente os impactos dos buracos se estes estão disfarçados com o carro da frente ou a água da chuva. Santana Lopes (o tal senhor que resolveu dois ou três problemas na minha vida quotidiana) chegou mesmo a fazer dos buracos que tapou nas ruas de Lisboa a mensagem de uma tola campanha de cartazes. Isto porque, quando chegou à presidência da CML, Lisboa estava cheia de buracos nas ruas.
Provavelmente desde Santana Lopes que não se tapam buracos em Lisboa e por estes dias a cidade está inacreditável com a quantidade de pedaços de estrada que desapareceram. A CML de António Costa, que disse vagamente antes da campanha eleitoral que ia tapar uns buracos, que deixou que as ruas de Lisboa se degradassem a este ponto (talvez deliberadamente; sou só eu que me recordo que o senhor alcaide não vê com bons olhos a circulação em carros particulares e tem feito tudo para dificultá-la?), vem agora desresponsabilizar-se: a culpa é da chuva, claro está (invernos chuvosos foi coisa que nunca se viu), e da oposição na câmara que não quer aprovar o orçamento para 2010 com os seus quase 9 milhões de euros para tapar os tais buracos que a inédita chuva (que não, nunca, a incúria municipal) originou. Ora sendo inevitável que se tapem os buracos das ruas de Lisboa (parece que se gasta um dinheirito em indemnizações e mesmo eu já estive mais longe de ir reclamar o custo de umas sessões do quiroprático para alinhar as minhas sofridas vértebras) e fazendo muito bem a oposição camarária em conter as despesas, aqui vão algumas sugestões para se encontrar o dinheiro para pagar o remendo dos buracos:
2) A cedência da Casa dos Bicos por vinte/trinta anos a uma qualquer instituição privada que suporte os custos das obras necessárias e ainda desembolse agora algum dinheiro pelo uso do espaço.
3) Canalizar para as ruas de Lisboa o dinheiro destinado a campanhas estúpidas de pedagogia socialista.
4) Vender vários prédios propriedade da CML (daqueles que mesmo com habitantes - que poderiam ser realojados nas casas de habitação social cujos arrendatários não paguem as rendas - estão pré-devolutos por incapacidade da CML manter aquilo que teima em não alienar).
5) Cortar os subsídios aos artistas que insistem em viver do dinheiro dos contribuintes.
Estou certa que estas medidas seriam muito mais do que suficientes para encontrar os 8,8 milhões de euros necessários para tapar os buracos e melhorar a qualidade de vida dos lisboetas, o que, parecendo que não, devia ser o objectivo do alcaide Costa.
Portanto a Maria João acha que a Câmara deve cortar os subsídios aos artistas para em vez disso subsidiar o seu modo de vida automóvel-dependente?
Porque acha que o seu automóvel é mais importante do que os artistas?
Comentário por Luís Lavoura — Março 12, 2010 @ 09:28
É preciso vir aqui o Lavoura para percebermos que o problema não são os buracos nas estradas da CML mas sim o carro da Maria João.
Luis, se a CML não se quer responsabilizar pelas suas estradas tem bom remédio: venda-as. Estou certo que os compradores arranjarão forma de financiar o arranjo das mesmas.
Comentário por Nuno Branco — Março 12, 2010 @ 09:35
Eu acho que para a qualidade de vida dos municipes é bem mais importante a densidade de artistas subsidio-dependetes por m2 do que uns milhares de buracos no asfalto.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 09:58
Miguel,
precisamente. Há munícipes de Lisboa que vão frequentemente ao teatro mas que não andam de carro. E muitas das pessoas que andam de carro em Lisboa até nem votam na cidade (são de outros municípios). Nada nos garante que para os lisboetas não seja mais importante ter arte do que ter ruas sem buracos. Assim como assim, é tudo subsídio – ou a quem anda de automóvel, ou a quem gosta de arte.
Comentário por Luís Lavoura — Março 12, 2010 @ 10:40
Nem vou falar dos restantes pontos; mas, já que me lincou o post no ponto 3, bem que o podia ler. Não houve “dinheiro destinado” a coisa alguma: a CML limitou-se a ceder posições de MUPIs não comerciais.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 10:42
“Nada nos garante que para os lisboetas não seja mais importante ter arte do que ter ruas sem buracos”
Compare-se os números. E também me parece sinal de má gestão que numa autarquia tão endividade como Lisboa se anda a gastar dinheiro em “bens de luxo” e deprezando a manutenção dos equipamentos básicos.
Mais uma vez, isto é resultado da irresponsabilidade fiscal das autarquias.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 10:42
[...] na cabeça 12 de Março de 2010 por Luis Rainha A Insurgente Maria João Marques não gosta de arriscar o popó nas esburacadas ruas de Lisboa. Parece-me bem; o [...]
Pingback por cinco dias » Buracos na cabeça — Março 12, 2010 @ 13:20
Luís Lavoura:
Eu acho que o António Costa devia subsidiar os produtores de tremoços, essa instituição lisboeta. Há muitos lisboetas que gostam de tremoços e não viajam de automóvel ou vão aos teatros. Por que Diabo hão-de ser prejudicados em relação àqueles quando poderiam comer tremoços por preço mais em conta se o município apoiasse os respectivos produtores? Até porque andar de carro ou ir ao teatro são coisas que faz quem quer; comer, todos comem, porque é uma necessidade básica. Vamos então exigir ao Costa que subsidie os tremoços. E já agora a cerveja – ou bejeca – porque beber também é uma necessidade básica de qualquer pessoa, especialmente dos que comem tremoços.
Comentário por José Barros — Março 12, 2010 @ 13:35
Luís Lavoura, é sempre um gosto tê-lo aqui a proclamar os seus disparates. Vamos por partes:
1) O estado não me subsidia as viagens que faço de carro. Não me pagou o carro, não me paga o combustível e até arrecada bom dinheiro em impostos com carro e combustível.
2) O que eu peço não é subsídios mas que me permitam viver a vida sem dar cabo das costas e do carro. Se devo ou não usar carro sou eu que decido e não tenho que dar satisfações das minhas decisões ao LL.
3) Não vejo o que tenha a ver ir ao teatro ou gostar de ir ao teatro com subsídios camarários. Pode continuar a haver teatro a as pessoas a irem ao teatro. Sabe, não é proíbido fazer teatro sem subsídios estatais. Há até quem ganhe dinheiro com isso.
Comentário por Maria João Marques — Março 12, 2010 @ 13:43
Continua inspirada, Maria João. Gostei muito deste post.
Ainda não percebi porque é que os lisboetas apostaram neste alcaide e nesta estranha equipa híbrida. Com tudo o que já se sabia que iria acontecer à cidade, à frente ribeirinha, etc…
O mais escandaloso de tudo o que referiu, é a casa dos Bicos e as campanhas pedagógicas socialistas.
Quanto aos artistas, analisaria caso a caso e que formas de financiamento. Há apostas que têm um retorno, de muitas formas, e que até pode ser um retorno em termos de qualidade de vida das populações, de alunos de todo o país que assistem a peças históricas, por exemplo ou, até mesmo, turístico. Uma cidade com vida cultural, teatros abertos e a funcionar, é uma cidade com vida. Sim, há muitas formas de financiar projectos culturais, com interesse para um público evidentemente, sem penalizar todos os munícipes.
Para entender a vida de uma cidade, a sua geografia, a sua ligação ao rio, as suas casas magníficas em ruínas, os seus jardins, o seu movimento, os seus habitantes e os seus visitantes, é preciso ter uma sensibilidade que os actuais gestores estão muito longe de ter.
E é preciso ter a humildade de ouvir quem percebe de equilíbrios entre cidade e rio, de equilíbrios entre locais de trabalho e locais de habitação, equilíbrios entre gastos com a manutenção e apostas culturais, etc.
E ter a capacidade de organização para perceber que há prioridades.
Ana
Comentário por Ana Silva Fernandes — Março 12, 2010 @ 14:13
Ana, concordo que a vida cultural de uma cidade é muito importante. Agora sou ferozmente contra dar-se dinheiro dos contribuintes para isso. Os subsídios só servem para dar sustento a meia dúzia de iluminados que entendem que qualquer disparate que fazem e que o mercado recusa é arte (eu uma vez vi uma coisa a que não posso chamar peça de teatro na sala pequena do D. Maria e ainda não recuperei do trauma, até porque não percebi o que vi), e que fazem um grande favor ao público em geral por viverem à sua custa. Sintomaticamente, as áreas artísticas mais subsidiadas são aquelas em que os artistas são menos bem sucedidos.
Comentário por Maria João Marques — Março 12, 2010 @ 14:35
Sou de direita e mudei-me recentemente do Porto para Lisboa, cidade que sempre frequentei e onde me sinto bem mas quanto à actuação da CML considero que …
1
A brigada anti-carro devia lembrar-se que quem anda de bicicleta no dia-a-dia como eu sofre ainda mais do quem anda de carro com a incuria da CML no que toca à manutenção das estradas. Moro perto do Marques de Pombal e ainda na semana passada tive de me deslocar na minha bicicleta a Stª Apolonia para tratar do adiamento da data de um bilhete do Alfa. O piso em Lisboa é mau, mas entre o Jardim do Tabaco e a estação é um inferno que põe em sério risco a integridade fisica de um ciclista. Ao passar junto à Casa dos Bicos enquanto me desvio da carateras e restos de trilhos, lembro-me que os portugueses são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros.
Nesta matéria a diferênça com o Porto é flagrante e quando passava de bicicleta no magnifico piso junto ao Rivoli sentia-me um português com direitos iguais aos meus concidadãos.
Nas obras mais recentes da CMP com por exemplo a requalificação de um viaduto sobre a VCI as ciclovias já são uma realidade.
2
Qualidade dos equipamentos urbanos e mobilidade para deficientes…
Nos mandatos de Rui Rio assisti a uma requalificação dos espaços urbanos na baixa com passeios e pisos requalificados, ordenados, com especial atenção para melhoriadas acessibilidades aos deficientes no meio urbano. Nesta matéria a acção da CMP tem sido nótoria, de qualidade e paulatinamente vai-se alargando a toda a cidade.
Pelo contrário em Lx a vida de quem vai para o trabalho a pé é um inferno. A minha mulher percorre todos os dias os passeios da Duque de Loulé, que como a grande maioria dos passeios de Lisboa são um inferno de irregularidades desniveis, desleixo, porcaria, etc, etc, etc,
Imaginemos o dia a dia de um deficiente nestas condições.
3
Reciclagem de lixo…
Desde há muitos anos que separo o lixo para reciclagem. A minha mulher viveu em Bruxelas,cidade que frequentei durante anos o que me permitiu acompanhar de perto este tipo de rotinas numa cidade europeia normal. Ora no Porto há mais ecopontos em tudas as esquinas e neste momento a CMP já está a instalar um terceira geração, de ecopontos enterrados no chão com funcionalidades que permitem lidar com estes residuos de uma forma muito mais higiénica (na zona de Lisboa exstem alguns destes ecopontos junto à praia do CDS na Caparica). No Porto é raro haver lixo amontoadao junto aos ecopontos. Existe esse tipo de comportamento mas é residual.
Em LIsboa separar o lixo é uma tarefa ardua, que exige andar com os residuos às costas, por 2 ou 3 quarteirões para os depositar em ecopontos imundos, muitas vezes a atafulhados a deitar por fora e sempre rodeados de autênticas lixeiras.
Nesta matéria o Porto esta muito próximo da média europeia mas Lisboa inclina-se mais para o modelo africano.
E por ultimo, o pouco que ando de carro na cidade é um inferno por causa do mau estado do piso.
A CML em vez de se gastar recursos com fundações de escritores que vivem em Espanha e campanhas da ILGA devia preocupar-se com o a dia-a-dia de quem vive na cidade.
É lamentável.
Comentário por nuno granja — Março 12, 2010 @ 16:21
ups!!
Não corrigi o texto. As falhas do meu português estão à vista.
Comentário por nuno granja — Março 12, 2010 @ 16:24
Concordo com o Nuno Granja, no que toca ao Porto. Quem aqui vive nota uma diferença significativa entre os governos socialistas anteriores (Gomes e Nuno Cardoso) e o actual de Rui Rio. Com todos os defeitos que lhe queiram apontar, Rio é um bom autarca, cuja acção melhorou significativamente a qualidade de vida dos portuenses.
Comentário por José Barros — Março 12, 2010 @ 17:15