Parte das aplicações erradas de dinheiros públicos (e não só) advém do facto das pessoas que as propõem não entenderem o conceito de Custo de Oportunidade. Um exemplo está aqui, nos comentários do Luis Rainha a este post.
Explicando: O Manel é dono de um prédio de três andares. Aluga-o ao Joaquim por 2000€ mensais, mas guarda um dos andares para poder emprestar gratuitamente aos amigos. O Joaquim até podia estar disposto a alugar a totalidade dos andares, por um preço total de 3000€. Mas o Manel não quis, preferindo ficar com a disponibilidade desse andar para os tais empréstimos aos amigos. A diferença entre a renda total potencial e a renda efectiva é de 1000€. Chama-se Custo de Oportunidade. O valor que o Manel teria recebido se alugasse a totalidade do prédio. Ou, correspondentemente, o custo do empréstimo gratuito aos amigos do Manel.
Não parece um conceito transcendente. But you’d be surprised.
Mas essa questão pode ser dividida em duas:
- uma é se o facto de ele ficar com um apartamento para ele representa um custo
- outra é, a partir do momento que ele ficou com um apartamento para ele, se aquele fim de semana em que deixou o Rogério e os filhos irem dormir lá representou um custo
Comentário por Miguel Madeira — Março 12, 2010 @ 20:09
Mesmo que não tenha custos variáveis tem sempre de suportar custos fixos. Existe sempre um custo de oportunidade.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 20:45
Miguel Madeira,
Se Sócrates privatizar a TAP e reservar 10% dos lugares em todos os voos para “amigos” isso representa ou não um custo?
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 21:32
“a partir do momento que ele ficou com um apartamento para ele, se aquele fim de semana em que deixou o Rogério e os filhos irem dormir lá representou um custo”
Se não tem um apartamento e quiser oferecer uma estadia ao Rogério durante o fim-de-semana em apartamento semelhante tem ou não de pagar por ele?
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 21:36
“Mesmo que não tenha custos variáveis tem sempre de suportar custos fixos. Existe sempre um custo de oportunidade.”
O ele ter o tal apartamento tem custos fixos; mas a decisão especifica de o emprestar ao Rogério não implicou custos adicionais (deixando de lado a água e a luz)
[Vamos assumir que no contrato de venda dos 2 andares, há uma cláusula impedido-o de utilizar comercialmente o outro andar]
Comentário por Miguel Madeira — Março 12, 2010 @ 21:45
Sempre que alguém abdica de uma receita (ou de uma potencial receita) está a incorrer num custo. Esse é o famoso, e já citado, custo de oportunidade.
Por exemplo, eu estar neste momento a escrever esta posta, estou a ter o custo de não estar a estudar para me preparar para um exame.
Parece-me bastante simples.
Comentário por aos — Março 13, 2010 @ 11:25
“[Vamos assumir que no contrato de venda dos 2 andares, há uma cláusula impedido-o de utilizar comercialmente o outro andar]“
Miguel Madeira, a renúncia desse contrato – e subsequente venda dos andares – tem um valor de mercado!
Comentário por BZ — Março 13, 2010 @ 15:29
BZ, não vale a pena tentares explicar ao Miguel Madeira. Se ha alguém que tem conhecimentos sólidos de economia e que, portanto, sabe muito bem o que é o custo de oportunidade, esse alguém é o Miguel Madeira. Pelo que estes comentários não podem ser mais do que ele a desconversar. (Algo perfeitamente legítimo numa caixa de comentários, diga-se de passagem.)
Comentário por LA-C — Março 14, 2010 @ 08:46