Luís Rainha, não é necessário abespinhar-se tanto só porque o linkei num dos poucos textos em que escreveu com senso.
Quanto à campanha estúpida de pedagogia socialista e outras semelhantes, a CML não tem nada de ceder espaço na sua rede de MUPIs, nem sequer devia ter uma rede de MUPIs, mas, tendo-a e não querendo colocar nada referente à CML nelas, que as alugasse a empresas de publicidade. Ceder as MUPIs à ILGA é um subsídio em espécie.
Quantos aos velhotes que, coitadinhos, seriam realojados num qualquer bairro social, ai como eu gosto desta esquerda taaaaaão preocupada com os pobrezinhos e que nem faz ideia de como vivem esses pobrezinhos (a não ser, claro, que isso apareça numa qualquer peça de teatro subsidiada). Permitam-me um momento Loução-eu-sei-o-que-é-o-sorriso-de-uma-criança. Vivi durante oito anos numa zona antiga da cidade, ao lado de dois prédios propriedade da CML. Esses dois prédios alojavam uma associação recreativa, uma família de trintões com filhos e, sobretudo, idosos. Esses prédios, durante os oito referidos anos, foram os únicos da rua que não sofreram qualquer obra. Esses prédios estavam pré-devolutos, com pedaços da fachada já inexistentes, com as guardas das varandas em perigo de queda iminente, com infiltrações por todo o lado que, inclusivamente, se propagavam para os prédios laterais.
Eu não gostava de viver num bairro social e presumo que o Luís Rainha também não. A diferença entre mim e o Luís Rainha é que eu conheço pessoas (e não é pelo teatro subsidiado nem pelo livros do Soeiro Pereira Gomes) que acham as casas sociais lindas, que aspiram a viver numa casa de habitação social, que vêem como uma melhoria substancial a mudança para um bairro social. A diferença entre mim e o Luís Rainha é que eu vejo que os tais ‘velhotes’ ficariam muito mais bem servidos num bairro social e o Luís Rainha, for the sake of the argument, os pretende manter em prédios pré-devolutos (que poderiam render bom dinheiro à CML e até, depois de recuperados, permitir trazer gente nova para viver no centro de Lisboa). Mas nada que surpreenda. A melhoria das condições de vida das populações nunca foi muito cara à esquerda; sempre preferiram igualizar toda a gente no nível mais baixo
“Esses prédios estavam pré-devolutos”
Eu julgava que “devoluto” quisesse dizer um apartamento que esteve durante muito tempo arrendado mas que voltou a ser entregue (foi devolvido) ao senhorio.
Vejo que para a Maria João “devoluto” quer dizer em muito mau estado de conservação. O que é um sentido totalmente diferente.
Comentário por Luís Lavoura — Março 12, 2010 @ 14:31
Luís Lavoura, devoluto é algo que não está ocupado, o que nos prédios se tornou sinónimo de prédio em mau estado.
Comentário por Maria João Marques — Março 12, 2010 @ 14:39
Começando pelo princípio, é claro para qualquer um com meio neurónio que a CML tem essa rede como contrapartida parcial pelo licenciamento aos operadores publicitários; acontece em todo o mundo.
E claro que não pode alugar a sua parte, que é contratualmente não-comercial. Por isso, claro que é idiota falar em gastos de dinheiros públicos a propósito desta campanha.
Dá assim tanto trabalho investigar antes de escrever?
PS: já agora, eu não sou “a esquerda”, imagine lá.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 15:00
1) olhe que esse conceito do “pré-devoluto” é de gritos. Parabéns pela feliz invenção.
2) repare que no mundo real “em mau estado” não quer dizer “desocupado”.
3) quanto à “diferença” que nos separa, posso informá-la de que é muito maior do que consegue imaginar.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 15:04
Maria João Marques, está enganada, conheço muitíssimas casas “devolutas” (= vagas, desocupadas, de acordo com o dicionário priberam) que estão em muitíssimo bom estado. Basta ver que muitas delas estão novas em folha, nunca chegaram a ser utilizadas… É mesmo o que mais há por aí, atualmente – casas que estão devolutas desde que foram edificadas.
Comentário por Luís Lavoura — Março 12, 2010 @ 16:57
LR, obrigado por ter explicado. Portanto, se bem entendi:
Operadores de publicidade comercial pedem à Câmara autorização para instalar pela cidade MUPIs com publicidade. Em troca dessa autorização, cedem à Câmara outros tantos MUPIs para utilização pela Câmara, sujeitos à condição de que a Câmara não os utilizará para fins de publicidade comercial (para não fazer concorrência a esses operadores). A Câmara dispõe portanto de MUPIs à borla e pode utilizá-los para toda a publicidade menos a que seja comercial.
Comentário por Luís Lavoura — Março 12, 2010 @ 17:01
Já expliquei isto várias vezes. Estes mupis não são grátis. O seu custo está descontado na renda dos restantes.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 17:05
Luís,
Naturalmente, não é “em troca de” tout court. É sim uma contrapartida entre outras, que fica a servir para a CML difundir informação útil, mapas e campanhas de entidades que o solicitem, como a Ilga ou o Zoo.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:06
Está enganado, Miguel. A CML não pagou nem mais um tostão por ter lá aquela campanha da Ilga.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:10
Estou a falar do custo do equipamento. Não da campanha.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 17:11
Que “custo de equipamento” é que cresceu à conta desta campanha?
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:17
Estão a dar almoços grátis e não me chamaram?
Comentário por Nuno Branco — Março 12, 2010 @ 17:19
Vamos ver se nos entendemos. Estava a contestar a afirmação “A Câmara dispõe portanto de MUPIs à borla” do Luís Lavoura. Referia-me exclusivamente ao custo do equipamento. Não da camapanha,
Mas já que fala nisso, este custo (ainda que não directo) e os custos de manutenção e de gestão dos equipamentos podem (e deviam) ser imputados ao uso que deles se faz. Logo, também não é correcto dizer que a campanha tem custo zero para a câmara.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 17:23
A campanha teve custo precisamente igual a zero, pois a CML não pagaria um euro a menos se aquelas posições ficassem vagas ou fossem entregues ao Patriarcado.
Não me parece controverso ou sequer complicado.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:30
Completamente errado. Mas pronto. Cada um controla os custos como entende. E os resultados estão à vista.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 17:32
Então, explique-me lá quanto é que a CML pagou a mais por a campanha da Ilga ter sido afixada. Ou, em alternativa, explique o que é que está “Completamente errado” no que escrevi.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:35
Pode ler o comentário 13. Está lá tudo.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 17:37
E se lhe disser que não há custos de manutenção imputados à CML, pois o reverso de cada MUPI que lhe é atribuído continua a fazer parte das redes dos concessionários?
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:43
Mesmo que assim não fosse, baixariam os custos de manutenção se aqueles MUPIs ficassem vagos?
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:46
«a CML tem essa rede como contrapartida parcial pelo licenciamento aos operadores publicitários»
«« claro que é idiota falar em gastos de dinheiros públicos a propósito desta campanha.»»
Se é uma contrapartida, então é equivalente a dinheiro público. Nem percebo como se pode defender o contrário.
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 17:47
««A Câmara dispõe portanto de MUPIs à borla»»
Não. Não é à borla. É em troca do uso de património público.
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 17:48
««A campanha teve custo precisamente igual a zero»»
Não teve. Teve como custo a utilização do espaço público por privados.
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 17:50
««A CML não pagou nem mais um tostão por ter lá aquela campanha da Ilga.»»
A CML pagou quando cedeu o espaço público.
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 17:51
Não. Não pagou; recebeu bastante dinheiro em troca. A cedência por parte dos operadores de algumas faces é apenas um suplemento.
Nada neste caso é “equivalente a dinheiro público”; a CML não gastaria menos se a campanha não tem sido feita.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:53
E como é que pode afirmar que esta campanha “Teve como custo a utilização do espaço público por privados”? Esses contratos jáexistiam, independentemente de qualquer Ilga. E não há custo; há sim receitas – a não ser que ache que os suportes publicitários lisboetas deviam ser nacionalizados…
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 17:57
LR,
Uma Câmara municipal compra uma estadia de uma noite num hotel com dinheiro público. O dinheiro já foi gasto. A marcação é para hoje. Se não for usada o dinheiro perde-se. Se o presidente da câmara for lá passar a noite com a mulher há algum problema? E se em vez de ir com a mulher der à ILGA para a ILGA sortear entre dois membros da organização?
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 18:06
“Não pagou; recebeu bastante dinheiro em troca. A cedência por parte dos operadores de algumas faces é apenas um suplemento.”
E esse suplemento foi descontado no valor que operadores pagaram. Logo, é um custo para a Câmara!
“Esses contratos já existiam, independentemente de qualquer Ilga.”
E a anulação desses contratos poderia arrecadar maior receita para os cofres da CML.
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 18:10
“Uma Câmara municipal compra uma estadia de uma noite num hotel com dinheiro público.”
João Miranda, talvez seja melhor explicar ao LR com outro, semelhante, exemplo: a CML vende um prédio seu para construção de um hotel mas quer que lhe cedam contratualmente os quartos de um andar inteiro para alojar, a custo zero, membros de ONGs.
LR, acha que a empresa hoteleira paga pelo edifício o mesmo que pagaria sem a existência deste “suplemento”?
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 18:16
“A Câmara dispõe portanto de MUPIs à borla e pode utilizá-los para toda a publicidade menos a que seja comercial.”
E o Luís Lavoura já percebeu que isso tem um custo para a Câmara sob a forma de perda de receita? Que, aliás, deveria ser imputada às contas da Câmara cada vez que cede gratuitamente tais mupis.
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 18:32
JM,
A CML não comprou noite alguma. Um símile preciso seria: “a CML cedeu um monumento para exploração hoteleira; como contrapartida recebe uma verba e ainda x noites por ano, a serem entregues a entidades de utilidade pública ou equivalentes.”
A CML assinou contratos com dois concessionários que previam, à semelhança do que se passa em todas as cidades que conheço, a cedência de x posições, a serem usadas com conteúdos da CML e de outras entidades que o solicitem; e isto é prática corrente em capitais europeias e em Lisboa desde há décadas.
BZ,
Não há qualquer perda de receitas: os contratos incluem a contrapartida destas posições, para serem usadas pela CML e por outras instituições a quem a mesma as ceda. Nunca a CML poderia ter angariado receitas com as posições ocupadas pela Ilga.
Comentário por LR — Março 12, 2010 @ 18:44
Bolas, que isto até parece complicado… Vamos lá com números:
A câmara poderia assinar contratos de exploração de MUPIs, ou o que seja, por 10.000€.
Em vez disso, pode vender por 6.000€, e tem a possibilidade de utilizar parte desses MUPIs para o que bem entender.
Tem ainda a possibilidade de, para além disso, ver a manutenção dos MUPIs que explora ser feita por essa empresa. Neste caso, o contrato fica por 4.000€.
“Nunca a CML poderia ter angariado receitas com as posições ocupadas pela Ilga.”
Poderia. No exemplo que eu dei, exactamente 6.000€.
Comentário por essagora — Março 12, 2010 @ 19:03
LR, “4.1) olhe que esse conceito do “pré-devoluto” é de gritos. Parabéns pela feliz invenção”, estou cá sempre para lhe dar alegrias destas.
“2) repare que no mundo real “em mau estado” não quer dizer “desocupado”.”
Como não percebeu a frase “devoluto é algo que não está ocupado, o que nos prédios se tornou sinónimo de prédio em mau estado.”, eu explico: nas nossas cidades há inúmeros prédios antigos desocupados, ou apenas parcialmente ocupados, e que em consequência disso estão em muito mau estado, pelo que prédios desocupados ou devolutos se confundem com prédios em mau estado. Já percebeu, ou ainda não?
Que os MUPIs custam dinheiro à CML, e que a sua cedência é um subsídio, não vale a pena voltar a explicar.
Comentário por Maria João Marques — Março 12, 2010 @ 19:35
««A CML não comprou noite alguma. Um símile preciso seria: “a CML cedeu um monumento para exploração hoteleira; como contrapartida recebe uma verba e ainda x noites por ano, a serem entregues a entidades de utilidade pública ou equivalentes.”»»
Para o caso, qual a diferença entre uma compra a dinheiro e uma troca?
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 19:42
««A CML assinou contratos com dois concessionários que previam, à semelhança do que se passa em todas as cidades que conheço, a cedência de x posições, a serem usadas com conteúdos da CML e de outras entidades que o solicitem; e isto é prática corrente em capitais europeias e em Lisboa desde há décadas.»»
Até pode ser. O que não pode é dizer-se que a cedência do espaço não um subsídio em espécie a quem o recebe.
Comentário por JoãoMiranda — Março 12, 2010 @ 19:43
“x noites por ano”
Isto não vale dinheiro então?
Comentário por lucklucky — Março 12, 2010 @ 19:52
Mas há aqui duas questões:
uma é se a existÊncia dos tais mupis camarários representa uma despesa oculta (ou uma perda de receita) para a camera, e aí posso concordar
mas a partir do momento em que essa situação existe, a CML não perde mais nada por disponibilizar os mupis para a campanha da ILGA (os custos que há podem ser considerados custos fixos)
Comentário por Miguel Madeira — Março 12, 2010 @ 20:13
Pois. Mas mesmo assumindo que não há custos variáveis (o que duvido – admito é que possam ser reduzidos) os custos fixos devem ser imputados à utilização dos mupis.
Comentário por Miguel — Março 12, 2010 @ 20:50
Miguel Madeira,
“a partir do momento em que essa situação existe, a CML não perde mais nada por disponibilizar os mupis para a campanha da ILGA”
Perde, porque a CML pode decidir a qualquer momento vender este benefício. De certeza que há interessados. E mesmo que não o consiga fazer, esse custo de oportunidade terá de ser imputado.
Comentário por BZ — Março 12, 2010 @ 21:08
BZ,
Não pode decidir vender tais benefícios coisa nenhuma. Contratualmente, não pode. E esse contrato, além de comum por esse mundo civilizado fora, foi aprovado nas instâncias próprias e segue o modelo usado há décadas.
“A câmara poderia assinar contratos de exploração de MUPIs, ou o que seja, por 10.000€. Em vez disso, pode vender por 6.000€, e tem a possibilidade de utilizar parte desses MUPIs para o que bem entender.” Não: a CML tem necessidade de MUPIS próprios, para afixar mapas e informação turística; o que fica livre é uma fracção mínima – que já foi usada por meio mundo, do Zoo ao Patriarcado, sem este escândalo tonto.
Comentário por LR — Março 13, 2010 @ 18:06
“Não. Não pagou; recebeu bastante dinheiro em troca. A cedência por parte dos operadores de algumas faces é apenas um suplemento.
Nada neste caso é “equivalente a dinheiro público”; a CML não gastaria menos se a campanha não tem sido feita.”
É engraçado. Eu também não compro nada: hoje, por exemplo, fui buscar pão e leite, em troca de umas moeditas.
“A CML não comprou noite alguma. Um símile preciso seria: “a CML cedeu um monumento para exploração hoteleira; como contrapartida recebe uma verba e ainda x noites por ano, a serem entregues a entidades de utilidade pública ou equivalentes.”
Portanto, a CML comprou antecipadamente um bem, a distribuir no futuro a beneficiários indeterminados.
Comentário por Luis — Março 15, 2010 @ 12:32