Energias renováveis destroem 2 empregos por cada 1 que criam
Um estudo da Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, sobre o impacto no emprego das ajudas públicas às energias renováveis, conclui que 2,2 postos de trabalho são destruídos por cada “emprego verde” criado em Espanha, o que significa que os 50.227 empregos gerados nas renováveis desde 2000 levaram à destruição de 110.500 no resto da economia.
Por sua vez, cada “megawatt verde” instalado no país destrói em média 5,28 postos de trabalho, sendo que essa destruição atinge os 8,99 empregos no caso dos investimentos na indústria fotovoltaica, 4,27 na eólica e 5,05 nas mini-hídricas.
O documento desta universidade pública recorda que “a actual política e estratégia da Europa para a criação de ‘empregos verdes’ se tornou numa das principais justificações para as propostas da Administração Obama nesta área”.
Mas uma análise da experiência europeia, nomeadamente da experiência espanhola, “revela que esta política é terrivelmente contraproducente em termos económicos e, de facto, destrói postos de trabalho”.
O estudo calcula que a Espanha gastou 571.138 euros desde 2000 para criar cada “emprego verde”, incluindo subsídios de mais de um milhão de euros por cada posto de trabalho na indústria eólica.
(via João Miranda)
O estudo, coordenado por Gabriel Calzada, está disponível aqui.
Dei só uma olhada ao estudo, mas pelo que vi achei-o muito fraquinho.
Basicamente parece-me que eles calculam o dinheiro que foi investido nas área das energias renováveis e depois vêm quantos empregos teriam sido criados que se esse dinheiro tivesse sido investido noutras áreas; como pelos vistos o rácio capital/trabalhador é mais alto nas renováveis do que na média da economia, eles concluem que o emprego que se geram nas renováveis é menor do que o que se perde nos outros sectores.
Porque é que eu acho que isso não faz grande sentido? Porque toda a discussão sobre se o investimento público estimula a economia gira há volta da questão sobre se a despesa pública é despesa privada que deixa de ser feita (ou seja, se há um cowding out de 100%) ou, pelo contrário, a despesa pública aumenta a despesa total da economia. Se for o primeiro caso, o “investimento público” não cria empregos, se for o segundo cria.
Ora (pelo pouco que li, repito) parece-me que que eles assumem logo à partida um crowding out de 100% e calculam a perde de empregos a partir daí; mas isso parece-me um raciocínio que só convence os que já estão convencidos – afinal, o cerne da polémica entre os economistas é exactamente se o efeito de crowding out é de 100%, não?
No fundo, isso faz tanto sentido como um economista marxista publicar um paper dizendo que esse paper prova que o capitalismo caminha para o colapso e depois vai-se ver e afinal o paper partiu da premissa que a taxa de lucro tem tendência a descrescer…
[Isto é, se se faz um estudo partindo de premissas que logo à partida implicam logicamente uma dada conclusão, é evidente que o estudo vai ter essa conclusão]
Comentário por miguelmadeira — Março 7, 2010 @ 18:24
Caro Miguel Madeira,
Com o devido respeito, e uma vez que V. próprio admite, por duas vezes, que só leu parte/pouco do estudo, talvez valha a pena encontrar algum tempo para ler o documento na íntegra. O currículo de Gabriel Calzada parece-me merecê-lo.
Comentário por Eduardo F. — Março 7, 2010 @ 20:39
Caro Eduardo F.
Já li o capitulo todo referente à destruição de emprego e mantenho o que escrevi.
Até iria mais longe – mesmo que aceitemos a ideia de que o efeito de crowding out é de 100%, esse crowding out não iria acontecer na economia espanhola, mas sim na economia europeia (afinal, a Espanha está numa moeda única, logo o efeito dos empréstimos do Estado reduzirem o capital disponível para empréstimos ao sector privado não se iria concentrar na economia espanhola, mas dispersar-se por toda a zona euro, logo a perde de empregos iria ser também em toda a zona euro e não em Espanha)
Poderíamos admitir que eles não estarão taxativamente a dizer que esses 2,2 empregos destruídos serão destruídos em Espanha, mas todos os cálculos que eles fazem são feitos com base na produtividade espanhola, nos rácios de capital por trabalhador espanhóis, etc.
Comentário por Miguel Madeira — Março 7, 2010 @ 22:14
O mito emprego continua a atacar quer a esquerda quer a direita . Isto não destrói necessariamente emprego, destrói riqueza. É o que acontece quando se gasta recursos em algo menos produtivo.
Comentário por lucklucky — Março 7, 2010 @ 23:20
Este estudo foi emitido há um ano. Notícias notícias é isto.
Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Março 8, 2010 @ 02:35
Ainda bem que o Expresso está a apnhar a carruagem. Isto foi notícia há um ano: http://ecotretas.blogspot.com/search/label/economia%20verde
Até aqui no Insurgente já tinha aparecido! http://oinsurgente.org/2009/03/31/o-custo-dos-empregos-verdes/
Agora o que está a dar são as alfinetadelas de Richard Tol…
Ecotretas
Comentário por Ecotretas — Março 8, 2010 @ 09:46
“O mito emprego continua a atacar quer a esquerda quer a direita . Isto não destrói necessariamente emprego, destrói riqueza.” – muito bem…
Comentário por AA — Agosto 11, 2010 @ 07:05