Algumas notas sobre este post do João Rodrigues:
- A mobilidade social não é um bem em si. Só se poderá considerar a mobilidade social como algo intrinsecamente positivo se as economias estiverem a crescer e os movimentos sociais forem significativos.
- Em economias estagnantes, como aquelas que têm números mais elevado de mobilidade social, um movimento social positivo de uns terá obrigatoriamente que representar um movimento negativo de outros
- A mobilidade social representa muito pouco em países igualitários. Quanto mais apertado for o intervalo de rendimentos dos cidadão de um país, menos significado terá a existência de mobilidade social.
- O indicador de mobilidade social apresentado neste gráfico é a correlação entre rendimentos de pais e filhos. Segundo os autores do estudo, a mobilidade social será tanto maior quanto menor for a correlação entre rendimentos de pais e filhos. A correlação entre rendimentos de pais e filhos será tanto menor quanto maior for a influência de outros factores o mérito individual e as políticas estatais de redistribuição de rendimentos. Quanto mais rendimento o estado capturar aos indivíduos para redistribuir, menor será a correlação entre rendimentos de pais e filhos, mas também menor será a correlação entre rendimento e mérito individual dos filhos. No caso extremo de o estado redistribuir todo o rendimento disponível, a correlação entre o rendimento de pais e filhos será zero, mas tal não significa que exista, de facto, mobilidade social.
- Um bom indicador do êxito de um país em termos de mobilidade social é a procura desse país por parte de imigrantes em busca de mobilidade social (positiva). Um Indiano em busca de um futuro melhor prefere ir para Londres, Nova Iorque, Dubai ou Estocolmo?
incapaz de dar comida aos contribuintes
a maior exportação portuguesa
são, desde há séculos,os emigrantes.
na politica socialista ficou o rebotalho (lixo humano)
que elege e é eleito (INVOLUÇÃO)
Comentário por balde-de-cal — Março 3, 2010 @ 09:27
Sobre os pontos 1 e 2: Eu diria que a mobilidade social é um bem em si, mesmo em economias estagnadas. A mobilidade social pode significar que aqueles com mais mérito e capacidade sobem, enquanto aqueles com menos mérito descem na sociedade. Isso, em minha opinião, é bom e positivo, mesmo que a sociedade não enriqueça (muito). Acho bom que o filho inteligente de um agicultor consiga chegar a advogado enquanto que o filho preguiçoso de um advogado perde a fortuna que o pai lhe deixou e acaba em agricultor.
Sobre o ponto 5: é claro que o indiano prefere Dubai porque lá já há muitos indianos e porque fica mais perto de casa. Mas já o somali prefere Estocolmo, o dominicano prefere Nova Iorque e o português prefere Londres. E o brasileiro prefere Lisboa.
Comentário por Luís Lavoura — Março 3, 2010 @ 10:11
A mobilidade social só é um bem se ocorrerem duas condições em simultâneo: ser permitida a mobilidade social ascendente e ela derivar de mérito individual. Num cenário em que ninguém consiga ascenderocialmente, ou a ascensão seja realizada às custas do estado, a mobilidade social não é um bem em si mesmo.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 3, 2010 @ 10:49
Carlos,
Em relação ao ponto 1. Não devem existir Barreiras à mobilidade social são um mal o que é diferente de dizer que a mobilidade social é um bem em si. E isto independentemente do crescimento ou não da economia ou de outros factores. A promoção da mobilidade social pressupões que o estado actual está errado e que deve ser mudado. Escusado dizer que esse pressuposto é coerente com o que o João Rodrigues acredita…e com o que o Luís Lavoura acredita.
Comentário por Ricardo G. Francisco — Março 3, 2010 @ 11:50
Correcção
Não devem existir barreiras à mobilidade social / barreiras à mobilidade social são um mal.
Comentário por Ricardo G. Francisco — Março 3, 2010 @ 11:51
De acordo, Ricardo.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 3, 2010 @ 13:51
A respeito do ponto 1, devo estar a repetir o que já foi dito, mas muita gente considerará a igualdade de oportunidades como um bem em si mesmo, e a mobilidade social pode ser vista como uma proxy para a igualdade de oportunidades
A respeito do ponto 4, penso (mas não tenho certeza absoluta) que a redistribuição do rendimento, por si só, não afecta a correlação entre os rendimentos dos pais e dos filhos: acho que se o Estado confiscar 99,9999% do rendimento e o redistribuir igualitariamente por toda a gente, em principio a correlação entre o rendimento dos pais e dos filhos manter-se-ia exactamente na mesma ou quase (isto é, assumindo que a redistribuição facta apenas o valor do rendimento mas não a ordenação).
Comentário por Miguel Madeira — Março 3, 2010 @ 14:25
“A respeito do ponto 1, devo estar a repetir o que já foi dito, mas muita gente considerará a igualdade de oportunidades como um bem em si mesmo, e a mobilidade social pode ser vista como uma proxy para a igualdade de oportunidades”
A mobilidade social pode não resultar de igualdade de oportunidades. Até pode ser o oposto: a falta de igualdade de oportunidades pode gerar mobilidade social (por exemplo, se um certo grupo toma o poder num país e resolve redistribuir os rendimentos de todos entre os membros do seu grupo.
“A respeito do ponto 4, penso (mas não tenho certeza absoluta) que a redistribuição do rendimento, por si só, não afecta a correlação entre os rendimentos dos pais e dos filhos: acho que se o Estado confiscar 99,9999% do rendimento e o redistribuir igualitariamente por toda a gente, em principio a correlação entre o rendimento dos pais e dos filhos manter-se-ia exactamente na mesma ou quase (isto é, assumindo que a redistribuição facta apenas o valor do rendimento mas não a ordenação).”
Afecta, se ocorrer apenas na geração dos filhos, ou se o nível de redistribuição aumentar de uma geração para outra. Em termos muito simples, o rendimento de uma pessoa pode depender do rendimento familiar, do seu mérito próprio ou de políticas de redistribuição. A correlação com a primeira variável explicativa será tanto maior quanto menor for o impacto destas ultimas duas.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 3, 2010 @ 14:38
“Afecta, se ocorrer apenas na geração dos filhos, ou se o nível de redistribuição aumentar de uma geração para outra. ”
Não afecta.
Cenário A
familia 1 – rendimento do pai – 100 – rendimento do filho – 100
familia 2 – 100 – 100
familia 3 – 100 – 1000
familia 4 – 1000 – 1000
familia 5 – 1000 – 1000
familia 6 – 1000 – 100
correlação entre o rendimento dos pais e dos filhos 0,33
Cenário B (com o nivel de redistribuição a aumentar de uma geração para a outra)
familia 1 – 100 – 100
familia 2 – 100 – 100
familia 3 – 100 – 101
familia 4 – 1000 – 101
familia 5 – 1000 – 101
familia 6 – 1000 – 100
E a correlação entre o rendimento dos pais e dos filhos é… 0,33
Comentário por Miguel Madeira — Março 3, 2010 @ 14:49
Sim, é verdade que a correlação pode ser a mesma se o resultado final com redistribuição for exactamente o mesmoque sem redistribuição (em termos de ranking de rendimentos). Mas basta que não seja para os resultados serem diferentes. No teu exemplo, se o filho da familia 2 tivesse rendimentos igual à família 3, a correlação seria 0. Se os rendimentos passassem a ser exactamente iguais, a correlação também seria nula.
Comentário por Carlos Guimarães Pinto — Março 3, 2010 @ 15:11
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