Comparativamente com artigos anteriores, temo que este seja de leitura um pouco menos acessível, especialmente para não economistas e/ou para os não familiarizados com a abordagem da Escola Austríaca. Mesmo assim, foi preciso simplificar bastante para tratar o tema num texto pequeno como o que se pretendia.
Espero que o artigo não sirva apenas para irritar – metodologicamente falando – economistas neoclássicos (ainda que essa seja sempre uma boa causa)…
Segundo, a implosão do “i”, e de toda a imprensa escrita em geral, demonstra a crise em que mergulhou o sector. Por um lado, por culpa das novas tendências, sobretudo devido à internet, mas também por culpa própria. Eu escrevo nos jornais desde 2004, colaborando ainda, de forma esporádica, com algumas revistas, por isso, tenho uma opinião formada acerca deste assunto, que, por diversas vezes, tenho repetido junto de algumas pessoas com responsabilidades no sector. E passa essencialmente pelo seguinte: os jornais portugueses são demasiado extensos, demasiado agarrados à pequena notícia que qualquer um pode consultar na net, e, em geral, não possuem colunistas originais. Além disso, continuam vinculados a tabelas de publicidade, a preços proibitivos, que, dada a crise do mercado, não fazem sentido.
Leigo como sou, quando converso acerca de arte, costumo puxar a conversa para o dadaísmo. Interessa-me enquanto desconstrução dos cânones da arte e o papel que teve na confusão sobre o que é ou deixa de ser arte. Isto já vai de uma lata de merda (literalmente) até à “Meninas de Avignon”. Gosto mesmo muito dos dadaístas a um nível, diria, epidérmico, mas não misturo nem reconheço sequer comparação estética entre Francis Picabia e os calcanhares de Velazquez e o Tristan Tzara está abaixo do nível do bagaço a uma sexta feira às sete, do Pessoa. Pobres dos dadaístas, por muito que gostasse que fosse diferente, são menos que piolhos na cabeça de anões aos ombros de gigantes.
Não sou fã do hip hop. Confesso que nos primórdios do género me entusiasmei com músicos como Notorious Big ou 2Pac. Comprei e ouvi muito Guru em Jazzmatzz como com Branford Marsalis e acabei no fabuloso álbum póstumo do Miles Davis, Doo Bop que, na minha opinião, ainda é a lição definitiva a todos os aspirantes ao género. O hip hop nasceu e cresceu como mais uma cultura de analfabetos. Não como género musical, bem entendido, mas como cultura, o que não tem nada que ver com diversidade, tem que ver com a pretensa superioridade da vivência do gueto, dos pretensos discriminados, das coitadas das minorias (dizia-me uma vez um amigo em França que o hip hop é a voz do povo) regados a Cristal ao volante de Range Rovers e montados em “hoes” numa nova versão do materialismo dialéctico, desta vez étnico também. Gente que conheço, mesmo em Portugal, carregados na guita, para quem o hip hop é uma cultura de revolução (necessariamente analfabeta), uma maneira de (não) viver, um desprezo total por quem os pariu. Há uns meses ouvi um artista do género, um indigente intelectual bloquista a falar de Marx, Guevara e do hip hop como veículo da revolução. É certo que também há disso no punk, mas tem a desvantagem de ser um género branco, logo não é ancorado numa minoria discriminada. Ah pois é. No heavy metal há uma subcultura satânica infantil mas que não convence ninguém. E não é que a música (seja qual for o género) em si mesma tenha qualquer responsabilidade, como é óbvio (santo Zappa é minha testemunha), mas o facto é que o hip hop é muito mais que música, é uma cultura vasta que vai das artes plásticas à literatura à política, cultura essa para quem a polícia, por exemplo, é O Inimigo e há que eliminá-lo ou fugir dele. O hip hop conseguiu o que o punk (também enquanto cultura) nunca chegou sequer a aproximar-se de conseguir. Com uma certa lógica. O Punk era porco, javardo, não tinha gajas boas de pernas abertas, champagne Cristal nem Ferraris para lhe dar glamour no meio do protesto. Tinha a cola de contacto nos sacos de plástico, as agulhas e a heroína que, essa sim, é a fuga dos pobres. Os “hip hopers” preferem a cocaína servida em bandejas de prata, snifada com notas de cem euros. O Alice Cooper é que tinha razão quando disse que os musicos rock eram uma cambada de analfabetos que não percebiam de mais nada porque nem sequer tinham tempo para perceber. Os MCs sabem mais um bocadinho que os rockeiros, pelo menos no que respeita a gajas, Rolexes, carros, cocaína e Uzis.
Não reconheço nem ao hip hop nem ao rock’n roll qualquer espécie de qualidade estética comparativa, as letras interessam-me pouco, é mais uma questão de ritmo, de pump, riffs de guitarra e voz enquanto instrumento. E o baixo, o baixo que é o instrumento dos génios via Stanley Clarcke. E isto sou eu, fanático do rock’n roll versão Lemmy Kilmister, uma espécie de apóstolo da coisa. Eu que não confundo Motorhead com Bach, nem Dead Kennedys com Charlie Parker ou Ozzy Osbourne com Astor Piazzolla. Há um tempo para tudo e um modo para cada coisa, o que não faz de mim cego nem susceptível à avaliação estética de terceiros. Quero que os terceiros se fodam.
Seja como for não me parece que o Alberto Gonçalves tenha insultado seja o que for nem que tenha escrito sobre o que não conhece, pelo contrário, foi certeiro no que escreveu. E se despreza a qualidade estética do hip hop ou do heavy metal faz muito bem, porque de facto, não têm nenhuma. E se alguém achar que neste post eu escrevo sobre o que desconheço, ofereço-me para vos apresentar músicos em cada um destes géneros e para vos dar uma introdução live a cada sub-cultura, do hip hop ao punk.
Nota: há uns anos foi engraçado ver os Red Hot Chilli Peppers a reivindicar o MTV award para a melhor banda hip hop ou o Ice T com os Body Count a exigir o trono do rock’n roll em termos mais ou menos racistas. No fim disto tudo, uma cambada de indigentes. Bach e Parker hão-de rir à custa disto.
Já que estamos a falar neste tema, vale a pena ler este texto do insuspeito George Monbiot sobre o esquema da micro-geração que se inicia amanhã no Reino Unido. Deixo-vos com algumas passagens:
“Those who hate environmentalism have spent years looking for the definitive example of a great green rip-off. Finally it arrives and no one notices. The government is about to shift £8.6bn from the poor to the middle classes. It expects a loss on this scheme of £8.2bn, or 95%. Yet the media is silent. The opposition urges only that the scam should be expanded.
On April 1st the government introduces its feed-in tariffs. These oblige electricity companies to pay people for the power they produce at home. The money will come from their customers, in the form of higher bills. It would make sense, if we didn’t know that the technologies the scheme will reward are comically inefficient.”
“Buying a solar panel is now the best investment a householder can make. The tariffs will deliver a return of between 5-8% a year, which is both index-linked (making a nominal return of 7-10%) and tax free. The payback is guaranteed for 25 years. If you own a house and can afford the investment, you’d be crazy not to cash in. If you don’t and can’t you must sit and watch your money being used to pay for someone else’s fashion accessory.“
“If people want to waste their money, let them. But you and I shouldn’t be paying for it. Seldom has there been a bigger public rip-off; seldom has less fuss been made about it. Will we try to stop this scheme, or are we a nation of dupes?”
O André refere neste post um caso de captura de rendas por parte de um profissional na matéria. Mas este assalto ao orçamento e ao bolso dos portugueses está também ao alcance de qualquer micro, pequeno e médio oportunista. Foi para isso que o governo se lembrou de dar incentivos à micro-geração. Foi para isso que, até Dezembro de 2009, mais de 25.000 portugueses tinham embarcado nesta democratização da salvação do planeta feita à custa dos contribuintes. Foi para isso que o governo pagou a mais de 55.000 dos nossos compatriotas (e aos bancos que os financiaram) para comprarem painéis solares.
O “regime especial de produção” tem um sobrecusto? Tem, mas isso não interessa. O que interessa é que somos modernos, ou verdes, ou lá o que é. Estes subsídios são altamente regressivos? São, mas para resolver esses problemas o governo vai introduzir tectos nos benefícios fiscais. Assim os ricos que ganham mais de 500 euros por mês percebem que essas tretas da educação e da saúde não são uma prioridade e concentram-se em financiar o empreendedorismo público-privado. Pode parecer que não mas isto está tudo muito bem pensado.
Agora o PSD vai ter de discutir políticas e não apenas carácter. O carácter é importante mas não pode ser o foco da nossa oposição ao eng. Sócrates. E para isso vai ter de trabalhar. O grande problema do PSD é que tem sido preguiçoso, não tem apresentado verdadeiras alternativas. Não tem estudado, não tem trabalhado, e é isso que vai ter de fazer. Portanto, não cometer erros significa não desviar aquilo que vai ter de ser a actuação política da direcção do partido desse rumo.
O Instituto Sá Carneiro até fez um trabalho com um empenho muito grande e temos que estar todos muito gratos ao Alexandre Relvas. Depois, o resultado não é fantástico, mas foi um excelente trabalho mesmo assim. Não é fantástico no sentido em que não surgiu de lá claramente uma alternativa. Mas o Instituto Sá Carneiro e, em concreto, o seu presidente cumpriram até mais do que aquilo que lhes tinha sido pedido inicialmente. É preciso é que haja depois a capacidade da direcção aproveitar os vários inputs que lhe dão, e projectá-los como uma mensagem, como uma alternativa para os portugueses. Foi isso que não foi feito.
(…)
O Carlos Moedas, no gabinete de estudos, fez reflexões muito interessantes e muito importantes. Sobretudo na área económica e das políticas sectoriais, o Instituto Sá Carneiro fez um excelente trabalho. Na área política, foi um bocadinho, enfim, uma versão saloia da Fox News – acho que essa parte é menos relevante. O PSD não pode estar sempre a reconstruir-se e tem que aproveitar o bom trabalho que está feito.
(…)
A visão que tenho – que o Pedro Passos Coelho, nessa área, também expressou, como Paulo Rangel e até José Pedro Aguiar-Branco – é que a consolidação deve privilegiar a área da despesa pública. Deve ter em conta que Portugal, um país que tinha uma despesa corrente primária de menos de 30% do PIB quando eu comecei a trabalhar, em meados dos anos 80, tem hoje uma despesa primária próxima dos 45% do PIB. A esta taxa, vamos construir um país inviável a curto prazo. Já sabíamos que estávamos numa trajectória inviável. Agora temos a noção de que estamos a chegar à parede.
Não é uma consequência da crise?
Não. A crise exacerbou toda esta questão, mas o essencial é que a consolidação necessária não chegou. Isto não é uma crítica apenas a José Sócrates, faço-a aos governos de Cavaco. é uma crítica que vem desde a consolidação do Ernâni [Lopes]. Lembro, por exemplo, o ano de 1991, que foi importantíssimo do ponto de vista político, em que a maioria absoluta custou o maior crescimento da despesa pública de que me lembro, desde a I República. Esta associação entre despesa pública e política tem sido muito perniciosa. Houve uma melhoria com Ernâni, com Eduardo Catroga e agora com Teixeira dos Santos. Mas foi essencialmente do lado da receita: 30% foram do lado da despesa, 70% do lado da receita. E desses 30%, assumiu-se muita despesa para a frente. Conseguiu-se melhorar as finanças públicas, mas, simultaneamente, houve uma assunção de compromissos brutais de despesa futura. Porquê? Porque se lançava um conjunto de obras que, ao fim ao cabo, se prometia, a quem as desenvolvesse, receitas futuras que em boa parte seriam garantidas pelo Estado.
(…)
O PSD precisa de ir muito mais longe. Dizer que as PME precisam de mais dinheiro não é solução para o problema. E nisso há consenso que vai de Portas a Louçã: todos acham que o futuro está nas PME. Mas é irónico dizer que se vai promover as PME através das mega-obras públicas onde se garantem rendas enormes em negócios que de risco têm muito pouco – onde é o contribuinte que assume o essencial do risco, desvirtuando o princípio das PPP.
(…)
Eu não desprezo Paulo Rangel. Desprezo alguns dos seus apoiantes. Ele é uma pessoa inteligente que não está suficientemente preparada. Mas acho que ele vai ser líder do PSD um dia.
(…)
O CDS é o aliado natural do PSD. Uma coligação com o PS é contra-natura. Só admitiria um governo de bloco central se estivéssemos em “estado de sítio”, como em 83 – em que, sem o FMI, Portugal teria entrado em default.
Ainda ontem pensávamos que estava tudo perdido para Portugal e zás…! os mercados encarregaram-se de mostrar que, se calhar, não é bem assim. Eu explico: na crónica de ontem dizíamos que a certeza do “bailout” da Grécia era o pior que podia acontecer a Portugal. Porque tirava de cima de nós a pressão para reformarmos as finanças públicas. Ontem os mercados encarregaram-se de mostrar que não andam a dormir: a Grécia tentou colocar mil milhões de euros de dívida e vendeu apenas 390 milhões. Ao que tudo indica porque os investidores puxaram as taxas para cima, levando o governo grego a colocar apenas uma parte da emissão.
O que é que isto significa? Duas coisas. A primeira é que os gregos estão tramados. Precisam de colocar cerca de 40 mil milhões de euros de dívida e, para o fazer, vão pagar taxas superiores a 6%. Ou seja, toda a poupança resultante do plano de austeridade vai ser absorvida pela subida dos juros. É injusto? Não. Quem passou os últimos dez anos a fazer de cigarra (em vez de formiga) não se pode queixar. A segunda é que, como a pressão dos mercados não desapareceu por completo, temos de fazer mais esforços do que pensávamos para que os mercados nos tirem da companhia da Grécia. Mesmo que isso provoque “efeitos recessivos de curto prazo” na economia, como admitia ontem o Banco de Portugal (lembra-se da crónica “Vai uma recessãozinha curativa?”). A Grécia é um caso extremo? Don’t be so sure: este ano temos 24 mil mil milhões de euros de dívida para colocar, quando em 2009 tínhamos… 16 mil milhões. É melhor não arriscar a ira dos mercados.
A partir daqui, o Governo grego terá fundamentalmente duas opções:
- Ou fixa-se em maturidades mais curtas, até aos 7 anos por hipótese, para as quais tem encontrado procura ainda que pagando um preço bastante elevado – um “spread” bastante superior a 300 pontos sobre a dívida alemã do mesmo prazo;
- Ou dirige-se aos seus pares da zona Euro, invocando o “Acordo” da última 6.ª Feira, solicitando apoio financeiro, uma vez que pode demonstrar (se é que isso constitui demonstração aceitável) não ter resposta dos mercados para cobrir as suas necessidades de financiamento…
A leitura deste post de Pedro Arroja, em que ele relata a balbúrdia em que se tornou o debate em que participou numa faculdade de direito quando referiu que «[a]s mulheres são geralmente maus juizes porque lhes falta imparcialidade», fez-me recordar que há situações em que o desconsiderar a efectiva diferença entre os sexos, por razões de correcção política, acarreta consequências potencialmente muito negativas.
Concretamente, lembrei-me das diferenças de aprendizagem na escola. A ideia de que os rapazes e as raparigas são diferentes causa urticária aos progressistas. Passam tanto tempo a queixar-se do impacto do nível sócio-económico no (in)sucesso escolar e na influência dos estereótipos “de género” nas escolhas que rapazes e raparigas fazem para as suas vidas, que deixam escapar a mais fundamental das diferenças.
Se antigamente a separação de rapazes e raparigas era fruto de um preconceito, não é menos preconceituosa a resistência à evidência de que o sistema misto traz consigo problemas sérios que, conjugados com o experimentalismo das “ciências da educação”, estão a resultar num crescente insucesso e abandono escolar por parte dos rapazes. Ao mesmo tempo que o acesso a áreas como a engenharia continua com uma proporção de raparigas muito baixa, sugerindo que os estereótipos não têm sido ultrapassados, apesar de toda uma política educativa desenhada para tal fim. Naturalmente, uma vez confrontados com os factos, os progressistas acabam por propôr a sua tradicional solução para tudo: Quotas, subsídios, discriminação positiva.
O estudo do cérebro humano está hoje suficientemente avançado para que possamos abordar estas questões sem pruridos relativamente a acusações de discriminação, preconceito ou reaccionarismo. (Embora talvez o ex-presidente da Universidade de Harvard Larry Summers não concorde comigo neste último aspecto.) É hoje sabido, por exemplo, que o hemisfério esquerdo (responsável pelas actividades de comunicação verbal e pela motricidade fina) se desenvolve mais cedo nas raparigas, ao passo que os rapazes vêem esse desenvolvimento no hemisfério direito (responsável pelas actividades de visualização e coordenação espacial). De igual modo, sabe-se também que a aprendizagem da matemática é afectada pelas diferentes partes do cérebro envolvidas nela para rapazes e raparigas; nos primeiros o hipocampo tem o papel primordial, enquanto para as últimas é o córtex. Daí que para rapazes a aprendizagem da matemática seja mais abstracta e geométrica, enquanto para raparigas ela esteja mais intimamente ligada à linguagem.
As diferenças não ficam por aqui. Existem várias outras diferenças comportamentais entre rapazes e raparigas com impacto no aproveitamento escolar e, em particular, na escolha do método de ensino mais adequado: (mais…)
Nota: Recordo-me, a propósito do catastrófico tsunami que atingiu o sudoeste asiático e a costa oriental de África em 2005, que Teodora Cardoso fez afirmações semelhantes.
É mais um manifesto da sociedade civil que junta personalidades políticas, economistas, engenheiros e empresários contra opções do governo PS. Depois das Obras Públicas, é a política energética e a aposta nas energias renováveis, uma das principais bandeiras de José Sócrates, que vai ser posta em causa.(…)
Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças de Sócrates mas muito crítico das políticas do governo PS, afasta igualmente a leitura política e diz que está preocupado com a “forma disfarçada” como os custos da produção de electricidade estão a subir, devido aos subsídios para estimular a energia renovável. O economista, que foi um dos pivots do manifesto contra os grandes investimentos públicos, diz que agora é apenas subscritor.
Outro ex-ministro das Finanças, mas do PSD, Miguel Cadilhe, diz que “é preciso reavaliar a política energética do país. Os preços estão a ser altamente subsidiados e esse facto terá graves implicações nas contas públicas. Alguém vai ter de pagar este investimento“. Em causa está o sobrecusto do regime especial de produção, um subsídio pago nas tarifas eléctricas à energia eólica, fotovoltaica e cogeração industrial (que não é renovável), e que é um prémio face ao preço do mercado. Esse sobrecusto, que em 2010 é de 611 milhões de euros, contribuiu para o défice tarifário e está a crescer com a expansão da energia verde.
Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 08:00
A entrevista a Ricardo Costa foi espantosa. Para quem se interessa mais com justiça e fair play no futebol do que com a capacidade de fazer a ironia ou humor a entrevista foi muito esclarecedora. Contra a opinião Ricardo Costa atirou factos. Contra a suspeita irónica atirou fundamentações e história documentada.
Depois desta entrevista quem deveria estar a prestar esclarecimentos é o porta voz do CJ da FPF. Ou isso ou que se demitam.
Quanto a Pinto da Costa…continua óptimo a dar meias verdades pintadas de ironia. Outro que se dá mal com escutas e com posições fundamentadas. Colocam-no no ridículo. Sobre o ridículo em que Pinto da Costa se coloca é ouvir na entrevista os factos sobre o processo apito vermelho aberto pelo CD. Esclarecedor.
PS: Ricardo Costa peca ao não explicar, nem sequer entender, a falta de sensibilidade no timing da decisão do CD no processo levantado aos jogadores do SCB.
Assim se constrói uma situação orçamental insustentável e uma economia cada vez mais assente na captura de rendas: Sol em Porto Santo
Segundo notícia de hoje, o parque fotovoltaico está concluído, e pronto a extorquir dinheiro aos contribuintes. O parque tem uma potência instalada de cerca de 2MW, conseguida à custa de 11136 painéis solares, que ocupam 70000 m2 de terreno, no sítio dos Linhares (junto à Quinta das Palmeiras).
O parque foi construído pela Nutroton Energias, dirigida pelo conhecido Marques Mendes, ex-líder do PSD.
(…)
Mas o que Mendes mais gosta é dos 320 euros por MWh, uma tarifa que está definida por lei! Para uma conta que os leitores percebem melhor, isso equivale a 32 cêntimos por kWh. Como Marques Mendes refere, a tarifa é garantida durante 15 anos, o que é sinónimo de um negócio bem rentável! Com o consumidor madeirense a pagar este ano 13.06 cêntimos por cada kWh, imaginem quem vai pagar a diferença!
Lembrei-me desta conversa depois de ver Pinto da Costa na RTP. Detesto futebol, ignoro o que se passa nos “túneis” ou na “liga”, mas aprecio o ironismo do presidente do Porto e, em certa medida, a sua coragem. Ao pé dele, qualquer presidente de outro qualquer clube parece um tolinho. Disse a Judite de Sousa que se recandidatava. Não voto, mas se votasse votava nele.
Filed under: Media,Religião — Maria João Marques @ 21:56
Existem circunstâncias em que há que interromper as férias familiares e escrever um post (até antes de terminar as notas sobre a eleição de Passos Coelho). Não escrevi ainda nada sobre este assunto dos padres pedófilos: é demasiado deprimente. É deprimente perceber o comportamento de alguns na Igreja que não parecem ter entendido que quando os pais confiam os filhos à sua guarda em escolas ou campos de férias ou aulas de catequese, esperam não apenas que a Igreja trate da salvação da sua alma mas também que se preocupe com algo mais terreno, como a expectativa de que a Igreja os proteja, naqueles períodos de tempo, de predadores sexuais; que não excluíram, e muito bem, os padres pedófilos da misericórdia de Deus mas que se esqueceram, nestes casos, da caridade para com os mais fracos – as crianças. É ainda mais deprimente ver os abutres que sem qualquer seriedade tomam a parte pelo todo, com o objectivo único de atacarem O seu ódio de estimação, a Igreja Católica, fazendo-a equivaler a pedofilia; assistir a tentivas patéticas de envolverem Bento XVI (que tem combatido ferozmente a pedofilia na Igreja, incluindo com a polémica norma de recusar a possibilidade de ordenação a homossexuais) num qualquer caso de pedofilia, pelos mesmos que olham para o lado quando perante os desvios sexuais da intelectualidade de esquerda, de preferência francesa ou francófila.
Mas há limites para tudo. Ver na televisão e ler nos jornais que Ali Agca pede a ‘demissão’ de Bento XVI faz-nos perceber que entrámos num mundo onde a racionalidade e a decência deixaram de existir. É fácil de perceber que estes mencionados abutres – que, com probabilidade, nunca fizeram uma hora de acção social na vida – se julgam moralmente superiores aos católicos e, particularmente, ao clero – que passa a maioria do seu tempo ao serviço dos outros. Contudo, dar-se tempo de antena a um assassino – sim, eu bem sei que tentou assassinar um papa, e para mais às ordens da comunista URSS, o que para alguns abutres talvez até seja um curriculum recomendável – para pedir o que quer que seja sobre o sucessor do homem que tentou assassinar, é, simplesmente, demais. É aqui que percebemos que, para quem promove estas palhaçadas e quem as vê e lê e as considera dentro da normalidade, uma confissão (acto tão do agrado de Freud) já não chega; são mesmo necessários psiquiatras e tratamentos rigorosos em instalação onde não penetrem os ecos do mundo.
O caso rocambolesco da deputada socialista Inês de Medeiros é, infelizmente, um bom indicador do estado de podridão do regime: Se bem compreendi. Por Helena Matos.
Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 16:02
Docinho de abóbada, muito bom aspecto!
O “Miguel Abrantes”, de tão ansioso que está em fazer metáforas, dá-lhe para transformar “abóbadas em carruagens”. Renovo o meu convite para um almoço, onde podemos, de entrada, comer uma sopinha de abóbada, e à sobremesa, um doce de abóbada.
Armed elements from Hamas today took control of a branch of the Bank of Palestine in the Rimal neighborhood of Gaza City, and confiscated a million shekels.
«O cão do seleccionador argentino, Diego Armando Maradona, atacou o próprio dono, que foi hospitalizado de urgência.
De acordo com o diário Olé, Maradona foi operado após ter sido mordido na cara. O jornal garante ainda que a estrela argentina vai receber alta hospitalar na presente noite.»
«O Banco de Portugal diz que o “aumento de impostos directos das famílias” é um dos factores que justifica a previsão de “forte desaceleração” do consumo privado em Portugal ao longo de 2010.»
Existe uma grande quantidade de pérolas espalhadas por este vídeo mas deixo duas que me deixaram na dúvida se devia rir ou chorar.
A billion dollars isn’t what it used to be.
Remember that, the bursting of a bubble, by itself, is not a big catastrophe. We had a dot-com bubble – it burst – and the economy barely moved and the result of this is it’s hard to tell, when that bubble bursts, what the consequences will be.
[Passos Coelho] recusa a respeitar a abstenção do seu partido na votação do PEC.
Renegar o PEC equivale a postergar qualquer possibilidade de derrube do actual governo num futuro próximo, visto que a eventualidade de as próximas eleições serem ganhas por um partido que recusa comprometer-se com um contrato internacional dessa relevância conduzirá imediatamente ao aumento da taxa de juro da dívida pública portuguesa
A crise financeira que já acabou dá cada vez mais asas à imaginação dos governantes para fazer face aos problemas de liquidez (que também já estão quase, quase a acabar):
New Hampshire was recently ordered by its State Supreme Court to put back $110 million that it took from a medical malpractice insurance pool to balance its budget.
Colorado tried, so far unsuccessfully, to grab a $500 million surplus from Pinnacol Assurance, a state workers’ compensation insurer that was privatized in 2002. It wanted the money for its university system
Connecticut has tried to issue its own accounting rules.
Hawaii has inaugurated a four-day school week.
California accelerated its corporate income tax this year, making companies pay 70 percent of their 2010 taxes by June 15.
[M]any states have balanced their budgets with federal health care dollars that Congress has not yet appropriated.
[S]tates do not disclose how much they owe retirees when they disclose their bonded debt, and state officials steadfastly oppose valuing their pensions at market rates.
Conclusão?
“These are the things that can precipitate a crisis”
O Banco de Portugal reviu em forte baixa as suas projecções para o crescimento da economia portuguesa este ano e em 2011, que desceram de respectivamente 0,7 por cento para 0,4 por cento e de 1,4 para 0,8 por cento.Estes valores são inferiores aos que o Governo inscreveu na sua previsão mais recente, que constam do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), e reflectem já o efeito das medidas aí introduzidas. Nesse documento, o Governo prevê um crescimento de 0,7 por cento para este ano e de 0,9 por cento para 2011.
Haverá certamente outras revisões ao longo do ano mas uma revisão em baixa e desta amplitude é muito mau sinal. De assinalar que as estimativas do BdP (ainda que ligeiramente) estão abaixo das utilizadas pelo governo na elaborações do OE e do PEC.
Filed under: Desporto — Carlos Guimarães Pinto @ 12:05
Tem razão o André para ficar excitado com a exibição do Hulk contra o último classificado da liga. Hulk conseguiu num único jogo fazer o mesmo número de golos (1) e assistências (2) que no somatório de todos os restantes jogos do campeonato até ter decidido esmurrar um steward. Se continuar a este ritmo ainda irá juntar ao título de jogador com mais perdas de bola (classificação que lidera apesar da suspensão) o de melhor marcador do campeonato.
A visão das crianças vítimas de pedofilia como “carne da mais tenrinha” no contexto específico em que a expressão foi usada por Daniel Oliveira é um daqueles deslizes que vale mais do mil explicações sobre o perfil mental da personalidade em causa: o dos carecas. Por Pedro Arroja.
Primeiro, o ataque aos padres. É certamente possível a qualquer pessoa lançar sobre os padres a acusação genérica de que são pedófilos. Mas não é possível aos padres lançar de volta uma idêntica acusação genérica sobre qualquer grupo de pessoas, como, por exemplo, o dos carecas. Como expliquei aqui, o ataque aos padres só pode partir de cobardes, daqueles que se sentem bem a bater em quem não se pode defender, porque não são capazes de bater em mais ninguém.
Segundo, a descrição que é feita das crianças. Nunca ocorreria a um homem, que seja verdadeiramente um homem, descrever crianças como carne tenrinha, porque o seu espírito o levaria imediatamente a associar os seus próprios filhos a essa descrição.
1. Deixou de haver presunção de inocência. Qualquer acusação contra um padre, um bispo, a Igreja ou o Papa é tida como verdadeira até prova em contrário.
(…)
2. As generalizações voltaram ser aceitáveis. Voltou a ser possível pegar em casos particulares de um determinado grupo e dizer que essas são características do grupo.
(…)
4. As crianças voltaram a não mentir. Há uns anos atrás discussão sobre casos de pedofilia girava à volta da mentira das crianças. Não faltavam pedopsiquiatras a garantir que as crianças mentem nem exemplos de casos em que as acusações tinham sido inventadas por crianças mentirosas.
5. Deixaram de existir “alegados”. Há uns anos atrás não havia vítima de pedofilia, pedófilo e caso de pedofilia que não fosse alegado. A alegada vítima tinha alegadamente sido violada pelo alegado pedófilo. Os alegados desapareceram e passamos a viver no mundo das certezas cristalinas.
O míssil com que Hulk marcou ontem o segundo golo do FC Porto vai valer-lhe uma suspensão preventiva porque, no entender de Ricardo Costa, a baliza e respectivas redes são “intervenientes essenciais do jogo” e portanto “equiparados a agentes desportivos”, sendo que a CD da Liga de Clubes pondera um castigo exemplar, uma vez que o próprio Hulk reconheceu na flash interview que foi um golo “de raiva”, mostrando premeditação em agredir a baliza.
Recordo-me de nos últimos dias terlidováriosartigos que garantiam que Berlusconi estava acabado. Infelizmente (embora não pelas mesmasrazões dos articulistas) não é verdade.
O prémio vai para o Diário Económico que consegue increver mais uma entrada no anedotário do jornalismo.
Ser contra a pedofilia não implica escrever alarvidades como esta. Pelos vistos, a sua melhor defesa é dizer que há mais alarves pelo mundo fora. Já suspeitava que o nível da argumentação não permitisse mais.
Num mundo cada vez mais contaminado pelos ideais do progresso, (in)tolerância, e multi-tudo-e-mais-alguma-coisa, afirmações como a que reproduzimos em cima têm como consequência óbvia aquilo que o autor descreve na frase imediatamente anterior: quem fala assim é intolerante. A doutrina vigente ensina-nos que tudo é igual, mesmo se compararmos os grunhidos de meia dúzia de analfabetos — sejam rappers, punks, ou outro grupelho com nome neo-tribalista (e em “estrangeiro”, claro) — com a Júpiter de Mozart (e talvez por isso se criou a imagem de um Mozart estrela pop, com a ajuda de um célebre e oscarizado filme; não há nada como diminuir o passado para valorizar o presente). Mas há outro ponto de vista: essa “diversidade”, com a qual, de acordo com os polícias do pensamento, devemos ser tolerantes, é o ácido que corrói a cultura, é aquilo que, lentamente, nos arrasta de volta para a barbárie. A forma mais fácil de ascender na escala cultural é destruir o que nos faz sombra. Sem talento, sem cultura, sem passado, sucessivas gerações têm tentado fazer tabula rasa de séculos de História, e o pior é que vão tendo sucesso. As universidades dão uma ajuda, e colocam no índex expurgatório as obras clássicas, agora taxadas de sexistas, racistas, ou outro nome feio qualquer que acalme as novas virgens. Bloom avisou-nos. O Allan e o Harold.
Existe um projecto que vale a pena seguir, que mostra outros Alentejos e que é muito mais do que o resultado da soma de cartazes turísticos. A revista bimestral chama-se Pormenores.
The image of House Speaker Nancy Pelosi wielding what resembled an oversized mallet while leading a mob of congressmen across Capitol Hill on the day of the health-care vote is the stuff of nightmares. It is also instructive. As a metaphor for how the Democrats view their power, the Pelosi hammer-pose could not be more perfect.
Não lembra ao diabo fazer uma hora sem cuidados de saúde. Ou sem água corrente. Ou sem telecomunicações. Ou sem qualquer tipo de transporte mecanizado. Ou — já agora — sem esgotos.
(…)
Fazer uma hora sem electricidade é de um paganismo retrógrado. É idealizar a ausência de civilização, ou seja, a barbárie.