Elisa Ferreira, a trágica candidata do PS para o Porto nas últimas autárquicas, a senhora que produziu pérolas que certamente constarão nas primeiras páginas de um qualquer manual How Not to Do para políticos inexperientes e/ou inábeis, de que são maiores expoentes a confusão entre dinheiros do Estado e do PS - “o dinheiro é do Estado, é do PS” – e a tosca explicação de duas candidaturas quase simultâneas a dois cargos mutuamente exclusivos - “Vou só dar o nome e volto” - ataca agora Paulo Rangel, o senhor que ganhou uma das eleições entre as duas que a própria disputou e perdeu, a propósito da candidatura à presidência do PSD.
Ora vamos com calma, e explicar umas coisas devagarinho, para ver se Elisa Ferreira e cabecinhas alike conseguem vislumbrar a lógica doa argumentos.
1º Paulo Rangel candidatou-se apenas ao cargo de eurodeputado. Não, como Elisa Ferreira e Ana Gomes, a dois cargos, sabendo que apenas poderiam ocupar um, tornando as eleições europeias uma fraude aos eleitores.
2º Em circunstâncias radicalmente diferentes daquelas em que se candidatou ao parlamento europeu, e todas da exclusiva responsabilidade dos governos socialistas- em Junho de 2009 o governo estimava o défice em 5,9%, enquanto agora temos um valor para 2009 de 9,3% e uma estimativa para 2010 de 8,3%, sendo que ninguém põe as mãos no fogo pela veracidade de qualquer destes números; em Junho de 2009 havia Jornal Nacional com Manuela Moura Guedes, enquanto agora vem nos jornais o plano de Sócrates e Cia. para controlar a comunicação social para nojo da população em geral; em Junho de 2009 considerava-se a justiça ineficaz mas razoavelmente independente, enquanto agora todos desconfiam que PGR e o presidente do STJ agiram para proteger o poder político; em Junho de 2009 não tínhamos um governo que, quatro meses depois de ganhar eleições, está totalmente desacreditado; em Junho de 2009 não tínhamos gente a apostar que Portugal não vai conseguir cumprir com os pagamentos da sua dívida pública; em Junho de 2009 não víamos os juros a aumentar para todos os empréstimos de todos os portugueses porque o risco do Estado português aumentou; e aí por diante – Paulo Rangel decide que poderia prestar um melhor serviço ao país como presidente do PSD e, depois, primeiro-ministro. Algo que Rangel não poderia prever quando se candidatou em 2009, ao contrário de Ferreira e Gomes que sabiam bem que se candidatariam em simultâneo às europeias e às autárquicas.
3º Ainda que não seja aconselhável, em teoria Paulo Rangel poderia acumular os cargos de eurodeputado e de presidente do PSD, algo que Elisa Ferreira e Ana Gomes não poderiam.
Perceberam agora, ou é preciso fazer um desenho?