O Insurgente

Fevereiro 18, 2010

Uma pequena nota

Filed under: Política,Portugal — Bruno Gonçalves @ 00:47

Embora seja um estudo relativo apenas à Maternidade Alfredo da Costa, e ignorando as picardias entre blogs, o que este estudo revela é algo que deveria constituir matéria de refexão para todos: uma grande maioria de mulheres recorre à IVG como método contraceptivo. Independentemente de como votaram no referendo, a questão impõe-se: Foi para este fim que se aprovou a lei?

Article 126.9 of the Lisbon Treaty

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — André Azevedo Alves @ 00:42

Isto não vai acabar bem: Greece loses EU voting power in blow to sovereignty

The council of EU finance ministers said Athens must comply with austerity demands by March 16 or lose control over its own tax and spend policies altogether. It if fails to do so, the EU will itself impose cuts under the draconian Article 126.9 of the Lisbon Treaty in what would amount to economic suzerainty.

While the symbolic move to suspend Greece of its voting rights at one meeting makes no practical difference, it marks a constitutional watershed and represents a crushing loss of sovereignty.

(via Portugal Contemporâneo)

A propaganda de extrema-esquerda de Rui Tavares

Filed under: Comentário,Cultura,Economia,Educação,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:41

A propaganda de extrema-esquerda regularmente publicada por Rui Tavares (neste caso concreto brilhantemente desmontada pelo JCD) continua a ser um dos melhores exemplos de como em Portugal é possível fazer política combinando a ignorância com o apelo aos mais reles instintos (anti-)sociais: A crónica de Rui Tavares (comentada). Por JCD.

Bom senso

Filed under: Ambiente,Blogosfera,Media,Política,Portugal — ruicarmo @ 00:38

Stop the presses!, por Diogo Belford Henriques.

A hipocrisia de Wenger

Filed under: Desporto,Internacional,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:17

Em vez da demonstração hipócrita de indignação, Wenger faria melhor em preocupar-se com os erros do seu guarda-redes. Para a história fica mais um bom resultado internacional conseguido pelo FC Porto.

Fevereiro 17, 2010

O show continua…

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 20:55

PS envolve Cavaco e leva caso da alegada vigilância a Belém para o Parlamento.

O Parlamento vai ouvir 31 nomes propostos pelo PS no conjunto de audições sobre «a influência do poder económico e político nos meios de comunicação social». Entre os nomes propostos pelo PS estão dois dos jornalistas que divulgaram as supostas escutas na Presidência da República, Tolentino de Nóbrega e Luciano Alvarez. Estes nomes não constavam na lista inicial (de 22 nomes) apresentada pelo PS há uma semana, e foram entretanto acrescentados.

Cavaco não fala sobre alegado plano do PS.

O desespero

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 20:48

O debate público, em Portugal, está a ficar cada vez mais divertido. Quando se esgota um número de malabarismo, assiste-se logo a uma nova deriva por caricatas manobras de defesa. Sabe-se que as criaturas acossadas invocam todos os seus recursos. Sabe-se que as dificuldades podem aguçar o engenho e maximizar a criatividade. No final da abertura de Der Fliegende Holländer, composta após a conclusão do resto da obra, Wagner escreveu per aspera ad astra, Gott geb’s (pela adversidade até às estrelas, queira Deus.), resumindo numa frase o longo calvário que começara em Riga, mas que entretanto havia terminado com uma obra primorosa, a primeira em que Wagner aborda o tema da redenção (pelo amor!, mas mesmo assim pode ser uma boa saída para tanta gente “encurralada”).

Wagner podia ter uma “moralidade fraca” (palavras do compositor Peter Cornelius), mas foi, sem dúvida, um génio animado pela chama divina. Já os leporellos, cansados das sucessivas notícias, nada simpáticas para o governo, que vão saindo nos meios de comunicação social, não têm arte para mais do que fabular um ambiente de pré-totalitarismo e lamentar uma suposta repressão da individualidade. Isto, note-se, vem da mesma barricada que, ainda há poucos dias, apoucava um manifesto por este referir sinais de perigo para a liberdade de expressão. De exageros estamos conversados, mas como nota final fica uma certa estranheza por esta súbita mudança de registo, pois a tropa que agora se indispõe nunca se sentiu incomodada pelo traço principal deste governo (e de todos os governos socialistas): uma crescente interferência na esfera privada, com a consequente diminuição da liberdade e da responsabilidade individual.

Resumindo: este drama de pinceladas toscas e forçadas, já sem qualquer sinal de engenho e a indiciar desesperança, acontece porque, nos últimos meses, houve quem se atrevesse a pôr em causa actos dúbios de um governo, de um primeiro-ministro, e até dos seus fiéis seguidores. Mas há que perdoar-lhes, porque talvez não saibam o que é accountability. Nada que umas aulas de inglês técnico não possam resolver.

O país dos pessoalismos

Filed under: Portugal — elisabetejoaquim @ 19:59
Tags:

Iniciaram-se hoje as audições na Comissão de Ética, subordinadas ao tema “exercício da liberdade de expressão em Portugal”. À parte o carácter positivo da iniciativa, toda a condução da mesma foi deplorável.

O enquadramento das entrevistas feitas pelos deputados tinha como pressuposto que era a opinião, a sensação, o sentimento dos entrevistados que importava investigar. A certo ponto, visivelmente incomodado com o carácter pessoalista das perguntas, José Manuel Fernandes respondeu que não estava ali para dar a sua opinião mas sim para relatar os factos. A subtil pedagogia de nada serviu e em nada alterou o pendor pessoalista das rondas de perguntas que se seguiram. A certo ponto, o ex-director do jornal Público era ele próprio um consultor ético, exigindo-se dele a sua «opinião», a sua «avaliação qualitativa», a sua «interpretação dos factos». Nesta fase fica claro que se teria poupado tempo e dinheiro pedindo-se directamente ao entrevistado que enviasse um parecer ético por escrito.

No intervalo das audições, uma jornalista da RTPN confirma a anterior evidência dizendo que a única função da Comissão de Ética é fazer um «relatório» das entrevistas, e que «a Comissão de Ética não é um julgamento. Não está ali para emitir juízos». Nesse caso pergunta-se, o que está ali a fazer? Uma Comissão de Ética tem por função apresentar um parecer sobre algo de  duvidosa correcção moral, o que implica critérios cuja aplicação conduz à possibilidade de emitir juízos morais. E emitir juízos morais é necessariamente sair da esfera da pessoalidade para entrar na do «julgamento». Sem isso estamos apenas a presenciar uma entrega de declarações ao vivo por parte dos entrevistados, à qual se poderia facilmente substituir a entrega de um documento escrito sem o elemento espectáculo.

De seguida veio Mário Crespo e começou o one man show.  O jornalista não só não se incomodou com o carácter pessoalista das questões (que incluiam perguntas sobre Bárbara Guimarães), como as amplificou de bom grado, aproveitando a plataforma para promover o seu livro e interrompendo os trabalhos para pousar de pé para os foto-jornalistas com fotocópias da sua “última crónica”. O momento alto anconteceu quando, interpelado por uma deputada do PSD que pedia a Crespo que dissesse «algo de concreto», Crespo respondeu afirmativamente ao pedido com algo que qualificou de «absolutamente concreto»: o sentimento que o envadiu quando recebeu uma t-shrirt (que fez questão de mostrar) em que se lia Eu ainda não fui processado por Sócrates.

Num país em que um sentimento é «absolutamente concreto», em que uma auto-proclamada Comissão de Ética se abstém de emitir juízos morais, e em que o pessoalismo é guia para a investigação objectiva, resta pouco a acrescentar sobre os problemas Éticos sobre os quais a Comissão se propôs investigar e que assentam, precisamente, na crença de que é possível pessoalizar a figura do Primeiro-Ministro, distinguindo nele a pessoa e o chefe de governo.

20 de Fevereiro em Lisboa

Filed under: Agenda,Cultura,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:54

Casamento gay: manifestação por um referendo é sábado na Av. Liberdade

A Plataforma Cidadania Casamento realiza no sábado uma manifestação em Lisboa que deverá reunir simpatizantes de todo o país na luta por um referendo à lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O início do fim (9)

Filed under: Economia,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:54

Face à extensão e gravidade do que já é público, dificilmente esta renúncia chegará para encerrar o caso: Rui Pedro Soares renuncia ao cargo na PT

Rui Pedro Soares renunciou ao cargo de membro executivo do Conselho de Administração da PT, a decisão terá sido precipitada pela busca que magistrados do DIAP de Lisboa e investigadores da PJ de Aveiro fizeram na passada segunda-feira ao gabinete daquele gestor da PT, tendo também apreendido documentos no espaço que foi ocupado por Paulo Penedos, arguido no processo principal da Face Oculta.

Rui Pedro Soares renuncia ao cargo de administrador da PT

Recorde-se que, tal como o i avançou hoje, os principais accionistas da Portugal Telecom estavam a aguardar a convocação urgente de um conselho de administração porque querem esclarecimentos sobre o suposto envolvimento da empresa num alegado “plano” do governo e de José Sócrates para controlar a TVI e outras empresas de media.

Carnaval Presidencial

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:57

Depois de Alegre, mais um candidato a disputar o eleitorado bloquista: Fernando Nobre avança com candidatura a Belém

Fernando Nobre encontra-se actualmente no Senegal. Segundo escreve o «Expresso», o reputado clínico reúne vários apoios no PS, Bloco e PCP e poderá ser a resposta para um consenso à esquerda na candidatura a Belém.

Pai de quatro filhos, Fernando Nobre participou na Convenção do PSD, em 2002. Quatro anos depois, foi membro da Comissão de Honra e da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, em 2006.

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, em Junho de 2009, foi mandatário nacional para a campanha do Bloco de Esquerda. Ainda em 2009, foi membro da Comissão de Honra da candidatura de António d`Orey Capucho à presidência da Autarquia de Cascais, em 2009.

Forma e conteúdo

Filed under: Portugal — Carlos M. Fernandes @ 17:30

(…) Dois republicanos a caminho da cama

Discutem sobre a democracia

PoisissoéaFormamasondeéqueficaoConteúdo?

Contam os anos pelos aumentos de ordenado

Os meses pela saída do Magazine

Cada um é um sábio, modelo Keuner

Não há pensamento que não passe pelo estômago (…)

Excerto de Duas Cartas (Zwei Briefe), de Heiner Muller (tradução de João Barrento)

Sobre a Nobel da Economia, Elinor Ostrom

Filed under: Economia,Política,Teoria — Miguel Noronha @ 15:29

“Um Nobel para a economia da governação policêntrica” de André Azevedo Alves no Ordem Livre

[O] trabalho de Ostrom aponta o imenso – e frequentemente esquecido – potencial de estruturas de governação policêntrica e a importância de regras e instituições consonantes com o que se poderia designar em termos hayekianos como processos de “ordem espontânea”. A defesa da liberdade e do bom governo passa necessariamente pela compreensão da diversidade e pluralidade de formas institucionais através dos quais os indivíduos e as comunidades são capazes de resolver problemas de ação colectiva e, nesse domínio, os contributos de Elinor Ostrom podem e devem ser colocados no nível dos de James Buchanan ou Friedrich Hayek.

A defesa necessária com P.S.

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 15:02

Caros Jugulares e Corporativos,

Mesmo que as ideias, o “conteúdo”, não sejam da Vossa cabeça, a “Forma” é. Agora entendo melhor tanta defesa da forma sobre o conteúdo. E por mais que vozes mais críticas digam que não passam de ingénuos apenas capazes de criar bonitos floreados literários para encapsular as mensagens do partido, há muitos que, como eu, defendem a Vossa inteligência. Sabem muito bem o que andam a fazer, se o fazem não é por ignorância nem distracção. É por vontade própria e conscientes dos Vossos actos.

P.S. Sem prejuízo do cunho pessoal que queiram dar aos posts podem por favor enviar os memos de suporte para o e-mail?  As fontes primárias são sempre interessantes…

Faltou explicar o resto

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 14:30

No i

O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, afirmou hoje que a privatização da ANA – Aeroportos de Portugal “será inferior a 50 por cento”, garantindo não estar em causa a criação de um “monopólio privado dos aeroporto”.

O que o Ministro se esqueceu de explicar foi a razão da existência de um monopólio público.

Erradas equivalências

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:00

Um dos principais problemas políticos que se levanta a propósito das alegadas movimentações tendentes ao controlo de órgãos de comunicação social por José Sócrates está na falta de transparência que tal controle assumiria, já que o mesmo seria oculto e não sindicável (problema distinto, mas directamente relacionado, com o problema da interferência estadual, mesmo quando legalmente admissível, nos órgãos de comunicação social).

Não servem por isso as acusações que agora se fazem ao Sol sobre a influência da sua estrutura accionista nas opções do jornal (que aliás tem limites legais, como terá a influência estadual nos órgãos de comunicação de que é titular), para fazer qualquer tipo de equivalência com os factos que pelo Sol são relatados.

É que é precisamente por ser conhecida tal estrutura accionista que pode sindicar-se a opção editorial do Sol e elaborar conclusões como estas, o mesmo não podendo acontecer, por exemplo, com os jornais sujeitos a telefonemas como os que vêm relatados no Sol e que, de forma oculta e não transparente condicionam a percepção que deles têm os seus leitores.

Assim vai a “ética republicana”

Filed under: Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 12:21

Pelos vistos, o Pedro Adão e Silva, o Eduardo Pitta e o Porfírio Silva acham perfeitamente natural a utilização de recursos do estado em campanhas partidárias. Acham que a notícia do CM é coisa pouca. É provável. Perante as tentativas de controlo dos media pelo governo nada disto parece especialmente grave, é certo. Mas, convenhamos, para quem anda com a boca sempre cheia de discursos sobre a “ética republicana” isto é descredibilização total.

Em Portugal é habitual a confusão entre o partido governante e o Estado e esta é apenas mais uma das suas manifestações. Contrariamente aos socialistas, não acho que a solução seja “mais Estado”.

Só boas ideias (2)

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:19

Ontem na SIC-N, o dirigente socialista Vítor Ramalho terá dito que foram “nomeados dois jovens impreparados para a PT” e que “é óbvio que agiram de iniciativa própria“.

Sem se aperceber (julgo), Vítor Ramalho confirma que as nomeações para estes lugares se fazem por critíérios puramente políticos. Dá gosto ver a importância que o governo dá à golden share na PT. Para representar o (suposto) interesse público nomeia dois “jovens impreparados”. Diz algo acerca das qualidades valorizadas por quem sancionou estes nomes. Interessa mais a fidelidade ao chefe do que a competência profissional. É óbvio. Esta bom de ver que estes “jovens impreparadosterão toda a autonomia para “agir de iniciativa própria“. É mais que óbvio.

(h/t: Filipe Abrantes)

Territórios

Filed under: Economia,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 11:09

Parece que temos um problema com as nossas contas públicas. Como o Governo resolveu seguir aquela máxima de que não havendo solução, não há problema, arranjou uma forma original de lidar com o problema da dívida: vai contratar uma “consultora de comunicação [...] para agir junto dos mercados financeiros internacionais“. Há coisas que não mudam. Talvez fosse altura dos portugueses contratarem uma agência de comunicação para “agir junto do Governo”.

(A foto é do Anthony Dawson a preparar-se para agir junto da Grace Kelly no “Dial M for Murder”)

O início do fim (8)

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:20

A Bola

Pedro Baptista, antigo deputado socialista e membro da distrital do PS-Porto, classifica os apelos de união de José Sócrates como «patéticos» e sublinha que «o PS não é propriamente um rebanho que avança quando os sinos tocam a rebate só porque o líder está a passar por um momento difícil».

«Por alma de quem é que de repente querem pôr a funcionar as estruturas do partido, quando está meses sem se reunir, e ainda por cima convocando estruturas que não existem nos estatutos, como acontece, por exemplo, com o plenário de militantes da distrital do Porto?», questiona, em declarações ao Público.

Considerando a medida um «paradoxo», Pedro Baptista diz que o PS «tem vivido numa ditadura do silêncio e agora, porque o líder tem um problema, carrega-se no botão e acciona-se o rebanho».

«Este não é o Partido Socialista Nacional Alemão», frisa, lamentando que Sócrates só tenha apelado ao diálogo interno «por se encontrar numa situação difícil».

Tem “alguma graça”, de facto

Filed under: Economia,Justiça,Media,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 09:44

José Junqueiro diz que PSD tem influência na propriedade da comunicação social

“Toda a gente percebe que nos jornais, rádios e televisões toda a gente diz o que quer e entende, ainda que, por vezes, aquilo que entendem não corresponda à verdade. Neste período, tem alguma graça lembrar que o jornal Expresso e a SIC são propriedade de fundadores do PSD – e de um ex-primeiro ministro do PSD [Francisco Pinto Balsemão] – , o jornal Público é propriedade do engenheiro Belmiro de Azevedo e que o semanário Sol tem como acionista e ideólogos da sua fundação as principais figuras do PSD”, declarou o presidente do PS/Viseu.

Mais uns dias e conclui-se que o dito plano existia e fazia parte da luta pela liberdade de expressão. Por Helena Matos.

Há 35 anos o governo nacionalizava jornais. Agora pretende comprá-los.

A petição “Todos pela Liberdade” e a petição dos abrantes

Filed under: Blogosfera,Double standards,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 09:23

Petição carnavalesca. Por Rui Crull Tabosa.

Só boas ideias

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:15

Até agora, o melhor (?) que o PS conseguiu arranjar para lidar com os actuais escândalos é dizer que “os outros meninos também roubam berlindes no recreio”. Demonstrando continuar com boas ideias para defender o seu líder das acusações quer é alvo o PS quer reabrir o caso da alegada vigilância do Governo a Belém. Continuem rapazes, continuem.

E agora, “abrantes”? (2)

Filed under: Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:49

Sócrates foi apoiado por blogues alimentados em informação e argumentários feitos por assessores.

Da liberdade de imprensa

Filed under: Diversos — Carlos Guimarães Pinto @ 06:20

O Daniel Oliveira identifica aqui bem o problema por trás da alegada tentativa de controlo da imprensa. A razão pela qual Sócrates pode fazer aquilo que alegadamente fez é porque tem, através do Estado, algo para distribuir entre os empresarios da comunicação social em troca do controlo sobre os conteúdos. E quanto mais houver para distribuir, maior poder terão os governantes para controlar os empresários da comunicação social. E isto aplica-se a qualquer governo. Apesar de nunca terem atingido esta escala desde o 25 de Novembro, tentativas de controlo de imprensa não são novidade em democracia.

Mesmo identificando bem o problema, o Daniel Oliveira erra na solução. É, no mínimo, ingénuo pensar que passando o poder dos empresários para os conselhos de redação, a troca de favores cessará. Não só não irá cessar, como é provável que a liberdade de imprensa seja ainda mais afectada. Por um lado, o controlo de um chefe de redação ou de um jornalista por parte do poder político é bem mais fácil e barato do que controlar um empresário que tem dinheiro a perder com a perda de credibilidade do seu orgão de imprensa. Por outro lado, se o poder passasse para os conselhos de redação, os empresários passariam a estar reféns deles e dos interesses que os controlariam, com a inevitável consequência de passarem a existir menos empresários interessados em investir na imprensa, e consequentemente menos diversidade. Na imprensa como no resto, a liberdade também se faz de diversidade.

A verdade a que o Daniel Oliveira tenta escapar é muito simples: quanto mais recursos forem geridos pelo Estado, mais recursos o poder político terá para distribuir em troca de favores. Não há forma de escapar a essa realidade e é com ela que temos de lidar.

Eleições no PSD

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 01:17

O Alexandre Homem Cristo afirma que para Aguiar-Branco “unir o partido é um projecto político“, para contrapor, depois, que a “ruptura” de Paulo Rangel “pretende redefinir a identidade ideológica do partido“, leia-se, do PSD, para “dar início a uma nova era no PSD e na política nacional“.

A dupla tarefa de, ao mesmo tempo, “redefinir a identidade ideológica” do PSD, dando “início a uma nova era“, sob a marca da “ruptura“, é ambiciosa. Veremos o que é que isso significa, nos próximos dias, e como se pretende, em concreto, dar corpo à empreitada. Em qualquer caso, acho que o Alexandre Homem Cristo falha na premissa,quando se refere a Aguiar-Branco, já que claramente, para ele, “Unir” o PSD não é um projecto político, mas um pressuposto para que se possa ensaiar um projecto político, que a seu tempo será do conhecimento público.

Com toda a consideração que o Alexandre Homem Cristo me merece, arriscaria dizer que nesta fase não há ainda grande coisa para discutir, na substância. Nesta altura, em que não há ainda programas, coisas como esta não têm grande base de sustentação. Em qualquer caso, JPAB já deu alguns indícios, quando defende o fim das golden shares do Estado, ou a devolução do injustificado aumento de 2,9% no caso dos dirigentes políticos. E isto, sim, pode ser comentado.

Adenda: Corrigido. Com pedido de desculpas ao Alexandre, por lhe ter trocado duas vezes o apelido. É o que dá escrever de madrugada!

Deixa lá, Adolfo

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 00:20

Se o Dr. Mário Soares tivesse ido trabalhar na Fundação que usa o seu nome, ter-se-ia apercebido, pelo movimento, que não éramos cinquenta. Mas, como provavelmente nesse dia – e noutros – não apareceu, ficou-se pelo número que lhe sopraram ao ouvido. Se calhar, por uns bloggers anónimos de esquerda.

Teve sorte, também, por ter sido uma manifestação de jovens anónimos de direita. Imagina que nos dava para um simbólico acto de insurreição civil e zás – começávamos a partir vidros e janelas e tal. A quem é que a Fundação mandava a factura?

Já agora – estávamos lá, os que estávamos. Eu gostei da manif, e da ideia, e agradeço aos que me desafiaram a ser um dos promotores.

Fevereiro 16, 2010

Lições de liberdade do Dr. Soares

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 20:52

Mário Soares, A “asfixia” democrática e o “plano” contra a liberdade:

Alguns anónimos bloguistas promoveram uma manifestação, em frente da Assembleia da República, para protestar contra o Governo Sócrates a pretexto da “asfixia democrática”.

Começa bem isto. Anónimos bloguistas, diz Mário Soares de pessoas que, ao contrário do que sucede para os lados do seu PS, e sem que alguma vez se lhe tivesse lido um ai sobre o assunto, dão a cara pelo que dizem e se sujeitam ao escrutínio público. Mas não é esse o ponto. O ponto é que, ao que parece, para Mário Soares, a liberdade de expressão só está em causa quando os grandes e famosos e pouco anónimos, os que partilham os salões por onde Soares se passeia há anos, se manifestarem a propósito. Comovedora noção de liberdade nos ensina Mário Soares, o mesmo que, quando se compara a Cavaco, fala de mundo e de livros e de cultura… 

Foi um flop! Sabem quantos manifestantes compareceram? Pouco mais de cinquenta, contando com os “mirones”… Os jornais e rádios, que anunciaram a manifestação, tiveram o bom senso de não a comentar. Fizeram bem.

Foi um flop!, diz Soares, mentindo no número de presentes, de uma petição online que reuniu 9000 assinaturas em 3 dias, o que é algo particularmente notável quando comparado com a petição que há 3 dias corre, pretendendo defender Sócrates, e lançada por não anónimos dirigentes do PS e da JS, que já conta com 1740 assinaturas no momento em que escrevo. Não faltam dígitos não: são mesmo 1740 assinaturas em 3 dias.

Poucos portugueses acreditaram na veracidade da “asfixia”. Todos os dias lêem os jornais, ouvem as rádios e vêem as televisões. Que diabo?! Está em perigo a liberdade de imprensa? A última sondagem, publicada no Expresso, comprova a falsidade da acusação, dado que o primeiro-ministro continua a subir nas sondagens, mais dois pontos, bem como o PS.

Não sei em país anda Mário Soares, talvez num país sem anónimos e só recheado de famosos, os únicos ao que parece que contam. Mas o ponto de Mário Soares parece ser o de que as sondagens desmentem as tentativas de condicionamento da liberdade de imprensa por parte de Sócrates. Suponho que Soares se apressará a elogiar Berlusconi pelos mesmos motivos, já que o que conta, para Soares, nesta coisa de barómetros de liberdade de imprensa e de expressão, são as sondagens e os resultados eleitorais, o que não está nada mau para a noção de liberdade de imprensa. Ainda bem que, noutros tempos, Mário Soares teve outras ideias e outras inspirações. Quem andasse por cá no 24 de Abril de 1974 era capaz de escrever exactamente o mesmo que Mário Soares agora escreve, tal era a acalmia e a aceitação popular de Caetano, sem que tal acalmia pudesse ser interpretada como confirmação de que a gentalha anónima andasse a gostar do regime que lhe tinha calhado em sorte.

A vitimização da sua figura é tão excessiva que só pode ser desfavorável a quem a faz… Como tem sucedido!

É o que se verá. Veremos a quem a cumplicidade assenta melhor. Se aos anónimos que organizam flops se aos famosos que aceitam fingir que nada se passa.

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal (5)

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:00

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

(…)

8. Participar em múltiplas reuniões, muitas vezes inócuas, mas obrigatórias perante a lei, onde se analisam mil e um aspectos de natureza burocrática referidos anteriormente.

(…)

Ah!!! Já me esquecia. Quando tenho tempo, quando as minhas missões de educador de infância, psicólogo ou funcionário administrativo me permitem, também consigo, em cerca de 10% do meu trabalho, preparar minimamente as aulas e ensinar matemática do 8º e do 9º anos (para além, naturalmente, de me preocupar com os instrumentos de avaliação). Mas tenho que dizer isto baixinho para que os peritos do eduquês não me ouçam. É que palavras como “ensinar”, “explicar” ou “expor” são para eles termos quase criminosos. Porque, qualquer dia, na forma como as coisas têm evoluído, escola e conhecimento serão conceitos que só tenuamente se interceptam. Porque a escola deixará definitivamente de ser um local onde se aprende e onde se ensina, para ser apenas um espaço de motivação e de vivência. Com estes pressupostos e com o anunciado e vergonhoso aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, não é preciso ser grande visionário para que se preveja que, cada vez mais, cheguem às universidades verdadeiros analfabetos. Mesmo que não no sentido literal, pelo menos do ponto de vista cultural, formativo, comportamental ou cognitivo.

(…)

Escrevo este texto numa altura em que acabo de corrigir 74 testes, tendo havido 8 positivas. Tenho perfeita noção que, à luz do sistema e independentemente da falta de bases e métodos de estudo dos alunos e da sua falta de atenção, esforço e empenho, a responsabilidade destes resultados é minha e só minha, por não os ter motivado convenientemente. Mas, claro, é fácil obter a redenção. Basta que assuma o meu pecado e premeie o fraco desempenho com óptimas notas, contribuindo para o “sucesso” educativo português . Nesse instante, tudo me será perdoado e passarei de imediato a ser… um “bom professor”.

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal (4)

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:00

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

(…)

5. Preparar e pôr em prática criteriosamente planos de acompanhamento e de recuperação, respectivamente para alunos repetentes e/ou em risco de chumbar pelo número elevado de negativas. Há casos onde se percebe essa necessidade, por serem casos com reais dificuldades, que precisam e merecem um acompanhamento mais directo, mas, em muitas situações, este insucesso deve-se muito a falta de estudo, de atenção nas aulas e de esforço (sim, porque aprender exige esforço e sacrifício – essa ideia de que tudo tem de ser aprendido de forma divertida e natural é mais uma das grandes falácias da “escola moderna”) e, nesses casos, estes planos de acompanhamento são mais um exemplo que demonstra a importância excessiva que se dá a quem não dá valor à escola e ao conhecimento, enquanto se despreza os bons alunos que, à custa de mérito próprio, vão tendo verdadeiro sucesso educativo

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal (3)

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 13:00

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

(…)

4. Preparar provas de recuperação para um aluno que falte permanentemente, sabendo que, mesmo que ele reprove uma ou duas vezes, a possibilidade de, nestas circunstâncias, chumbar por faltas está sujeita a um longo processo burocrático (que mesmo assim pode não conduzir a nada, pois há sempre pressões fortes para que este não se concretize, nomeadamente algumas usando “falhas” na lei). Ou seja, foi a forma genial encontrada pelo Ministério de ninguém chumbar por faltas, mesmo dando a ideia de que isso supostamente acontece, encarregando os professores de todo o procedimento legal em redor deste embuste.

Saber de experiência feito

Filed under: Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 12:29

Nesta Acertamos Todos. Por JCD.

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal (2)

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:00

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

(…)

3. Sempre que necessário, agir disciplinarmente, sabendo (professores e alunos) que a consequência prática e correctiva destas medidas é praticamente nula. (…) Que raio de “escola inclusiva” é esta que premeia e dá múltiplas oportunidades aos alunos mais indisciplinados, enquanto aqueles que cumprem, se esforçam e se empenham são dia após dia prejudicados pelo comportamento perturbador e recorrente dos primeiros? É o que dá quando certas leis são elaboradas por gente que não faz a mínima ideia do que é a realidade escolar no seu quotidiano, muito menos do que é o fenómeno da turma e das múltiplas variáveis que lhe estão associadas.

A equipa de Pedro Passos Coelho

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 10:18

Nogueira Leite coordena moção de Passos Coelho

A equipa de trabalho vai definir, por áreas, as prioridades que Pedro Passos Coelho vai defender para o partido, caso ganhe as eleições directas do próximo dia 26 de Março. O coordenador é António Nogueira Leite, professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e vogal do conselho de administração da CUF.

Entre os nomes das 12 personalidades, a maioria ligada ao mundo académico, está Jorge Moreira da Silva, actualmente consultor da ONU. Foi secretário de Estado Adjunto da Ministra da Ciência e do Ensino Superior, no governo de Durão Barroso, e secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território no XVI Governo, de Pedro Santana Lopes.

Emídio Gomes, professor catedrático em biomédicas e actualmente pró-reitor da Universidade do Porto, Mónica Ferro, professora de ciências políticas e relações internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e José Manuel Canavarro, pró-reitor da Universidade de Coimbra e ex-secretário de Estado da Educação no Governo de Durão Barroso são outras das personalidades ligadas ao mundo académico que fazem parte deste grupo de reflexão.

O consultor para os assuntos jurídicos do Presidente da República e professor de Direito, Carlos Blanco de Morais, é outro dos elementos do grupo de trabalho.

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal

Filed under: Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 09:00

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

1. Deparar com alunos com imensas dificuldades e com uma enorme falta de bases matemáticas. Só para se ter uma noção, poucos são aqueles que sabem calcular a área de um rectângulo, quanto é “quatro ao cubo”, somar duas fracções, dizer inequivocamente quanto é 5 – 12, resolver um problema simples que envolva apenas uma subtracção ou a tabuada (o resultado das pedagogias científicas que dizem que nada pode ser decorado e que tudo tem de ser aprendido de forma lúdica é perguntar quanto é 8×4 e dificilmente obter a resposta certa). No entanto, fruto das medidas educativas que evitam os chumbos a todo o custo e de um facilitismo avaliativo de muitos professores que autenticamente oferecem notas para não se chatear, estes alunos vão passando de ano, mesmo que dotados de uma ignorância profunda (só mais tarde, estes alunos irão perceber que são eles as principais vítimas deste sistema educativo facilitista e perverso).

(…)

3. Sempre que necessário, agir disciplinarmente, sabendo (professores e alunos) que a consequência prática e correctiva destas medidas é praticamente nula. (…) Que raio de “escola inclusiva” é esta que premeia e dá múltiplas oportunidades aos alunos mais indisciplinados, enquanto aqueles que cumprem, se esforçam e se empenham são dia após dia prejudicados pelo comportamento perturbador e recorrente dos primeiros? É o que dá quando certas leis são elaboradas por gente que não faz a mínima ideia do que é a realidade escolar no seu quotidiano, muito menos do que é o fenómeno da turma e das múltiplas variáveis que lhe estão associadas.

Fevereiro 15, 2010

A miséria moral da blogosfera e o seu estilo inconfundível

Filed under: Blogosfera,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:58

O que se esconde atrás de um blogger? Por António Figueira.

Só há uma raça de blogger que me escapa: a que tem nome, mas é anónima; tem tantos arquivos, e sabe tanto sobre tanta gente, que, mais do que ter um blogue, parece uma central da blogosfera; que, mais do que causas, tem obsessões, como só as tem quem tem de responder a patrões; que, enquanto o resto da malta faz isto ao fim do dia, ou ao fim da semana, quando há tempo e pachorra, tem sempre o dedo pronto, o post a sair, o link preparado, a ficha encontrada (e sempre inventivamente disfarçada por um post sobre um livro, ou um disco, ou uma pintura, viva a imaginação). Este tipo de blogger é muito forte: tão forte, tão forte, que eu até acho que não é um blogger: porque blogger nenhum se entretém a pôr na rede as fotos de pessoas que vão a manifestações, ou os CV’s, supostamente secretos, das pessoas de quem não gosta: este tipo de blogger – que eu aconselho quem ainda não conheça a conhecer, nas suas múltiplas expressões – é a miséria moral da blogosfera, e é o melhor argumento que existe para correr depressa com quem o inventou.

Dogma e Tradição

Filed under: Religião — Bruno Gonçalves @ 20:37

Embora não seja hábito escrever sobre o tema religião, abro aqui uma excepção para responder de forma breve ao texto do André e da Maria João Marques.

Não vou aqui falar dos erros e da confusão de doutrina católica que Pedro Arroja apresentou, mas importa compreender que tanto o Dogma como a Tradição na Igreja representam dois pilares na doutrina católica, embora apenas um deles tenha um valor absoluto e imutável. É por esta razão que os dogmas não são muito abundantes e apenas podem ser pronunciados pelo papa, invocando para tal o seu poder Ex Cathedra. A infalibilidade papal apenas existe no exercício deste poder, e como tal, apenas no momento em que se pronuncia um novo Dogma para a Igreja Católica.

Assim sendo, compreende-se que apesar da importância que a Tradição da Igreja possui, várias mudanças tenham ocorrido ao longo dos séculos, até em sentidos divergentes, dando lugar por exemplo a dois ritos na Igreja Católica – o Rito Ocidental e o Rito Oriental. Tal não afecta a doutrina na Igreja, muito menos, a discussão que obviamente muitos dos rituais dessa Tradição coloca no contexto dos dias de hoje.

A Maria João Marques fala em defender uma “heresia” no que respeita à alteração da Tradição da Igreja, de modo a possibilitar o acesso ao sacerdócio das mulheres. Eu discordo da conotação de heresia, dado que não considero que uma discordância da Tradição, ou mesmo de um texto doutrinário como uma Encíclica, constitua uma heresia. Uma interpretação da doutrina católica com base no Evangelho contrária a um documento oficial do Vaticano não perfaz uma heresia per se. Basta lembrar a evolução que muitas das ideias contidas em Encíclicas tiveram ao longo dos tempos. Deste modo, a discussão e reflexão em matéria de Tradição e de interpretação de doutrina merecem incentivo. Um dos argumentos que reveste a interdição das mulheres ao sacerdócio é o facto da Igreja ter dúvidas se possui a autoridade para tal, dado que Cristo nunca a realizou, apesar de ter tido essa possibilidade. Parece uma coisa menor. Não é. É nesta linha que o argumento é mais de Tradição que propriamente teológico, mas longe, na minha opinião, de ser matéria de Dogma.

Embora faça esta distinção, julgo importante realçar que estes dois pilares são ambos estruturantes na organização da Igreja Católica. O ponto onde não concordo com a Maria João é a forma como secundariza a Tradição, esvaziando-a de toda a sua essência e importância no seio da Igreja. Não é apenas pelo facto que nos dias de hoje o papel da mulher na Igreja pareça ser inferior ao do homem que se deva aprovar automaticamente uma alteração ao direito canónico. É necessário compreender que a Tradição não conserva apenas ritos por conservar, mas que mantém os limites daquilo que pode ou não ser realizado dentro da Igreja.

Gostei

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 20:21

De ouvir Pedro Passos Coelho sobre Alberto João Jardim e da forma como o colocou no seu devido lugar. Conforme já tive oportunidade de escrever e dizer, apenas libertando-se dos pesos pesados que são o líder do PSD/Madeira e Cavaco Silva, o PSD tem capacidade de se renovar. Por estas e por outras, qualquer afirmação perante Jardim, é bem-vinda.

Ser ou não ser herege

Filed under: Religião — Maria João Marques @ 19:34

André, deixando – por agora – de lado o muito infeliz (para ser comedida) uso das posições religiosas de Paulo Rangel para o qualificar politicamente, tenho que dizer que discordo desta tua argumentação. Aliás o facto de, como reconheces, ser discutível se é dogma ou não a impossibilidade de ordenação de mulheres desmente o dogmatismo da doutrina. Se fosse dogma de fé, teria sido assim afirmado e ninguém precisaria de o discutir. Além de que já teríamos assistido a um novo sisma e a excomunhões em catadupa. Não tenho dúvidas que João Paulo II pretendeu calar leigos e consagrados que reclamavam o sacerdócio das mulheres (num momento também ele infeliz para a Igreja), mas não foi bem sucedido. Nada impede que um outro Papa reveja a sua posição sobre o assunto, tenha JPII considerado a sua posição a definitiva ou não. De resto, esta intemporalidade da posição da Igreja é redundante; não é suposto assumir-se que as posições doutrinais expressas em encíclicas o são apenas for the time being, apesar de todos sabermos que a Igreja mudou de posição ao longo dos tempos em muitos assuntos não centrais (ou dogmáticos) à fé católica, sendo a visão dos possíveis papeis das mulheres no mundo talvez a mais emblemática. Contudo, nem JPII se deixou tentar (ou, se deixou, venceu a tentação) pela insensatez de elevar uma questão menor dentro da Igreja como o acesso das mulheres ao sacerdócio ao nível de dogma e equiparando-a à Santíssima Trindade, à condição simultaneamente inteiramente humana e inteiramente divina de Jesus Cristo e outras coisas um tudo-nada mais importantes que a ordenação das mulheres. Além de provocar um sisma seria simplesmente ridículo.

Em todo o caso, informo que pertenco à CVX e que sou ministra extraordinária da comunhão numa missa ligada ao CUPAV (ainda que agora, à conta dos horários mais incertos a que uma criança pequena obriga, esteja em sabática). Apesar de já ter sido aqui chamada pelo impagável Luís Lavoura de ‘católica fundamentalista’ e de as hostes passos-coelhistas com dificuldades na compreensão da língua portuguesa terem circulado a informação de que eu sou uma ‘integrista católica’ (algo que não sei o que é, mas que soa a mau), informo, ainda, que concordo com Paulo Rangel em todas as suas opiniões, excepto no caso do casamento gay. Só me desagrada este adjectivo ‘progressista’, que me faz lembrar o deleite que o primeiro-ministro sócrates tem com o adjectivo ‘moderno’. Por lá, já sabem que eu sou uma enorme pecadora; se alguém (talvez as mesmas hostes de facção que se preocupam muito com a qualidade da minha fé) quiser avisar a Cúria portuguesa da Companhia de Jesus que afinal eu também sou uma herege a precisar urgentemente de correctivo de fogueira na praça pública, sinta-se muito à vontade.

Problemas de percepção à esquerda e à direita

Filed under: Comentário,Política,Portugal,Religião,Teoria — André Azevedo Alves @ 16:00

Se há pessoa em Portugal que não precisa que eu o defenda é Pedro Arroja, mas depois de ler a acutilante provocação que o Miguel Morgado lhe dirigiu, não resisto a fazer um breve comentário.

O Miguel tem razão quando critica Pedro Arroja por falta de rigor no uso do conceito de “dogma”, ainda que se deva ter em conta que trata apenas de um post e que Pedro Arroja (tanto quanto sei) não é sequer católico. Acresce – a título de evidência das dificuldades associadas aos dogmas no contexto da Igreja – que a própria afirmação do Miguel Morgado relativa ao estatuto não dogmático da não ordenação de mulheres é, no mínimo, muito discutível (recomendo a leitura atenta da Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis e do subsequente esclarecimento do na altura Cardeal Ratzinger). Mas a meu ver o aspecto menos feliz na post que o Miguel Morgado dirigiu a Pedro Arroja é que se refugia numa crítica relativamente lateral para evitar o principal problema que Pedro Arroja – no seu estilo inconfundivelmente provocatório – levanta (e que destaquei aqui): as posições infelizes que Paulo Rangel defendeu publicamente relativamente a questões muito importantes para a Igreja.

Aceito perfeitamente que o Miguel Morgado e outros apoiantes de Rangel considerem que esse é um aspecto menor (ou até, para alguns, compatível com as suas próprias visões progressistas sobre a Igreja) e que – porventura em nome de uma convenientemente polissémica concepção política da política – deve ser desvalorizado face a considerações de táctica política de curto prazo ou até da virtù que o Rui Albuquerque eloquentemente salientou no avanço de Rangel. Eu próprio, apesar de considerar relevante o problema levantado por Pedro Arroja, inclino-me a achar que ele não deverá, em princípio, inviabilizar a possibilidade de os católicos poderem apoiar em consciência a candidatura de Rangel. O que já me parece menos razoável é a invocação das imprecisões conceptuais no post de Pedro Arroja para evitar discutir a questão principal por ele levantada.

Uma nota final sobre a referência do Miguel Morgado a Joseph de Maistre: além de ter sido maçon e de ter inicialmente dado o seu apoio a algumas das ideias que acabaram por abrir caminho à Revolução Francesa, o tipo de contra-revolucionário no qual de Maistre se veio mais tarde a converter pode facilmente ser considerado como uma decorrência lógica da sua rejeição da tradição jusnaturalista do pensamento católico. Por outras palavras, se estivesse ao meu alcance imitar o estilo polemizador do Pedro Arroja e do Miguel Morgado, poderia sugerir que não faltam razões para classificar Joseph de Maistre, pelo menos em alguns aspectos cruciais do seu pensamento, como, também ele, um homem de esquerda.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 342 other followers