O Insurgente

Fevereiro 23, 2010

Portugal visto do exterior

Filed under: Economia,Política,Portugal,União Europeia — Miguel Noronha @ 09:35

“Socrates Tries Again to Show Portugal Learning Greek Lessons” no Bloomberg

Portuguese Prime Minister Jose Socrates has a fresh chance to show he’s heeded the lesson of Greece’s fiscal crisis after disappointing bondholders with his 2010 budget.

As soon as this week, his government is due to explain to the European Commission how it will honor a pledge to cut the budget deficit to within the European Union’s limit of 3 percent of output in 2013, from 9.3 percent last year. Postponing the bulk of that effort, Portugal plans to trim the shortfall by 1 percentage point this year as it banks on faster growth than forecast by the International Monetary Fund.

People are increasingly worried about how on earth this is going to be achieved,” said Phyllis Reed, London-based head of bond research at Kleinwort Benson, which manages $32 billion of assets. “Whether Portugal will be able to grow at all this year is really debatable.”

Socrates’s challenge is compounded by his government’s lack of a parliamentary majority and an economy that has barely grown in the last decade. Failure to ease investor concern may spark a further plunge in government bonds and worsen a European crisis that’s undermining the euro(..)

The budget includes a 2010 growth forecast of 0.7 percent, compared with the IMF’s 0.4 percent forecast. The Washington- based lender sees the economy expanding 0.9 percent in 2011 and 1.3 percent in 2012, periods for which the government hasn’t yet given forecasts.

Portugal has one of the euro area’s largest private debt burdens, according to data from the European Central Bank. It has also lost competitiveness since joining the euro, with labor costs rising an average 3.5 percent a year in the last decade compared with 2.3 percent in Germany.

“We know about all these problems,” said Luigi Speranza, an economist at BNP Paribas SA in London. “The question is, what are they going to do about it?”

(meus destaques)

A oposição estratégica

Filed under: Política,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 06:32

Um líder democrático com aspirações a grande líder necessita de manter uma rede de apoios diversificada. Entre essa rede de apoios deve-se contar também com uma oposição estratégica. A oposição estratégica é constituida por pessoas conhecidas por defenderem posição políticas diferentes das suas, mas que sejam suficientemente elásticas para responderem aos incentivos oferecidos pelo líder. Os membro oposição estratégica são distribuidos pelos diversos orgãos de comunicação social para dar a impressão à opinião pública de que existe realmente oposição.
A oposição estratégica tem que ser credível, ou seja, os seus membros devem discordar do governo num número de pontos suficiente para que ninguém suspeite das suas intenções. Porém, a oposição estratégica não deve atacar o líder nas questões mais graves que o possam de facto derrubar do poder. Quantos estas discussões chegam à praça pública, a oposição estratégica tem um papel fundamental na defesa do líder.
Dos apoiantes públicos do líder, todos esperam que também o apoiem nestas ocasiões. Pelo contrário, a oposição estratégica foi ganhando reputação de se opôr ao grande líder. Ao se colocar ao seu lado nestas discussões, a oposição estratégica garante credibilidade extra à defesa do grande líder, que este não conseguiria se apenas tivesse do seu lado aqueles que sempre demonstraram publicamente apoiá-lo. O argumento mais comum dos membros da oposição estratégica quando são acusados de servir o grande líder é “Ninguém me pode acusar de ser um defensor do grande líder, eu que até o critiquei em X, Y e Z”.
Há quem, de forma ingénua, lhes chame idiotas úteis. Eu permito-me discordar. Eles podem ser úteis, mas idiotas não são de certeza.

Este post não é uma utilização indevida do nome de Sócrates

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 00:51

Terêncio: «Sinhôzinho num qué que eu mate ele? Posso estripá o sujeito agora me’mo!»

Sinhôzinho Malta: «Num me digue nada, Terêncio, num me digue nada!»

Socialistas Anónimos

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Maria João Marques @ 00:16

A causa das fraquezas económicas do país ficou evidente pela receita de desenvolvimento de Sócrates: investimento público. Sucede que quanto mais o Estado cresce, mais pobres ficamos. Mas, como em tantas doenças, só se pode iniciar a recuperação depois de reconhecido o problema. Algo que, com o PS, não sucederá.

O nosso canal parlamento não é tão divertido

Filed under: Videos — elisabetejoaquim @ 00:04

Espanha, 23 de Fevereiro de 1981.

Sou só eu ou há mais quem note um padrão?

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 00:04

1. O primo de José Sócrates usa o seu nome de forma abusiva para tentar negócios. Que se saiba, nenhuma satisfação é tirada por Sócrates por este facto.

2. Lopes da Mota usa o nome de José Sócrates de forma abusiva para pressionar os procuradores que detêm o caso Freeport (pressão essa abafada pelo MP e só denunciada pelo respectivo sindicato). O governo de Sócrates, em vez de dispensar Lopes da Mota do Eurojust, assobia para o lado.

3. Vara e os administradores da PT nomeados pelo governo usam abusivamente o nome de Sócrates para concertar um plano para controlar a comunicação social e para recompensar apoios eleitorais ao PS. Em vez de serem imediatamente afastados os administradores da PT e do PM se demarcar do seu amigo Vara, Sócrates nada faz e continua com juras de amizade.

Sócrates, como se vê, tem ficado muito incomodado e reagido com inusitada virulência sempre que várias pessoas (algumas delas muito próximas) usam o seu nome abusivamente.

Sócrates e Rui Pedro Soares

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:02

Os amigos são para as ocasiões: Entrevista de Sócrates. Por João Miranda.

Fevereiro 22, 2010

Uma pergunta…

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 23:39

… que ainda não vi ser feita por aí: faz sentido a Taguspark contratar Luis Figo, e pagar os valores em causa, aparentemente 350 mil euros por ano? É habitual este tipo de campanhas em empresas similares?

Factos 4

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 22:33

Temos que ver para lá do alheamento. Para melhorar, para avançar, repetir até que se torne verdade: “só o investimentos público, modernizador do país, dá emprego.”

Factos 3

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 22:26

A proposta socialista dos rendimentos brutos publicados na internet, o chip nas matrículas dos carros eram propostas para reinar. Sócrates não quer o estado a imiscuir-se na vida privada dos cidadãos.

Alheamento

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 22:23

José Sócrates utiliza aquela técnica argumentativa que irrita qualquer pessoa minimamente inteligente e sensata: “Qualquer economista concorda com o que estou a dizer”. Qualquer? Qual? Krugman? E os outros? À pergunta que visa saber porque não desce os impostos para que as empresas possam ser mais competitivas, Sócrates responde que o tecido empresarial do país está a responder bem à crise. Também acho que sim. Eu e os mais de 550 mil desempregados, a que se somam todos aqueles que, todos os dias, fazem contas para pagar as facturas, os IVA’s e demais obrigações fiscais. Sejam empresas; sejam empresários em nome individual; sejam todos os que querem trabalhar.

Bem sei que o Primeiro-Ministro não o acredita, ele que nos diz que temos muito que aprender com Keynes, mas há muito emprego perdido, negócios desperdiçados, iniciativas boicotadas, porque, sua exa., quer fazer obras. À força. À custa de tanto esfolar a esperança e o esforço alheio.

Factos 2

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 22:22

Para se defender da infâmia e das violações do segredo de justiça por parte de alguma imprensa e dos políticos sem escrúpulos, Sócrates repudia as escutas dos boys amigos mas usa a violação do segredo de justiça no que diz respeito aos pareceres do Procurador Geral da República.

Factos

Filed under: Portugal — ruicarmo @ 22:19

“Ninguém me trata por chefe.”

José Sócrates

8.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:09

Economia não é Ideologia, e o investimento público é melhor que a diminuição de impostos (mas claro, não há aqui ideologia, mas pura economia).

Disclaimer: Este post foi escrito já na minha condição de ateu face a Sócrates.

7.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 22:01

Nesta fase, aderi ao ateísmo. Não acredito em Sócrates.

6.º mandamento da Lei de Sócrate

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:57

Portugal está óptimo, quem não o vê vai arder no Inferno.

5.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:54

Só a Lei dá Liberdade.

4.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:51

Não farás mau jornalismo.

3.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:49

Não me atacarás.

2.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:46

Não farás julgamentos morais sobre os meus amigos.

1.º mandamento da Lei de Sócrates

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 21:41

Não invocarás o Santo Nome de Sócrates em vão.

Obsessão pela não-notícia

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 20:26

Tenho o maior respeito por tudo o que se está a passar na Madeira, mas é lamentável a obsessão que todos os canais de televisão têm pela desgraça, ao ponto de nos estarem a bombardear, desde as 8 horas, com “não-notícias” sobre a tragédia.

Vinte minutos, em horário nobre, onde não somos informados, mas sim, tentados a crer que o Apocalipse ainda domina a Madeira, numa tentativa de prolongar o pathos mediático.

Nisto também se mede a qualidade da nossa Democracia.

A Juventude Europeísta

Filed under: União Europeia — elisabetejoaquim @ 18:51

Desde a semana passada, 300 000 cópias de um livro em capa dura – impresso em cinco línguas num custo de 225 000€ para os contribuintes – estão a ser enviadas para escolas de todo o continente europeu.

The graphic novel follows the ‘adventures’ of Zana, Max et al at the European Commission’s Humanitarian Aid Department – known as ECHO – as they struggle to secure funding for the fictional sate of Borduvia, which has been devastated by an earthquake.

“The Commissioner has already approved three million euros in fast track aid,” says one literally faceless bureaucrat, “She sees no problem in having a follow-up funding decision … provided the needs are clearly identified.”

The TaxPayers’ Alliance is less than impressed by Hidden Disaster: “This is pure political propaganda aimed at kids, which is a classic tactic of corrupt and unaccountable regimes down the ages.”

Enfiar a Burka

Filed under: Cultura,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 18:03

Tenho alguns remorsos por ser um cínico. Deve ser por isso que muitas vezes dou por mim a cair no lirismo de acreditar que os nossos líderes deviam ser melhores do que nós. Deve ser também por isso que o facto de o Primeiro-Ministro ter prosseguido com um comício enquanto morriam 42 portugueses na Madeira, mais do que me reconciliar com uma visão amargurada da política, me dá a volta ao estômago.

Mas, no meio de isto tudo, o que eu achei verdadeiramente delicioso foi a defesa “utilitária” da atitude do Primeiro-Ministro. Por exemplo, houve quem argumentasse que, uma vez que a “deslocação [à Madeira] não estava a ser impedida, ou atrasada, por causa do encontro com os militantes”, fazia todo o sentido que José Sócrates cumprisse a sua agenda. Outros optaram por afirmar candidamente que, não podendo o Primeiro-Ministro salvar vidas já que não é o Super-Homem, era absurdo ceder ao “simbolismo simpático que nada resolve” de mandar os senhores comissários para casa.

É sempre tocante ver estas tentativas de racionalizar atitudes rasteiras. Presumo que seja a isto que chamam multiculturalismo.

Um eurocéptico no Parlamento Europeu

Filed under: Economia,Internacional,União Europeia,Videos — elisabetejoaquim @ 17:59

Daniel Hannan denuncia a arrogância com que a UE criticou a presença dos USA no Haiti: «Vimos mais uma vez como o PE valoriza o simbólico em detrimento da acção.»

O deputado explica as diferenças entre UE e USA no que toca à (in)tolerância aos impostos:

O golpe de misericórdia: Milton Friedman is in the house:

As famosas políticas liberais-autoritárias

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 16:29

Numa crónica hoje publicada no i, o João Rodrigues chama autoritárias às “políticas neoliberais” do governo socialista. Para além de uma suposta privatização das escolas secundárias (se ao menos fosse verdade…) não refere qualquer outra. Mesmo sem perceber muito bem quais as “liberalizações” a que se refere, acho bizarro que o João Rodrigues considere “autoritárias” medidas que que devolvem o poder de escolha e os recursos *as pessoas em vez de os colocar nas mão de alguns políticos e burocratas iluminados.

Nixon (7)

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 13:42

Rui Ramos no Clube das Repúblicas Mortas (originalmente publicado no Expresso)

É esta a superioridade dos portugueses sobre os americanos. Nestas coisas, os nossos vizinhos do outro lado do Atlântico perdem logo a calma. Em 1974, forçaram um presidente a demitir-se por causa de uns microfones. Pobre Nixon. Devia ter nascido em Portugal. Ter-se-ia poupado ao calvário do Watergate. Os americanos são de facto uns exagerados. Imagine-se que até se convenceram de que estava em causa a liberdade. Falta-lhes perspectiva. Não sabem o que são ditaduras. Se tivessem aguentado, no mesmo século, o Dr. Afonso Costa e o Dr. Salazar, seriam menos dramáticos. Mas quem sabe? Talvez seja por isso que nunca precisaram de suportar Costas ou Salazares.

No fundo do panglossianismo lusitano só há uma coisa: impotência. Vamos admitir que Sócrates tem alguma coisa de Nixon — um político de várias qualidades, mas ao mesmo tempo um homem azedo, com um complexo de intruso, preso num mundo de cabalas e campanhas negras. Se Sócrates é Nixon, é um Nixon sem os freios e contrapesos que funcionaram no caso Watergate, e tendo à disposição um Estado enorme, perante uma sociedade dependente e fragilizada. Como resistiria ele à tentação de sujeitar o país ao império, minucioso e ciumento, típico de um presidente de câmara da província, a quem qualquer pequeno jornal ou blogue chega para incomodar? E nós? Que fazer para preservarmos a dignidade, senão fazer de conta que não se passa nada?(…)

Não haverá verdadeiro inquérito – não estamos na América – nem certamente revolução – também não estamos na Ucrânia. Mas haverá, quando passar o “chefe” invocado nestas escutas, outros “chefes” desse género, inspirados pela velha impunidade e com os mesmos meios à mão. Resta-nos, portanto, aceitar tudo com naturalidade, sem reparar. Um dia, nos dicionários portugueses, liberdade há-de ser sinónimo de distracção: seremos livres na medida em que não repararmos no que vai acontecendo ou na medida em que continuarmos a acreditar que, porque antes era pior, nada agora pode ser digno de nota. A distracção já era, aliás, a qualidade maior de Pangloss. E terá de ser a de todos enquanto não pudermos romper com isto.

Agora faltam os mandantes

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 13:04

Fernando Soares Carneiro renunciou hoje ao cargo de membro executivo do Conselho de Administração da PT, de acordo com comunicado divulgado pela CMVM.

Trata-se da segunda baixa do Conselho de Administração da PT, depois da saída de Rui Pedro Soares, a 17 de Fevereiro. Soares Carneiro renuncia assim ao cargo de Administrador Executivo da empresa.

Mais Estado, mais boys

Filed under: Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:40

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Enquanto um ministro jura que o Estado “não tem responsabilidade directa” na escolha dos administradores da PT, um dirigente socialista lamenta a nomeação de “dois jovens impreparados para a PT”. A verdade está no meio? Sem dúvida, se alguma verdade sobreviver a tamanhos malabarismos verbais.

Por um lado, os “jovens” em questão apenas se revelaram “impreparados” na medida em que permitiram a divulgação pública dos planos do Chefe Maior (sic). Por um lado, o conceito de “responsabilidade directa” permite esconder as inúmeras interferências que resultam da “responsabilidade indirecta”, se quisermos designar assim o controlo que o Estado, leia-se o Governo e leia-se o partido do Governo, mantém em diversas empresas inexplicavelmente públicas ou “privadas” no eufemístico sentido da PT. Não é à toa que o eng. Sócrates regularmente aconselha mais Estado para solucionar a crise, desde que por “crise” se entenda uma necessidade acrescida de empregar serviçais, manipular negócios, comprar favores, calar dissidências e, em suma, utilizar o dinheiro de todos para assegurar o peso e a influência de uns poucos.

Porém, não se culpe exclusivamente o eng. Sócrates, ou sequer o PS. Os dois partidos comunistas gostariam de nacionalizar praticamente tudo, incluindo a mercearia que me vende a ração dos cães. E a própria direita é menos adepta da livre iniciativa do que a fama sugere. Ainda há dias, os três candidatos à liderança do PSD criticavam por conveniência a golden share na PT e lembravam por convicção a importância reguladora do Estado e o “interesse nacional”.

Certo é que os governos passam e, chame-se-lhe “regulação”, “interesse nacional” ou “polvo”, o lastro estatal na economia permanece essencialmente imaculado, quando, como também acontece, não sofre dilatações. Perante uma conhecidíssima tradição pátria, é um bocadinho estranho que, face à descoberta das actividades lúdicas dos administradores “impreparados”, um administrador experiente da PT se sinta “encornado”. E é muito estranho que o cidadão comum não se sinta. O cidadão comum resmunga imenso mas, numa expressão coerente com a potência estilística do dr. Henrique Granadeiro, em última instância tende para o manso

Teoria Geral do Anonimato

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 11:12

Filipe Nunes Vicente (Mar Salgado)

O Freitas passou a receber, todos os dias, uma carta anónima enfiada debaixo da porta. O remetente, que assinava Abraval, chamava tudo e mais alguma coisa ao pobre do Freitas.

Certo dia, o Freitas chateou-se a afixou na portaria do prédio um aviso: “O Abraval é um cobarde de merda que tem medo de assinar o que escreve. Diz-me onde moras e vou lá ter contigo.”. Como as cartas eram entregues em mão, havia a possibilidade de o autor ler o aviso.

Uns dias depois veio a resposta, naturalmente em forma de carta. Começava assim: “Meu Freitas ranhoso: não sou anónimo, tenho nome e os meus amigos os meus pais e o meu gato Fritz sabem quem sou. Queres é controlar-me e invadir a minha privacidade, meu moralista imbecil. Vai-te f****. Assinado: Abraval“.

Nixon (6)

Filed under: Internacional,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:05

João César das Neves (Diário de Notícias)

Um líder nacional ganha a reeleição para depois da vitória surgirem falcatruas que praticou para ganhar. O escândalo faz cair o seu Governo. Conhece a história? Claro! É Watergate. As diferenças ideológicas entre Richard Nixon e José Sócrates são enormes. Ambos detestariam estar juntos na mesma sala. Mas enfrentam o mesmo problema por razões parecidas. A história evolui e as mudanças multiplicam-se, mas os elementos subterrâneos permanecem.

Cairá o Governo português com o escândalo? Para isso era preciso vergonha. As diferenças de Watergate e “Face Oculta” são as diferenças de Abraham Lincoln e Fontes Pereira de Melo, um século depois. Os EUA têm uma democracia; com defeitos, abusos e dificuldades, mas uma democracia. Portugal vive no caciquismo tribal, pacato, benevolente e oportunista, em várias formas históricas. Por exemplo, o Governo diz-se vítima de uma cabala política, mas queixa-se de que a oposição não o quer derrubar. Então quem fez a tal cabala e para quê? Ou não haverá cabala?

Sobre os que mordem a mão que os alimenta

Filed under: Economia,Ludwig von Mises — Nuno Branco @ 09:16

Such is the almost universally accepted social philosophy of our age. It was not created by Marx, although it owes its popularity mainly to the writings of Marx and the Marxians. It is today endorsed not only by the Marxians, but no less by most of those parties who emphatically declare their anti-Marxism and pay lip service to free enterprise. It is the official social philosophy of Roman Catholicism as well as of Anglo- Catholicism; it is supported by many eminent champions of the various Protestant denominations and of the Orthodox Oriental Church. It is an essential part of the teachings of Italian Fascism and of German Nazism and of all varieties of interventionist doctrines. It was the ideology of the Sozialpolitik of the Hohenzollerns in Germany and of the French royalists aiming at the restoration of the house of Bourbon-Orléans, of the New Deal of President Roosevelt, and of the nationalists of Asia and Latin America. The antagonisms between these parties and factions refer to accidental issues – such as religious dogma, constitutional institutions, foreign policy – and, first of all, to the characteristic features of the social system that is to be substituted for capitalism. But they all agree in the fundamental thesis that the very existence of the capitalist system harms the vital interests of the immense majority of workers, artisans, and small farmers, and they all ask in the name of social justice for the abolition of capitalism.

Ludwig von Mises, in Human Action (1949)

Maquilhagem orçamental

Filed under: Economia,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:16

Pedro Sousa Carvalho (Diário Económico)

Veja-se o caso da Caixa Geral de Depósitos, que este ano anunciou lucros de 278,9 milhões e dividendos para o Estado de 250 milhões. Um ‘payout’ de 90%, de fazer inveja a qualquer Buffett ou Soros.

Mas Faria de Oliveira está a dar tanto dinheiro ao Estado porque a Caixa não precisa dele? Errado! A Caixa precisa de fundos como de pão para a boca. O Governo prepara-se para aumentar este ano o capital da CGD, estando previsto no Orçamento uma dotação de até 1.585,8 milhões.

Então porquê tirar com uma mão (os dividendos) e dar com a outra (através de um aumento de capital)? Em termos corriqueiros há quem lhe chame maquilhar ou varrer o défice para debaixo do tapete. Em termos técnicos, a transferência de dividendos da Caixa para o Estado faz engordar as receitas do Orçamento e, logo, baixar o défice. Já um aumento de capital da CGD, embora financiado pelo Estado (dono e senhor da Caixa, com 100% do capital) não entra para as despesas, e conta apenas para efeitos de endividamento do Estado. Conclusão: o governo consegue baixar o défice e transfere os encargos (os juros da dívida) para mais tarde.

Este tipo de engenharia financeira não é de agora. Ainda todos se lembram que a CGD teve de realizar, em 2004, um grande aumento de capital na sequência das operações com os fundos de pensões que o Governo da altura utilizou para reduzir o défice. A transferência dos fundos foi contabilizada como receita pública e os aumentos de capital, claro está, não surgiram no lado da despesa.

Não a ver com a Grécia, dizem-nos.

Em destaque

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 09:07

Esta semana, em destaque 3 blogs dos quais sentimos saudades. O Pula Pula Pulga, o Diário da República e o País Relativo.

As “prioridades estratégicas” do candidato da ruptura

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:30

Por falar nos sucessivos deslizes de Paulo Rangel, mais uma “prioridade estratégica” descrita em termos francamente estatistas e com pendor demagógico: Rangel elege agricultura como “prioridade estratégica”

“Com este PSD de ruptura e de transformação, a agricultura será uma prioridade estratégica e de defesa nacional. Não será mais uma actividade económica apenas a somar às restantes, será considerado um sector de reserva estratégica e portanto os agricultores serão verdadeiros soldados”, afirmou Paulo Rangel perante centenas de militantes e simpatizantes.

A caminho do penta

Filed under: Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 00:00

Mesmo sem Hulk, o FC Porto esmagou. Espero que o Braga se recomponha rapidamente de forma a ganhar ao Benfica, como está perfeitamente ao alcance da equipa de Domingos: F.C. Porto-Sp. Braga, 5-1

A vitória sobre o Sp. Braga reencaminha o F.C. Porto na luta pelo título. Continua a seis pontos do eterno rival, o que ainda é um distância respeitosa, mas não é impraticável. Quem corre por gosto, não cansa. E esta equipa recuperou o gosto por correr.

Fevereiro 21, 2010

O custo da liberdade

Filed under: Comentário,Cultura,Justiça,Media,Política,Religião — ruicarmo @ 23:53

Vale a pena ler a entrevista de Kurt Westergaard ao El País. Só não percebo a desilusão com a aparente frieza dos intelectuais me relação ao degredo terreno a que foi condenado. Tivesse Kurt Westergaard parodiado o Papa, o Bush, o Ocidente, o capitalismo e Israel e saltariam em sua defesa os defensores oficiais da liberdade de expressão.


Os deslizes de Paulo Rangel

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:00

Depois dos maus sinais de facilitalismo e cedência à demagogia dados na campanha para as eleições europeias e das infelizes declarações públicas de Paulo Rangel sobre a Igreja, as suas recentes entrevistas ao i e ao DN acrescentam novos motivos de preocupação.

Por um lado, pela indefinição ideológica de quem procura afastar-se da “social-democracia mais ortodoxa” (?) ao mesmo tempo que afirma implicitamente uma equivalência entre centro-esquerda e centro direita:

O nosso projecto é sobretudo a ideia de abertura do PSD para o espectro político que vai do centro esquerda até ao centro-direita com muito mais abertura de diálogo do que num certo fechamento de uma certa social-democracia mais ortodoxa.

Por outro, na entrevista ao DN, Paulo Rangel dá sinais de desejar uma (ainda maior) governamentalização das autoridades reguladoras. Como o João Miranda bem assinala, além de sinalizar um grau de intervencionismo preocupante, a posição de Rangel distorce de forma clara e grosseira a vocação desejável das autoridades reguladoras:

Actualmente, o Estado usa as participações em empresas semi-públicas para bloquear a entrada de estrangeiros (subvertendo o mercado), para promover negócios de Estado (Galp na Venezuela, no Brasil e em Angola) ou para promover investimento português no estrangeiro (participação na Vivo pela PT no Brasil e investimentos da EDP nos Estados Unidos). Rangel não rejeita nenhuma destas funções das participações do Estado. Pelo contrário. Fala de interesses de “segurança e estratégia nacional”. Aquilo que Rangel defende é que a “segurança e estratégia nacional” sejam prosseguidas através das autoridades reguladoras.

Não sei se a sucessão de intervenções menos felizes de Paulo Rangel se deve a falta de preparação ou a cedências a tentações demagógicas, mas seja qual for a causa é de lamentar que uma das figuras mais promissoras do PSD esteja a enveredar por estes caminhos.

Se há 5 anos alguém me dissesse que eu ainda ia pensar nisto….

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 22:35
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Vem-me dia sim dia não à cabeça: Quem dera que ainda fosse o Sampaio o presidente…

PS: Acredito sinceramente que Cavaco vai perder as eleições por causa do silencio. Os portugueses não gostam de líderes bananas. Podem ser corruptos e mentirosos, mas bananas não.

Pigmeus à mercê da natureza

Filed under: Portugal — elisabetejoaquim @ 20:59

Em directo do Funchal, geógrafo especialista em investigação sobre a Madeira: «Pertencemos a uma cultura em que o ordenamento não faz parte da nossa cultura».

(…)

«O que é importante é percebermos que a natureza tem momentos de raiva terríveis, e humildemente percebermos que somos pigmeus perante a natureza, e os pigmeus jamais podem estar de peito feito a dizer que dominaram a natureza.»

As explicações do especialista parecem corroborar as críticas que o próprio teceu à cultura portuguesa. O ordenamento do território não deveria pressupor o conhecimento da natureza, aplicando-se na arte de dominar as suas especificidades locais? Dominar a natureza é também saber quando os instrumentos humanos são impotentes perante a sua força. Controlar o impacto da natureza sobre as construções humanas sempre foi a única acepção aceitável (não mágica) do esforço humano para «dominar a natureza».

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