Recorro diariamente ao Insurgente como uma das leituras matinais – uma coisa é sabermos como vai o mundo pelas sete da manhã, antes de sair de casa (já são raríssimos os blogs que se actualizam antes das nove ou dez da manhã, o que é uma pena); outra, é saber o que pessoas que prezamos pensam dele.
Mesmo para que discordemos, evidentemente. Por isso, O Insurgente está na minha lista de favoritos diários.
Partilho com O Insurgente a preocupação com a liberdade. Portugal nunca a prezou especialmente. O velho regime caiu de podre e não foi por essas ânsias, como dizia Camilo. D. Pedro bem avisou: «Não me obrigueis a libertar-vos pela força.» Libertou. Pela força e com os mercenários recolhidos à beira do Tamisa, pagos por usurários e acompanhados por generais e futuros marechais que não arriscavam muito e que gostavam da guerra civil porque tinham fígados e vaidade a preceito — mas não cérebro, nem tentações, nem desprendimento. Aqui estamos, até hoje, a repetir o século XIX.
Portanto, direitos cívicos, liberdades individuais, tentações libertárias, desconfiança em relação ao Estado, pessimismo bem-humorado, etc. — estou na mesma linha de O Insurgente. Por mais cinco anos, e mais outros cinco, por aí fora.
Francisco José Viegas é autor do blog A Origem das Espécies