Um líder democrático com aspirações a grande líder necessita de manter uma rede de apoios diversificada. Entre essa rede de apoios deve-se contar também com uma oposição estratégica. A oposição estratégica é constituida por pessoas conhecidas por defenderem posição políticas diferentes das suas, mas que sejam suficientemente elásticas para responderem aos incentivos oferecidos pelo líder. Os membro oposição estratégica são distribuidos pelos diversos orgãos de comunicação social para dar a impressão à opinião pública de que existe realmente oposição.
A oposição estratégica tem que ser credível, ou seja, os seus membros devem discordar do governo num número de pontos suficiente para que ninguém suspeite das suas intenções. Porém, a oposição estratégica não deve atacar o líder nas questões mais graves que o possam de facto derrubar do poder. Quantos estas discussões chegam à praça pública, a oposição estratégica tem um papel fundamental na defesa do líder.
Dos apoiantes públicos do líder, todos esperam que também o apoiem nestas ocasiões. Pelo contrário, a oposição estratégica foi ganhando reputação de se opôr ao grande líder. Ao se colocar ao seu lado nestas discussões, a oposição estratégica garante credibilidade extra à defesa do grande líder, que este não conseguiria se apenas tivesse do seu lado aqueles que sempre demonstraram publicamente apoiá-lo. O argumento mais comum dos membros da oposição estratégica quando são acusados de servir o grande líder é “Ninguém me pode acusar de ser um defensor do grande líder, eu que até o critiquei em X, Y e Z”.
Há quem, de forma ingénua, lhes chame idiotas úteis. Eu permito-me discordar. Eles podem ser úteis, mas idiotas não são de certeza.
Fevereiro 23, 2010
A oposição estratégica
1 Comentário »
RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI
Exactamente.
E já deve até haver cursos e mestrados para essa performance ter saído assim minimamente credível. Os actores estavam muito bem no seu papel.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Fevereiro 23, 2010 @ 11:50