Baixo fundo. Por Luciano Amaral.
Não se sabe bem como começou, mas de há uns anos a esta parte que a política deixou de ser uma actividade de confronto claro de ideias e pessoas para se transformar num jogo sórdido de informação de bas-fond estrategicamente plantada em jornais.
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Parece que voltámos ao PREC (a última vez que esteve para haver uma guerra civil): o PSD tornou-se num partido anti-fascista (mas de direita), o PS convoca manifestações para a fonte luminosa, em defesa do querido líder. É a História a repetir-se como farsa: não estão hoje em causa modelos políticos diferentes; na verdade, não se sabe muito bem o que está em causa. Uma pessoa lê aquelas páginas de redacção pedestre do jornal Sol e percebe que não há nada de novo: é o remake da compra da Lusomundo pela PT no tempo de Guterres, estrutura que o governo seguinte aliás usou, e os de Sócrates usaram de outra forma. Tudo coisas com grande pedigree na nossa democracia (tanto que os episódios não cabem nesta pequena coluna). Nova é a violência sem sentido do debate, o que aliás este governo facilitou com o seu tom acossado e histérico. A agressividade parece ter chegado a um nível em que já não há chão comum entre cada um dos lados. E nada dura muito assim.