Eduardo Pitta está errado quanto à pregorrativa do Presidente da República de demitir o governo. No entanto, mantendo-se a falta de acção do PR neste momento crítico, não seria descabido o parlamento agir como preconiza Pitta. Sendo o problema principal o primeiro-ministro, e não necessariamente o Partido Socialista, a oposição deveria tornar claro ao partido do governo que ou o primeiro-ministro se demite e o PS propõe ao PR um novo chefe de governo, ou o parlamento ver-se-á forçado a apresentar uma moção de censura.
Fevereiro 8, 2010
3 Comentários »
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Eu começo a achar é que este silêncio do PR apenas pode indicar o óbvio: que as rádios para o genro tiveram o efeito desejado.
Comentário por Nuno Branco — Fevereiro 8, 2010 @ 14:01
Miguel
A questão é mais complexa do que se pretende fazer crer: é todo um sistema democrático, um regime, que está em causa. Falhou. Isso agora é evidente.
Essa explicação “simplex” do problema ser o PM, “não necessariamente o partido socialista”, e já agora, não necessariamente as instituições-chave do regime democrático, e já agora não necessariamente da possibilidade de manipulação da imprensa e da informação nas televisões, e já agora não necessariamente na ausência de intervenção atempada do último garante do regime, o Presidente…
Está tudo envolvido no “problema”.
A cultura “simplex” que os socialistas quiseram implementar no país agora até dava jeito, não era? Saía um responsável e ficava tudo na mesma: a fragilidade das tais instituições-chave, a possibilidade de manipulação da informação, a ausência de intervenção das figuras que garantem o funcionamento da democracia.
O que está em causa é a democracia. É o seu funcionamento.
O que terá de ser pensado, de raíz, é uma forma eficaz do sistema democrático se defender de abusos e desvarios, de excessos e de atropelos.
O que falhou? O que precisa de mudar?
A meu ver, o próprio sistema terá de se regenerar. Este “so called” equilíbrio de poderes ou a “so called” independência dos tribunais é uma ilusão. Hoje não existe.
Comentário por Ana Silva Fernandes — Fevereiro 8, 2010 @ 14:25
É ridículo os partidos da oposição exigirem que o primeiro-ministro se demita, quando eles próprios têm o poder para o demitir.
Se os partidos da oposição acham que o atual primeiro-ministro não serve, não devem “exigir” a sua demissão – devem imediatamente aprovar uma moção de censura.
A partir daí, o Partido Socialista e o Presidente da República farão o que quiserem. O PS poderá apresentar um primeiro-ministro alternativo, ou não. O PR poderá manter o governo em gestão durante quatro meses, ou não. O PR poderá pedir a Manuela Ferreira Leite para formar governo, ou não. Isso será decisão deles.
Agora, os partidos da oposição não têm nada que fazer “exigências”. Se não querem o atual governo, censurem-no, e prontos. Tenham tomates!
Comentário por Luís Lavoura — Fevereiro 8, 2010 @ 16:52