O Insurgente

Fevereiro 28, 2010

[José Barros]

Filed under: Blogosfera,Convidados — João Luís Pinto @ 21:13

5 anos de Insurgente, cinco anos de resistência a uma sufocante herança socialista que tem atravessado sucessivos regimes e governos em Portugal. Como se o socialismo fosse uma inevitabilidade histórica na história não tão recente do país, para lá da qual qualquer pensamento político estruturado nos valores da liberdade e da responsabilidade devesse ser considerado uma loucura passageira.

E, no entanto, o liberalismo veio para ficar. Não como programa político concreto e, ainda menos, com representatividade partidária, antes como horizonte de esperança num país sem soluções político-partidárias à vista e em crise permanente.

A alternativa liberal já não é, de certeza, passageira. E, mais do que isso, começa a ser cada vez menos insólita.

O problema do endividamento, a asfixia fiscal das famílias e empresas, a degradação da qualidade do ensino e a ausência de mecanismos efectivos de controlo da qualidade da democracia – leia-se, uma imprensa e uma justiça independentes do poder político -, tudo isto precisa de respostas. Para cada vez mais pessoas, as soluções liberais são isso mesmo. Respostas. Desconhecidas no passado, ainda impotentes no presente, cada vez mais prováveis no futuro.

Nisto tudo, O Insurgente tem sido um dos pontas de lança dessa viragem política. E, para quem, como eu, lê o blogue desde o seu início não é difícil encontrar razões para esse sucesso.

Distinguiria duas acima de todas as outras: a capacidade, muito por mérito do AAA, de encontrar nos diferentes e numerosos autores do blogue a diversidade criativa no espaço de um mesmo pensamento político; e, por outro lado, a honestidade intelectual de todos os que nele escrevem e que tornam a leitura de O Insurgente num momento saudável do dia, por comparação com o que se encontra noutros blogues e meios de comunicação em geral.

Temos, assim, a linha saudavelmente ortodoxa do AAA e do Miguel, a irreverência libertária do JLP, do Carlos e do Helder, não esquecendo a moderação do trio AMN, RAF e Maria João Marques, só para citar aqueles autores que melhor conheço.

Sobretudo, temos nessa diversidade o ponto de encontro da partilha de princípios políticos e, repito, uma honestidade intelectual assinalável que não encontro, de momento, em mais nenhum blogue colectivo da blogosfera.

Por tudo isto agradeço e faço votos de que O Insurgente continue por muitos e bons anos.

José Barros é co-autor do blog Desabrantizante.

[José Manuel Moreira]

Filed under: Blogosfera,Convidados — André Azevedo Alves @ 19:00

Parabéns a todos os Insurgentes por esta mão cheia de anos que o blogue já leva de combate por uma nobre Causa que dá pelo nome de Liberalismo Clássico. Uma corrente de pensamento e de acção política que aspira a limitar o poder coactivo do Estado sobre os seres humanos e a sociedade civil.

Mal se acede ao Insurgente logo se descobre que o espaço está bem cuidado e dotado de gente jovem que prima pela crítica fundada num saber tão superiormente verdadeiro e equilibrado que não separa as instituições políticas do mercado, muito menos desliga o progresso da tradição ou a ordem da liberdade. Um equilíbrio a que Nicolau de Cusa chamaria “Douta Ignorância”.

Bem hajam por este espaço aberto, onde se respira o ar e o cheiro dos frutos de um trabalho feito de Verdade e das canseiras de quem se pode orgulhar de continuamente tornar vivo um Lugar a que só se acede voluntariamente.
Um campo virtual de ideias que vive em mar fustigado por sucessivas rajadas de críticas e intensos desafios. Um mar revolto que obriga autores e visitadores a não poucas vezes usar o Insurgente como sítio de refúgio. Como lugar privilegiado. Como porto de abrigo: para retemperar forças de modo a melhor saber como velar e preservar a ordem espontânea.

É assim que o Insurgente tende a ser visto por cada vez mais navegadores. E foi assim que se transformou numa “Nação” cada vez mais rica e bem composta: não por cidadãos sem pátria, mas por gente de ‘carne e osso’, homens e mulheres cientes de que a verdadeira humanidade não dispensa o apuro das circunstâncias nem a força dos condicionalismos históricos e sociais.

José Manuel Moreira é Professor Catedrático da Universidade de Aveiro

[Fernando C. Gabriel]

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 16:54

Quase por inadvertência, comecei a escrever num blogue em Novembro de 2004. Em Dezembro o presidente dissolveu a Assembleia. A 20 de Fevereiro de 2005 as eleições legislativas produziram uma maioria absoluta socialista. Ao sétimo dia nascia o Insurgente, um blogue que assumiu a defesa do individualismo, num país que acabava de dar mais uma demonstração do seu carácter político gregário, identificável nas diferentes mutações históricas do corporativismo. Contra um adversário cuja força assenta no número, no colectivismo e na capacidade de organizar politicamente a propensão tribal para a pilhagem, o Insurgente propôs-se defender um projecto político de liberdade. Não a “liberdade” dos philosophes –outro nome para a igualdade de resultados, imposta politicamente e que acaba por se reduzir à liberdade de pedir, de defender o que se recebe e de exigir mais. A liberdade reconhecida pelos fundadores do Insurgente é a liberdade de prosseguir os diferentes projectos individuais de auto-realização sem a necessidade de autorização política prévia, algo que pressupõe a existência de um Estado de direito governado por leis e não por um processo permanente de legislação arbitrária —a versão jurídica do tumulto revolucionário. Porque esta liberdade não é dissociável da tradição política ocidental, aqui nunca houve condescendência para o terrorismo, para os despotismos orientais, para os populismos latino-americanos, ou para a corrupção de instituições internacionais sem escrutínio nem legitimidade política.

Por tudo isto, o Insurgente atraiu muito naturalmente a fúria de críticos, com graus variáveis de sanidade e despudor. Não sendo um liberal, pelo menos no sentido ideológico do termo –e duvido que exista outro– não farei a apologia do liberalismo: basta recordar que, ao contrário das ideologias propugnadas por muitos desses críticos, o liberalismo nunca gerou regimes criminosos, tanto piores quanto maior a nobreza proclamada dos fins. Como recordou Allan Bloom, “if the infinite longing for justice on earth is merely a dream or a prayer, the shedding of blood in its name turns from idealism into criminality”.

Os últimos cinco anos desta década baixa e desonesta afastaram o país e a União Europeia (ainda mais) da forma de associação política aqui defendida e a decadência parece ser o derradeiro acquis comunitário. O governo concentrou poderes, concentrou informação, concentrou mais e mais recursos; sempre insuficientes para satisfazer as necessidades. Quando a conjuntura económica mundial se tornou adversa, inventou inimigos externos e o colectivismo da colmeia passou ao colectivismo do vespeiro, onde poucos se atrevem a criticar e ninguém se propõe seriamente a modificar seja o que for. Dentro do espartilho legal e institucional definido pelo regime, não é possível reformar nem inflectir esta trajectória; apenas escolher a velocidade de empobrecimento material e cultural. De tudo isto o Insurgente deu conta ao longo destes cinco anos e se o pessimismo não for exagerado, permanecerá como exemplo de dignidade e de respeito pelos seus princípios.

Fernando C Gabriel foi um “founding fathers” do Insurgente, investigador universitário e cronista no Diário Económico.

[Francisco José Viegas]

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 12:21

Recorro diariamente ao Insurgente como uma das leituras matinais – uma coisa é sabermos como vai o mundo pelas sete da manhã, antes de sair de casa (já são raríssimos os blogs que se actualizam antes das nove ou dez da manhã, o que é uma pena); outra, é saber o que pessoas que prezamos pensam dele.

Mesmo para que discordemos, evidentemente. Por isso, O Insurgente está na minha lista de favoritos diários.
Partilho com O Insurgente a preocupação com a liberdade. Portugal nunca a prezou especialmente. O velho regime caiu de podre e não foi por essas ânsias, como dizia Camilo. D. Pedro bem avisou: «Não me obrigueis a libertar-vos pela força.» Libertou. Pela força e com os mercenários recolhidos à beira do Tamisa, pagos por usurários e acompanhados por generais e futuros marechais que não arriscavam muito e que gostavam da guerra civil porque tinham fígados e vaidade a preceito — mas não cérebro, nem tentações, nem desprendimento. Aqui estamos, até hoje, a repetir o século XIX.

Portanto, direitos cívicos, liberdades individuais, tentações libertárias, desconfiança em relação ao Estado, pessimismo bem-humorado, etc. — estou na mesma linha de O Insurgente. Por mais cinco anos, e mais outros cinco, por aí fora.

Francisco José Viegas é autor do blog A Origem das Espécies

[Nuno Gouveia] Insurgentes em Portugal

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 01:02

Felicito os camaradas do colectivo Insurgente pelo seu 5º aniversário. O espírito inconformista está bem presente neste blogue e nas ideias que aqui vão sendo debitadas pelos seus autores. Como sempre acontece em blogues colectivos, e isso também sucede nos que colaboro, nem sempre concordo com o que leio. Mas respeito a coerência e consistência ideológica evidenciada pelos insurgentes, uns mais próximos do que outros das minhas convicções. A direita portuguesa ganha mais com espaços como o Insurgente do que com muitos políticos que por aí andam do nosso espectro ideológico.

Num país onde a esquerda desde sempre tem procurado abafar as vozes inconvenientes, é no Insurgente que por vezes encontramos o argumentário mais insubordinado e aguerrido da blogosfera portuguesa. Ideias como a liberdade individual, a responsabilidade fiscal ou liberalização da economia podem ser consideradas exóticas pelo politicamente correcto, e nem sempre os políticos que representam a direita sabem defender este pensamento. E mais grave, as suas acções muitas vezes contradizem este ideário. Muitos deles deviam ler o que por aqui se escreve. E mesmo que não concordassem com algumas das ideias, sairiam certamente a ganhar.

Outro dos aspectos que me fazem ler diariamente o Insurgente é a inclinação anglo-saxónica de alguns dos seus autores. Por aqui vou lendo muitas referências à vida política americana, e se é certo que a tendência não é propriamente da minha corrente política preferida, encontro sempre pertinência no que vai sendo publicado. Mas era muito positivo que em Portugal a direita político-partidária tivesse este tipo de divergências que persistem do outro lado do Atlântico. Ainda há muito caminho a ser percorrido para haver em Portugal uma direita ideológica plenamente representada no espectro partidário. Contudo acredito que daqui a uns anos o panorama será bem diferente. E o Insurgente, através do seu contributo muito especial, também terá apadrinhado esta desejável alteração de mentalidades. Pelo menos assim espero.

Parabéns a todos os Insurgentes, e que continuem o bom trabalho. Eu agradeço.

Nuno Gouveia é co-autor dos blogs O Cachimbo de Magritte e Era Uma Vez Na América

Fevereiro 27, 2010

[Paulo Pinto Mascarenhas] Reviver o passado n’ O Insurgente

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 17:58

insurgente
adj. 2 gén. s. m.
adj. 2 gén. s. m.
Que se insurge; revoltoso.

Festejei o início d’ O Insurgente – na altura então ainda n’ O Acidental, essa velha carcaça do início do século. Aplaudo agora de pé e com as mãos no teclado os cinco anos que celebra, uma idade provecta para quem resiste neste fenómeno chamado blogosfera. Como é óbvio, o melhor d’ O Insurgente são todos os que aqui escrevem, do Miguel Noronha ao André Azevedo Alves, passando pela Maria João Marques, o Rodrigo Adão da Fonseca, o Helder, o Filipe Abrantes – e tantos outros autores que se foram juntando à causa. Alguns tornaram-se amigos, outros continuo a seguir à distância de um computador.

Sendo leitor fiel desta casa, nunca como hoje O Insurgente foi tão indispensável, numa altura em que uma fatia significativa da blogosfera se tornou numa mera correia de transmissão da propaganda e dos interesses do poder socialista, com anónimos e figuras públicas, incluindo deputados, assessores e colunistas de jornais, de mãos dadas ao serviço da verdade oficial.

No meu tempo, como no tempo em que O Insurgente surgiu, os blogues eram sítios de pluralismo e diferença de opiniões, à direita como à esquerda. N’ O Acidental, por exemplo, escreviam muitos autores que se entretinham a zurzir com regularidade nas políticas e nos diversos ministros do governo de coligação entre o PSD e o CDS – ou nos dois primeiros-ministros que se sucederam. Desculpem esta minha viagem nostálgica num momento que é de festa merecida d’ O Insurgente, mas o passado deste blogue é o melhor atestado da independência e da inteligência com que nos presentearam ao longo dos últimos cinco anos – e que vão seguramente continuar a oferecer-nos por muitos e bons.

Obrigado por tudo, bravos Insurgentes.

Paulo Pinto Mascarenhas

Paulo Pinto Mascarenhas é Grande Repórter e colunista do i

[Alberto Gonçalves] Cinco anos que mudaram a blogosfera

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 15:30

É pequenina a minha coluna de favoritos no Explorer. Estão lá o DN, a Sábado, o Arts & Letters Daily, o Mark Steyn, o IMDB e o Accuweather (apontado para Vimioso). E dois blogues: o Blasfémias e o Insurgente. Nem sob ameaça de arma ou pressão governamental eu dispensaria a leitura diária de qualquer deles. O Insurgente, ainda por cima, tem a vantagem sentimental de, em tempos, me ter acolhido enquanto membro. Infelizmente para mim, felizmente para o blogue, a minha participação resumiu-se a um post, de resto excelso, e uma caixa de correio entupida com a desmesurada quantidade de mails privados que os seus elementos mais activos trocam. Outra vantagem é partilhar a amizade do Miguel Noronha, que encontro em almoços relativamente anuais, e a origem do André Azevedo Alves, que também é vimiosense (?) e que, curiosamente, nunca encontrei.

Mas o maior mérito do Insurgente foi mostrar-me que nem todos os portugueses oscilam entre o mata e o esfola, ou seja a “social-democracia” e o socialismo, ou seja imenso Estado e o Estado total. Em minúsculas bolsas de resistência (perdoe-se-me o imaginário), há quem aprecie a liberdade e não aprecie os fundilhos para que o mundo empurra esse valor teoricamente supremo. O Insurgente é uma dessas bolsas, um lugar onde há cinco anos podemos respirar e, ocasionalmente, iludirmo-nos. Embora um verdadeiro libertário admita que a liberdade não vencerá, não custa nada rir dos seus inimigos enquanto podemos. No Insurgente pode-se. E deve-se. Eu, que frequentemente descubro aqui o tema para aquela crónica que falta, devo-lhe muito. Obrigado

Alberto Gonçalves é cronista do Diário de Notícias e da Sábado

[Carlos Novais] Pérolas de Keynes

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 14:03

“Estou impressionado com as grandes vantagens sociais em aumentar o stock de capital até que este cesse de ser escasso”, [é difícil discordar].

“Uma comunidade adequadamente gerida equipada com recursos técnicos modernos, cuja população não está a aumentar rapidamente, deverá ser capaz de reduzir a eficiência marginal do capital em equilíbrio aproximadamente para zero no prazo de uma única geração”, [aqui confessamos o nosso cepticismo, as gerações já não o que eram].

É “relativamente fácil fazer os bens de capital tão abundantes que a eficiência marginal do capital seja zero (e) isso pode ser a forma mais sensata de gradualmente, nos livrarmos de muitas características questionáveis do capitalismo”, [taxa de juro zero, seria bom para os investidores, sem dúvida, esta coisa de poupar primeiro e investir depois é de facto muito questionável para além de ser desagradável].

“Não há motivos intrínsecos para a escassez de capital…é possível que a poupança de uma comunidade através da agência do Estado possa ser mantida a um nível onde deixe de ser escassa”, [pensando nisso, porquê só eliminar a escassez do capital, porque não tornar tudo não-escasso, ou seja, todos os bens de consumo? Que falta de ambição].

“o elemento mais estável e menos facilmente alterável, na nossa economia contemporânea tem sido até agora e pode revelar-se no futuro, a taxa de juro mínima aceitável para a generalidade dos donos de riqueza” através “da eutanásia do rentier e, consequentemente, a eutanásia do poder opressivo cumulativo do capitalismo em explorar o valor de escassez de capital”, [de facto, deve fazer sentido que os empresários e projectos que procuram capital sejam eles próprios os que conspiram para que este seja e continue escasso, mas só Keynes terá sido bafejado por tal revelação].

“os homens estão dispostos, como regra e em média, a aumentar o seu consumo à medida que o seu rendimento sobe, mas não tanto quanto o aumento do seu rendimento”, [aprendi isso a ler o Tio Patinhas].

“a crónica tendência ao longo da história humana para a propensão para a poupança ser mais forte do que o incentivo para investir”, [é uma forte tentação, eu sei, queremos todos ser o Tio Patinhas, e no fundo aqueles mealheiros onde as crianças juntam moedas são um grande inimigo da civilização ].

“O pensamento contemporâneo, está ainda profundamente impregnado na noção de que se as pessoas não gastarem a sua moeda de uma forma elas irão gastá-lo de outra”, [ai estes contemporâneos, onde é que irão buscar estas ideias parvas?].

“o remédio estaria em diferentes medidas concebidas para aumentar a propensão para consumir pela redistribuição dos rendimentos ou de outra forma”, [tirar aos conspiradores que mantêm a poupança escassa para dar aos ávidos de consumo, uma boa ideia].

“que no estado normal das modernas comunidades industriais, o consumo limita a produção e não a produção o consumo,” [caro leitor, pegue na sua poupança acabe com ela].

“A solução certa para o ciclo económico não é para ser encontrada na abolição dos booms e manter-nos permanentemente numa meia-recessão; mas na supressão das recessões e assim manter-nos permanentemente num quasi-boom”, [confesso ver aqui uma genialidade rara].

“Existe espaço, por conseguinte, para ambas as políticas, operarem em conjunto: para promover o investimento e, ao mesmo tempo, promover o consumo, não apenas ao nível onde com a propensão existente para consumir, corresponderia ao aumento do investimento, mas a um nível mais alto ainda.”, [Como é não nos lembramos disto? “C+I”, aumenta-se os dois e o rendimento sobe!].

“A noção de que a criação de crédito pelo sistema bancário permite que investimento tenha lugar a que não corresponde ‘nenhuma poupança genuína” isto é, “a ideia que poupança e investimento … podem diferir um do outro, será explicada, penso que, por uma ilusão de óptica”, [a solução de todos os problemas: para a poupança deixar de ser escassa… os bancos passam a criar crédito sem necessitarem de captar poupança monetária prévia. Onde é que fomos buscar a ideia que fabricar papel não fabrica o capital real necessário a sustentar o investimento? Parvinhos que nós somos. Agora sim, pode-se fomentar o Consumo e o Investimento simultaneamente, porque mais investimento não significa abstenção de consumo. Só falta resolver aquele pequeno problema da inflação e das bolhas seguidas de crises. Um pormenor no entanto].

“Contudo, a teoria do output como um todo, que é o que este livro se propõe a fornecer, é muito mais facilmente adaptado às condições de um Estado totalitário, que a teoria da produção e distribuição de um dado output produzido sob condições de livre concorrência e uma grande medida de laisser-faire”, [claro está, que as coisas boas têm o seu lado menos bom, neste caso um pouco de totalitarismo não mata ninguém… pronto, até pode matar, mas facilita].

“o dever de determinar o volume corrente de investimento não pode com segurança ser deixado nas mãos de privados” [os cálculos matemáticos e sistemas de equações simultâneas passaram a curar todos os males da humanidade desde então].

“uma razoável socialização abrangente do investimento provar-se-á como o único meio”, [os consumidores consomem, o Estado investe, o crédito cria-se… e os economistas comandam].

“O Estado, que está em posição de calcular a eficiência marginal dos bens de capital numa visão de longo prazo na base do benefício social geral [terá de assumir] uma responsabilidade cada vez maior na organização directa do investimento”, [e é para isso mesmo que servem os cursos de economia desde então].

Todas as citações de Keynes encontram-se referenciadas no ensaio “The Misesean Case Against Keynes” de Hans-Hermann Hoppe, que foi objecto de tradução para português, e onde se espera conseguir, futura publicação em conjunto com “Keynes, o Homem” de Murray N. Rothbard.

Carlos Novais é co-autor do blog Vento Sueste

[Isabel Goulão] Por Esta Praia

Filed under: Blogosfera,Convidados — Miguel Noronha @ 10:54

Em primeiro lugar, parabéns ao Insurgente por 5 anos de intensa vida blogoesférica. Em segundo lugar, achei muito arriscado terem-me convidado para escrever um texto, mas vocês lá saberão os “guest posts” com que se cosem. Por fim, ficam aqui com um modesto chafariz de beira de estrada, a caminho de uma aldeia do interior onde o Diabo perdeu a capa e onde, suponho que não saibam quem é o Ron Paul. Eu própria acho que só o conheço do programa do Jon Stewart, o que provavelmente não abona muito a meu favor, pensarão vocês. Fica bem este aniversário engalanado com um pouco de natureza, já que aquele campo de milho lá no fundo parece carregadinho de químicos (será transgénico?)

Caros Insurgentes, em verdade vos digo: nunca li Hayek e entendo tanto de liberalismo como das razões por que o Sporting não joga sempre tão bem no campeonato nacional como o fez esta semana com o Everton. Isto significa que não percebo muito do que aqui se discute e, quando percebo, nem sempre concordo, o que não é grave: sempre acreditei que não é a ideologia nem as convicções que separam as pessoas. Talvez seja um pouco liberal pelo lado da menina Hayek, uma morena gira e actriz razoável, com aquele “travozinho”de castelhano que dá algum picante às miudas e que tranforma os actores masculinos nuns canastrões, mas adiante.

Estamos aqui para festejar os cinco anos do Insurgente, a quem devo, aliás, a maior das simpatias. Podem chamar-lhe amiguismo, e eu ralada. Já partilhei a mesma mesa e muitas gargalhadas com alguns dos rapazes da coluna da direita e estivemos juntos no mesmo lado de algumas barricadas. A alguns vi-os casar e ter filhos, tudo isto em cinco anos que parecem quinze blog-anos. De alguns deles separam-me muitas águas, convicções, ideias sobre economia, costumes e até política. Diria até princípios bastante diferentes, mas nunca isso me impediu de vir até aqui, onde há gente que se insurge de forma enxuta, livremente, com coragem e sentido de humor. Deste blog só recebi atenções e palavras solidárias (mercy!), pelo que fico contente por estar aqui neste dia com todos vocês.

Um abraço,
Maria Isabel

Isabel Goulão é autora do blog Miss Pearls

[Miguel Morgado] INSURGENTE: 4 ANOS DE PARRHESIA

Filed under: Blogosfera — Miguel Noronha @ 10:04

Na Atenas democrática da Antiguidade a cidadania activa não era apenas isonomia, nem isegoria. A plena cidadania tinha outro requisito de ordem moral, o de que cada cidadão fosse um parrhésiastés. Parrhesia significava literalmente “dizer tudo”, “falar com franqueza”, “dizer a verdade” como quando alguém nos desafia a não esconder nada – “diz-me a verdade!”. Na prática discursiva da parrhésia integrava-se a franqueza, porém não num sentido equivalente à sinceridade ou à transparência dos sentimentos de quem fala – não se tratava de “abrir o coração”. Integrava-se a coragem, já que o parrhésiastés corria o risco de punição ou, pelo menos, de incorrer no desagrado do interlocutor por lhe dizer a verdade inconveniente. E implicava, evidentemente, a crítica, que adquiria um sentido até mesmo de admoestação (merecida), e que se radicava na consciência patriótica de que o melhor amigo da cidade é o que lhe diz a verdade para melhor aconselhá-la a abandonar os maus modos e arrepiar caminhos. Indicava que a prática mais contraditória com a lisonja e com a submissão era precisamente este exercício particular de autonomia crítica intelectual.

Esta prática discursiva sustentava-se numa ética, na medida em que evidenciava a força do carácter do parrhésiastés, disciplinava os poderes políticos (denunciando as suas faltas) e o discurso público (contrastando com as hipocrisias, e sobretudo as adulações e as estratégias retóricas dos demagogos). Era parte integrante da vivência mais plena da liberdade e da vida cívica democrática, pois decorria da abertura tipicamente democrática ao confronto de opiniões e à disponibilidade comunicacional para ouvir o que, por vezes, é doloroso. Era uma certa forma de desconformidade ao poder instalado, o desafio à falsa autoridade. Era um atrevimento.

Parabéns, Insurgente. Muitos anos de vida.

Miguel Morgado é co-autor do blog O Cachimbo de Magritte

Cinco anos

Filed under: Blogosfera,Insurgentologia — Miguel Noronha @ 10:01

O Insurgente comemora hoje o seu quinto aniversário. Durante o dia de hoje (e eventualmente amanhã) iremos publicar alguns posts de convidados. Em nome dos insurgentes, queria agradecer a todos os que, de uma forma ou de outra, contibuíram para este projecto.

Fevereiro 26, 2010

Jornalismo militante?

Filed under: Media — filipeabrantes @ 19:46

É mesmo criticável que jornalistas sejam eles próprios protagonistas de notícias? Em teoria jornalística, assim parece (o jornalismo é quem apresenta os factos, não pode ser ao mesmo tempo quem apresenta e quem é apresentado). Mas numa situação como a que Portugal vive neste momento, em que governo e personalidades importantes da justiça e de empresas controladas pelo estado conspiram para controlar a comunicação social não-submissa ao governo, é perfeitamente natural que os jornalistas se auto-noticiem.

Isto não devia chocar ninguém. Olhando para o que se tem passado na Venezuela, onde o cerceamento à imprensa tem vindo a aumentar nos últimos anos e está hoje perto do sucesso (um domínio completo dos media por parte do estado), vemos que é possível e o mais natural que jornalistas quando vêem que a sua liberdade pode ter os dias contados se comecem a preocupar e noticiem isso mesmo.

Apesar desta prática desagradar a pretensos puristas do “jornalismo que não faz política”. Mas sabemos bem a sua verdadeira agenda, ninguém é ingénuo.

Mais um prego

Filed under: Economia,União Europeia — Nuno Branco @ 16:13

Os grandes bancos alemães decidiram não comprar mais títulos de dívida pública da Grécia, o que pode agravar a difícil situação financeira deste país da zona Zona Euro, noticia hoje o matutino Financial Times Deutschland (FTD).

Esta função de financiar o governo caberá cada vez mais apenas aos bancos do próprio país que não têm razões para temer a falência do Estado. Se correr tudo bem ganham os juros, se correr mal ia correr mal de qualquer das maneiras. Resta saber se os gregos que depositam o seu dinheiro nestas instituições se vão aperceber do risco que correm ou não.

Regimes Podres e Princípios Exóticos II

Filed under: Blogosfera,Internacional,Política — Miguel Botelho Moniz @ 15:43

Caro José,

Não contesto que algumas ideias de Ron Paul sejam de aplicação prática complicada e que possam ter consequências indesejáveis. Também estou certo que a sua distância relativamente ao mainstream as torna de difícil “digestão” para quem não esteja disposto a dedicar algum tempo a entender os seus princípios subjacentes. (Ao contrário do que alguns críticos de Paul querem fazer crer, esta atitude não é dogmática. É impossível debater ideias com pessoas que não fazem um esforço mínimo para enteder os fundamentos do “adversário”. Não estou a dizer que seja o teu caso, atenção. Nas caixas de comentários abundam exemplos.)

Vamos por partes:

(1) O fim da Reserve Federal

A ideia de que a regulação financeira depende da Reserva Federal não está certa. O argumento contra o Fed é essencialmente o seu papel no centro de um sistema bancário que vive da expansão de crédito, na monetarização da dívida pública, que constitui inflação, ou debasement da moeda, e, indirectamente, na questão do padrão-ouro. Se o governo americano quisesse podia acabar com estes aspectos do Fed e passar os aspectos regulatórios para outra entidade. Se deve é outra questão.

(2) O fim dos impostos directos federais (mais…)

Hoje às 18 horas, Nuno Amaral Jerónimo e Pedro Mexia

Filed under: Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:13

Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa estamos à conversa com Pedro Mexia e Nuno Amaral Jerónimo, analisando alguns dos principais temas da actualidade:

1) Madeira – A região autónoma da Madeira foi assolada por fortes chuvas que causaram várias mortes e a destruição de casas e estradas. O turismo na região pode ser duramente afectado. Que outras consequências poderão ser tiradas desta tragédia?

2) Fernando Nobre – O presidente da AMI decidiu candidatar-se à presidência da República, suspeita-se que com o beneplácito de Mário Soares. O seu objectivo é vencer Cavaco ou derrotar Alegre?

3) Amnistia Internacional – Num artigo publicado há dias, Christopher Hitchens refere a suspensão de funções de uma funcionária da Amnistia Internacional, por ter criticado a sua organização no apoio dado à Jihad islâmica. As grandes instituições também estão a perder o norte?

O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 28 de Fevereiro, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil.

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

Desequilíbrio (2)

Filed under: Blogosfera,Comentário,Videos — João Luís Pinto @ 12:35

Palpita-me que o Larry The Liquidator, assim como eu quase me senti compelido a fazer, quase que choraria uma lagriminha pelo João, depois de chorar as lágrimas todas pelo fabricantes de ferraduras.

Desequilíbrio

Filed under: Comentário,Economia — Nuno Branco @ 11:58

O Pedro Arroja coloca aqui um texto que, removendo as referências à igreja, poderia ser utilizado pela nossa extrema-esquerda parlamentar:

É claro que a Igreja Católica não pode aceitar, sem mais, o argumento dos economistas em favor do comércio livre, que expus no post anterior. Ele esquece o conceito católico de comunidade, passa por cima do princípio católico da personalidade e dispensa a ideia católica de autoridade.

Mas então, em nome de uma massa anónima de portugueses poder agora comprar charutos ao preço de 7, em lugar de 10, vamos deixar ir à falência uma série de empresas nacionais, e lançar no desemprego o Sr. João mais metade da população de Vilar de Papagaios, onde a produção nacional de charutos está concentrada?

Mas qual massa anónima de portugueses é que se refere o Pedro? Será alguma massa consciente de geração espontânea? O que raio é uma “massa anónima” que parece ter vontade própria? Em nome de um falso individualismo o Pedro submete-nos a uma tortura mental para chegar à mesma conclusão que qualquer colectivista proteccionista chegaria. Mais vale saltar o passo da tortura e abraçar logo o comunismo.

Como é óbvio a “massa anónima de portugueses” não existe no concreto, é um conceito abstracto. O que existe são indivíduos específicos que gostam de fumar charutos. O dilema que aqui se coloca não é do “João Vs Sociedade” como é feito fazer querer. Pelo contrário, o conflito de interesses que existe é “João Vs Nuno” – o tipo que fuma charutos. A verdadeira questão é portanto porque raio é que a Igreja Católica gosta mais do João do que do Nuno?

(mais…)

Convinha identificá-lo, Sr. Arquitecto

Filed under: Media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 11:23

Ainda sobre a relação com o BCP, um dos accionistas iniciais do Sol, Saraiva disse que depois de ter publicado uma notícia sobre o Freeport, um subdirector do semanário “recebeu um telefonema de uma pessoa muito próxima do sr. primeiro-ministro” que “disse que a relação do banco com o jornal dependia da próxima manchete”.

O socialismo para nos salvar do socialismo

Filed under: Nanny State Watch,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:21

Perante o estado de degradação e do risco de ruína de inumeros prédios em Lisboa a vereadora Helena Roseta pede um “plano nacional de reabilitação urbana“. Eu dou-lhe um excelente plano. Liberalizem de vez todas a rendas. Com os valores miseráveis que muitos inquilinos pagam torna-se impossível a manutenção dos edifícios. Parem de tentar resolver os desastres socialistas com mais socialismo!

Mentiras e mentirosos

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 09:55

A facilidade e a inpunidade em relação a mentiras que são proferidas na Assembleia da República e em geral pela “elite” política que nos governa faz-me lembrar uma piada:

- Em uma festa de alta sociedade um homem aproxima-se de uma mulher muito atraente e de ar bastante respeitável. A conversa que se seguiu:

H: É uma mulher de sonho. Passava a noite comigo por 1 milhão de Euros?

M: (depois de hesitar por uns bons 3 segundos) Sim…iria

H: ok. Dá-me meia hora na cama por 100 Euros?

M: O que é isto?????? Acha que eu sou uma Prostituta????????

H: Que é uma prostituta já está ficou claro….agora estamos a negociar preços.

O ridículo do que se passa é já não existir dúvidas que de PM a PG a variadas figuras mentem sem pudor. Já ninguém tem problemas em dize-lo à boca cheia. Se mentiu muito ou pouco. Se em tudo ou em partes. Se outros também mentiram. A razão por terem mentido e quem ganha ou perde com as mentiras. E quem ganha ou perde com as mentiras terem sido descobertas. Que mentem, mentem.

Vivemos em um país de P*****

Trapalhada monumental

Filed under: Media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 09:15

Segundo o ex-boy socialista, José Sócrates invocou um poder que não dispunha para vetar a compra da TVI pela PT.

Isto anda muito mal coordenado. Supeito que alguém vai levar nas orelhas.

Boa pergunta

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 08:47

Cubanos castrados

Filed under: Blogosfera,Comentário,Cultura — ruicarmo @ 02:31

Em Havana, Cuba, vai um miudo pela estrada, cruza-se com Fidel Castro.
Este, ao ver que o miudo o ignora, pergunta-lhe:
- Oye niño, sabes tú quién soy yo?
- No señor, no se quién es usted, ni me interesa.
Fidel muito chateado diz-lhe:
- Como castigo por no conocer al comandante Castro, ahora mismo tienes
que decirme 20 palabras que comiencen con la etra ‘C’ para que nunca
más en tu vida se te olvide que mi apellido es Castro con la letra
‘C’.
E o miudo diz:
- Compañero Comandante Castro, cómo y cuando, carajo, comeremos carne
con cerveza Corona como comen los camaradas comilones del Comité
Central Comunista Cubano…?
Fidel ficou de boca aberta, e após um momento disse:
- Falta una!
E o miudo concluiu:

- Cabrón!

Fevereiro 25, 2010

O Euro, a Grécia e o colapso

Filed under: Economia,União Europeia,Videos — Nuno Branco @ 23:55

Um debate bastante interessante:

Primeira parte do programa aqui.

Domingo há mais do mesmo

Filed under: Cultura,Desporto — ruicarmo @ 22:18

Um ar de Costinha.

Recapitulando…

Filed under: Política,Portugal — elisabetejoaquim @ 22:10
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1. A notícia de que Manuela Ferreira Leite estaria a par, desde Junho, da intenção da PT comprar a TVI surgiu ontem ao fim da manhã.

2. A notícia é baseada num escuta, à qual o DN teve acesso, segundo a qual a 27 de Junho, Rui Pedro Soares diz a Paulo Penedos que ambos foram vítimas de uma “cilada”, acrescentando: “A pessoa que mais sabia deste negócio era a Manuela Ferreira Leite”.

3. Soubemos hoje que essa escutas foram posteriores à data (25 de Junho) a partir da qual os investigadores do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro consideram que, tendo sido informados de que estavam sobre escuta, Paulo Penedos e Rui Pedro Soares terão semeado conversas para confundir a investigação (ilibando Sócrates de uma eventual participação do negócio).

4. Escassos momentos após a divulgação da notícia sobre o eventual conhecimento que Manuela Ferreira Leite tinha do negócio, Pedro Passos Coelho apressou-se a reagir, publicando o Jornal de Negócios (com quem, por sorte, estava a almoçar) a sua crítica ao «Envolvimento de Ferreira Leite»: Falando ao início da tarde, num almoço-debate organizado pela Associação Comercial de Lisboa em parceria com o Negócios, Pedro Passos Coelho, um dos três candidatos à presidência do PSD, não poupou nas palavras em relação ao envolvimento da ainda líder do seu partido.

Se Pedro Passos Coelho «não poupou nas palavras» em relação ao «envolvimento de Ferreira Leite», decerto tem «poupado nas palavras» no que toca ao envolvimento de Sócrates no mesmo caso, ambos em pé de igualdade no que toca à fonte – as escutas. A duplicidade de critérios é evidente.

Recapitulando novamente…

1. Pedro Passos Coelho tem «poupado» o nome de Sócrates – quer no seu livro, no qual nunca é referido apesar dos vários capítulos sobre a actualidade política, quer na apresentação da sua campanha onde nem por uma vez qualquer tipo de responsabilidade governativa foi imputada directamente ao nome Sócrates, preferindo as críticas vagas e gerais.

2. Pedro Passos Coelho é o administrador do grupo Fomentinvest. e presidente do conselho de administração da HLC Tejo e da Ribtejo. A Formentinvest tem como sócios figuras envolvidas em escândalos financeiros: os construtores Irmãos Cavaco, acusados de burla qualificada no caso BPN (Passos Coelho também «poupou palavras» na “nacionalização” do BPN) e Horácio Luís de Carvalho, que está a ser julgado por corrupção e branqueamento de capitais no processo do aterro da Cova da Beira.

3. No processo de adjudicação do aterro sanitário da Cova da Beira, Horácio Luís de Carvalho é acusado de ter depositado 59 mil euros numa conta offshore de António Morais, o “célebre” professor de José Sócrates na Universidade Independente.

4. O concurso teve lugar quando José Sócrates ainda era secretário de Estado do Ambiente – e o actual primeiro-ministro chegou a ser investigado, mas no que lhe dizia respeito o processo foi arquivado em 2007.

Vanguarda do comissariado (3)

Filed under: Diversos — Ricardo G. Francisco @ 19:26

“(…) Pelos vistos sou “ininputável” porque me limito a reproduzir os resultados de um estudo publicado pelo INE. É isso, Tiago?(…)”

João Galamba no blog da propaganda light

Tenho a dizer que inimputável ou não, pelo menos neste caso as fontes foram publicadas.  A pergunta que fica é:

- Havendo reprodução sem fonte referenciada o João também é inimputável?

Nota: Fica registado por este carneiro pronto a ser iluminado pelos comissários do Grande líder que agora a informação gerada pelos gabinetes públicos já vem identificada como tal. E isso é bom.

E agora, Amado?

Filed under: Cultura,Internacional — ruicarmo @ 19:23

O querido líder líbio lança a guerra santa contra a Suiça. Terá sido por causa da polémica e do resultado do referendo sobre os minaretes?

Ideias e Regras

Filed under: Livros,Política,Portugal — Tomás Belchior @ 18:52

O que não falta por aí são ideias sobre como resolver os problemas dos portugueses. Algumas delas até chegam a ser boas ideias. No entanto, o nosso verdadeiro drama, não é a falta de ideias mas a falta de regras, de limites efectivos ao exercício do poder. Falo em drama porque são as regras, e não o défice orçamental ou os homens providenciais, que nos salvam de nós próprios. Sem regras, o melhor que a Providência pode fazer por nós talvez seja presentear-nos com um ditador que não rouba. Convenhamos que não é brilhante.

Onde reside o poder salvífico das regras? Na capacidade que estas têm de alinhar o interesse dos governantes (conquistar e manter-se no poder) com o interesse dos governados (viver uma vida livre e próspera). O Bruce Bueno de Mesquita, por exemplo, defende que para isso acontecer é necessário que o conjunto de pessoas que efectivamente escolhe os nossos governantes coincida tendencialmente com o conjunto de pessoas que os elege, e que ambos os grupos sejam tão abrangentes quanto possível. É uma regra simples cuja aplicação em Portugal permitiria que se governasse em benefício dos portugueses em geral, e não de uns portugueses em particular, mas que aparentemente está para além do alcance das nossas ideias.

O Barry Schwartz diz, com alguma razão, que as regras impedem desgraças mas asseguram a mediocridade, que devíamos aspirar a mais. Deviámos, mas por outro lado também devíamos ser profundamente cépticos em relação à nossa capacidade em conseguir mais. Se o fôssemos, talvez percebêssemos que a mediocridade é um preço razoável a pagar pela liberdade.

(Foto daqui)

Regimes Podres e Princípios Exóticos

Filed under: Blogosfera,Internacional,Política — Miguel Botelho Moniz @ 17:41

Que o Pedro Marques Lopes não entenda que um post do Andrew Sullivan a citar Stephen Bainbridge não constitui uma opinião do primeiro, percebe-se. Que o José Gomes André não entenda, já se percebe menos. Especialmente porque o post de Bainbridge começa por ser, precisamente, uma crítica à opinião de Sullivan sobre Ron Paul, que transcrevo:

«At least Paul has some core integrity; at least he believes in small government and has long been honest about what he wants to cut; at least he fully understands that continuing an empire with this level of debt is unsustainable and unconservative …

He will continue to be smeared by the more extreme neoconservatives precisely because they see his attempt to unwind an unsustainable neo-empire as an end to open-ended, unconditional support for an increasingly far right and fundamentalist Israel and an end to the PNAC global control ideology that is slowly corrupting this country and bankrupting its treasury. Why do we have thousands of troops in Germany and Japan for Pete’s sake? If we can afford that but we cannot afford some basic health insurance for working poor Americans, something has gone seriously wrong.»

Paul representa, acima de tudo, os princípios constitucionais americanos. A sua elegibilidade é essencialmente irrelevante. O interesse de existerem políticos como Paul é a disseminação de ideias que contribuam para uma inflexão do mainstream no sentido certo. De forma parecida, embora numa escala diferente, como um Goldwater que abre a porta para um Reagan quase duas décadas depois.

Quando as pessoas que pensam sobre política se deixam enredar pelos aspectos tácticos e corriqueiros que caracterizam o comentário político (essencialmente) televisivo, em que “fulano esteve bem” e “pareceu convincente” se sobrepõe a “fulano disse o que precisava de ser dito”, perdem a orientação para o que realmente importa. A consistência de princípios torna-se algo exótico, no limite, cómico.

Tiros no pé

Filed under: Política,União Europeia — Miguel Noronha @ 14:44

Com políticos por deste gabarito não custa perceber o estado a que chegou à Grécia.

Defendendo a podridão

Filed under: Blogosfera,Justiça,Política,Portugal — Miguel Botelho Moniz @ 14:40

«Gosto muito da tese “não abanem muito a árvore do regime porque ela está toda podre”. Isso só é um problema para quem defende um regime podre.» – João Miranda, no Blasfémias.

Ainda as coincidências…

Filed under: Diversos,Justiça,Política — elisabetejoaquim @ 13:59
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Os investigadores do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro ficaram intrigados com as mudanças que ocorreram no discurso sobre o negócio da compra da TVI pela PT e que coincidem com uma reunião que teve lugar na Procuradoria-Geral da República que contou com a presença de Pinto Monteiro, do procurador Marques Vidal e do procurador distrital de Coimbra Braga Themido, noticia a “Sábado”.

De 24 de Junho (dia da reunião na Procuradoria Geral da República) para o dia 25 de Junho, Rui Pedro Soares e Paulo Penedos passaram a falar de Sócrates como se ele não tivesse estado informado sobre a intenção de compra da PT. Nem ele, nem Zeinal Bava.

Encontro com Paulo Rangel

Filed under: Agenda,Política,Portugal — Maria João Marques @ 13:21

Hoje às 21h00, no Hotel Tivoli em Lisboa, com militantes e simpatizantes do PSD. Lá será dito, com o desassombro com que nos habituou, o que Rangel pretende para o PSD na oposição e, de seguida, no governo.

Discussões que não se confundem

Filed under: Justiça,Política — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:36

A propósito do manifesto “Todos pela Liberdade”, que em boa hora subscrevi, pediram-me várias vezes a opinião sobre a legalidade e a oportunidade da publicação de escutas ilegais. Reparo agora que ainda não tinha tido oportunidade de escrever sobre o assunto, coisa que suponho ainda vá a tempo de fazer.

Não tenho opinião formada sobre a (i)legalidade das escutas do processo Face Oculta publicadas ou por publicar. Mas se as escutas forem de facto ilegais, e há muito boa gente que o nega, ou se a publicação das escutas for, em si mesma, ilegal, não posso, enquanto cidadão que é confrontado com a pergunta “devem tais escutas ser publicadas”, dar outra resposta de princípio que não seja: “não, as escutas não devem ser publicadas” (trata-se de uma resposta de princípio, uma vez que admito a existência de regras deontológicas do jornalismo que criem um ambiente de excepção, que desconheço e sobre as quais não me posso pronunciar).

Mas o manifesto “Todos pela Liberdade” não nasceu para pedir a publicação de escutas, ilegais ou não. Se assim o fosse, não teria estado entre os promotores do mesmo. Nasceu porque, tendo sido publicadas escutas com relevância política, elas obrigam, no entender dos signatários, a explicações.

Ou seja, a pergunta que, enquanto cidadãos, nos foi colocada não era já sobre a publicação ou não de escutas mas, isso sim, sobre a relevância política das mesmas após a sua publicação: “deve José Sócrates esclarecer o país sobre o conteúdo das mesmas?”.

Se por absurdo um primeiro-ministro é ilegalmente filmado a matar alguém, filmagem essa sem qualquer valor probatório, podem os cidadãos ignorar tais imagens se, por alguma forma, elas se tornaram públicas alegando que não tendo qualquer valor probatório, elas nada provam? A mesma coisa se passa com escutas que, de alguma forma, demonstram ou indiciam (no entender dos signatários, evidentemente) tentativas “de controlar meios de comunicação social privados […] ou, pelo menos, de silenciar as vozes mais críticas e contundentes” (Diogo Freitas do Amaral dixit)?

Estou disponível para uma reflexão séria sobre o segredo de justiça em Portugal, que poucos parecem interessados em proteger, que deve ser feita em tempo e sem a pressão de um especial caso mediático. Mas essa discussão não pode confundir-se com (nem servir para relativizar) aquilo que se espera de cidadãos que são confrontados com indícios constantes de escutas que o Procurador Geral, por meio de uma “decisão jurídico-política” (Diogo Freitas do Amaral dixit) decidiu tornar irrelevantes para a abertura de uma qualquer investigação.  (também aqui)

A verdadeira face de um progressista exemplar

Filed under: Double standards,Internacional — Carlos M. Fernandes @ 11:58

Zapatero, Cuba y los Derechos (In)Humanos

El caso es tan repugnante que sorprende que Zapatero, en su intervención de ayer en la llamada Sala de los Derechos Humanos y la Alianza de las Civilizaciones de la ONU -decorada con la famosa cúpula de Barceló- no hiciese una referencia expresa o, cuando menos, mencionara la situación de Cuba.
(…)
De la misma forma, extraña que el Ejecutivo se haya limitado a «lamentar» lo sucedido, sin condenarlo, y que haya descartado casi de inmediato un cambio de política hacia Cuba, cuando ha sido, por ejemplo, tan rígido con Honduras, al punto de boicotear -en sintonía con las tesis chavistas- la toma de posesión de su nuevo presidente democrático. Y eso que el régimen cubano reaccionó ayer con más represión y detuvo a medio centenar de personas para evitar protestas en la calle. Amnistía Internacional, que tenía a Zapata en su lista de presos de conciencia, denunció ayer sin ambages la «crueldad» del régimen. A la frialdad de Zapatero y del resto del Gobierno se sumó el Grupo Socialista del Congreso, que rebajó una propuesta de declaración institucional presentada por el PP que condenaba la dictadura castrista, sustituyéndola por otra que se limita a manifestar la «honda preocupación» de España por la situación de los presos políticos en la isla.

Alvacentos cálculos

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:46

Em cerca de 15 dias, os signatários do manifesto “Pela Democracia, Nós Tomamos Partido“, o manifesto de resposta ao manifesto “Todos pela Liberdade“, reuniram 3.330 assinaturas e juntaram 932 membros no grupo do facebook. Em 11 dias, uma vez que a petição “Todos pela Liberdade” já foi encerrada, o manifesto “Todos pela Liberdade” reuniu 10.823 assinaturas e juntou 6.000 membros ao grupo de facebook respectivo.

Como sou pouco dado a esta coisa de petições e manifestações, ainda para mais com recurso ao facebook (é o que dá ser de direita e ter pouca experiência nas ditas) não sei explicar a relevância que esta absoluta disparidade de números revela. Tendo até a achar que os números interessam pouco, já que a razão não reside necessariamente na maioria ou na minoria, pelo que estaria tão seguro do teor do manifesto “Todos pela Liberdade” quer tivessemos recolhido 100 ou 100.000 assinaturas.

Mas deixemos a explicação sobre essa enorme disparidade para aqueles que, pelos vistos, não só dão muita importância a estes números como também utilizam a blogosfera e o facebook para convocar concentrações, dando por isso a devida importância ao que estes números querem dizer. Ou querem lá ver que, afinal de contas, os números nem importam muito nesta coisa de avaliar a justeza da causa? Sobretudo depois de no passado Sábado uma certa manifestação – a que não me juntaria nem que me pagassem (sim, eu faço parte dos 1430 membros do grupo “Não há Pachorra para a Isilda Pegado“) – ter juntado alguns milhares de pessoas para descer a Avenida da Liberdade?

Pois

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:45

Luciano Amaral

Há grande alegria nas hostes governamentais e pró-governamentais sobre o facto de existirem escutas que “provam” que Manuela Ferreira Leite sabia do negócio PT/TVI. Talvez não tenham pensado que assim (sabendo toda a gente) se torna cada vez mais improvável que o PM não soubesse, ou que fosse o último a saber

O futuro?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:29

O futuro do Euro joga-se em Espanha, não fosse ela um problema maior que a Grécia, a Irlanda e Portugal juntos. Cada dia que passa torna-se cada vez mais urgente tomar as  medidas difíceis que há vários anos têm sido adiadas, tanto em Portugal, como na vizinha Espanha. Já tive oportunidade de escrever neste blogue variadíssimas vezes, a par com os meus colegas insurgentes: Cada dia que passa será mais difícil e cada dia que passa se torna mais necessário. Não há volta a dar.

Quer se queira, quer não, muito brevemente, o governo, seja ele do PS ou do PSD, ver-se-á obrigado a cortar na despesa pública e mexer na lei laboral e nas pensões. Vai ser preciso apostar no lado da oferta da economia, será indispensável buscar ideias aos supply-siders para sairmos da crise económica. Imensa gente vai ter de engolir muitos sapos. É o que dá a ideologia socialista em excesso. Os défices gigantescos que temos hoje não nos permitem outra solução. Até porque quem vai tomar a iniciativa de sair do euro?

Qualquer político que negue esta evidência foge à verdade.

Há coincidências fantásticas

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Miguel Noronha @ 10:10

Jornal de Negócios

A viagem de Milão até Lisboa, que permitiu que Luís Figo tomasse o pequeno-almoço com José Sócrates a dois dias das eleições legislativas, foi paga pelo Taguspark.

De acordo com o “Diário de Notícias”, a informação foi confirmada junto de fonte próxima do jogador e de um accionista da empresa que teve acesso ao contrato que todas as despesas feitas pelo ex-futebolista no dia 25 de Setembro foram pagas pelo parque tecnológico.

A justificação deve-se ao facto de nesse mesmo dia Figo ter gravado o vídeo promocional no Estádio de Alvalade para o Taguspark.

“Com a coincidência de datas, quem ganhou foi o PS, que ficou livre das despesas do seu último trunfo da campanha para as eleições legislativas”, refere o jornal.

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