Re: Abrantes & Magalhães. Por Rui Crull Tabosa.
Janeiro 18, 2010
Quando o trabalho é motivo de vergonha
São de facto declarações tristemente reveladoras do espírito tacanho de alguns jornalistas portugueses: E daí? Por Helena Matos.
Esta discussão sobre jornalistas que foram paquetes é sintomática do reaccionarismo e do provincianismo que imperam no mundo dos jornalistas: aquilo que deveria ser motivo de orgulho – ter começado como paquete e ser agora subdirector – torna-se numa mácula.
Política, infidelidade e progressismo
O caso (nos dois sentidos) da sra. Robinson. Por Alberto Gonçalves.
Há uma quantidade notável de políticos infiéis que se safaram sem mácula, ainda que as consequências da infidelidade fossem ligeiramente mais graves que a abertura de um bar. Um exemplo moderado é o de Bill Clinton. Um exemplo extremo é o de Edward Kennedy, que, em Julho de 1969, conduziu não demasiado sóbrio o seu carro para o fundo de um lago. No carro seguia, e lá ficou até morrer, uma “amiga” do senador. O senador fugiu. O escândalo não impediu que Kennedy sobrevivesse biológica e politicamente ao acidente e que, 40 anos decorridos, as elegias fúnebres de Agosto passado o pintassem como um santo. Já a carreira da sra. Robinson (e, talvez, a do marido) terminou dias após a divulgação do seu pecado. O que explica a diferença de tratamento?
O problema, se bem percebo, passa pelas convicções, sinceras ou simuladas, da sra. Robinson. Antes do deslize amoroso, ela cometeu o deslize de confessar fé cristã e simpatia pelos “valores familiares”. Pior ainda, em 2008 produzira umas afirmações desagradáveis acerca da homossexualidade. Isto, somado ao affaire, chega e sobra para transformar a senhora numa “hipócrita”. Na América, embora obviamente não só na América, a detecção da “hipocrisia” em políticos conservadores é um dos desportos preferidos da esquerda, sob o argumento de que a vida privada deve corresponder escrupulosamente aos ideais professados na vida pública. Podia-se inferir daqui que, em nome da coerência, os ideais públicos de Clinton incluíam o abuso de funcionárias e os de “Ted” Kennedy a embriaguez, o homicídio e a fuga. Mas é melhor dar um desconto, e apenas notar que atrás de imensos progressistas se esconde um inquisidor e uma fogueira acesa.
Janeiro 17, 2010
Benfica imparável (contra nove)
“Olberdam terá dito alguma coisa ao árbitro João Ferreira, que correu na sua direcção e o expulsou”, e assim ficou aberto o caminho para nova goleada.
Pouco depois, a segunda expulsão, com o Marírimo a ficar reduzido a nove elementos ainda na primeira parte: Peçanha: «Cardozo disse ao ouvido do árbitro para expulsar Robson»
Temos de parar para pensar o campeonato português, porque não vejo estas coisas em mais nenhuma Liga. Parabéns ao Benfica, mas se o árbitro não errasse o resultado não seria este. Não ouvi o que se passou na expulsão do Olberdam, mas ouvi o que se passou na expulsão do Robson. O árbitro não sabia quem colocou a mão na bola, ou se tinha havido mão na bola, mas o Cardozo foi ao ouvido dele dizer que o Robson tinha dado mão. Isto é inadmissível.
Parece que esta época, de facto, ninguém tem condições para travar a caminhada do Benfica…
Concorrência desleal
Joaquim no Portugal Contemporâneo
João Cardoso Rosas, alegadamente, faz concorrência desleal a José de Pina. O meu diagnóstico baseia-se no facto de JCR assinar as suas crónicas humorísticas como Professor de Teoria Política, travestindo o mercado. O meu “alegadamente”, pretende apenas ressalvar a hipótese académica de JCR ser um funcionário público, ou agente do Estado, que presta um serviço público escrevendo crónicas humorísticas. Nesse caso não existiria concorrência desleal porque JCR estaria a executar um mandado político.
Porque é o Haiti tão pobre
Haiti, the Western Hemisphere’s poorest country and one of the world’s least-developed nations, is plagued by corruption, gang violence, drug trafficking, and organized crime.
Haiti scores better than the world average in government spending, which is likely a sign of government weakness rather than efficiency.
After 30 years of dictatorship, a democratic constitution was adopted in 1986. (…) Préval claims a commitment to democracy, market reform, and fiscal restraint but maintains close ties with Cuba and Venezuela.
Business Freedom 37.7: The overall freedom to conduct a business is severely impeded by Haiti’s burdensome regulatory environment. Obtaining a business license takes about five times longer than the world average.
Investment Freedom 30: Authorization is required for some foreign investments, particularly in electricity, water, public health, and telecommunications (…).
Property Rights 10: Litigants are often frustrated by the legal process, and most commercial disputes are settled out of court if at all. Widespread corruption allows disputing parties to purchase favorable outcomes.
Freedom from corruption 16: Haiti ranks 177th out of 179 countries in Transparency International’s Corruption Perceptions Index for 2007. Haiti’s reputation as one of the world’s most corrupt countries is a major impediment to doing business.
Labor Freedom 61.2*: Haiti’s relatively restrictive labor regulations hinder employment and productivity growth. The non-salary cost of employing a worker is moderate, but dismissing a redundant employee is relatively costly. Restrictions on the number of work hours are not flexible.
*Curiosamente, este é um campo em que Portugal (40.3) consegue pior nota que o Haiti: Portugal’s inflexible labor regulations hinder overall productivity growth and employment opportunities. The non-salary cost of employing a worker is high, and the difficulty of firing a worker creates a disincentive for additional hiring. Regulations related to the number of work hours are not flexible.
A verdadeira catástrofe não é o terramoto III
Excerto de Flawed Building Likely a Big Element, The New York Times.
Engineers and architects who have worked in or visited Haiti say that substandard design, inadequate materials and shoddy construction practices likely contributed to the collapse of many buildings in the earthquake that struck Tuesday.
Cameron Sinclair, executive director of Architecture for Humanity, a nonprofit design group based in San Francisco, said he was “horrified” when he visited Port-au-Prince and Gonaïves last October to assess the quality of construction there.
Mr. Sinclair said that design and construction were far worse than in other developing countries he had visited. “In Haiti, most if not all of the buildings have major engineering flaws,” he said.
Most houses and other structures are built of poured concrete or block. (…) Concrete is very expensive, so some contractors cut corners by adding more sand to the mix.
Imagens aéreas da destruição no Haiti aqui.
Emoções fortes
Aparentemente, a única matéria considerada foi a necessidade imperiosa de “roubar” a Red Bull Air Race ao Porto e a Gaia de forma a que António Costa pudesse apresentar algum serviço face à notória incapacidade do actual executivo para contribuir para a resolução dos principais problemas que se colocam à cidade de Lisboa. Por este andar, só falta apresentar a Red Bull Air Race como razão para construir um novo mega-aeroporto fora de Lisboa: Red Bull Air Race ameaça cortar acesso de aviões a Lisboa
A localização da prova está definida: “entre Alcântara e Algés”, segundo a Red Bull. Este é o espaço onde os aviões da prova irão fazer acrobacias e, por coincidência, é também um ponto fulcral utilizado por aviões civis que se dirigem ao aeroporto da Portela e por embarcações marítimas que transitam no Tejo para aceder ao Porto de Lisboa.
(…)
Segundo o comandante Cruz dos Santos não restam muitas opções: “Se a localização da prova for entre Belém e a Ponte 25 de Abril, como foi noticiado, ou não há aproximação de aviões por aquela pista, ou se desloca a prova, ou modifica-se o perfil da competição para que o trajecto dos aviões não irrompa o corredor aéreo.”
Qualquer que seja a solução, a vida aérea da capital será condicionada. Cruz dos Santos explica: “Não é exequível não haver voos por aquela pista durante uma semana [duração da prova]. É a pista principal. Muito dificilmente esse eixo será cancelado.” O especialista contactado pelo i refere que “pode haver instruções para os pilotos não subirem a mais de dada altitude, mas isso influencia a própria prova – porque o trajecto que está em causa é durante o período cronometrado.”
Leitura complementar: Posts sobre a Red Bull Air Race n’O Insurgente.
A verdadeira catástrofe não é o terramoto II
Excertos do artigo de David Brooks, no The New York Times: The Underlying Tragedy
The first of those truths is that we don’t know how to use aid to reduce poverty. (…) In the recent anthology “What Works in Development?,” a group of economists try to sort out what we’ve learned. The picture is grim. There are no policy levers that consistently correlate to increased growth.
The second hard truth is that micro-aid is vital but insufficient.(…) Haiti has more nongovernmental organizations per capita than any other place on earth.
Third, it is time to put the thorny issue of culture at the center of efforts to tackle global poverty. Why is Haiti so poor? (…) As Lawrence E. Harrison explained in his book “The Central Liberal Truth,” Haiti, like most of the world’s poorest nations, suffers from a complex web of progress-resistant cultural influences.(…) There are high levels of social mistrust. Responsibility is often not internalized.
A verdadeira catástrofe não é o terramoto
The ultimate tragedy in Haiti isn’t the earthquake; it’s that country’s lack of economic freedom. The earthquake simply but catastrophically revealed the inhuman consequences of this fact.
Registering 7.0 on the Richter scale, the Haitian earthquake killed tens of thousands of people. But the quake that hit California’s Bay Area in 1989 was also of magnitude 7.0. It killed only 63 people.
This difference is due chiefly to Americans’ greater wealth. With one of the freest economies in the world, Americans build stronger homes and buildings, and have better health-care and better search and rescue equipment. In contrast, burdened by one of the world’s least-free economies, Haitians cannot afford to build sturdy structures. Nor can they afford the health-care and emergency equipment that we take for granted here in the U.S.
These stark facts should be a lesson for those who insist that human habitats are made more dangerous, and human lives put in greater peril, by freedom of commerce and industry.
A Tale of Two Quakes, in Cafe Hayek.
Manuel Alegre vs. PS ?
Vitalino Canas: candidatura de Alegre “dividirá seriamente” o PS
O dirigente socialista Vitalino Canas afirmou hoje que uma candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República “dividirá seriamente” o partido, preferindo nomes capazes de conquistar votos ao centro e à esquerda, como Ferro Rodrigues e António Guterres.
Francisco Louçã coloca Bloco ao lado de Manuel Alegre
Louçã reforçou ao longo do discurso a ideia de que as eleições serão decididas na primeira volta e, num recado para o PS, considerou “muito importante que haja uma candidatura [presidencial] que à esquerda não seja uma candidatura de partido”.
Leitura complementar: Posts sobre Manuel Alegre n’O Insurgente.
Apito encarnado, mas não só… (2)
De facto, para além dos sucessivos favorecimentos da arbitragem ao Benfica, são já também erros a mais quase sempre no mesmo sentido: prejudicar o FC Porto. Dá a ideia de que há uma equipa que tem de ficar em primeiro nem que seja à força. Compreendem-se por isso as declarações de Jesualdo Ferreira: «A lei diz que em caso de dúvida não é a favor do F.C. Porto»
«Não gosto de começar por aí, mas não posso deixar de referir que o que aconteceu hoje começou no último domingo. Em mais um lance claro, do Falcao, o F.C. Porto faria um golo. Com ele tínhamos ganho o jogo, apesar de alguma ineficácia que mostramos em certos momentos. É verdade que esse lance dava um jogo diferente que podia até ter o mesmo resultado. Mas seria sempre mais justo. Preocupa-nos o que tem vindo a acontecer. O F.C. Porto tem de começar a ter cuidado e pensar que os jogadores têm de estar dois metros atrás da linha da bola. A lei determina que em caso de dúvida não é a favor do F.C. Porto. E em linha também não.»
(…)
«Há um golo mal anulado, há um lance idêntico com o Varela, há um canto que não foi dado e acabou por resultar num amarelo para o Bruno Alves que o impede de jogar na próxima jornada.»
País Alegre, triste país
Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)
Manuel Alegre quer ajudar-nos a “mudar a vida”. Naturalmente, este modesto desígnio apenas se atinge se elegermos um presidente com “capacidade de invenção” e “poder de inspiração”, isto é, ele próprio. Além disso, Alegre considera-se “um patriota e um cidadão”, que, o que pode dar jeito, “se identifica com as raízes profundas da nossa história e da nossa cultura”. Por acrescida sorte, a profundidade não o impede de ser “um cosmopolita”, ansioso por “um Portugal que valha a pena”. E conclui: “É esse Portugal que nos interpela. É esse combate que chama por nós.”
De cada vez que abre a boca, Manuel Alegre produz um compêndio do humor inadvertido, e o primeiro instinto é divertirmo- -nos à respectiva custa. O segundo instinto é constatarmos que tamanho monumento à vacuidade não só se leva a sério como é levado a sério pela quantidade de portugueses suficiente para tornar a sua candidatura às “presidenciais” possível e a sua vitória no mínimo plausível. Aí, passa a vontade de rir da figura e apetece chorar a espécie de país que a concebeu, um país sem noção do ridículo que nos interpele, nem combate ao embaraço que nos chame. Também eu gostaria de um Portugal que valesse a pena. Alegre é uma prova de que não vale.
Janeiro 16, 2010
Apito encarnado, mas não só…
Sendo certo que Jesualdo Ferreira e Bruno Alves têm, mais uma vez, amplas razões para se queixar da arbitragem, nos jogos em casa com equipas do nível do Paços de Ferreira o FC Porto pode e deve jogar mais: F.C. Porto-P. Ferreira, 1-1
O F.C. Porto deve queixar-se sobretudo de si mesmo. Reagiu apenas perante o ultraje, o golo de Maykon após o erro arbitral que impediu a vantagem precoce dos azuis e brancos. Provocados, eles empolgaram os adeptos e sufocaram o adversário. Chegaram à igualdade, Falcao claro está, e passaram os descontos a ver Cássio segurar o desfecho registado na Mata Real.
O P. Ferreira tirou quatro pontos ao F.C. Porto nesta Liga e motivou duas exclusões para a difícil deslocação à Madeira: Raul Meireles e Bruno Alves contabilizam cinco amarelos cada e não defrontam o Nacional. Preocupante.
As lições de Rothbard
Remembering Rothbard. Por Steven Horwitz.
This month marks the 15th anniversary of the death of Murray Rothbard, arguably the most important libertarian theorist of the twentieth century. Although I only met him once in person, his work was influential in developing my “calling” in a number of ways, and the way he approached his scholarly and activist work for libertarianism over his life provides a number of lessons for advancing our own callings and the freedom movement more broadly.
(…)
Over the years I have also turned to another thinker as a role model for my academic work: the Austrian economist Israel Kirzner. Kirzner’s patient and deep scholarship, and commitment above all else to truth in economic understanding, should be an inspiration for those of us in the scholarly world. But what’s missing from Kirzner is exactly what Rothbard at his best provided: a clear and radical vision of the free society and a passion for that freedom which was present on every page.
What libertarianism needs right now, when the stakes in the battle of ideas have never been higher, is the passion of Rothbard tempered by the patient and deep scholarly values of Kirzner, with both put in the service of the vision of the free society that Rothbard gave us during his long and illustrious career.
Alguns livros recomendados de Murray N. Rothbard:
America’s Great Depression (disponível online aqui)
The Ethics of Liberty (disponível online aqui)
Man, Economy, And State: A Treatise On Economic Principles (disponível online aqui)
Tempos Difíceis (2)
Com a situação a que as políticas socialistas de Zapatero conseguiram conduzir a economia espanhola, não deve ser caso único: Centro comercial de Belmiro de Azevedo entra em insolvência
Um centro comercial espanhol detido pelo fundo da Sonae Sierra apresentou um pedido de insolvência, devido à deterioração progressiva do desempenho e queda continuada de vendas, comunicou a Sonae Sierra à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Tempos Difíceis
O museu Memoria de Andalucia, no novo edifício da Caja Granada (desenhado pelo arquitecto Campo Baeza), não faz uma única referência aos touros mas, noutros aspectos da História e cultura andaluza, é bastante detalhado. Haver uma doutrina do “politicamente correcto” a tentar condicionar o presente já é suficientemente ridículo, cansativo e inadmissível. Quando a mesma pretende combater o passado e apagar, da memória de uma região, o que sempre foi — e ainda hoje é! — um pilar da vivência de grande parte das suas gentes, então estamos perante uma espécie de crime lesa-património. (Será que ainda há livros de Hemingway na Biblioteca da Andaluzia? É preciso cuidado com as fogueiras que os herdeiros de Torquemada gostam de atiçar.)
Cavaco em alta, Sócrates em queda
Três meses após a polémica em torno das alegadas escutas em Belém, o Presidente da República recuperou quase toda a sua popularidade, que em Outubro caiu drasticamente. Já José Sócrates perde pontos no ranking das preferências dos portugueses, com a sua actuação a merecer novamente uma nota negativa: 9,2. Pior só mesmo Manuela Ferreira Leite, com 6,1.
Bom senso na SICN
Tenho andado arredada dos espaços de opinião que a televisão nos oferece, em parte por falta de tempo e em parte por já não ter mais paciência para ouvir comentadores de esquerda (mesmo quando se proclamam de direita) dizendo sempre as mesmas coisas, comentando o seu país inventado, fingindo capacidade de análise neutral enquanto promovem a agenda política que lhes é mais cara (dentro das várias variantes da esquerda, mesmo que mascarada de direita) ou que mudam de opinião consoante já ajudaram ou não a eleger o seu governo de esquerda. No entanto, ontem apanhei o Henrique Raposo na SICN comentando Manuel Alegre, as presidenciais e dizendo umas evidências: que não, Alegre não é candidato de mudança nenhuma, que está virado para 1975, que está demasiado à esquerda, que por si só não vale nenhum milhão de votos. Uma boa decisão da SICN, este convite ao Henrique Raposo, a manter se quiser ganhar qualidade e audiências. E, como bónus, tive direito a um bom momento televisivo em que Luís Delgado esteve visivelmente desconcertado com uma opinião (a do Henrique) que ia contra a verdade convencionada.
Não será antes um “prémio-carreira”?
Li com atenção o post do FAL no Albergue Espanhol, bem como os respectivos comentários. Não sei exactamente se há na condecoração de Santana por Cavaco uma escolha tão selectiva do timing; agora, assim à primeira, diria que Cavaco vai entregar a Santana uma espécie de “prémio-carreira”. Eu tenho simpatia por PSL (ainda em 2009 subscrevi a sua candidatura à Câmara de Lisboa); só que, realisticamente, este não é o seu tempo, nesta fase não há qualquer espaço para um novo “santanismo”. E, já agora, não vejo que a iniciativa presidencial ajude muito PSL a “relançar-se”. Dito de outra forma, parece que Cavaco se prepara – mais do que dar-lhe alento – para explicar a Santana que ele, como se diz na gíria, “passou à história”.
Carta aberta ao Senhor Ministro das Obras Públicas
Caro Sr. Ministro das Obras Públicas, Dr. António Mendonça,
Venho por este meio, respeitosamente, dar-lhe nota da minha profunda admiração pelo esforço de criatividade em que se traduz antecipar que a nossa Lisboa querida e seus arredores se podem tornar, a breve trecho, na “Praia de Madrid”. Na verdade, há dezenas de anos que “nuestros hermanos” da capital espanhola vivem o sonho de um dia poderem banhar-se na sua própria praia, tendo-se tornado tal colónia balnear na maior utopia dos cidadãos madrilenos, algo que faz parte do imaginário colectivo espanhol.
Com humildade democrática, junto uma sugestão musical que bem poderia inspirar as próximas campanhas publicitárias junto dos “nuestros hermanos”: eles ficaram com Olivença, mas a praia de Madrid, essa, é “nuestra”, aliás, “nossa”!
Bem haja por ver tão longe!
RAF
PS: Falando agora a sério, Sr. Ministro, sabe que mais? TGV? Lembra-se daquela, “No tengo dinero”? Se não lembra, ouça e veja este vídeo com atenção: nós estamos a começar a ficar tesos, e as praias da Costa já estão cheias. Deixe os espanhóis irem para Loret del Mar, e esses sítios, que eles gostam, e que até ficam – para eles – mais pertinho.
Janeiro 15, 2010
“Aqui no hay playa”, Los Refrescos, dedicated to…
Ministro das Obras Públicas da República, António Mendonça, que quer fazer de Lisboa, com o TGV, a praia de Madrid.
“Quando estivermos ligados a Madrid, Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid”, afirmou António Mendonça.
Martha Cloakley vs. Scott Brown
É de facto muito significativo que o Partido Democrata esteja hoje em risco de perder o lugar deixado vago por Ted Kennedy, uma possibilidade que seria impensável ainda há alguns meses atrás: Democratas em perigo. Por Nuno Gouveia.
Se há um mês alguém colocasse esta hipótese, do desconhecido Scott Brown, senador estadual republicano, derrotar a nomeada do Partido Democrata, a Procuradora-geral do estado, Martha Cloakley, diria que isso era uma loucura. E qualquer analista politico americano o diria, mesmo republicanos. Mas nas últimas duas semanas tudo mudou nesta corrida, e Scott Brown surge mesmo com reais hipóteses de vencer. Na última sondagem publicada hoje pela Suffolk, Brown surge com uma curta vantagem de 4% sobre Cloakley. E tudo está em aberto.
Isto já é uma grande vitória para o Partido Republicano.
Questão alegre V
Caso Alegre vença o candidato oficial do PS mas iguale o resultado das últimas eleições presidenciais, o poeta pega no Movimento Cidadãos Por Lisboa – capitaneado por Helena Roseta – e atira para o lixo o acordo de casamento com António Air Bull Costa?
Questão alegre III
Quanto tempo falta para as questões do humanismo e dos conhecimentos literários servirem de nível nos comentários e debates para as eleições presidenciais?
Alegre na estrada
Em Portimão, Manuel Alegre lança a sua candidatura presidencial. Tem mais de 35 anos, é detentor de um arquivo histórico que conta com um milhão de votos fechados no baú e a simpatia sorrridente do Anacleto Louçã. Será que terá o apoio formal do PS de Sócrates e de Soares para se assumir como candidato presidencial vencedor?
Lisboa, a praia de Madrid
Uma bela ilustração para estas declarações de António Mendonça, o ministro das Obras Públicas que ainda não disse Jamais…

(foto via Fórum de Bolsa)
Uma comunicação social domesticada
Acima de tudo, imperam em Portugal – com raríssimas excepções – a ignorância, o respeitinho e a subserviência: Que dicen los periodistas, periodistas portugueses de ahora? Por José Mendonça da Cruz.
Jornalistas? Informação? Não se vê bem … Mas vê-se – e lamenta-se – que a oposição (e principalmente o PSD) não compreenda que o PS foi, embora de forma nefasta e asfixiante, extremamente competente, nem leve estes temas muito a sério quando é e quando não é governo.
A natureza do regime
Um julgamento que pode vir a ser muito interessante e revelador sobre a natureza do actual regime: Manuel Maria Carrilho vai ser julgado por nove crimes
Em causa está um litígio que opõe o antigo ministro de António Guterres e o dono da agência de comunicação António Cunha Vaz.
Dias interessantes no PSD…
Apesar do estado do partido (ou talvez em parte por causa dele) não faltam alinhamentos, realinhamentos e sinais tácticos no PSD:
Santana já tem assinaturas para Congresso extraordinário
Santana intima Machete a marcar congresso
Cavaco condecora Santana
PSD: «Marcelo queria 100% de apoio, 99% talvez me chegassem» – Menezes não afasta hipótese de se recandidatar, mas só o fará em «situações absolutamente excepcionais»
Promessas de desilusão (2)
Na última década o PIB português, a preços correntes, cresceu 40,2% (dados FMI). A Dívida Directa do Estado cresceu 110,8%.
E os políticos portugueses continuam a querer “salvar” a economia nacional com novos investimentos públicos, financiados através da emissão de ainda mais dívida.
Promessas de desilusão
Económico (meus destaques):
Para tentar acalmar as agências de ‘rating’ e os receios dos investidores face à saúde financeira de Portugal, Alberto Soares [presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP)] sublinha, em primeiro lugar, que este Governo já foi capaz, antes de a crise rebentar, de corrigir o défice das contas públicas. Já no final do comunicado, o presidente do IGCP antecipa um acordo com os partidos da oposição quanto ao Orçamento e lembra que o Executivo sinalizou que haverá congelamento de salários na Função Pública.
Alguém vai ficar desiludido. Resta saber se funcionários públicos ou investidores. Claro que também não ajuda à credibilidade do Estado português saber que a Dívida Directa cresceu, no ano passado, 14,3 biliões de euros (pdf).
Talvez as palavras do presidente do IGCP estejam relacionadas com as necessidades de financiamento do corrente trimestre e o cada vez maior risco de subida das taxas de juro contratadas (ver pdf acima):
1. Emissão de Obrigações do Tesouro (OT)
O montante de financiamento a ser satisfeito através da emissão de OT no 1ºT situar-se-á entre EUR 5,5 e 6,5 [biliões]. Proceder-se-á à abertura de uma nova OT e prevê-se a realização de 2 a 3 leilões, com montante global entre EUR 2,5 e 3,5 [biliões].2. Emissão de Bilhetes do Tesouro (BT)
[entre 5 e 6,75 biliões]
Hoje às 18 horas (redifusão, Domingo às 19), Luís Silva e Manuel Pinheiro
Esta semana eu e a Antonieta Lopes da Costa em debate com Luís Silva e Manuel Pinheiro, com alguns dos principais temas da actualidade em cima da mesa:
1) Orçamento 2010 – O governo prepara o próximo Orçamento de Estado. Até quando o país aguenta tanta despesa pública?
2) Presidenciais – Estão cada vez mais perto as eleições presidenciais e são várias as jogadas de bastidores, com o ensaio de diferentes candidaturas. Quem pode concorrer contra Cavaco Silva?
3) PSD – Outra corrida eleitoral que se avizinha é à liderança do PSD. Passos Coelho é já certo e Aguiar Branco pode avançar. O vencedor será para ficar… ou sair, daqui a poucos meses?
4) Aquecimento Global – Arrefecimento local. Depois de tantos avisos de falta de chuva para os próximos anos, estamos perante o Inverno mais rigoroso das últimas duas décadas, com neve, chuva e muito frio. Podemos ficar descansados, no que às alterações climáticas diz respeito?
O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui. É também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, Brasil.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
Fraude ou chantagem?
É certo que as notícias recentemente vindas a público procurando dar conta da disponibilidade socialista para acolher a adopção por casais homossexuais no seguimento de eventual sentença aditiva do Tribunal Constitucional podem ilustrar uma autêntica fraude política, pensada ao milímetro.
Mas tenho para mim que elas não passam de meros avisos ao Presidente da República na sequência do incompreensível afã dos movimentos contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo acerca da apreciação da constitucionalidade da proibição da adopção.
Avisos que, em forma de chantagem, procuram convencê-lo a limitar a sua apreciação a um veto político, susceptível de confirmação pela Assembleia, atentos os riscos do veto por inconstitucionalidade. Na verdade, com estes avisos, o Presidente da República está hoje bem ciente dos riscos que corre em enviar a lei para o Tribunal Constitucional e do que lhe pode custar a táctica vitória de ver a lei esquartejada por aquele Tribunal.
É certo que há quem no PS possa ver com bons olhos a anatomia de uma fraude, talvez na infundada ilusão de que a relativa aceitação ou indiferença social face ao casamento se espalhe também à matéria da adopção. Mas a verdade é que o PS não está em condições, sequer internas, para empreender essa batalha.
Como é que se diz “bolha” em chinês? (II)
Boa pergunta do Miguel a que o Banco Popular da China, leitor assíduo d’O Insurgente, respondeu esta madrugada no seu relatório. Diz-se “crescimento da M2 de 27% ao ano”.
Com boneco explica-se melhor.

