O Insurgente

Janeiro 31, 2010

Portugal, Grécia e as agências de rating

Filed under: Economia,Internacional,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:00

Não digo que não. Por Luciano Amaral.

As pessoas esforçadas são de apreciar. Ultimamente, muitos têm-se esforçado por mostrar que os problemas da dívida pública portuguesa são as agências de rating. É um esforço louvável, como qualquer outro, mas não vale a pena o exercício de denial. Falam-nos da venda de títulos gregos na passada 2ª feira. Mas esquecem-se de dizer que só foi possível graças a um prémio acima do spread então em vigor e sempre com a possibilidade de salvamento por parte da Alemanha (que ainda não está excluída). Entretanto, o spread da dívida grega voltou a atingir máximos, mesmo com a possibilidade de salvamento pela Alemanha. Sorry folks, a Grécia e Portugal têm mesmo um problema de endividamento, público e externo. Mas sobretudo têm um problema mais grave: más perspectivas de crescimento económico no futuro.

5 Comentários »

  1. A Grécia só se salva de duas maneiras: através de uma eterna subsídio-dependência da parte da Alemanha, ou saindo do Euro, o que significa a saída da UE. A redução do défice externo e do Estado grego até 2013 significaria um retrocesso no nível de vida dos gregos em mais de 20 anos. Se a Alemanha não avalizar a Grécia, é uma questão de pouco tempo para estourar que nem uma castanha.

    Milton Friedman tinha razão quando dizia que quando os políticos se metem em economia, os resultados são catastróficos. E foi a política que construiu o Euro.

    Comentário por O. Braga — Janeiro 31, 2010 @ 22:55

  2. “E foi a política que construiu o Euro.”

    Mas curiosamente este sistema monetário onde está o euro tem a mão de Friedman :)

    Comentário por Nuno Branco — Janeiro 31, 2010 @ 23:56

  3. @ Nuno Branco:

    Milton Friedman and the Euro

    Milton Friedman never found it necessary to hide his feelings with regards to the creation of the Eurozone and the euro currency; he didn’t like it and he felt that it was unlikely to survive a serious economic test. In the year leading up to the launch of the euro in 1999, Friedman stated that he did not believe the Eurozone could last ten years and even as late as December 2005 – less than one year before he died at 94 years of age – Friedman was still very pessimistic:

    “The euro is going to be a big source of problems, not a source of help. The euro has no precedent. To the best of my knowledge, there has never been a monetary union, putting out a fiat currency, composed of independent states. There have been unions based on gold or silver, but not on fiat money—money tempted to inflate—put out by politically independent entities.”

    - Interview with New Perspectives Quarterly Magazine, 2005

    http://forexblog.oanda.com/20090203/milton-friedman-and-the-euro/

    Comentário por O. Braga — Fevereiro 1, 2010 @ 06:35

  4. Braga,

    Eu referia-me ao sistema monetário e não a uma moeda ou outra que façam parte dele.

    Comentário por Nuno Branco — Fevereiro 1, 2010 @ 09:31

  5. @ Nuno Branco:

    Certo.

    Mas um sistema monetário, segundo Friedman e não só, obedece a condições pressupostas que se baseiam numa realidade concreta. E o Euro não entra nas condições dessa realidade concreta segundo Friedman, e neste sentido, podemos dizer que o sistema monetário europeu não obedece às condições prévias e objectivas segundo Friedman.

    Comentário por O. Braga — Fevereiro 1, 2010 @ 13:59


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