Como é que a observação de um caso de lançamento de um novo produto ou serviço serve de argumento para rebater o argumento de crowding out? Estaria o João Galamba à espera de um total colapso da economia portuguesa, com a suspensão da inovação e da criatividade (assumindo que é o caso) simultaneamente em todas as empresas?
Talvez a explicação esteja na sua pergunta: «[C]omo é possível insistir-se na validade do axioma: crescimento económico equivale a redução do peso do Estado na economia?»
É que ele está a ver as coisas ao contrário. O peso do estado na economia é que coloca entraves ao crescimento económico, pois o processo de alocação de recursos por decisão política será regra geral menos eficiente que o processo de alocação resultante do acesso próximo à informação de mercado por parte dos seus participantes. Se o planemamento central falhou nos velhos estados comunistas e nas democracias que o tentaram, porque havia de resultar agora? O que mudou?
Além disso, o problema do crowding out em Portugal não é exclusivamente uma questão de peso do estado. Mais importante (e o exemplo da Galp é nisso totalmente irrelevante) é o limite de endividamento de Portugal como um todo. Quanto mais o estado se endividar, mais terá de cobrar em impostos no futuro para poder pagar aos credores; mais impostos significam menores rendimentos no sector privado, que significam menor capacidade de financiamento. E aqui nem o velho argumento keynesiano colaria: As despesas do estado neste momento são esmagadoramente em áreas improdutivas.