Consta que no parlamento hoje, Francisco Louçã afirmou que «os dez maiores investidores da bolsa ganharam cinco mil milhões no ano passado sem pagar um cêntimo de impostos». De igual modo, há poucos dias, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda fez um comunicado em que afirmou [negritos meus]:
«Ora, as dez pessoas cujos patrimónios imobiliários se valorizaram em 5 mil milhões de euros, em 2009, teriam que pagar mil milhões de imposto se tivessem comprado e vendido as acções nesse ano e se houvesse um imposto mínimo, e não pagarão nada se se mantiver a situação actual. O rigor fiscal financiaria dois anos de acesso ao subsídio de desemprego para todos os que dele precisam para viver. O governo preferiu beneficiar dez especuladores.»
Esta subtil qualificação é o gato escondido com o rabo de fora. A verdade é que não ocorreram mais-valias taxáveis ao abrigo dos códigos do IRS e IRC, que embora com uma taxa de 10%, já taxam mais-valias detidas por menos de 12 meses. Se o governo tivesse implementado o planeado, a taxa passaria para 20%, mas as “mais-valias” em causa (não realizadas), permaneceriam isentas. Uma mais-valia só é cobrável no momento da venda. Não havendo venda, não há mais-valia.
Isto é fácil de entender. Mas o disparate ainda é maior, na medida em que dificilmente se concebe a possibilidade de que as transacções pudessem realmente ocorrer no prazo de 12 meses. O volume total anual de transacções na Euronext Lisboa foi de 31,7 mil milhões de euros. Tendo a valorização da capitalização total das acções ali transaccionadas subido 51,8%. Assim, as referidas 10 pessoas teriam de “passar” pelo mercado cerca de 15 mil milhões de euros, cerca de metade do volume total anual. A pressão vendedora seria brutal. Os preços provavelmente teriam de descer bastante. Os magnatas portugueses deixariam de ser donos das suas empresas. (acho que nem mesmo a CGD poderia intervir aqui para manter os “centros de decisão”).
O único ponto deste sound bite do Bloco é salientar o contraste entre os poucos dez ricaços e os muitos que “precisam”. Subjacente à afirmação está um conjunto de pressupostos: Que se o governo fosse atrás dos “dez”, eles não se iam embora; que se tentassem ir embora, bastaria expropriá-los; no fundo, que o que é teu é nosso.
Bem poder-me-ia dizer como é que chegou a esse valor de 31,7 mil milhões?
Quanto ao seu artigo confesso que acho que foi demasiado brando. É que não há palavras que qualifiquem tamanha estupidez do bloco!
Comentário por João Cardiga — Janeiro 29, 2010 @ 19:06
Não me admirava que este Louçâ levasse um tiro no seu focinho de ladrão um dia destes. Sempre que sai alguma coisa da boca dela é para chular alguém. É realmente impressionante. Parece que tem um gene parasita. O homem pensa realmente que é dono dos bens dos outros e que, assim sem mais nem menos, os espoliados têm que aceitar a coisa.
O que vale, é que falta aos maricas do Bloco os tomates para implantar o seu programa de controlo estatal total da produção. Para isso, tinham que partir para a guerra civil. Como dizia o George Reisman, são como uns carteiristas que falam em assaltar o banco, mas nunca ganham coragem para fazê-lo.
A erosão da liberdade no nosso país não vai acontecer através de grandes golpes à Lenine. Não é por aí que temos que temer. A nossa via é a da social-democracia cada vez mais opressiva, gradual, socialista sem ser comunista, corporatista, reguladora, e controladora. Em suma, a via fascista, mas com ar tolerante e humano.
Comentário por Pedro Bandeira — Janeiro 29, 2010 @ 19:14
«como é que chegou a esse valor de 31,7 mil milhões?»
É só seguir o link…
Comentário por Migas — Janeiro 29, 2010 @ 19:19
Bem antes da primeira vez já tinha seguido e não tinha conseguido encontrar. Nabice minha, voltei lá e já encontrei.
Obrigado!
Comentário por João Cardiga — Janeiro 29, 2010 @ 19:33
Só me admira o Louçã não exigir que a malta pague aos desempregados da África toda…
Comentário por Lusitânea — Janeiro 29, 2010 @ 21:20
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