utopia. Por Ricardo Arroja.
De resto, é neste ponto que eu estou em profundo desacordo com o Pedro Passos Coelho: a utopia, que ele tanto critica, é crucial, pois é a utopia que cria o mundo imaginário no sentido do qual devemos caminhar. Pelo contrário, o pragmatismo conduz apenas ao centrão que, em definitivo, não conduz a coisa alguma. Em suma, na minha opinião, essa história de o político ter de saber aquilo que é politicamente realizável, ou não, é uma treta. Os passos podem ser incrementais. Mas a política, e a visão, não.
Concordo. Há que saber traçar rumos, e saber como se deve caminhar. Ter ideias é bom, mas ter ideiais, também.
Comentário por Rodrigo Adão da Fonseca — Janeiro 23, 2010 @ 16:58
“Pelo contrário, o pragmatismo conduz apenas ao centrão que, em definitivo, não conduz a coisa alguma.”
Socrates (PS)—->Pedro Passos Coelho (PSD-Cãncio)—-> António José Seguro(PS)
O Pedro Passos Coelho é apenas um idiota util do Partido Socialista, um lider de transição para o outro Xuxa, como foi Durão Barroso, nota-se pelo apoio implicito que estão a dar à sua candidatura…
é o Socretino da Direita, ainda ha poucos meses, venerava tal como Socrates Zapatero…
Comentário por tric — Janeiro 23, 2010 @ 18:41
A ilusão de Pedro Passos Coelho é afirmar-se crítico da utopia. A crítica da utopia é a sua (dele) utopia. Ele não deixa de ser utópico; a utopia dele consiste na negação da utopia, consiste na utopia de um mundo pós-moderno sem utopia. Por isso, aqui estou em desacordo com o Pedro Arroja.
Mas já estou de acordo com ele sobre a impossibilidade da existência de um político provido de frònesis, isto é, da prudência, que transforma nele a utopia em “espírito objectivo”, para utilizar o termo de Dilthey. A utopia no sentido histórico do termo (Bacon) é uma manifestação medieval do gnosticismo (tal como é a utopia do III reino de Joaquim de Fiore) que preconiza a salvação do Homem através da instauração de um paraíso terrestre. Trata-se de uma alucinação, de um delírio interpretativo em relação à realidade.
O político prudente terá que ser o produto de uma articulação política que segundo Eric Voegelin (“Nova ciência da política”) se constitui na representatividade constitucional (elementar ou básica), na representatividade existencial que dá ao colectivo a noção do líder como alguém realizando a ideia da instituição (seja o Estado, seja uma colectividade, etc.), e a encarnação no líder de uma verdade que transcende a própria sociedade, e que é partilhada (através da persuasão), de forma universal, pelo conjunto dos indivíduos (ou da esmagadora maioria).
Portanto, a utopia de Passos Coelho é dupla (utopia ^ 2), e o político prudente não é utopista.
Comentário por O. Braga — Janeiro 23, 2010 @ 19:04